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domingo, 17 de junho de 2012

Quando Jesus não quis perdoar!


“E Jesus, tendo ouvido isso, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.”
Marcos 2:17

            Por esse versículo – e outros poderiam ser citados – entendemos que o ministério de Jesus Cristo foi resgatar pecadores, transformando-os em pessoas justificadas, tirando-lhes a culpa e a condenação. O ministério do Mestre não tinha interesse especial em um grupo de pessoas, visto que todos são pecadores e carecem da glória de Deus (Romanos 3:23). Ele veio para o pobre e para o rico, para o judeu e para o gentio, para os senhores e para os empregados, para os adultos e para as crianças, para os leigos e para os religiosos. Ele veio para a prostituta e para seus acusadores, pois ambos eram pessoas doentes (João 8:1-11).

            Infelizmente nos dias de hoje há uma ênfase exagerada em certos aspectos da Bíblia em detrimento de outros. Em outas palavras, a igreja cristã está enfatizando demais o lado do amor de Jesus e menos outros lados em que Seu amor não é tão evidente. E a passagem da mulher adúltera é apenas um exemplo disso. É óbvio que Jesus, sendo a expressão exata do Pai, amou, e amou intensamente. Mas não sou capaz de entender que Jesus tenha amado a todos da mesma maneira. E vou ainda mais longe: desconfio que Ele tenha amado a todos.

            Se amar não é apenas um sentimento, mas uma ação de quem ama para seu alvo de amor, a passagem da mulher pega em adultério me mostra que a ação de Jesus foi diferente com as pessoas envolvidas. Ele agiu de modo diferente, perdoando a mulher e deixando os acusadores irem embora sem perdão. Ora, aqueles acusadores também careciam do perdão e de um toque de amor de Jesus. Há que se destacar que a mulher não foi espontaneamente, arrependida, buscar o perdão de seus pecados. E, por isso, me pergunto se, se ela não tivesse sido pega em adultério, ela teria se arrependido?

            O discurso moderno é que Jesus amava tanto que Ele jamais poderia ter uma atitude negativa em relação às pessoas, quanto mais em relação à salvação das pessoas. Mas esse evento da vida de Jesus Cristo evidencia que Ele não se preocupou em revogar a condenação daqueles acusadores. Ele simplesmente deixou que eles seguissem seu próprio caminho e não interviu na vida deles, como interviu na vida daquela mulher. Lembremos mais uma vez que a mulher não buscou a Jesus para ser perdoada e nem pediu isso. No relato da conversa dEle com a mulher, toda a ação parte de Jesus e não dela. É Ele quem pergunta sobre os acusadores dela. É Ele que dispensou a mulher perdoada, mas deixou os homens saírem condenados por seus próprios pecados.

            Jesus tinha poder para perdoar tanto a mulher quanto seus acusadores, mas optou em mostrar misericórdia apenas para ela. Noutra oportunidade, Jesus foi procurado por um dos fariseus e teve uma atitude completamente diferente. Nicodemos queria entender como Jesus tinha tamanha autoridade de fazer tudo o que fazia (João 3:1-21). Com ele, o tratamento de Jesus Cristo foi completamente diferente. Mas alguém poderá argumentar que o tratamento de Jesus foi diferente porque Nicodemos foi procurá-lO, porque nesse episódio a postura de Nicodemos era diferente daquela dos acusadores da adúltera.

            Lembremos mais uma vez que a mulher em questão também não queria ser perdoada e não foi buscar a Jesus arrependida de seus atos. Os primeiros 12 discípulos também não queriam seguir a Jesus. O apóstolo Paulo odiava a Jesus Cristo. Mas há ainda um exemplo mais contundente no Novo Testamento que mostra a atitude de Jesus Cristo: o caso da cidades impenitentes. Entretanto, isso fica para o próximo post. Até mais, Marcos. 

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