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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O que eu sou mesmo?

Já falei mais de uma vez que o segundo livro mais importante do mundo é o dicionário. Todo mundo deveria ter um dicionário em casa. Todo mundo deveria consultar o dicionário. Todo mundo deveria ter um dicionário no bolso da calça, dentro do carro, no celular, no computador e em todos os lugares. Os dicionários deveriam estar disponíveis à consulta popular em praças, pontos de ônibus, estações de trem e metrô, em supermercados, repartições públicas. Mas acho, principalmente, que o dicionário seria muito útil nas igrejas.

Se eu falo que sou crente, posso ser identificado com qualquer pessoa que crê em algo ou alguém, afinal de contas, a definição do dicionário para a palavra crente é aquele que crê. Assim, posso ser identificado com um espírita que crê na reencarnação. Posso ser identificado com um budista, que crê no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Se disser que sou crente posso ser confundido com um muçulmano radical que crê que os crentes em Jesus precisam ser eliminados. A Bíblia diz que até os demônios crêem (Tiago 2:19) e eu não sou um demônio.

Se eu falo que sou evangélico, vou ter que explicar um monte de situações constrangedoras nas quais muitos evangélicos entram. As pessoas podem pensar que ando guardando dinheiro nas cuecas e meias. A quem pense que faço parte de uma igreja moderna qualquer que fica fazendo passeata, que entrega um monte de dinheiro na igreja. Tem gente que vai pensar que o pastor da minha igreja é dono de televisão, ou que fica fazendo milagre a torto e a direito na TV para os outros verem. Segundo o dicionário, evangélico é aquele que se apresenta em conformidade com os Evangelhos. Mas tem tanta gente fazendo cada coisa contrária aos Evangelhos que me dá até medo ser confundido com essas pessoas e ainda corro o risco de ser qualificado como algum tipo de programa da televisão.

Se eu disser que sou protestante, vou ter que explicar contra o quê estou protestando. A definição do dicionário é realmente interessante nesse caso. Segundo o dicionário Houaiss, um protestante é adepto de alguma das denominações cristãs que se separaram da igreja católica romana durante a Reforma, ou de algum dos grupos que descendem delas. O problema é que muitos grupos se dizem descendentes da Reforma Protestante porque não têm nada a ver com a igreja católica. Além do mais, o Brasil, infelizmente, ainda é um país com pouca gente que conhece História geral e até eu situar a pessoa no contexto do período da Reforma e Contra-reforma a pessoa já perdeu o interesse.

Se eu assumir que sou cristão talvez fique mais fácil. O cristianismo é muito grande e mesmo dizendo que sou cristão, tenho que explicar muita coisa. Por exemplo, um dia me disseram que não podia ser cristão porque eu ria muito e os “cristãos tinham cara feia”. Na Palestina, onde o cristianismo nasceu, se eu disser que sou cristão, posso ser confundido com um católico romano ou da Igreja Ortodoxa e não sou nenhum dos dois. Se disser que sou cristão no meu prédio, os muçulmanos que moram aqui vão pensar que acredito em Maria mais do que em Jesus. Se assumo que sou cristão, no meio acadêmico, é capaz de algum católico romano ou espírita me chamar de irmão.

Veja o que o dicionário traz: “diz-se de ou aquele que professa ou freqüenta igreja de uma das modalidades do cristianismo”. Aqui o dicionário não ajudou muito, pois ele deixou muito ampla a definição, “modalidades do cristianismo”. Só pra dar um exemplo, o cristão do sul dos Estados Unidos é bem diferente daquele da região norte. Aqui no Brasil, um cristão da Presbiteriana não se parece nem um pouco com um cristão da Assembleia. Nesse país, a “mistura de raças” também acontece nas igrejas. Assim como encontramos brasileiros de todas as tonalidades de pele, olhos e cabelos, também temos igrejas pra todos os gostos.

Olha a mistura. Aqui temos os presbiterianos do Brasil, presbiterianos renovados, presbiterianos independentes e presbiterianos conservadores. Também temos batistas regulares, batistas da Convenção, batistas renovados, batistas independentes e batistas reformados. A Assembleia de Deus não é diferente, parece uma colcha de retalhos: tem assembleiano com usos e costumes, os sem usos e costumes, tem assembleiano carismático, assembleiano renovado e se você quiser pesquisar, vai encontrar muito mais.

Apesar dos pesares não posso me furtar ao que a Bíblia ensina, a despeito da violência que é praticada contra a Palavra de Deus. Um grande amigo, Antonio Poccineli, que já descansa no Senhor, sempre me dizia que os “pregadores estão fazendo a Bíblia dizer o que ela não diz”. E ele estava certo naquela época... e continua certo ainda hoje! Apesar de muitos hereges se dizerem cristãos, essa é a maneira como os primeiros discípulos foram chamados (Atos 11:26), CRISTÃO, e é assim que me identifico. Depois disso, vem as explicações!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vida e morte juntas

Comecei a lecionar num colégio novo em 2010. Na verdade é o mesmo colégio em leciono desde 2004, mas agora com uma outra unidade. E o caminho que faço para chegar lá passa por dois cemitérios, o da Consolação e o São Paulo. A impressão que eu tenho é que as pessoas não gostam muito do cemitério. E é bem fácil de saber o por quê! Mas não tem jeito, basta a gente passar por um cemitério... pronto, começamos a pensar na vida. Mas agora estou pensando na morte.

Minha pergunta para mim mesmo é como eu vou morrer? Meu interesse não é saber se vai ser num acidente, ou de doença, ou de velhice. A pergunta é: quando chegar a minha hora, estarei preparado para me encontrar com o Justo Juiz? Mais cedo ou mais tarde, vou me encontrar com Ele. E como vai ser?

A Bíblia mostra que só existem duas possibilidades: (1)Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Romanos 8:1) e (2)Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Marcos 16:16). E então, posso perguntar: como você vai morrer? Eu quero morrer absolvido da minha culpa, quero morrer perdoado dos meus pecados. A Bíblia também ensina que o pecado não vai herdar o reino dos céus. Quero morrer lavado pelo sangue de Cristo, purificado de toda minha injustiça (1 João 1:9).

Mas toda vez que penso na morte, no céu e no inferno, fico pensando se quero ir pro céu porque não quero o inferno, ou porque amo a Deus. Por que você não quer ir para o inferno? Para não sofrer? Ou por que você desejar estar a eternidade com Deus? Amamos mais a Deus ou odiamos mais o inferno?

Agora, chega de perguntas. Como estou vivo e preciso me manter vivo ainda nessa terra, preciso ir dar minha primeira aula na escola nova. Daqui há pouco a gente se encontra... ainda nessa vida, nesse blog.

Marcos D. Muhlpointner