quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 2


Vimos que Jesus não morreu por todas as pessoas, mas apenas por aquelas que creem nisso - clique aqui. Ao analisarmos essa questão dessa forma, podemos concluir que aqueles que morreram sem crer em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, não foram alcançados pela Sua morte. Ou seja, aqueles que morrem sem ter fé em Jesus Cristo não foram alvo da morte expiatória dEle.

O apóstolo Paulo desenvolve isso em Efésios, capítulo 2: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (v. 8). O que fica claro, por esse versículo, é que a graça, a salvação e a fé não vêm de nós, mas vem de Deus como um dom para nós.

A graça diz respeito àquilo que não merecemos, mas mesmo assim Deus nos dá, nos outorga, nos deixa à disposição. Não merecemos ser salvos porque nossa natureza se opõe a tudo que diz respeito a Deus. Nossa inclinação é para nos afastarmos de Deus, nos distanciarmos dEle. Em Romanos, capítulo 5, o apóstolo Paulo deixa isso muito claro. E isso acontece porque a nossa natureza é má, é pecaminosa.

Isso não significa que as pessoas que ainda não têm Jesus Cristo como Senhor e Salvador não possam participar de obras assistenciais, praticar a solidariedade, justiça social ou ajudar aos necessitados. O que Paulo está associando é a graça com a fé e com a salvação. Um marido tem fé e acredita no amor de sua esposa, mas essa fé não é suficiente para salvá-lo de seus pecados. Um filho tem fé no amor e dedicação que seus pais têm por ele, porém não é esse tipo de fé que vai conduzi-lo a Cristo.

O apóstolo está tratando de uma fé salvífica. Ambas as fés, se é que podemos nos expressar dessa maneira, são dons de Deus. Mas a fé para a salvação requer algo especial: o reconhecimento de que não somos merecedores dela e que, se Deus não operar em nós a salvação, por nós mesmos não conseguiríamos ser salvos. Dessa forma, não podemos dizer que todas as pessoas têm fé em Jesus Cristo, visto que nem todas as pessoas creem nEle como Senhor e Salvador. Precisamos, como Igreja de Cristo, deixar isso muito claro para as pessoas. Não é o fato das pessoas saberem que Jesus existiu, conhecerem um ou outro ensino dEle que as fazem Suas seguidoras e discípulos.

Ter fé em Jesus Cristo é estar inteiramente seguro que o que precisava ser feito para a minha salvação, Ele já fez e eu não preciso fazer mais nada. Não há nada mais que possa ser feito. Ele obedeceu de modo perfeito. Ele morreu de uma vez por todas. Ele pagou o preço que me era exigido. Ele ressuscitou dos mortos e me deu vida. 

Eu não preciso fazer nenhum sacrifício. Não tenho que participar de nenhuma campanha de 7 dias, 7 sextas-feiras. Não preciso subir em monte algum para ficar orando ou vendo gravetos “pegarem fogo”. Não preciso ficar marchando em ruas, atrapalhando o trânsito de ambulâncias e os demais carros. Ele é tudo em todos, todos os que são salvos pelo Seu eterno e perfeito sacrifício.

Portanto, se Ele me concedeu fé para crer que meus pecados já foram perdoados e que estou lavado e remido por Seu sangue, nada mais importa. Mas preciso receber dEle o dom da fé-graça-salvação. Só Ele pode dar isso e Ele o faz a quem Ele quer. Receber esse dom não está em mim, pois nada do que eu fizer pode movê-lO na minha direção. O apóstolo João nos ensina que se nós O amamos e porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). E disso deriva todo o resto: só tenho fé, por que Ele a me deu; nasci de novo em novidade de vida, porque Ele me regenerou para essa nova vida; busquei-O com amor, porque Ele me buscou primeiro e me alcançou.

Aprendemos em Romanos 11:29 que os dons e a vocação do trino Deus são irrevogáveis, isto é, Ele não volta atrás nas Suas determinações. Mas Ele precisa outorgar fé para as pessoas crerem, do contrário, ninguém seria capaz de crer em Jesus Cristo. A Bíblia é muito clara que as pessoas não querem Jesus Cristo como Salvador (João 5:40). Portanto, todo o nosso desejo de salvação partiu dEle primeiro. Toda a iniciativa de salvação veio da parte dEle e nós apenas respondemos a essa iniciativa da parte de Deus. Nada partiu de nós, tudo partiu dEle. E, por isso mesmo, glória somente a Ele.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 1


Jesus não morreu por todas as pessoas. Essa é uma afirmação bíblica com amplo respaldo de versículos, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Vejamos, por exemplo, um dos versículos mais famosos da Bíblia, João 3:16:



“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Pois bem, esse versículo afirma que os que têm a vida eterna e não perecerão são apenas os que creem e não qualquer tipo de pessoa. Já temos um ponto de partida: não são todas as pessoas que serão salvas – serão salvas apenas as pessoas que creem em Jesus Cristo, o Filho unigênito do Pai. Veja que o apóstolo João vincula a vida eterna ao fato de a pessoa ser capaz de crer que Jesus Cristo é o que garante essa vida eterna. Temos aqui uma condição essencial para a salvação, crer no Senhor Jesus Cristo.

Assim, se eu creio que Jesus Cristo é meu Senhor e Salvador, posso ter certeza absoluta que Ele efetivamente morreu para mim, do contrário eu não creria nEle. Esses dois fatos estão intimamente ligados, Ele morreu por mim por isso eu creio nEle. E nessa ordem: primeiro Ele morreu, depois eu cri. A fé que eu tenho que Ele me salvou é consequência do ato dEle ter me salvado. Usando o tema do amor, lemos em 1 João 4:19 que “nós amamos porque ele nos amou primeiro”. 

Não podemos inverter essa ordem, caso contrário a nossa fé seria a causa da nossa salvação. Se tiver que responder a alguém por que sou salvo, minha resposta deve ser que sou salvo porque Ele morreu por mim e me deu fé. Essa fé que tenho na obra de Jesus Cristo é a consequência da Sua morte e ressurreição. Posso acreditar que o prefeito vai tentar fazer o melhor pela minha cidade, ou que minha esposa me ama profundamente. Mas crer que Jesus Cristo é o Senhor, requer uma fé especial, diferente dessa fé comum em pessoas comuns. Chamamos essa fé de fé salvífica.

Afirmar com fé o senhorio de Jesus Cristo é tão especial que o mesmo apóstolo João afirma que esse tipo de afirmação só é feito da parte de Deus (1 João 4: 2-3). Se não for obra de Deus na nossa vida, jamais poderíamos afirmar isso com convicção, de modo que gerasse vida em nós. Primeiro nossa mente e coração são transformados para entendermos a urgência da obra de Cristo por nós, recebemos fé da parte de Deus e confessamos que Jesus Cristo é nosso Senhor. Quem não é capaz de afirmar que Jesus Cristo é Senhor e Salvador de Sua vida, não pode dizer que Jesus morreu por ele. Daí, então, surge uma pergunta importante nessa reflexão: por quem Cristo morreu?

Vamos tratar desse questionamento na próxima postagem

terça-feira, 3 de julho de 2012

Minha refutação a Silas Malafaia

Pr Silas, não vou refutá-lo no campo da Teologia, pois gente mais capaz que eu já tem feito isso e continuará fazendo. Mas na minha área de conhecimento, Biologia, gostaria de colocar algumas questões que o irmão falou.

Infelizmente, quando o senhor coloca algumas informações científicas, eu fico entristecido com essa postura. Falta-lhe conhecimento científico em muitas das suas afirmações e isso macula o trabalho de gente séria, que milita na Ciência e na Teologia, como é o caso de Adauto Lourenço, ou Marcos Eberlin. É uma pena que o senhor fale sobre Ciência sem a devida pesquisa.

No programa em que o senhor "chama pra briga" os blogueiros de plantão há algumas afirmações equivocadas sobre a frutificação de alguns vegetais. E, à guisa de ser honesto com a informação científica e com os seus ouvintes, peço que o senhor seja mais cuidadoso com as afirmações que não são da sua área.

De onde o senhor tirou a afirmação que as tamarareiras frutificação após 30 anos? Aqui no Nordeste brasileiro, as árvores frutificam, em média, há cada dois anos (http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=170). Se o senhor quiser argumentar em relação às tamareiras no Oriente Médio, por serem espécies diferentes das cultivadas aqui, não muda muito. Elas frutificam entre 4 e 8 anos, bem diferente da sua informação. Se o senhor clicar aqui, poderá ter acesso a uma pequena bibliografia sobre o assunto.

Em relação ao tamarindo - e não tamarino, como o senhor disse - a frutificação se dá por volta de 4 a 6 anos e não 60 anos como o senhor afirmou (http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=1573). De onde o senhor tirou essa informação?

No que diz respeito ao abacate o senhor afirmou que a frutificação se dá no sétimo ano. Quanto a isso o erro cientifico nem pode ser considerado como erro, pois os estudos mostram que se dá por volta de seis anos (KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Universidade/UFGRS, 1984. 138p.). Mas tudo bem, 6 ou 7 anos é considerado como um erro-padrão em Ciência.

É lamentável que o senhor tenha uma atitude dessas em relação às informações científicas. Do mesmo jeito que a Teologia precisa ser usada com respeito e correção, as informações científicas merecem o mesmo respeito e correção. Mesmo que a Ciência esteja abaixo da revelação de Deus na Sua Palavra.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Murmuração versus Louvor


Esse é o texto do sermão que preguei na Igreja Batista da Vila Gerte (São Caetano), dia 24 de junho de 2012.

 A palavra de Deus não esconde as mazelas dos seus personagens humanos. Quantas vezes queremos esconder nossos erros e fracassos, para que as pessoas nos aceitem! O cantor Frejat mostrou essa preocupação numa letra de música:
Procuro um amor, que seja bom pra mim,
Vou procurar, eu vou até o fim,
E eu vou tratá-la bem, pra que ela não tenha medo,
Quando começar a conhecer os meus segredos.

         A Bíblia deixa muito claro, inclusive de seus principais personagens, quais foram seus erros e fracassos e não os esconde de ninguém. Apenas como exemplo podemos citar o caso do rei Davi, mesmo sendo um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), teve alguns de seus pecados registrados no Antigo Testamento. Um deles foi querer fazer o recenseamento do povo (1 Crônicas 21) contra a promessa de Deus de fazer o povo de Israel uma grande nação. Por causa desse pecado de Davi, 70 mil homens morreram de peste. O outro pecado, famoso na vida de Davi, é seu adultério com Bate-Seba (2 Samuel 11).
         O povo de Israel, na Teologia, representa o que é, hoje, a Igreja de Cristo. Guardadas as devidas proporções, podemos aplicar várias passagens do povo de Deus do Antigo Testamento para a nossa vida. É bem verdade que precisamos lembrar que o Antigo Testamento é uma prefiguração do Jesus Cristo e não da nossa vida diretamente. Sendo assim, eu gostaria de convidá-los a pensar algumas coisas em relação à nossa vida.
O apóstolo Tiago se expressou muito bem quando, na sua carta, explicou a ação da língua na vida das pessoas (Tiago 3:1-12). Trata-se de um órgão muito pequeno, mas com um poder devastador de quem não sabe usá-la. O aposto diz que a língua pode ser inflamada pelo inferno (v. 6), o que demonstra a facilidade com que pecamos no uso da língua. Numa de suas conversas com Seus discípulos, o Mestre disse que a boca fala com o que está presente no coração (Lucas 6:45). Na Bíblia, o coração é mais do que um órgão que bombeia o sangue. Em sentido figurado, o coração é a sede do intelecto (Gên. 6:5), dos sentimentos (1 Sam. 1:8) e da vontade (Salmo 119:2).  Portanto, como ensinou o Mestre em outra oportunidade, “O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.” (Mateus 12:35).
Precisamos tomar cuidado com o que falamos, com quem falamos e como falamos. Davi, no Salmo 19, nos conclama a que nossas palavras sejam agradáveis diante do Senhor. Mas o falar do salmista, vem acompanhado com a meditação do coração, o que nos mostra o estreito vínculo da boca com o coração (v. 14). Salomão, em seus Provérbios, também nos chama a atenção para uma boa qualidade de vida, a partir do bom uso da nossa língua, “O que guarda a boca e a língua guarda das angústias a sua alma.” (Provérbios 21:23). E mais uma vez, recorremos ao apóstolo Tiago, quando ele nos ensina que falar demais está associado à ira que essa tagarelice pode causar, “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tiago 1:19).
Para nossa lembrança, murmuração significa falatório depreciativo, detração, maledicência, calúnia e mexerico. Mas quais eram os motivos que o povo de Deus tinha para tratá-lO dessa maneira? A Bíblia faz separação entre uma reclamação justa e entre uma reclamação injusta, ou seja, um murmúrio. Em Lucas 18, Jesus conta uma parábola de uma viúva que importunava um juiz malvado. De tanto importunar o juiz, a viúva conseguiu que o juiz julgasse a sua causa (v. 5).
No Antigo Testamento vemos, pelo menos, 10 situações em que o povo de Israel murmurou contra o Senhor, isto é, reclamou sem uma justa causa.

1.    Êx. 14.11 — Quando persegui­dos pelos egíp­cios junto ao mar ver­melho lamen­taram a sua morte.
2.    Êx. 15.23 — As águas eram amar­gas e dis­seram: que have­mos de beber? Moisés lançou um pau nas águas e ficaram doces.
3.    Êx. 16.2 — Fal­tou o pão e lamen­taram as pan­elas da carne. Deus enviou maná de manhã e carne à tarde.
4.    Êx. 17.3 — Não havia água. Dis­seram: por que mor­rere­mos à sede? A rocha deitou água.
5.    Êx. 32.1 — Moisés demorava-se e pedi­ram deuses que os guiassem. Arão deu-lhes um bez­erro de ouro. Irou-se o Sen­hor, (9–11).
6.    Nm. 11.1 — Queixaram-se do maná no deserto. Veio fogo do Sen­hor e con­sumiu alguns no arra­ial.
7.    Nm. 12.2 — Miriam e Arão tam­bém querem a lid­er­ança. O Sen­hor irou-se e Miriam ficou leprosa, (9,10)
8.    Nm. 14.2 — Rev­e­lam temor dos gigantes da terra e mur­mu­ram. Deus disse que não entrariam na terra prometida, (23).
9.    Nm. 16. 3 — A rebe­lião de Coré con­tra a lid­er­ança de Moisés e Arão. A terra engoliu os rebeldes. E fogo do Senhor con­sumiu os 250; (33,35)
10. Nm. 16.41– Depois dis­seram: vós matastes o povo do Sen­hor. Deus indignou-se e enviou uma praga mor­rendo mais 14.600.

Vamos ver a ocorrência do bezerro de ouro, relatada em Êxodo 32.
O povo estava cansado de esperar sem ter uma resposta, por isso começou a murmuração (v. 1). Daí, pediram que Arão fizesse um bezerro de ouro, usaram suas riquezas para a fundição e fizeram para si um deus imaginário (v. 2-4). Feito isso, o sacerdote Arão declarou que no dia seguinte seria um dia de festa para o Senhor (v. 5). Quando amanheceu, o povo ofereceu sacrifícios, comeu e bebeu e se divertiu (v. 6). E é exatamente aqui o grande problema da murmuração: atribuir à criação o que é obra exclusiva de Deus.
Deus é muito claro quanto ao zelo que Ele tem com Seu nome e com Sua glória, “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura.” (Isaías 42:8). Ele agiu dessa forma com Satanás (Ezequiel 28:13-19); agiu dessa forma com Nabucodonosor (Daniel 4:33).
O caso de Nabucodonosor é emblemático quanto a não atribuir a Deus o que Lhe é devido. Ele se inflou no seu orgulho, na grandeza do seu reino, nas riquezas que amealhou, ele cresceu e confiou na força do seu poder. E, por causa desse poder todo, atribuiu a si mesmo a sua grandiosidade (Daniel 4:30). E no mesmo instante Deus mostrou-lhe quem realmente manda (v. 31-33). Por causa de sua arrogância, Nabucodonosor foi contado com os animais do campo.
No episódio do bezerro de ouro, o povo reclamou contra o Senhor, atribuiu a um animal irracional o que era de Deus e a ira do Senhor Se acendeu contra Seu povo. E como Deus impetrou a Sua justiça? A justiça de Deus foi vindicada pelos levitas. A murmuração foi combatida pelos levitas, os responsáveis pelo louvor a Deus. É assim que Deus trata a reclamação do Seu povo. Ele é intolerante com esse comportamento. E o louvor é exatamente o oposto disso. Louvar a Deus significa que não estamos pensando nas derrotas, nas dificuldades, pois atribuímos a Deus as nossas bênçãos.
Quando louvamos a Deus nossa boca se enche de alegria e gratidão pela obra de Deus na nossa vida. Quando exaltamos o “Deus da nossa salvação”, reconhecemos a nossa pequenez e, ao mesmo tempo, reconhecemos a grandeza de Deus. O louvor a Deus nos liberta (Paulo e Silas – Atos 16:25-26); Saul era liberto de um espírito mau quando Davi tocava sua harpa (1 Samuel 16:23).

domingo, 17 de junho de 2012

Quando Jesus não quis perdoar!


“E Jesus, tendo ouvido isso, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.”
Marcos 2:17

            Por esse versículo – e outros poderiam ser citados – entendemos que o ministério de Jesus Cristo foi resgatar pecadores, transformando-os em pessoas justificadas, tirando-lhes a culpa e a condenação. O ministério do Mestre não tinha interesse especial em um grupo de pessoas, visto que todos são pecadores e carecem da glória de Deus (Romanos 3:23). Ele veio para o pobre e para o rico, para o judeu e para o gentio, para os senhores e para os empregados, para os adultos e para as crianças, para os leigos e para os religiosos. Ele veio para a prostituta e para seus acusadores, pois ambos eram pessoas doentes (João 8:1-11).

            Infelizmente nos dias de hoje há uma ênfase exagerada em certos aspectos da Bíblia em detrimento de outros. Em outas palavras, a igreja cristã está enfatizando demais o lado do amor de Jesus e menos outros lados em que Seu amor não é tão evidente. E a passagem da mulher adúltera é apenas um exemplo disso. É óbvio que Jesus, sendo a expressão exata do Pai, amou, e amou intensamente. Mas não sou capaz de entender que Jesus tenha amado a todos da mesma maneira. E vou ainda mais longe: desconfio que Ele tenha amado a todos.

            Se amar não é apenas um sentimento, mas uma ação de quem ama para seu alvo de amor, a passagem da mulher pega em adultério me mostra que a ação de Jesus foi diferente com as pessoas envolvidas. Ele agiu de modo diferente, perdoando a mulher e deixando os acusadores irem embora sem perdão. Ora, aqueles acusadores também careciam do perdão e de um toque de amor de Jesus. Há que se destacar que a mulher não foi espontaneamente, arrependida, buscar o perdão de seus pecados. E, por isso, me pergunto se, se ela não tivesse sido pega em adultério, ela teria se arrependido?

            O discurso moderno é que Jesus amava tanto que Ele jamais poderia ter uma atitude negativa em relação às pessoas, quanto mais em relação à salvação das pessoas. Mas esse evento da vida de Jesus Cristo evidencia que Ele não se preocupou em revogar a condenação daqueles acusadores. Ele simplesmente deixou que eles seguissem seu próprio caminho e não interviu na vida deles, como interviu na vida daquela mulher. Lembremos mais uma vez que a mulher não buscou a Jesus para ser perdoada e nem pediu isso. No relato da conversa dEle com a mulher, toda a ação parte de Jesus e não dela. É Ele quem pergunta sobre os acusadores dela. É Ele que dispensou a mulher perdoada, mas deixou os homens saírem condenados por seus próprios pecados.

            Jesus tinha poder para perdoar tanto a mulher quanto seus acusadores, mas optou em mostrar misericórdia apenas para ela. Noutra oportunidade, Jesus foi procurado por um dos fariseus e teve uma atitude completamente diferente. Nicodemos queria entender como Jesus tinha tamanha autoridade de fazer tudo o que fazia (João 3:1-21). Com ele, o tratamento de Jesus Cristo foi completamente diferente. Mas alguém poderá argumentar que o tratamento de Jesus foi diferente porque Nicodemos foi procurá-lO, porque nesse episódio a postura de Nicodemos era diferente daquela dos acusadores da adúltera.

            Lembremos mais uma vez que a mulher em questão também não queria ser perdoada e não foi buscar a Jesus arrependida de seus atos. Os primeiros 12 discípulos também não queriam seguir a Jesus. O apóstolo Paulo odiava a Jesus Cristo. Mas há ainda um exemplo mais contundente no Novo Testamento que mostra a atitude de Jesus Cristo: o caso da cidades impenitentes. Entretanto, isso fica para o próximo post. Até mais, Marcos. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

DNA Espiritual? Ah, será que Watson e Crick morreram salvos?

Na década de 1980, o humorista Jô Soares interpretava uma personagem que era um coronel da ditadura militar que estava acordando de um coma de 6 anos. Ao se ver diante de transformações impensadas na época da ditadura, o recém-acordado gritava pedindo para tirar o tubo e morrer de vez. Depois de um tempo de diálogo com o médico e a enfermeira, ele reconhecia que pouca coisa tinha mudado e pedia para ser mantido com o tubo.

A sensação que eu tenho, com a igreja brasileira é mais ou menos a mesma coisa. São tantas as novidades e invencionices por parte dos líderes evangélicos brasileiros, que se algum pastor sério, tivesse acordado de um coma de 10 anos, ele teria a mesma reação da personagem do Jô Soares.

O grande problema desses líderes - atualmente identificados como apóstolos, patriarcas, paipóstolos - são bizarrices e desvaneios criados pela fertilíssima imaginação deles. Não vou perder o seu tempo mostrando os inúmeros exemplos que aparecem no Youtube, nos blogs, nos sites e nos programas de televisão desses líderes. Mas uma dessas aberrações teológicas tem a ver com a Biologia e não posso deixar de comentar.

Ainda que o referido "apóstolo" Fernando Guillen possa tentar me desqualificar no campo teológico... vá lá!!! Nem brigaria muito com ele. Ele alegaria que eu não tenho diploma de teólogo, talvez ele tenha. Ele talvez apelasse para um curso de formação em teologia que tenha feito; eu não tenho um curso desses no meu currículo. Mas tenho duas outras coisas que, pelo que percebo ele não tem: sou biólogo formado pelo Mackenzie - e disso me orgulho muito - e tenho bom senso teológico. Esse "apóstolo" não tem essas características.

Ele promove um evento chamado A Influência da Iniquidade no DNA. Posso até imaginar o que ele queira dizer com isso. Já participei com um pastor amigo meu de uma conversa dessas, mas eram apenas conjecturas e ficaram restritas aos "nossos momentos de reflexão" íntima. Mas como biólogo e cristão, devo me posicionar como interessado em participar de um evento desses. Será que existe alguma sequência de DNA que marca o pecado na nossa vida, A propósito, a nossa natureza de pecado é uma questão de DNA? Ou é eminentemente espiritual?

Nesse referido curso, ele mistura temas que são das Ciências Biológicas com a Teologia. Olha os temas: Aspectos Genéticos da Iniquidade: DNA, RNA, Células; O Cordão Umbilical Espiritual; O Papel da Medula Óssea na Iniquidade; A Regeneração. Esses dois últimos temas me chamaram mais a atenção. Eu realmente preciso fazer esse curso para entender qual é o papel da formação das células sanguíneas na noss iniquidade. Será que a medula óssea influencia a iniquidade do meu coração? Isso é importante, porque se for verdade, o currículo de Hematologia da faculdade precisa ser revisto. Além disso, será que ele está falando da regeneração tecidual de células mortas! Se for, eu gostaria de aprender mais sobre esse tema. Inclusive, uma máxima da Ciência, que os neurônios não se regeneravam; hoje sabemos que existem certos neurônios capazes de regeneração. Agora se ele for falar sobre a regeneração espiritual do nosso coração, prefiro o diálogo de Jesus com Nicodemos.

Um dos maiores expontes da genética mundial, Francis Collins, coordenador geral do Projeto Genoma é evangélico e em seu livro, A Linguagem de Deus, não faz nenhuma alusão ao pecado ser determinado geneticamente. As nossas células sanguíneas são fabricadas dentro dos nossos ossos e, sinceramente, o que é que isso tem de iniquidade para que o referido "apóstolo" faça uma curso explorando o tema. Eu não tenho inteligência suficiente para alcançar esses ensinamentos. Se eles fossem bíblicos eu até me esforçaria para alcançá-los.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...