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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Neurose evangélica


Ontem estive com o Gerson Borges e o Tom Ferro desde o final da tarde até o início da madrugada. Foi um período muito bom de muitas conversas, risadas e espiritualidade. É incrível como Deus nos permite no meio do caos paulistano ter momentos de intimidade com Ele e com Seus filhos.

Neurose, neurastenia, neura, neurótico são algumas palavras que definem o atual momento evangélico no Brasil. E acho que outras partes do mundo também. Só para termos idéia, a palavra neurose tem várias definições no dicionário. Uma delas é
conjunto de problemas de origem psíquica que, diferentemente da psicose, conservam a referência à realidade, ligam-se a situações circunscritas e geram perturbações sensoriais, motoras, emocionais e/ou vegetativas.

Não seria isso o que vemos hoje no evangelicalismo atual. No meio evangélico tem:

  • tem gente que se acha o Messias;
  • tem gente que se acha no direito de determinar o que Deus tem que fazer;
  • tem gente que acha que pode falar em nome de todos os evangélicos;
  • tem gente que acha que pode defender a chamada “sã doutrina”;
  • tem gente que acha que pode manipular os dons de Deus;
  • tem gente que acha que pode manipular os membros das igrejas locais;
  • tem gente que acha que pode se elevar a grau de apóstolo, apóstola, bispa, pai-apóstolo, arcanjo...
Essas pessoas criam suas próprias realidades, seus próprios feudos e ficam vivendo suas neuroses e criando perturbações em todo o meio evangélico. Lembro-me, quando criança, de histórias de como os “crentes” eram respeitados na sociedade. Hoje, aqui em São Paulo, numa rua de lojas de instrumentos musicais, os lojistas desconfiam quando você aparece falando que é evangélico e quer comprar algo parcelado.

Onde vamos parar com isso? Pára com isso!!!!!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Convite de amor

O nosso dial está cheio de estações evangélicas de rádio. Tem rádio evangélica pra todos os gostos. Certo dia estava tentando ouvir alguma música evangélica atual interessante no rádio quando comecei a ouvir a música Convite de Amor, do também agora compositor, R. R. Soares - o manda-chuva da Igreja Internacional da Graça. Queria ouvir alguma música interessante e, em certo aspecto, essa música é interessante.
Lá pelo meio da letra, o “inspirado” compositor escreve o seguinte:



A decisão é sua; dela, Deus não pode participar
Você é o responsável pelo seu destino eterno
Jesus bate a porta, abra correndo para Ele entrar


Se você quiser ver um clipe dessa música, clique aqui.

A petulância e a arrogância do missionário R. R. Soares é tão grande, que ele assume que Deus pode não participar da escolha de uma pessoa para sua própria salvação. Quer dizer que Deus, que propôs Jesus Cristo para salvação da humanidade, não pode participar das escolha de alguém querer ser salvo? Nem estou questionando o fato de uma pessoa, morta em seus pecados, não ser capaz de escolher a Cristo. Ora, se a pessoa está morta espiritualmente, como poderá escolher a Deus, que é espírito (João 4:24)? A teologia do R. R. Soares é tão tosca que ele tira Deus daquilo para o qual Ele mesmo enviou Seu Filho, salvar os pecadores (Mateus 1:21; 18:11).


Agora, a segunda frase é mais ridícula ainda. Gostaria de saber o que o missionário R. R. Soares pensa desse versículo:
“Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.” (Jó 14:5). Se eu sou o responsável pelo meu destino eterno, não preciso mesmo de Deus. Talvez eu precise mais da ajuda do missionário do que de Deus. Imagine que nós, como seres finitos que somos, somos responsáveis pela nossa eternidade. Deixe-me refrescar a sua memória e a do missionário que Adão foi colocado por Deus como responsável pelo destino da raça humana e falhou. E olha que Adão fora criado sem nenhum pecado, ele era absolutamente perfeito. Quanto a nós, que já nascemos em pecado, pobre de nós. Isso é que dá colocar um microfone e uma câmera de televisão na frente de gente despreparada e sem conhecimento da Palavra de Deus.


Na terceira frase, R. R. Soares aconselha os ouvintes a abrir a porta correndo para Jesus e eu pergunto, para quê? Se Deus não participa das minhas escolhas, se eu mesmo determino (como ele gosta dessa palavra!!!) meu futuro eterno, qual é a utilidade de Jesus na minha vida? Além do mais, o texto a que ele se refere do Apocalipse, em que Jesus está batendo à porta, Jesus está batendo à porta da igreja, portanto de gente que já o conhece. Ele não está batendo à porta de quem não O conhece.



Missionário R. R. Soares, permita-me um conselho. Leia as letras de gente como Sergio Pimenta, Jorge Camargo, João Alexandre, Jorge Redher, Guilherme Kerr, Gerson Borges, Stenio Botelho, Nelson Bomilcar, Adhemar de Campos, Asaph Borba, Carlos Sider, Charles Mello e muitos outros desse calibre. Aí sim o senhor vai aprender alguma coisa de útil.

Comprovado cientificamente!

Em qualquer discussão com um pouco mais de polêmica, as pessoas sempre apelam para o jargão: “...está provado cientificamente que...”, e aí colocam seus argumentos. A discussão pode ser sobre a eficácia de um remédio, sobre o uso da fé nos tratamentos de doenças, sobre a utilização dos 10% do cérebro, etc e etc. Todos os assuntos, todas as discussões parecem finalizar com o aval da ciência. Será mesmo que a ciência tem todo esse poder? Será mesmo que a ciência põe uma pedra final nas discussões? Minha impressão é que não é bem assim. Hoje, em pleno início do século 21, temos a impressão que se o cientista falou, “tá” falado!

Os cientistas, em nossa sociedade pós-moderna, gozam de uma certa aura mística e de muita credibilidade. Se bem que, para muitos, ciência não combina com fé. Cientistas são aquelas pessoas que estudam muito, o dia todo, todo dia, sem parar, portanto, quando falam, sabem o que estão falando. Cientistas fazem experimento o dia todo e ficam trancados em seus laboratórios testando um “monte de coisas”, para ver se essas “coisas” dão certo, ou funcionam, ou são do jeito que a gente pensa. Muitos cientistas – assim como muitos médicos – gostam de falar difícil, e quem fala difícil deve saber o que está falando. Cientistas dão entrevistas na televisão, escrevem em jornais, publicam livros... e se eles fazem tudo isso é porque eles são demais. Doce ilusão!!!

Assim como os políticos eleitos são a expressão da sociedade em que vivem, os cientistas também são a expressão da sociedade em que vivem. Antes de continuar, aceitem minhas desculpas pelas generalizações. Não são todos os cientistas que pensam da mesma maneira, sendo assim, vou falar da ciência e não dos cientistas.

1. A ciência só acredita naquilo que ela consegue provar. Conta-se que numa aula de anatomia, com o corpo dissecado na frente dos alunos, o professor perguntou: “Estão vendo, está tudo aí, não existe nada dessa coisa de Criador da vida, existe?” Um aluno retrucou: “Professor, o senhor ama sua esposa?”, o professor respondeu: “Sim e muito”. “E onde está o amor nesse corpo, professor?” No silêncio do professor o aluno finalizou: “Acho que o senhor não ama tanto assim.”

2. A ciência está certa em tudo que fala. Já disseram que a melhor dieta é só comer carboidratos. Depois disseram que tinha comer só proteínas. Depois ainda, já disseram que tínhamos que comer gordura. Já disseram que a melhor pressão arterial era 12x8. Agora tem cientista que diz que é 13x9, ou 13x8. Tem cientista que diz que vírus é um ser vivo, tem cientista que diz que ele não é ser vivo. Tem cientista que diz que a vitamina C é boa pra evitar resfriado. Tem cientista que diz que ela não evita nada. Tem cientista que diz que é bom a mulher menstruar. Tem cientista que diz que não é bom a mulher menstruar.

3. A ciência pode melhorar a nossa vida. O que você acha dessas descobertas científicas — pólvora, bomba atômica, substâncias químicas tóxicas, armas biológicas, drogas. São alguns exemplos de descobertas científicas presentes na sociedade moderna que necessariamente não melhoram a nossa vida. Pelo contrário.

Para pensar: será mesmo que a ciência é tão isenta assim? Será mesmo que por trás da ciência também não existem ideologias e pressupostos que precisam ser defendidos? Será mesmo que a ciência só tem o interesse do bem-estar social? Será mesmo que a ciência pode nos ser uma base firme de confiança? Será mesmo que os cientistas que tanto lutaram para a utilização das células-tronco embrionárias humanas querem só mesmo a cura das pessoas? Será mesmo que numa discussão a frase “...mas a ciência comprova...” é suficiente para resolver as dúvidas?

Os caminhos da Ciência e da Fé*

Até onde a ciência pode nos levar? Até onde a fé pode nos levar? Será que esses dois caminhos vão para o mesmo lugar? Ou seriam a ciência e a fé como automóveis e não os caminhos? Essas questões parecem complicadas num primeiro momento, mas acredito que não sejam tão difíceis assim.

Hoje em dia, a educação moderna visa capacitar os alunos a enxergarem o mundo com diversas lentes. A visão cartesiana e engessada de mundo caiu por terra há muito tempo. Não há apenas o preto e o branco. Existem várias matizes de cinza entre esses dois opostos. Nesse sentido, os colégios mais modernos trabalham para capacitar os alunos a olharem um mesmo fenômeno com os olhos das Artes, da Matemática, das Ciências Naturais, da História.

Talvez hoje, em linhas gerais, existam três grandes questões científicas: qual é a origem do universo, qual é a origem da vida e qual é o destino final do universo. Essas não são questões fáceis de serem respondidas, porque elas envolvem muitas outras questões periféricas. Para um naturalista convicto, as duas primeiras respostas nem cogitam a existência de uma entidade divina. Para um cristão convicto as duas primeiras respostas são Deus.


Isso poderia ser válido há algum tempo atrás, porém, a ciência e a fé, para muitos cientistas e religiosos, hoje estão lado a lado. Em A Linguagem de Deus, o famoso biólogo Francis Collins tenta mostrar sua crença no que a ciência diz atualmente conciliada no Deus da Bíblia. O Dr Collins afirma sua total aceitação da origem evolucionária das espécies dos seres vivos e, ao mesmo tempo, declara crer “num Deus que tem interesse pessoal em cada um de nós”. Para ele, a ciência e a fé não se contradizem. Devo acrescentar que ele não está sozinho nesse pensamento.
Em relação ao pensamento evolucionista, há muita gente crente no Deus da Bíblia e que subscreve o evolucionismo como apresentado por Darwin. A propósito, há 150 anos atrás, exatamente em 1 julho, ele lançou o livro mais revolucionário da ciência, A Origem das Espécies. Conciliar a evolução e a existência de Deus, para mim, é um grande erro. Um erro porque o próprio Darwin tinha receio em publicar suas idéias, pois ele sabia que sua teoria negava a necessidade da intervenção divina na criação das espécies. Ele afirmou que seria “como confessar um assassinato”. Ele entendeu que tinha descoberto uma “maneira mais simples” de explicar a biodiversidade sem a necessidade de Deus. A esse mecanismo “simples” ele chamou de seleção natural.

Ora, seu próprio nascimento mostrou que a teoria da evolução tinha embutida a negação da necessidade de Deus. Se as espécies eram aparentadas entre si, provavelmente descendiam de um ancestral que lhes fosse comum. A idéia é realmente simples e naquele momento – e por algum tempo depois – as pessoas não estavam tão interessadas em como os animais teriam surgido.


Para mim está muito claro que a teoria da evolução destrona Deus do seu lugar e o deixa vazio, uma vez que essa teoria parte simplesmente de leis naturais para explicar a diversidade das espécies. Visto que naturalmente podemos explicar as diferenças entre as espécies, por que recorrer a explicações sobrenaturais? Não vejo como a proposta do evolucionismo teísta se sustenta à luz da Bíblia. À luz da filosofia naturalista, do naturalismo científico, do pensamento pós-moderno ele se sustenta, e com bastante facilidade.


Acredito firmemente que os caminhos da ciência e da fé são bem diferentes. Ainda fico a pensar se ciência e fé são estradas ou carros que nos conduzirão para algum lugar. A ciência se propõe a buscar a verdade. A Bíblia afirma ser ela a verdade. A ciência é altamente mutável na sua essência. A Bíblia é imutável, porque Seu autor é imutável. Nós até podemos usar a ciência, a fé ou as duas juntas no nosso caminho. A fé bíblica nos dá uma direção e um destino, a ciência não.


*Esse texto também pode ser lido no BibliaWorldNet.