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domingo, 28 de junho de 2009

O fundamental do fundamentalismo

Quando Alexandre, o Grande, era pequeno, sua mãe sempre falava que ele era forte e poderoso e que tinha nascido para vencer. Coincidência ou não, Alexandre acreditou nessas palavras e foi um dos maiores conquistadores que a história humana conheceu. Dizem que se os pais falam para seus filhos, ainda pequenos, que eles são burros e incapazes, que não vão conseguir nada na vida, que são incompetentes... eles crescem pensando dessa forma. Em minha experiência de 11 anos como professor, nunca vi um caso desses. Nunca!

Não sou adepto da corrente teológica chamada confissão positiva. Não acredito que as palavras tenham todo o poder que seus proponentes dizem ter. Se não, Vitória, capital do estado do Espírito Santo, seria quase o paraíso na Terra (para muitos capixabas pode até ser!). Mas devo reconhecer que as palavras têm seu poder de persuasão, de ofensa, de ânimo, de tristeza entre outras finalidades.

Existem palavras que funcionam como pólvora. Vá na torcida do Palmeiras e diga que o Corinthians é o melhor time do mundo. Num país muçulmano, fale o nome JESUS. Mencione o nome Al-Quaeda em algum aeroporto nos Estados Unidos. Troque o nome do seu namorado ou da sua namorada num momento a sós. E dentro das igrejas não é diferente.

Fale numa classe de escola dominical a palavra predestinação. Pronto! Basta para acabar com qualquer preparação que o professor tenha feito. O mesmo ocorre com as palavras sexo, camisinha, entre outras. Mesmo que a aula seja para jovens e adolescentes, com o tema sexualidade, há palavras que são proibidas. Conheço uma igreja que os pastores sempre se recusaram em falar sobre o tema e tiveram problemas nessa área com um certo casal. É lógico que se falassem não seria garantia de não haver problemas.

No meio evangélico a palavra fundamentalismo também está estigmatizada. Se você for chamado de fundamentalista, é muito provável que alguém esteja te menosprezando. O fundamentalista é tido como alguém conservador, inflexível, arrogante, que não sabe dialogar, retrógrado, antiquado, ultrapassado. Já me chamaram de fundamentalista e a conversa estava indo pra esse lado. Não me importo. Não tomo mais isso como ofensa a mim. Sei que meu fundamentalismo não é nenhum pouco nas mesmas bases dos fundamentalistas muçulmanos de alguns países, nem dos fundamentalistas norte-americanos do sul dos Estados Unidos.

O meu fundamentalismo se baseia nos fundamentos da Palavra de Deus. Minha fé e minhas convicções estão baseadas — ou, fundamentadas — no que ensina a Palavra de Deus. É bem verdade que quanto a isso sou um cristão reformado, não no sentido da reforma que se faz numa roupa velha, mas no sentido das doutrinas enfatizadas pela Reforma Protestante. Meu fundamentalismo não me impede de ler livros que não sejam reformados, posso ler até livros de liberais. Meu fundamentalismo não me impede de cantar músicas que não sejam de origem da Reforma. Posso cantar músicas modernas sem nenhum problema e em qualquer ritmo.

Meu fundamentalismo não me impediu de ser baterista e de exercer esse dom dentro da própria igreja. É bem verdade que existem pastores que não admitem esse instrumento na igreja, mas mesmo assim, partilham da mesma teologia que eu. Eu não tenho problemas com eles — talvez alguns tenham comigo. O fato de ser fundamentalista não me impede de, vez ou outra, visitar uma igreja que não seja de teologia reformada. Ser fundamentalista não me impede até mesmo de freqüentar uma igreja com características liberais.

Fundamentalismo é, muitas vezes, confundido com radicalismo. Se você pensa dessa maneira, quero te convidar a refletir sobre algumas frases:

· Jesus Cristo é realmente o Filho encarnado de Deus e único salvador necessário e suficiente para todo homem. Se você concorda com isso, então você é radical em desconsiderar qualquer outro caminho de salvação possível fora de Jesus.

· A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus infalível e revelada para a humanidade e nela encontramos tudo que precisamos para crer nEle. Se você concorda com isso, então você é radical e desconsidera qualquer outro texto tido como sagrado na relação homem-Deus.

· Jesus Cristo, e ninguém mais, nem natureza nem outras pessoas, mesmo que extremamente “santas” são o meio de nos aproximarmos de Deus e da salvação que Ele nos oferece. Se você concorda com isso, então você é radical contra uma série de coisas adicionais que foram e continuam sendo acrescidas à fé cristã.

· A Bíblia é a única regra de fé e prática que o cristão tem e por ela deve pautar a sua vida, seja no casamento, na família, na profissão e nas relações interpessoais. Se você concorda com isso, então é possível que você rejeite vários pensamentos e posturas modernas dentro das igrejas.

Muitas outras coisas e temas poderiam ser citados e talvez o texto perdesse seu principal sentido, que é chamar-nos para uma reflexão séria e honesta sobre o assunto. Apesar de não abrir mão de certos pressupostos, não estou fechado ao diálogo, com ninguém. Sou sim radical e fundamentalista com aquilo que a Bíblia não abre mão de ser e mostrar. Quanto ao resto, fico com a postura dos antigos puritanos: quando a Bíblia fala, eu falo; quando a Bíblia se cal, eu me calo; quando a Bíblia não é conclusiva, fico com aquilo que glorifica apenas a Deus.

Um texto muito importante sobre esse mesmo assunto pode ser lido aqui. É do Dr Augustus N. Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e um dos melhores teólogos do Brasil. A propósito, ele é fundamentalista!

sábado, 27 de junho de 2009

Síndrome de Jonas

“E dizia cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.”

Jonas 1:7


Você já teve a sensação de estar sobrando num certo ambiente? Já passou pela sensação de se sentir um peixe fora da água? Você já se percebeu como se fosse um “Jonas”?


Vou te explicar. O profeta Jonas tinha sido mandado, por Deus, para a cidade de Nínive a fim de anunciar o Deus verdadeiro para aquele povo. Mas, inesperadamente, ele decidiu não ir para lá e entrou num navio que ia para uma cidade em direção contrária. Lá pelas tantas o barco começou a ser assolado por uma terrível tempestade de ventos e ondas. Numa tentativa desesperada de se salvarem, as pessoas começaram a jogar seus pertences ao mar para diminuir o peso do barco. Não adiantando nada, resolveram “tirar no palitinho” para saber quem era o “pé frio” da situação. E eis que a “sorte” caiu sobre Jonas.


Pelo menos agora não vou entrar na discussão da presença dessa palavra “sorte”. Em outro texto vou escrever sobre isso. Prometo. Contudo, agora quero pensar no fato que, depois de Jonas ser jogado ao mar, a tempestade cessou e o barco pôde seguir sua viagem em paz. Mas o mais interessante disso é que durante a tempestade, Jonas foi para a parte de baixo do barco e dormiu. Simplesmente dormiu. O barco quase indo à pique, as pessoas desesperadas, talvez gritando loucamente umas com as outras, e Jonas nem aí para o que estava acontecendo. Ele estava dormindo!


É nesse sentido que repito minha pergunta: será que você já se sentiu como Jonas em alguma situação? Eu já e muitas vezes. Em muitas ocasiões me sentiu como o causador da tempestade, com a convicção que as coisas se acalmariam para os outros se eu simplesmente saísse de cena. Trata-se de uma sensação terrível, Perceber-se como o causador dos problemas para outras pessoas é muito ruim. E mais complicado ainda é passar um tempo, vendo as coisas erradas, e estar insensível para a causa do problema. Era assim que Jonas estava.


Já há algum tempo tenho me preocupado com a causa do outro, colocar-me no lugar de quem sofre, de quem passa por problemas, tentar entender a situação das pessoas que sofrem. Por isso, policio-me constantemente para saber se não estou ficando insensível às situações dos meus próximos. E não ser insensível consigo mesmo é também um exercício salutar. Saber como estamos diante de Deus e das pessoas é fundamental para não sermos como pedras nas quais elas tropeçarão.


Assim, peço a você que ore nesse momento a Deus, para que Ele te mostre se você é o causador da tempestade na vida de alguém. É preciso lembrar que mesmo dormindo, Jonas estava no meio da tempestade também. Então, podemos ser os causadores da tempestade e sofrermos junto com ela. Que Deus nos ilumine e abra nossos olhos.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Liberdade da vontade?


De acordo com e esquema do livre-arbítrio, o Senhor tem boas intenções, mas precisa aguardar como um servo, a iniciativa de sua criatura, para saber qual é a intenção dela. Deus quer o bem e o faria, mas não pode, por causa de um homem indisposto, o qual não deseja que sejam realizadas as boas coisas de Deus.

O que os senhores fazem, senão destronar o Eterno e colocar em seu lugar a criatura caída, o homem? Pois, de acordo com essa teoria, o homem aprova, e o que ele aprova torna-se destino. Tem de existir um destino em algum lugar; ou é Deus ou é o homem quem decide. Se for Deus Quem decide, então Jeová se assenta soberano em seu trono de glória, e todas as hostes Lhe obedecem, e o mundo está seguro. Em caso contrário, os senhores colocam o homem em posição de dizer: "eu quero" ou "eu não quero". "Se eu quiser, entro no céu; se eu quiser, desprezarei a graça de Deus. Se quiser, conquistarei o Espírito Santo, pois sou mais sou mais forte do que Deus e mais forte que a onipotência. Se eu decidir, tornarei ineficaz o sangue de Cristo, pois sou mais poderoso que o sangue, o sangue do próprio filho de Deus. Embora Deus estipule seu propósito, me rirei desse propósito; será o meu propósito que fará o dEle realizar-se ou não" Senhores, se isso não é ateísmo é idolatria; é colocar o homem onde Deus deveria estar.

Eu me retraio, com solene temor e horror diante dessa doutrina que faz a maior das obras de Deus – a salvação do homem - depender da vontade da criatura, para que se realize ou não. Posso e hei de me gloria neste texto da palavra, em seu mais amplo sentido: "Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia"(Rm 9.16).

Charles H. Spurgeon


Texto extraído de Plugados com Deus.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Quando se está só - última parte

Interpretação de Nelson Bomilcar e a Confraria das Artes da música Quando se está só de autoria do Sergio Pimenta.