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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Há dez anos atrás

Há exatos dez anos atrás eu passava o dia mais triste da minha vida: passei o Natal de 2003 sozinho, numa cidade litorânea. Eu e um peru que comprei para comer. Deixei a ave assando no forno, desci, andei pela praia e voltei. Antes de comer, orei e perguntei ao Senhor o que estava acontecendo comigo. Não lembro de ter recebido uma resposta.

Mas quanta tristeza. Não tinha ninguém com quem dividir. Mas eu também não tinha nada para dividir. Vivia um verdadeiro deserto. Não tinha esperança de nada mais: triste com minha igreja local, pouquíssimos amigos, profissão sem perspectiva, sem namorar já fazia muito tempo. Enfim, dava dó!

Depois de ter comido uns pedaços do Peru, desci para a praia a fim de ver alguém. Vi algumas pessoas, mas a tristeza continuava dentro de mim. Resolvi voltar para o apartamento e dormir. No dia seguinte, logo cedo, esquentei um pouco da carne do peru do dia anterior, comi meu café da manhã. Organizei o lixo, e sobrou muita carne, joguei fora, peguei minha mala e voltei para casa. Nada tinha mudado. E daquela experiência, pelo menos naquele momento, não tirei nada de útil.

Hoje, 2013, dez anos depois, estou na mesma praia, no mesmo apartamento, só que acompanhado da minha esposa e meus sogros. Como louvo a Deus por Ele ter colocado essas pessoas na minha vida! Como sou feliz ao lado deles! Deus restaurou minha alegria. Quase não tenho lembrança daquele fatídico Natal de 2003.

No Natal lembramos o nascimento de Jesus Cristo - ainda que na Bíblia não tenha essa prescrição. Mas Ele nasceu para morrer. E Ele morreu para me salvar, para me colocar no caminho do céu. Se não fosse por Ele, diretamente e na vida dos que estão comigo hoje, certamente eu não estaria aqui. É só porque Ele morreu e decidiu me amar é que estou aqui.

Bendito seja o Senhor Jesus Cristo e que Ele nasça no coração dos Seus eleitos! Feliz aniversário do Senhor Jesus Cristo!!!!! 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um amigo querido está estudando as questões sobre livre-arbítrio e salvação. Animei-me em conversar com ele, ainda que de modo virtual. Essa é a resposta que escrevi a ele sobre suas indagações. Creio que pode ser útil para outras pessoas interessadas no assunto.

Quando tomei contato com essas doutrinas também me questionei isso. Mas veja que todos, sem exceção, merecem o inferno. Deus não tinha – e não tem – obrigação de salvar ninguém. O parâmetro de Deus nas Suas escolhas é Ele mesmo. Pois sendo perfeito e bom, não existe parâmetro melhor que a própria Trindade.

Ninguém é capaz de se arrepender a não ser que seja convencido pelo Espírito Santo e conduzido pelo próprio Deus ao arrependimento (Romanos 2:4). Lembre-se que a inclinação natural da carne é inimizade contra Deus e, portanto, por nós mesmos, sem a ação de Deus não seríamos capazes de nos voltar para Deus.

Não somos programados para fazer o “bem” ou o “mal”, o pecado da nossa natureza nos inclina SEMPRE para o mal: “Não há um justo se quer, ninguém que faça o bem”. É preciso entender que esse bem está relacionado com a capacidade de nos voltarmos a Deus. A nós isso é impossível, a não ser se houver a influência do Espírito Santo. Por que precisamos participar da salvação? Em Jonas 2:9, lemos que “a salvação pertence ao Senhor”. Ao mancebo de qualidade Jesus disse que o que era impossível para os homens é possível para Deus. Agora, sendo Deus perfeito, bondoso e amoroso para conosco, qual seria o problema se fôssemos programados por Ele! Se Deus fosse um ser qualquer, aí sim seria temerário ser programado por Ele.

Mas não é esse tipo de Deus que os calvinistas veem na Bíblia. Certamente, o deus que você descreveu é humano demais e não é o Deus da Bíblia. O problema de não se reconhecer o próprio pecado é porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não se resplandeça a luz”. Os sentidos estão embotados não por Deus, mas pelo pecado. Lembre-se que, sem Cristo, os homens estão “mortos nos seus delitos e pecados”, espiritualmente mortos. Ora, “as coisas do Espírito são discernidas espiritualmente”, como o homem natural pode entender as coisas de Deus? A não ser que haja uma radical operação regeneradora do coração humano, segue-se a máxima de Jesus de João 5:40, “vós não quereis vir a mim para terdes vida”.

Estar disposto a ser iluminado pelo Espírito Santo envolve, talvez, sermos confrontados nas nossas convicções. Você está disposto a se reconhecer errado, caso isso venha ocorrer? Você analisa com isenção suficiente as duas explicações sobre salvação? Está disposto a estudar sem ideias pré-concebidas?No final das contas a sua salvação depende de quem: de Deus que te amou ou da escolha que você fez? A quem você agradece quando está de joelhos aos pés do Mestre? A sua salvação é sua porque você se esforça para mantê-la? Ou é apenas pelos méritos de Cristo que você se mantém salvo? Aliás, é você que se mantém salvo ou é o Senhor Jesus Cristo que preserva você salvo? Essas são perguntas que precisam ser feitas com sinceridade ao nosso coração.

Não faz sentido nós compararmos a justiça de Deus com os nossos padrões de justiça. A salvação, por um lado, não tem sentido mesmo: desobedecemos a Deus, somos pecadores na nossa natureza e endossamos o pecado com nossas ações todos os dias; a Bíblia nos chama de “inimigos de Deus” e mesmo assim Ele resolve pagar o preço que nós deveríamos pagar e resolve nos amar e salvar para Si mesmo. Como isso se explica? Que sentido tem em Deus salvar gente que o afronta todo dia?! Lembre-se que nós só O amamos “porque Ele nos amou primeiro”. A pregação do evangelho é nossa obrigação, mas salvar quem nos ouve é prerrogativa de Deus. É o Espírito que “convence do pecado, da justiça e do juízo”. Lembre-se que Jesus era seguido por uma multidão, mas Ele mesmo não confiava neles, “porque conhecia o coração deles” (João 2:24).

Eu não tenho capacidade de mudar o coração de uma mulher e tornar esse coração favorável a mim. Mas Deus tem capacidade de “trocar o nosso coração de pedra, por um coração de carne” e Ele efetivamente faz isso. Deus não precisa Se sentir amado porque Ele é suficiente em Si mesmo. Nesse sentido, acho que essa comparação não pode ser aplicada aqui. Ora, Jesus pregou em inúmeras cidades e ninguém foi convertido. Veja o exemplo da mulher que foi pega em adultério. Naquele episódio quem precisava de salvação? A adúltera e os seus acusadores; ambos careciam da graça divina para salvação. Mas Jesus deixou aqueles homens irem embora e só tratou do perdão da mulher. O pecado daqueles homens foi exposto publicamente por Jesus, eles reconheceram que estavam em pecado e mesmo assim Jesus os deixou irem embora.

Se eu tiver alguma participação na minha reconciliação, para que então Jesus teve que morrer no meu lugar? Se eu, de alguma forma, participo da minha salvação, eu não precisaria de Jesus! Eu tenho alguma de boa para apresentar diante de Deus que me favoreça diante dEle? A motivação para eu pregar o Evangelho é porque Deus salva e Ele só salva se as pessoas ouvirem a Palavra de Deus. A minha motivação é porque Deus é cumpridor da Sua Palavra e Ele garantiu que, se Sua Palavra for pregada, as pessoas seriam salvas. A minha motivação é que Deus tem um povo e aqueles que fazem parte desse povo precisam ouvi-lO através da nossa pregação. Eu não sei quem vai ser salvo, mas Ele sabe. E Ele é fiel e capaz de cumprir Suas promessas.

A pergunta é quem pode crer? Quem pode crer em Jesus de modo salvífico? Se tomarmos o capítulo 2 de Efésios, versos 8-9, vemos que somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós. Perceba que existem três elementos envolvidos aqui: FÉ, GRAÇA e SALVAÇÃO. E o ensino do apóstolo é que isso não vem de nós. Não somos nós que produzimos esses três elementos. Temos isso tudo porque isso tudo nos foi dado. Fé para crer que minha mulher me ama é completamente diferente de crer que Jesus Cristo é meu salvador.
 

Perdoe-me pela longa resposta, mas quero muito continuar essa conversa com você. É muito bom conversar com quem pensa, com quem estuda. Um grande abraço, Marcos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Os cultos do final de semana

Este final de semana fui a alguns cultos. Um deles aconteceu na casa de um amigo e na minha casa. Um deles foi em um cemitério e o último deles foi numa convenção de tatuadores. Não participei de todos eles, mas, pelo menos, fui a eles.

Isso é bem interessante: você participa dos cultos em que comparece? Se bem que há várias possibilidades e maneiras de participar. Quando vou a um show, participo do show? Eu não subo no palco, não toco e não canto com a banda, mas de alguma maneira eu acabo participando do show. E de um culto? Será que podemos, passivamente, participar de um culto a Deus?

Hoje em dia, percebo muitos cultos acontecendo no dia a dia. Nas academias, o culto é ao corpo, forma física e a aparência. O que move esse culto é o exibicionismo, a necessidade de ser percebido e o ego. Nos restaurantes, o culto é à gastronomia. A motivação para esse culto nem sempre é a necessidade de se alimentar. Mas os elementos desse culto são prazerosos: cheiro, cor, textura, ambiente, bebida, temperatura são alguns dos componentes desse culto.

O culto à memória dos que faleceram é muito forte. A lembrança dos que partiram, do legado que deixaram é muito presente nas culturas. O interessante é que um tema como a morte evocar tanta manifestação. A pessoa pode ser uma desconhecida na multidão, mas sempre tem alguém que se manifesta. É muito triste quando uma pessoa morre na solidão da vida, sozinha e abandona. Quando vamos a um cemitério isso fica muito evidente.

Ninguém cultua o que não aprecia ou o que não conhece. Até ateus prestam seu culto, seja para a intelectualidade, para o conhecimento, para a família, etc. Não tem jeito. O ser humano é um cultuador. Através do culto a pessoa se conecta com o cultuado e estabelece uma relação de existência com seus pares.

Um dia, uma mulher perguntou a Jesus Cristo onde era o lugar correto de se prestar um culto a Deus. Jesus respondeu dizendo a ela sobre a atitude que o cultuador a Deus deve ter. Não é num monte nem em um templo, mas com um coração que seja aceitável a Deus.

O cadáver enterrado não participa do culto que lhe é prestado. A comida ingerida no restaurante nem sabe que está participando de um ritual. A academia pode estar vazia, mas fico me olhando e me admirando na frente do espelho. No culto a Deus não tem jeito, eu e Ele temos que estar presentes. No meu caso, meu coração deve estar do jeito que Ele prescreveu, "em espírito e verdade". Se eu estiver de outra forma tentando cultuar a Deus, mesmo assim Ele estará presente, mas dificilmente vai gostar do que vai receber.