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domingo, 27 de fevereiro de 2011

O meu arrependimento vem de Deus


“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?”                                                                                           Romanos 2:4

            No livro Fé: dom de Deus (Editora PES), Tom Wells começa sua análise, colocando-nos uma situação muito interessante: duas pessoas com históricos de vida semelhantes ouvem a pregação do Evangelho, mas apenas uma só se volta para Cristo. E o livro parte dessa história a partir de uma pergunta Por que isso acontece?
            Por que algumas pessoas ao ouvirem a pregação do Evangelho permanecem com seu coração endurecido e não se voltam para Cristo? Na época de Jesus, quando Ele mesmo pregava, muitos não se voltavam para Ele a fim de serem perdoados de seus pecados. Por que isso acontecia até com a pregação dEle?
            É lógico que o arrependimento dos nossos pecados é nosso. É lógico que somos nós que precisamos de um Salvador. É lógico que temos que exercer a fé em Cristo para perdão dos nossos pecados. Mas a questão é a seguinte: a nossa fé e o nosso arrependimento partem de nós? Em que medida somos nós, sem a influência do Espírito Santo, que buscamos o arrependimento?
            Mas alguém pode dizer que não é sem a influência do Espírito Santo. Quando dizemos que o Espírito Santo nos influenciou é porque fomos “tocados” por Ele e então nos arrependemos. Então esse arrependimento é nosso mesmo?
            Você acredita que nós podemos resistir à ação do Espírito Santo? Você crê que o ser humano tem capacidade de rejeitar o sacrifício de Jesus Cristo, menosprezando a Sua obra? Você realmente crê que o ser humano tem a capacidade de dizer “sim” ou “não” para a obra de Jesus?
            Quando o apóstolo Paulo nos diz que a benignidade (bondade, em algumas traduções) é que nos conduziu ao arrependimento, ele está comparando com um pai que leva seu filho pequeno a dar os primeiros passos. Ou ainda, é a mesma palavra usada para um passeio com o cachorro, que precisa ser conduzido, caso contrário, o animal andará perdido.
            A palavra que o apóstolo utilizou aqui pode ainda ser traduzida persuadir, reger (como um maestro) ou orientar. Isso significa algo muito precioso: é que se não fosse a bondade de Deus eu ainda não teria me arrependido; se o próprio Senhor Deus não Se voltasse para mim, eu jamais me voltaria para Ele.
            Em 1 João 4:19, somos lembrados que só amamos porque Ele nos amou primeiro, ou seja, o meu amor é consequência do ato inicial de Deus, primeiro Ele, depois eu. Na mesma carta ao Romanos, Paulo admite que ele até queria fazer o certo, mas era incapaz por causa do pecado que habitava nele (7:18). E aos filipenses ele escreveu que o nosso desejo de querer realizar alguma coisa e a própria realização também vem de Deus, segundo a boa vontade dEle (2:13).
            Onde ficam então as nossas capacidades e vontades, se elas são determinadas e influenciadas por Deus? Se o primeiro ato da minha conversão – o meu arrependimento – nem parte espontaneamente de mim, por que ainda vivo como se Deus não me influencia nas decisões que tomo! Isso não faz de mim um robô que não tem vontade própria. Mas o fato é que minha vontade é determinada pela ação sobrenatural do Espírito Santo, aplicando a Palavra de Deus na minha vida.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Deus também odeia pessoas!


            Esse post é inspirado por uma pregação do Pr Paul Washer (veja aqui) e por uma pregação do Pr Décio Leme Júnior. Mas também, e talvez, principalmente, é inspirado pelo que vejo no espelho. Não fosse a graça maravilhosa de Deus e o sacrifício que Jesus fez por mim, eu mesmo seria o alvo desse texto. Spurgeon dizia que muitas vezes ele escolhia seus textos para o sermão com base naquilo que ele precisava ouvir do Senhor. Esse post é assim, tem esse mesmo sentimento.

            Quantas vezes já não ouvimos a seguinte frase: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Aí vem Paul Washer e nos lembra desse texto do livro de Salmos (5:5-6):

“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.”

            Devo confessar que não lembrava desse texto. Se algum dia já o tinha lido, não me recordava dele. E é impressionante a clareza com que o texto trata da questão. Em qualquer versão da Língua Portuguesa, Inglesa, no Hebraico é a mesma expressão: “...odeias a todos...”! Então vamos ao dicionário. Minha fonte de pesquisa é o Dicionário Houaiss.

Odiar: 1. sentir aversão por (algo, alguém, a si próprio ou um ao outro); detestar(-se), abominar(-se); 2. achar muito desprazeroso; 3. ter inimizade intensa a; detestar.
Aborrecer: 1. ter horror ou aversão a ou causar aversão, desagrado, mal-estar; abominar ou provocar abominação; 2. causar ou sofrer desgosto ou contrariedade; desgostar(-se); 3. causar tédio ou fastio a ou entediar-se; enfadar(-se), enfastiar(-se), maçar(-se); 4. tornar(-se) zangado; apoquentar(-se), enraivecer(-se), enfurecer(-se).

            Eu não sei o que você pensa quando medita sobre isso – se é que nós conseguimos meditar no ódio que Deus tem – mas o fato é que a Bíblia está afirmando que Deus também odeia pessoas. Não é preciso fazer grandes exercícios de hermenêutica e exegese. Da mesma forma que a Bíblia afirma que “Deus é amor”, que Jesus Cristo é “o caminho, a verdade e a vida”, ela também a firma que Deus odeia certo tipo de pessoa. Para entendermos o amor de Deus e a salvação assegurada por Jesus Cristo não recorremos a livros teológicos, análises teológicas de autores consagrados no meio evangélico. Aceitar que Deus é amor é uma das ações mais simples e básicas do cristianismo. Mas o mesmo não ocorre com essa verdade: a verdade de que Deus odeia pessoas.

            Entretanto, alguém dirá que essa postura de Deus é do Velho Testamento, de antes da vinda de Jesus Cristo, de antes do advento da graça quando Deus lidava com as pessoas através da Lei. Ou ainda, e pior, que a maneira de Deus lidar com as pessoas mudou depois de Jesus Cristo ter realizado seu ministério. Então vejamos o que escreveu o apóstolo Paulo em Romanos 11:22:

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.”

            Voltemos ao dicionário:

Severidade: 1. qualidade, condição ou estado do que é severo; 2. ato rigoroso; atitude severa; 3. falta de flexibilidade ao julgar, disciplinar, castigar; 4. inteireza de caráter; rigor, austeridade.

            Querido leitor, será que já pensamos seriamente na severidade de Deus? Será que Deus será flexível no Seu julgamento? Será que Deus toma alguma decisão sem inteireza de caráter? Será que o comportamento que Deus nos exige não é rigoroso? Talvez não haja nada mais urgente na nossa vida do que vivê-la de modo digno à vocação com que fomos chamados.

            Iniquidade nós praticamos todos os dias contra Deus, contra nós e contra o próximo. Mas graças a Deus fomos colocados debaixo da graça e da misericórdia de Deus para estarmos livres da condenação do pecado. É só pela graça de Deus que não somos mais alvo do ódio de Deus. É só pelo sacrifício eterno de Jesus que não seremos cortados e lançados no fogo que nunca se apaga. Se não fosse a graça de Deus, estaríamos ainda correndo a passos largos e em grande velocidade para o futuro castigo eterno, como pregou Robert McCheyne.

            Não podemos fugir dessa verdade: Deus odeia o pecado e odeia as pessoas que praticam a maldade. Não podemos “tapar o sol com a peneira”. Deus não toma o culpado por inocente. Amamos o amor de Deus, desejamos esse amor mais que tudo, mas infelizmente não tratamos a Sua justiça com o mesmo amor. Não sabemos lidar com a ira de Deus porque não pensamos sobre ela. Quantos sermões você já ouviu sobre a ira de Deus?

            Concordo que pensar na ira de Deus é difícil e nos incomoda. Mas o Deus da Bíblia está contra todos aqueles que praticam a maldade. E Jesus Cristo é o único que pode nos tirar do alcance da ira de Deus. Certamente que pensar no amor de Deus e na Sua salvação dada à nós é mais prazeroso. Mas se quisermos agradar a Deus temos que procurar odiar o pecado com a mesma intensidade que Deus o odeia. Quanto a odiar os pecadores, só Deus pode fazê-lo!

Para entender melhor a ira de Deus: O Futuro Castigo Eterno (Robert McCheyne), Pecadores na mãos de um Deus irado (Jonathan Edwards) e a Ira de Deus (Martyn Lloyd-Jones), todos sermões que foram editados pela Editora PES.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Primeiro a Bíblia. O resto vem depois.


Dizem que a vida começa aos 40. Então nem comecei ainda, mas estou perto de começar. E como somos feitos de fases na vida, percebo que estou passando por uma fase bem importante. Muitas coisas novas têm acontecido - casamento, profissão, igreja - nas três áreas que julgo serem as mais importantes que tenho. Um dia o Nelson Bomilcar me disse que ele renovava os votos do casamento todos os dias. Na época não entendi direito, mas hoje, depois de cinco anos casado, entendo que o casamento é uma construção diária.

Esse ano recebi vários desafios profissionais, como ficar em apenas um colégio, integrar um grupo de professores para um aperfeiçoamento profissional, prestar a prova do Mestrado e começar uma vida acadêmica. Além disso tudo, estamos implementando uma metodologia de ensino de Ciências mais formalizada, mas não rígida. Esse ano os meninos vão aprender habilidades e competências para aprender Ciências. É um desafio e tanto tirar o foco do conteúdo e ensinar o aluno a, simplesmente, pensar de modo científico. O resto, ele vai atrás.

E os desafios na e da Igreja de Cristo. Faço parte da Igreja de Cristo. Aquela Igreja, com "I" maiúsculo, a Igreja invisível para os olhos humanos, mas viva para Deus. Aquela Igreja que é Universal, mas não é a do bispo. A Igreja santa - porque foi separada; perfeita - porque quer viver no vínculo da perfeição que é o amor; imaculada - porque está sendo santificada por Deus; combativa - porque luta contra o pecado, contra o mundo, contra o erro e a mentira.

A Igreja é perfeita, mas eu não. A Igreja é santa, mas eu ainda peco diariamente. A Igreja é única, mas ainda há dentro de mim vozes que teimam querer falar mais alto do que a Palavra de Deus. E no campo da Igreja eu também estou sendo a desafiado. Desafiado a "fazer a coisa direito", a andar duas milhas, a dar a capa e a túnica, a oferecer o outro lado da face. Isso custa, isso dói, isso cansa, isso machuca, porém isso é compensador pois é a Igreja de Cristo, o corpo de Cristo que está sendo edificado.

"De repente" redescobri a Palavra de Deus e o quanto eu a amo. Ela ficou meio escondida no coração, mas não como o salmista a escondeu. Ela estava, na verdade, esquecida no fundo do coração. Lá no fundinho, junto das teias de aranha que vão se acumulando nos recônditos da alma. Não sei onde eu li isso, mas nada como uma crise para um novo despertamento. E ao redescobrir o amor pela Palavra de Deus, lembrei-me que se ela não nortear a minha vida, a desgraceira será certa. Isso tenho aprendido com o Fabiano, uma grande amigo (e bota grande aí - risos).

Com ele tenho redescoberto que se eu não submeter tudo na minha vida à Palavra de Deus, eu vou errar em tudo, no casamento, na profissão e na igreja local. A Palavra de Deus deve realmente ser a palavra final em todas as questões. O que ela diz, deve ser dito por nós. O que ela sugere, deve ser considerado por nós. E onde ela se cala, não devemos questionar. A Palavra de Deus é o "fiel da balança", é a bússola, é a direção, "é a lâmpada para os meus e a luz para o meu caminho". Como amo a Palavra de Deus!!!

Mas há um perigo nisso. A Palavra de Deus fala coisas contrárias a mim. Você já percebeu que a livro mais lido no mundo em todos os tempos - a Bíblia - tem passagens que nos encostam contra a parede, que mostram nossos erros e que mostram que o nosso fim pode ser trágico! A palavra de Deus mostra que se o homem não tomar certas atitudes ele vai para o inferno e, mesmo assim, ela continua sendo o livro mais lido de todos os tempos!!! Aí eu me pergunto: Marcos, você realmente está disposto a crer na Palavra de Deus? Marcos, você realmente está interessado em ter sua vida direcionada por ela?

Querido leitor, se realmente quisermos ter a Palavra de Deus escondida no nosso coração, como o salmista a tinha, temos que ser lembrados sempre: primeiro ela, depois as minhas opiniões, as minhas vontades, as minhas convicções, os meus "achismos". De todos os autores bíblicos que eu li até hoje, nenhum deles pode ser maior que a própria Bíblia. Se algum deles fala ou faz algo que é contrário à Bíblia eu devo tomar muito cuidado. Se a Palavra de Deus está sendo relativizada, há um grande perigo do erro e da queda. Sua autoridade é inquestionável. Sua inspiração é divina e seu alcance é para todas as áreas da minha vida.