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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Estou com vontade de pecar!

Todos nós temos vontade de pecar. Não dá para escapar disso. O apóstolo João escreveu que quem não tem pecado já é mentiroso (1 João 1:8). A vontade de pecar ganha força quando há uma possibilidade, ainda que remota, real de se rebelar contra algo ou alguém. Desde o jardim do Éden, quando o homem quis tomar as rédeas da própria vida, essa vontade tem feito separação entre o Criador e Suas criaturas.


Estou com vontade de pecar porque acabei de voltar da Receita Federal. Fui negociar minha dívida com o “leão”. O pessoal lá da Receita está dizendo que estou devendo. É lógico que não concordo com isso. Pago quase R$ 3.000,00 retido na fonte e ainda devo quase a mesma quantia todos os anos. Alguma coisa está errada nisso. Saí do prédio da Receita Federal com vontade de sonegar na próxima declaração de Imposto de Renda.


Um grande amigo meu, cristão também, não paga o Imposto de Renda. Ela dá um jeito de não pagá-lo. Não sei o que ele faz, mas sei que ele não paga. E a alegação dele, ainda que verdadeira.... eu não sei não! Ele fala que não paga para um bando de ladrões e corruptos ficarem roubando esses impostos. Pelo pouco que sei não é isso que a Bíblia fala.


Bem, pelo título do meu texto já dei a dica. Infelizmente querido leitor, gostemos ou não, concordemos ou não, sonegar os impostos é pecado. Devemos dar a “César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21). Meu amigo até reconhece que está errado, mas prefere não pagar o tributo. Espero que ele não pague pelo seu próprio erro!


Mas minha vontade de pecar foi motivada pela injustiça que ocorre no Brasil. Não é justo pagarmos tudo o que pagamos e os governantes serem maus administradores e roubadores desse dinheiro. No fundo a gente sempre tenta encontrar uma desculpa para nosso pecado. Contudo, a razão de querermos pecar é que somos... pecadores. Sim e infelizmente, somos pecadores!!!


Tive vontade de xingar a atendente que apenas me entregou os comprovantes da minha dívida – o pior foi ouvir dela que estava em dívida porque não havia pago. “Como assim não havia pago? Todo mês me descontam do salário!!!!!” Tive vontade de mandar aquelas pessoas e aquele prédio para a “meretriz que os tinha parido”. Tive vontade de afogar minha decepção e frustração com um belo e grande prato de comida, até não caber mais. Tive e ainda tenho vontade de me mudar desse país. Pena que ela não quer!!!


De tudo isso, comi um sanduíche que não era grande, uma esfiha e um refrigerante... zero de açúcar. Depois comi um bombom. Agora estou entrando no site da Receita Federal para ser provado no meu cristianismo. Será que ainda vou ter vontade de pecar por causa do Imposto de Renda?

sábado, 19 de setembro de 2009

He is exalted

Spurgeon, um exemplo

Relutei muito em escrever esse texto, mas fui fortemente incentivado pelo que Spurgeon fez no seu tempo. Em outubro de 1887, ele rompeu com a União Batista, em Londres, porque faziam parte dessa associação pessoas que não pregavam mais o evangelho verdadeiro. A Alta Crítica, como ficou conhecida na época, desviou-se dos temas centrais da fé cristã, criando o que ficou conhecido como Novo Pensamento ou Nova Teologia. Infelizmente, Spurgeon usou de vários artifícios para evitar ter que tomar essa atitude. Escreveu para o secretário da União várias vezes (que inclusive era seu amigo), escrevia artigos apontando os erros e nada foi feito, nem pela União Batista, nem pelos próprios envolvidos naquelas discussões.


Spurgeon combateu com pessoas que queriam reconsiderar as fontes dos livros da Bíblia, eliminar os milagres da Bíblia e reduzir a Palavra inspirada ao nível dos livros meramente humanos. Nos dias atuais, pelo menos em relação aos milagres, a situação é oposta. Hoje, os pregadores evangélicos, principalmente os que têm a mídia consigo, exageram o papel dos milagres, inclusive banalizando-os. O “príncipe dos pregadores”, desde o início de seu ministério, combatia as falsas doutrinas onde e quando elas surgiam. É bem verdade que ele tem muitos inimigos e desafetos com essa postura. Mas importava mais defender a Palavra de Deus, do que fazer concessões espúrias.


Eu não tenho a influência e nem a capacidade que Spurgeon tinha. Não sou pastor e não tenho responsabilidade sobre a vida espiritual de ninguém, Spurgeon, por exemplo, pregava mais de dez vezes por semana, em cidades diferentes, indo à cavalo e sem microfone. Sua igreja tinha mais de 10 mil pessoas todos os domingos para ouvi-lo. Portanto, meu rompimento aqui não terá o impacto que teve a ação de Spurgeon. Por isso mesmo, vou colocar um trecho de um artigo escrito pelo próprio Spurgeon:



“Torna-se um assunto sério: até onde aqueles que permaneçam na fé uma vez dada aos santos devem confraternizar-se com aqueles que se voltaram para outro evangelho. O amor cristão tem seus direitos e as divisões devem ser evitadas como graves males; mas, até que ponto estaremos justificados em permanecer confederados com aqueles que estão abandonando a verdade? É pergunta difícil de responder de maneira que se mantenha o equilíbrio dos deveres. Quanto ao presente, é necessário que os crentes sejam cautelosos, para não suceder que dêem seu apoio e seu auxilio aos traidores do Senhor(...) grifos meus!



Cada crente julgue pessoalmente; mas de nossa parte, pusemos novos ferrolhos em nossa parte e demos ordens para que a grilheta fique bem presa, pois, parecendo pedir a amizade de servo, há aqueles que pretendem roubar O SENHOR(...)


Uma coisa está clara para nós: não se pode esperar que estejamos associados com nenhuma união que abranja aqueles cujo ensino sobre os pontos fundamentais é exatamente o inverso daquilo que para nós é estimado... Com profundo pesar nos abstemos de reunir-nos com aqueles que amamos profundamente e que respeitamos de coração, visto que fazê-lo nos envolveria numa aliança com aqueles que não podemos ter nenhuma comunhão no Senhor.”


Esses trechos foram extraídos do livro que estou terminando de ler, Spurgeon: uma nova biografia, de Arnold A. Dallimore, publicado pela Editora PES.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Suicídio - apenas uma reflexão!



Os assuntos abordados na Bioética são muito polêmicos. E são por dois motivos. Ou as pessoas entendem do assunto e querem expor suas idéias, ou as pessoas não entendem nada, fingem que têm alguma opinião e saem falando a quem quiser ouvir. Com relação ao suicídio acho que é isso que acontece. As pessoas só vão ter uma opinião realmente sólida depois de muita reflexão. E se tiverem a experiência de conhecer alguém que tentou o suicídio, ou que efetivamente se suicidou, as opiniões se fortalecem ainda mais. A Bíblia não trata especificamente da questão, mas podemos extrair algo de proveito para nós. Meu convite a você é que tenha calma e muito discernimento para o que vai ler a partir de agora.

Muitas pessoas encaram o suicida como uma pessoa que chegou ao limite da sanidade. Muitos não conseguem compreender como uma pessoa é capaz de cometer um ato desses. Muita gente sente medo de morrer e não consegue entender como alguém é capaz de provocar a própria morte. Para aqueles que são muito sensíveis a qualquer tipo de dor também é inconcebível que alguém consiga se suicidar. A liberdade na vida é uma busca quase que universal. Todos querem ser donos do próprio nariz. Na verdade, a busca de muitas pessoas é ter uma liberdade absoluta na vida. Muitos não se casam para não perderem a liberdade da vida de solteiro. Muitos casais escolhem livremente não ter filhos para se manterem exclusivamente um para o outro. O sentido de liberdade do ser humano é muito importante e exerce um verdadeiro fascínio. Quem não quer ser dono do próprio destino?

Isso pode ser percebido em algumas relações de pais e filhos. Muitos saem da casa dos pais para “alçarem vôos mais altos”, “para terem seu próprio canto”, “para terem a sua própria vida”. Nas salas de aula isso também é visto com nitidez: alunos que se rebelam contra as regras do colégio; alunos que deliberadamente não fazem as tarefas; respondem com o dedo em riste aos professores. Alguns empregados desejam firmemente serem donos de seu próprio negócio e não mais subordinados. Enfim, vemos as pessoas buscando exercer sua liberdade de todas as formas.

O suicídio é apenas uma dessas formas de exercer liberdade. Sem dúvida que se trata de um exercício da liberdade num grau muito elevado. Quem mais poderia legislar a meu favor se não eu mesmo? Inúmeras razões resultam no suicídio: depressão, desilusão amorosa, fracasso financeiro, uso abusivo de drogas. Não vou discutir essas razões de uma pessoa escolher se suicidar. Mas como cristão e biólogo, alguém que trabalha a favor da vida, não posso me furtar a tocar nessas questões. Será que algum cristão passaria por esses problemas destacados acima?

Tradicionalmente, a igreja (evangélica e romana) sempre condenou o suicídio como moralmente incorreto e o colocou na prateleira dos pecados imperdoáveis. Ora, se alguém comete o suicídio, como se arrependeria dele? Assim sendo, se fosse salvo, perderia sua salvação por não ter se arrependido. Esse argumento parece bastante lógico e ponderável. Mas imagine que uma pessoa tenha decidido se matar pulando do vigésimo andar de um prédio. Lá pelo décimo andar essa pessoa se arrepende de verdade e clama por perdão. Não há meios dela se salvar fisicamente, mas está arrependida do que cometeu e será salva? Seria válido tal arrependimento?

Isso mostra o caráter singular do suicídio e do arrependimento de pecados. Se eu for um assassino e me arrepender dos meus crimes, posso parar de cometê-los. Mas o suicida da história acima não terá essa chance. Mesmo tendo se arrependido não poderá mais exercer a liberdade que dizia desfrutar. Assim sendo, questiono: para onde essa pessoa vai depois do suicídio? Se a pessoa deve se arrepender de seus pecados para herdar a vida eterna, então a personagem dessa nossa história está salva. Mas deixe-me “pessoalizar” essa situação.

Imagine-se numa manhã, você, salvo pela graça de Deus, seja tradicional, carismático, neo-pentecostal ou qualquer outra linha teológica, depois de uma noite péssima por causa de um enjôo bem forte, dormiu pessimamente, sua cabeça dói, seu corpo inteiro dói, com esse estresse todo você saiu de casa e não orou. Normalmente você faz isso depois de acordar, ora agradecendo a noite de descanso, pede as bênçãos para um novo dia e pede perdão por seus pecados. Mas nessa manhã, cansado pelo desgaste da noite, você não orou. Ao atravessar a rua, você foi atropelado por um carro e acabou morrendo, sem ter tido a oportunidade de naquela manhã se arrepender dos seus pecados. Pergunto: para onde você vai? Céu ou inferno?

Para encerrar, quero te convidar a pensar no caso de Sansão. Você acha que ele cometeu suicídio? Você se lembra do que ele disse: “Morra eu com os filisteus.” (Juízes 16:30). Ele estava cego, entre duas colunas e disse que destruiria os filisteus. Minha pergunta é: o que Sansão fez para evitar a sua morte? Qual foi a atitude dele em tentar preservar a sua vida? Depois de ter empurrado as colunas ele não saiu correndo para se salvar. Respondendo as perguntas acima: entendo sim que Sansão não fez nada para se salvar e que, sim, cometeu suicídio.

Muitos me dirão que as intenções do coração de Sansão eram diferentes daquelas de um suicida desequilibrado, ou daqueles que enfrentam grande depressão e angústia. Sim, Sansão era um guerreiro e estava vingando o povo de Deus e destruindo um povo idólatra. O ato de Sansão foi um ato heróico, de muita bravura e de total rendição aos desígnios de Deus. Uma vez que ele se arrependeu do grande mal que provocou aos israelitas, agora ele tinha a oportunidade de vindicar a soberania de Deus.

A esses pergunto: não podemos pecar contra Deus apenas com nossos desejos também? Será que uma intenção boa e justificável aliviaria nosso pecado? No caso de Sansão, o que posso dizer, é que mesmo tendo pecado contra Deus se matando, ele está arrolado no rol dos “heróis da fé”, como é conhecido o capítulo 11 de Hebreus. Só Deus salva, só Deus condena. Só Deus pode dar vida, só Deus pode tirar a vida. A Ele, e somente a Ele, sempre e sempre, seja toda a glória.