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sábado, 14 de dezembro de 2013

Um amigo querido está estudando as questões sobre livre-arbítrio e salvação. Animei-me em conversar com ele, ainda que de modo virtual. Essa é a resposta que escrevi a ele sobre suas indagações. Creio que pode ser útil para outras pessoas interessadas no assunto.

Quando tomei contato com essas doutrinas também me questionei isso. Mas veja que todos, sem exceção, merecem o inferno. Deus não tinha – e não tem – obrigação de salvar ninguém. O parâmetro de Deus nas Suas escolhas é Ele mesmo. Pois sendo perfeito e bom, não existe parâmetro melhor que a própria Trindade.

Ninguém é capaz de se arrepender a não ser que seja convencido pelo Espírito Santo e conduzido pelo próprio Deus ao arrependimento (Romanos 2:4). Lembre-se que a inclinação natural da carne é inimizade contra Deus e, portanto, por nós mesmos, sem a ação de Deus não seríamos capazes de nos voltar para Deus.

Não somos programados para fazer o “bem” ou o “mal”, o pecado da nossa natureza nos inclina SEMPRE para o mal: “Não há um justo se quer, ninguém que faça o bem”. É preciso entender que esse bem está relacionado com a capacidade de nos voltarmos a Deus. A nós isso é impossível, a não ser se houver a influência do Espírito Santo. Por que precisamos participar da salvação? Em Jonas 2:9, lemos que “a salvação pertence ao Senhor”. Ao mancebo de qualidade Jesus disse que o que era impossível para os homens é possível para Deus. Agora, sendo Deus perfeito, bondoso e amoroso para conosco, qual seria o problema se fôssemos programados por Ele! Se Deus fosse um ser qualquer, aí sim seria temerário ser programado por Ele.

Mas não é esse tipo de Deus que os calvinistas veem na Bíblia. Certamente, o deus que você descreveu é humano demais e não é o Deus da Bíblia. O problema de não se reconhecer o próprio pecado é porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não se resplandeça a luz”. Os sentidos estão embotados não por Deus, mas pelo pecado. Lembre-se que, sem Cristo, os homens estão “mortos nos seus delitos e pecados”, espiritualmente mortos. Ora, “as coisas do Espírito são discernidas espiritualmente”, como o homem natural pode entender as coisas de Deus? A não ser que haja uma radical operação regeneradora do coração humano, segue-se a máxima de Jesus de João 5:40, “vós não quereis vir a mim para terdes vida”.

Estar disposto a ser iluminado pelo Espírito Santo envolve, talvez, sermos confrontados nas nossas convicções. Você está disposto a se reconhecer errado, caso isso venha ocorrer? Você analisa com isenção suficiente as duas explicações sobre salvação? Está disposto a estudar sem ideias pré-concebidas?No final das contas a sua salvação depende de quem: de Deus que te amou ou da escolha que você fez? A quem você agradece quando está de joelhos aos pés do Mestre? A sua salvação é sua porque você se esforça para mantê-la? Ou é apenas pelos méritos de Cristo que você se mantém salvo? Aliás, é você que se mantém salvo ou é o Senhor Jesus Cristo que preserva você salvo? Essas são perguntas que precisam ser feitas com sinceridade ao nosso coração.

Não faz sentido nós compararmos a justiça de Deus com os nossos padrões de justiça. A salvação, por um lado, não tem sentido mesmo: desobedecemos a Deus, somos pecadores na nossa natureza e endossamos o pecado com nossas ações todos os dias; a Bíblia nos chama de “inimigos de Deus” e mesmo assim Ele resolve pagar o preço que nós deveríamos pagar e resolve nos amar e salvar para Si mesmo. Como isso se explica? Que sentido tem em Deus salvar gente que o afronta todo dia?! Lembre-se que nós só O amamos “porque Ele nos amou primeiro”. A pregação do evangelho é nossa obrigação, mas salvar quem nos ouve é prerrogativa de Deus. É o Espírito que “convence do pecado, da justiça e do juízo”. Lembre-se que Jesus era seguido por uma multidão, mas Ele mesmo não confiava neles, “porque conhecia o coração deles” (João 2:24).

Eu não tenho capacidade de mudar o coração de uma mulher e tornar esse coração favorável a mim. Mas Deus tem capacidade de “trocar o nosso coração de pedra, por um coração de carne” e Ele efetivamente faz isso. Deus não precisa Se sentir amado porque Ele é suficiente em Si mesmo. Nesse sentido, acho que essa comparação não pode ser aplicada aqui. Ora, Jesus pregou em inúmeras cidades e ninguém foi convertido. Veja o exemplo da mulher que foi pega em adultério. Naquele episódio quem precisava de salvação? A adúltera e os seus acusadores; ambos careciam da graça divina para salvação. Mas Jesus deixou aqueles homens irem embora e só tratou do perdão da mulher. O pecado daqueles homens foi exposto publicamente por Jesus, eles reconheceram que estavam em pecado e mesmo assim Jesus os deixou irem embora.

Se eu tiver alguma participação na minha reconciliação, para que então Jesus teve que morrer no meu lugar? Se eu, de alguma forma, participo da minha salvação, eu não precisaria de Jesus! Eu tenho alguma de boa para apresentar diante de Deus que me favoreça diante dEle? A motivação para eu pregar o Evangelho é porque Deus salva e Ele só salva se as pessoas ouvirem a Palavra de Deus. A minha motivação é porque Deus é cumpridor da Sua Palavra e Ele garantiu que, se Sua Palavra for pregada, as pessoas seriam salvas. A minha motivação é que Deus tem um povo e aqueles que fazem parte desse povo precisam ouvi-lO através da nossa pregação. Eu não sei quem vai ser salvo, mas Ele sabe. E Ele é fiel e capaz de cumprir Suas promessas.

A pergunta é quem pode crer? Quem pode crer em Jesus de modo salvífico? Se tomarmos o capítulo 2 de Efésios, versos 8-9, vemos que somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós. Perceba que existem três elementos envolvidos aqui: FÉ, GRAÇA e SALVAÇÃO. E o ensino do apóstolo é que isso não vem de nós. Não somos nós que produzimos esses três elementos. Temos isso tudo porque isso tudo nos foi dado. Fé para crer que minha mulher me ama é completamente diferente de crer que Jesus Cristo é meu salvador.
 

Perdoe-me pela longa resposta, mas quero muito continuar essa conversa com você. É muito bom conversar com quem pensa, com quem estuda. Um grande abraço, Marcos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Jesus não morreu por todos - parte 4

Falar que Jesus não morreu por todas as pessoas não é muito popular. Muitos pregadores ao longo da história da Igreja sofreram por pregar isso. A ideia geral é que, se Jesus Cristo não morreu por todos, Deus não seria justo, ou que Ele não amaria a todos. Quando é dito que Jesus não morreu por todos, a impressão que as pessoas têm é que o amor de Deus seria diminuído, ou fraco. Pensar que Jesus morreu por todas as pessoas, de todas as eras parece fazer o amor de Deus grande o suficiente.

Eu pensava desse jeito. Mas a partir de março de 1987 comecei a refletir sobre a salvação de Deus e cheguei à conclusão que pensar numa expiação particular não diminuía o amor de Deus. Preciso dizer que não foi sem conflito essa transição: de pensar de um modo universalista para uma redenção particular. Na verdade esse é mais um exemplo de um arminiano que se transforma em calvinista. Muitos já passaram por isso: conflitos internos, perguntas, dúvidas e negações. Mas sempre mantive uma postura de tentar entender o que a Bíblia ensina e uma máxima que aprendi ainda jovem: tudo deve glorificar a Deus - se alguma interpretação possibilitar a menor probabilidade de mérito humano diante da salvação, ela deve ser rejeitada. "Pela graça sois salvos e isso não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8).

E em dezembro de 1987 conheci o livro Por quem Cristo morreu?, de John Owen. Na verdade esse livro é uma simplificação de um livro maior de Owen chamado A morte da morte na morte de Cristo. Para muitos, o próprio título do livro é um absurdo, pois entendem que esse tipo de pergunta é descabido. Ora, se "Deus amou o mundo de tal maneira" é certo que Seu Filho Jesus morreu para salvar o mundo, visto ser Ele o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". O raciocínio parece bastante lógico, mas o inferno está aí para provar que se tem gente sofrendo lá, é porque não foram alcançados pela obra de Jesus Cristo. Uma coisa tem que ficar muito clara na nossa mente e coração: Jesus Cristo, Seu sangue e sacrifício têm todo o poder e , portanto, é inadmissível que Ele falhe no propósito para o qual Ele foi designado. E Jesus Cristo cumpriu esse propósito à risca, pois Ele é um com o Pai, portanto Ele não falhou em salvar aqueles pelos quais Ele mesmo morreu (João 6:39).

Na terceira parte de seu livro, Owen apresenta vários argumentos contrários à ideia de Jesus ter morrido por todos os homens. John Owen foi um dos pregadores mais influentes de seu tempo. Sua obra é vasta e ele é um excelente expositor da doutrina bíblica. Ele divide seus argumentos em vários itens. Acho interessante apresentá-los aos poucos.

1. Dois argumentos baseados na natureza do novo concerto.
a. Pelo velho acordo, Deus salvaria as pessoas que guardassem Suas leis (Romanos 10:5). Mas por causa do pecados dos homens, ninguém foi capaz de guardar os mandamentos do Senhor. "Portanto, o velho acordo ficou sem efeito" (p. 39). Na nova aliança, a promessa é que as leis de Deus serão colocadas por Deus nas nossas mentes e no nosso coração (Hebreus 8:10). Daí, decorre duas coisas: Deus não vai falhar em cumprir essa promessa e Ele não tem feito isso para todas as pessoas. Obviamente, Ele não vai escrever as leis para as pessoas que crerem, visto que a fé para crer faz parte da lei escrita em nossos corações.

b. O evangelho tem estado no mundo desde a encarnação de Jesus Cristo e nem todas as nações ouvem a pregação do Evangelho. E esse ponto é muito importante e delicado. Em Atos 14:16 e 16:6-7, os missionários foram impedidos pelo Senhor de pregar nas cidades para as quais eles se propuseram. É difícil imaginar que Deus tenha impedido algupem de pregar o Evangelho, mas foi isso que aconteceu. Do mesmo jeito que Jesus foi a Tiro e Sidom e não operou nenhum milagre lá, mesmo sabendo que as pessoas se converteriam depois dos milagres. O fato é que milhões de pessoas têm morrido sem ouvir as boas novas de salvação. Por negligência da igreja e porque muitos "foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra" (Atos 16:6).

Leia e medite. Não é um tema fácil, mas é a verdade.

Um abraço e até os próximos argumentos. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 3


            Essa é a terceira parte das minhas reflexões sobre o fato de Jesus Cristo não ter morrido por todas as pessoas. E, na verdade, não sei quantas partes ainda vão ter. Mas não quero me estender muito neste assunto, pois existem muitos outros a serem tratados.

            Num primeiro momento, quando ouvimos ou lemos alguém dizer que Jesus não morreu por todas as pessoas em todas as eras, ficamos chocados. E então, perguntamos: “Como é possível Jesus não ter morrido por todos?” E isso está diretamente ligado com a noção que temos do amor de Jesus Cristo. Ora, se Deus é amor e Jesus Cristo é a exata expressão de Deus, logo o amor de Jesus é tão grande que o fez morrer por todos os homens. E assim, pensamos que Jesus morreu por todas as pessoas porque Seu amor é infinito. E com um amor desse tamanho, Ele não poderia ter morrido por um número limitado de pessoas.

            Pensamos, erroneamente, que fazemos o amor de Deus maior quando afirmamos que Jesus Cristo teria morrido por todas as pessoas. O amor de Deus é grande porque Deus é grande. O amor de Deus é poderoso, porque Deus é poderoso. No Antigo Testamento Deus Se relaciona de modo especial apenas com o povo judeu, de Israel. E ninguém chama Deus de pequeno por causa disso. De todos os povos escravizados na Terra, na época do império egípcio, apenas os judeus ganharam sua liberdade e ninguém reclama disso. Por que Deus não ajudou outros povos que eram escravizados pelos egípcios?

            O apóstolo João é quem afirmou que Jesus é a expressão de Deus, o Pai (João, capítulo 1). Ora, se Jesus Cristo é a expressão de Deus por que Ele mostraria um Deus diferente dAquele do Antigo Testamento? Um dos atributos de Deus é a Sua imutabilidade (Malaquias 3:6). Portanto, o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus revelado por Jesus Cristo no Novo Testamento. Mas vamos voltar à questão crucial nesse estudo: por quem Cristo morreu?

            No primeiro post (clique aqui) vimos que Jesus morreu apenas por aqueles que creem nEle (João 3:16). No segundo post, vimos que a fé para crer que Jesus morreu por mim é um dom especial de Deus e isso não vem de nós (Efésios 2:8-9). Disso – e de outros textos bíblicos – decorre que apenas àqueles a quem foi dada a fé para crer em Jesus Cristo como Salvador, são os objetos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ficou complicado?

            O que estou tentando dizer é que Jesus Cristo morreu apenas pelas pessoas que receberam ou que recebem fé salvífica para crer nessa morte. E qual é a parte prática disso? Se eu creio em Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador pessoal, isso é fruto da fé recebi de Deus como Seu dom para mim. Se eu não tivesse recebido essa fé salvífica, eu não teria condições de crer em Jesus Cristo. Não existe salvação em Jesus Cristo sem fé para crer nisso e nEle, do mesmo jeito que não existe mar sem água salgada. Salvação e fé salvífica andam juntas. Se Jesus morreu por mim é certo que vou receber fé para crer nEle.

            Jesus tem toda a autoridade e poder nos céus e na terra (Mateus 28:18). Isso significa que o sangue de Jesus tem o mesmo poder e eficácia para aquilo que ele foi derramado. Não podemos conceber que Jesus tenha fracassado em Sua missão, principalmente depois que lemos em Isaías 53:10-11, que Ele ficaria satisfeito com o “fruto do penoso trabalho de sua alma”. Ora, se Jesus Cristo está satisfeito com o resultado da Sua obra é sinal que o Seu sangue é suficiente e eficiente para salvar aqueles para os quais esse sangue foi derramado. É inconcebível que o sangue de Jesus seja incapaz de salvar alguém. Ele – Jesus e Seu sangue – tem todo o poder para salvar e não deixar morrer aqueles por quem Ele morreu.

            No próximo post vou tratar de algumas razões pelas quais Jesus não morreu por todos os homens, baseadas no livro Por quem Cristo morreu?, de John Owen. Se quiser matar sua curiosidade, adquira o livro clicando nesse link.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 2


Vimos que Jesus não morreu por todas as pessoas, mas apenas por aquelas que creem nisso - clique aqui. Ao analisarmos essa questão dessa forma, podemos concluir que aqueles que morreram sem crer em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, não foram alcançados pela Sua morte. Ou seja, aqueles que morrem sem ter fé em Jesus Cristo não foram alvo da morte expiatória dEle.

O apóstolo Paulo desenvolve isso em Efésios, capítulo 2: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (v. 8). O que fica claro, por esse versículo, é que a graça, a salvação e a fé não vêm de nós, mas vem de Deus como um dom para nós.

A graça diz respeito àquilo que não merecemos, mas mesmo assim Deus nos dá, nos outorga, nos deixa à disposição. Não merecemos ser salvos porque nossa natureza se opõe a tudo que diz respeito a Deus. Nossa inclinação é para nos afastarmos de Deus, nos distanciarmos dEle. Em Romanos, capítulo 5, o apóstolo Paulo deixa isso muito claro. E isso acontece porque a nossa natureza é má, é pecaminosa.

Isso não significa que as pessoas que ainda não têm Jesus Cristo como Senhor e Salvador não possam participar de obras assistenciais, praticar a solidariedade, justiça social ou ajudar aos necessitados. O que Paulo está associando é a graça com a fé e com a salvação. Um marido tem fé e acredita no amor de sua esposa, mas essa fé não é suficiente para salvá-lo de seus pecados. Um filho tem fé no amor e dedicação que seus pais têm por ele, porém não é esse tipo de fé que vai conduzi-lo a Cristo.

O apóstolo está tratando de uma fé salvífica. Ambas as fés, se é que podemos nos expressar dessa maneira, são dons de Deus. Mas a fé para a salvação requer algo especial: o reconhecimento de que não somos merecedores dela e que, se Deus não operar em nós a salvação, por nós mesmos não conseguiríamos ser salvos. Dessa forma, não podemos dizer que todas as pessoas têm fé em Jesus Cristo, visto que nem todas as pessoas creem nEle como Senhor e Salvador. Precisamos, como Igreja de Cristo, deixar isso muito claro para as pessoas. Não é o fato das pessoas saberem que Jesus existiu, conhecerem um ou outro ensino dEle que as fazem Suas seguidoras e discípulos.

Ter fé em Jesus Cristo é estar inteiramente seguro que o que precisava ser feito para a minha salvação, Ele já fez e eu não preciso fazer mais nada. Não há nada mais que possa ser feito. Ele obedeceu de modo perfeito. Ele morreu de uma vez por todas. Ele pagou o preço que me era exigido. Ele ressuscitou dos mortos e me deu vida. 

Eu não preciso fazer nenhum sacrifício. Não tenho que participar de nenhuma campanha de 7 dias, 7 sextas-feiras. Não preciso subir em monte algum para ficar orando ou vendo gravetos “pegarem fogo”. Não preciso ficar marchando em ruas, atrapalhando o trânsito de ambulâncias e os demais carros. Ele é tudo em todos, todos os que são salvos pelo Seu eterno e perfeito sacrifício.

Portanto, se Ele me concedeu fé para crer que meus pecados já foram perdoados e que estou lavado e remido por Seu sangue, nada mais importa. Mas preciso receber dEle o dom da fé-graça-salvação. Só Ele pode dar isso e Ele o faz a quem Ele quer. Receber esse dom não está em mim, pois nada do que eu fizer pode movê-lO na minha direção. O apóstolo João nos ensina que se nós O amamos e porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). E disso deriva todo o resto: só tenho fé, por que Ele a me deu; nasci de novo em novidade de vida, porque Ele me regenerou para essa nova vida; busquei-O com amor, porque Ele me buscou primeiro e me alcançou.

Aprendemos em Romanos 11:29 que os dons e a vocação do trino Deus são irrevogáveis, isto é, Ele não volta atrás nas Suas determinações. Mas Ele precisa outorgar fé para as pessoas crerem, do contrário, ninguém seria capaz de crer em Jesus Cristo. A Bíblia é muito clara que as pessoas não querem Jesus Cristo como Salvador (João 5:40). Portanto, todo o nosso desejo de salvação partiu dEle primeiro. Toda a iniciativa de salvação veio da parte dEle e nós apenas respondemos a essa iniciativa da parte de Deus. Nada partiu de nós, tudo partiu dEle. E, por isso mesmo, glória somente a Ele.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 1


Jesus não morreu por todas as pessoas. Essa é uma afirmação bíblica com amplo respaldo de versículos, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Vejamos, por exemplo, um dos versículos mais famosos da Bíblia, João 3:16:



“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Pois bem, esse versículo afirma que os que têm a vida eterna e não perecerão são apenas os que creem e não qualquer tipo de pessoa. Já temos um ponto de partida: não são todas as pessoas que serão salvas – serão salvas apenas as pessoas que creem em Jesus Cristo, o Filho unigênito do Pai. Veja que o apóstolo João vincula a vida eterna ao fato de a pessoa ser capaz de crer que Jesus Cristo é o que garante essa vida eterna. Temos aqui uma condição essencial para a salvação, crer no Senhor Jesus Cristo.

Assim, se eu creio que Jesus Cristo é meu Senhor e Salvador, posso ter certeza absoluta que Ele efetivamente morreu para mim, do contrário eu não creria nEle. Esses dois fatos estão intimamente ligados, Ele morreu por mim por isso eu creio nEle. E nessa ordem: primeiro Ele morreu, depois eu cri. A fé que eu tenho que Ele me salvou é consequência do ato dEle ter me salvado. Usando o tema do amor, lemos em 1 João 4:19 que “nós amamos porque ele nos amou primeiro”. 

Não podemos inverter essa ordem, caso contrário a nossa fé seria a causa da nossa salvação. Se tiver que responder a alguém por que sou salvo, minha resposta deve ser que sou salvo porque Ele morreu por mim e me deu fé. Essa fé que tenho na obra de Jesus Cristo é a consequência da Sua morte e ressurreição. Posso acreditar que o prefeito vai tentar fazer o melhor pela minha cidade, ou que minha esposa me ama profundamente. Mas crer que Jesus Cristo é o Senhor, requer uma fé especial, diferente dessa fé comum em pessoas comuns. Chamamos essa fé de fé salvífica.

Afirmar com fé o senhorio de Jesus Cristo é tão especial que o mesmo apóstolo João afirma que esse tipo de afirmação só é feito da parte de Deus (1 João 4: 2-3). Se não for obra de Deus na nossa vida, jamais poderíamos afirmar isso com convicção, de modo que gerasse vida em nós. Primeiro nossa mente e coração são transformados para entendermos a urgência da obra de Cristo por nós, recebemos fé da parte de Deus e confessamos que Jesus Cristo é nosso Senhor. Quem não é capaz de afirmar que Jesus Cristo é Senhor e Salvador de Sua vida, não pode dizer que Jesus morreu por ele. Daí, então, surge uma pergunta importante nessa reflexão: por quem Cristo morreu?

Vamos tratar desse questionamento na próxima postagem

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vivendo e aprendendo - sempre!!!

Aprendi errado durante toda minha pequena vida. O que me ensinaram - fé não tem nada a ver com razão - não está certo. O que aprendi, na verdade, não é fé. É fideísmo.


Fideísmo
Rubrica: religião.
doutrina teológica que, desprezando a razão, preconiza a existência de verdades absolutas fundamentadas na revelação e na fé


Fonte: Dicionário Houaiss

Quando a Bíblia convoca as pessoas a "arrazoar" com Deus, não é, em absoluto, figura de linguagem.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...