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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 2

Um dos temas que mais converso com as pessoas é a questão da liberdade das pessoas, a questão do livre arbítrio. Será que temos livre arbítrio? Será que somos livres para tomar as nossas decisões? Penso que não. Nenhuma das nossas escolhas são livres de influências, externas e internas. Já tratei desse assunto em outros artigos, mas vou tentar explicar mais uma vez.

Hoje resolvi ir trabalhar com uma camisa amarela. Por que eu a escolhi? Muitos vão responder que eu escolhi a amarela dentre todas as possibilidades que tinha e que sou absolutamente livre para escolher entre a amarela, azul, verde ou a vermelha. Será mesmo que tenho toda essa liberdade?

Em primeiro lugar eu tenho que pensar em que ambiente eu vou estar, para então escolher a minha roupa. Se eu estivesse num velório, dificilmente escolheria uma cor tão chamativa quanto o amarelo. Se eu estivesse num ambiente bem frio, a cor da camisa nem seria notada, então tão faz a escolha que eu fizesse. Talvez o lugar que eu trabalhe não permita outras cores.

Outra coisa que pensei é se sirvo na camisa. Tem algumas camisas no meu armário não me servem mais e, mesmo querendo vesti-las, não posso mais usá-las. Então, a´qui, tenho uma limitação do tamanho da roupa que me serve.

Outro aspecto da minha escolha é meu gosto pessoal. Como gosto do amarelo, tenho uma camisa dessa cor. Não gosto de roxo, por isso, meu armário não tem camisas dessa cor. Obviamente só visto roupas que gosto.

Não sou lá de seguir muito a moda e as tendências modernas de se vestir, mas não saio de casa sem ter um mínimo de bom senso na combinação das cores que visto. Aí vejo outra limitação que é como vou ser visto pelas pessoas com as quais trabalho. Não quero ser ridicularizado nem parecer um "ogro" diante das pessoas.

Levando tudo isso em consideração. Melhor dizendo: sendo influenciado por todos esses fatores, escolhi a camisa amarela. A pergunta é eu agi de modo livre? É óbvio que eu não fui coagido por alguém apontando uma arma na minha cabeça me obrigando a vestir a camisa amarela. Mas meu gosto pessoal, o ambiente de trabalho, meu tamanho e o tamanho da camisa e a moda me influenciaram a tomas essa decisão.

Será que eu poderia escolher outra cor de camisa? Lógico que poderia. Mas essa outra escolha seria isenta de influências?

No que diz respeito à salvação da alma, não há tantas diferenças assim. 

A Bíblia declara que a inclinação do homem, sem a influência do Espírito Santo de Deus é de ser Seu inimigo, inimigo de Deus (Romanos 8:7). Isso significa que há uma força que nos leva para longe de Deus, que nos afasta de Deus. Além disso, nossas atitudes são inimigas da santidade de Deus. Ratificamos essa força interna, cometendo atos que nos afastam ainda mais de Deus (Tiago 4:1-4). Outro fato importante nessa relação do homem com Deus é o fato de Deus ser espírito (João 4:24) e que as coisas espirituais somente são discernidas de modo espiritual (1 Coríntios 2:14-15). O problema é que, espiritualmente, o homem está morto para Deus (Efésios 2:1-2).

Mas o que, para mim, é definitivo na questão da liberdade do ser humano são certas declarações de Jesus Cristo que deixam claro a incapacidade do homem voltar-se para as coisas de Deus. Em João 8:44 o diagnóstico do Mestre é que as pessoas querem satisfazer as vontades do pai delas, o diabo. Outra declaração de Jesus é que as pessoas não querem ir até Ele para terem vida (João 5:40). Nossa liberdade é limitada pela ação da natureza de pecado que em nós opera.

Há outros textos que poderiam ser citados, porém vamos ficar por aqui nessa série. Se Deus permitir, o próximo texto vai continuar a abordar esse tema da liberdade de escolha que, infelizmente, nunca é para o Bem.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 1

Talvez pouca pessoas leiam esse primeiro post de 2014. Principalmente pelo tema que me proponho a escrever. Infelizmente, tenho amigos e irmãos, na minha própria igreja local que jamais leriam algo relacionado com o calvinismo. E, a impressão que tenho, é que a maioria dos que assim procedem, o fazem por puro preconceito. Em parte, isso é culpa dos próprio calvinistas. Eu mesmo já fui vítima do meu calvinismo. A impressão que tenho é que estou escrevendo mais para mim mesmo, a fim de rever a forma como vejo a Bíblia.

O Presb. Solano Portela enumera cinco pecados que ameaçam os calvinistas - poderiam ser citados mais - e acho que já caí nos cinco ao longo da minha vida. Hoje, graças a Deus, deixei a beligerância e não tento mais convencer as pessoas sobre a soberania absoluta de Deus ou a predestinação. Contudo, nunca me furto a uma boa conversa sobre esses assuntos. É bem verdade que a imagem que as pessoas fazem dos calvinistas é aquela de uma pessoa sisuda, intolerante, fundamentalista e conservadora.

O Dr Augustus, um dos calvinistas mais conhecidos do Brasil, concorda com isso (leia aqui). Mas há um ressurgimento do calvinismo no mundo todo e no Brasil não é diferente. Talvez você não saiba do que tem acontecido nos bastidores. Mas tem muita gente estudando e tentando entender o calvinismo. A Editora PES tem como um de seus maiores clientes igrejas e seminários da Assembleia de Deus. Essa editora é especializada em literatura de teologia reformada.

Quando comecei estudar a Bíblia, o meu calvinismo também era só o da predestinação. Inclusive a dupla predestinação: para o céu e para o inferno. Depois descobri que estava errado, pois Deus não predestina ninguém ao inferno. Ao céu sim. Mas ao inferno, o homem vai sozinho e sem ajuda divina. Depois disso, caí no hipercalvinismo: já que Deus predestinou tudo, então não precisava estudar a Bíblia (de alguma maneira eu iria aprender); não precisava mais evangelizar (os predestinados de alguma maneira serão alcançados); nem precisava orar (já que tudo acontece quando e como Deus quer) mais. Errei de novo.

Não fui calvinista desde criança. Pelo contrário. Minha convicção (e resposta num estudo bíblico sobre salvação na juventude) era a de que estava salvo porque tinha aceitado a Jesus, confessado publicamente e repetido algumas palavras na frente da igreja. Eu era bem responsável pela minha salvação. E ai de mim se não me esforçasse. Eu poderia perder a minha salvação. 

Com o passar do tempo deixei essa maneira de pensar - conhecida como arminianismo - e passei de modo completamente diferente. Não foi fácil. Lutei comigo mesmo, com o Senhor, com a Bíblia. Lutei com escritores modernos e com escritores antigos. Ouvi pregações de ambos os lados. Conversei com muita gente. Ouvia muito até formar minha maneira de pensar. Sempre esteve na minha mente e coração: tenho que pensar do jeito que a Bíblia ensina. E essa foi (e tem sido) minha busca na teologia.

Sou calvinista sim. Isso significa que...

(1) acredito que Deus é absolutamente soberano sobre tudo e todos e nada que aconteça no mundo foge dos Seus olhos ou do Seu controle. Se estou escrevendo agora é porque Ele quis que eu escrevesse desde toda a eternidade e providenciou os meios para que isso acontecesse;

(2) acredito que sou absolutamente responsável por todos os meus atos. Eu não peco sem querer e nem porque Deus predestinou que eu pecasse - Ele não é responsável pelos pecados que cometo. Todas as minhas escolhas sou eu que as faço. E as decisões que tomo, infelizmente, são manchadas por minha natureza pecaminosa, embora o sacrifício de Jesus Cristo tenha me libertado do domínio do pecado;

(3) acredito que se Deus não tivesse me amado primeiro eu jamais teria como amá-lO. Se meu coração de pedra não tivesse sido trocado antes, eu jamais teria me voltado para Jesus Cristo. Deus mudou o meu coração, regenerando-me para uma viva esperança, só depois disso foi que passei a amar e a desejar conhecer e ter Jesus Cristo como meu Senhor e Mestre;

(4) acredito que Jesus Cristo morreu e que isso foi suficiente para minha salvação. Eu não preciso fazer mais nada para ser salvo. A morte de Jesus Cristo é tão eficaz que garante a minha salvação do começo ao fim. Ao me substituir na Sua cruz, Jesus também me incluiu nela, fazendo-me morrer para minha velha vida, para o pecado e para a morte. A obra de Jesus Cristo está consumada, como Ele mesmo disse;

(5) acredito que minha salvação está garantida e que meu destino também está selado da mesma forma. Ainda que eu venha me desviar, o Pai vai me preservar salvo para Sua própria glória. Minha certeza é que estou salvo para sempre. Mas isso não faz de mim um cristão indolente e preguiçoso. Eu não descanso nessa promessa com quem está debaixo de um coqueiro, sentindo a brisa no rosto. Tenho convicção que nada vai me separar do amor de Deus.

Por ser o primeiro post sobre esse assunto, essas informações bastam para situar as pessoas que não sabem o que um calvinista pensa. Há muito preconceito na igreja de Jesus Cristo. Mesmo pessoas que frequentam igrejas mais contextualizadas (como a minha por exemplo), não conhecem direito essas coisas. é por amá-las que escrevo essas coisas.