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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você é evangélico(a)?

Acho que ninguém gosta de ser rotulado. ―Você é isso ou aquilo! Quem gosta de ouvir essas coisas? Apesar do fato das pessoas não gostarem de ser rotuladas, infelizmente, nesses dias pós-modernos, a sociedade vive uma terrível crise de identidade. Ninguém mais sabe o que é. A crise não é saber quem se é. Isso também é um "presente" da pós-modernidade. As pessoas precisam ser uma "metamorfose ambulante", porque, do contrário, seriam rotuladas de quadradas, retrógradas, caretas e por aí vai.

O mesmo ocorre na igreja evangélica. 

  • Tem gente que se diz evangélica que bebe cerveja, vinho e destilados e evangélicos que colocam essas bebidas na conta do pecado e proíbem o seu consumo. 
  • Tem gente que se diz evangélica que fuma cigarro, cachimbo e charuto e tem evangélico que não admite esse tipo de comportamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que sai de balada, fica até de manhã em raves e tem evangélico que acha isso um absurdo!
  • Tem gente que se diz evangélica e tem uma ou um monte de tatuagem pelo corpo e tem evangélico que diz que tatuagem é do diabo.
  • Tem gente que se diz evangélica que escuta heavy metal, forró, axé, bossa nova, MPB e tem evangélico que só ouve música evangélica.
  • Tem gente que se diz evangélica, casados, que frequenta o motel e passa boas horas lá dentro e tem evangélico que diz que o motel é local de adultério.
  • Tem gente que se diz evangélica que fala que sexo é só depois do casamento e tem evangélico que faz sexo antes do casamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que é contra o casamento entre homossexuais e tem evangélico que defende esse casamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que é contra o aborto, porque aborto é pecado e tem evangélico que pode abortar sem ser pecado.
  • Tem gente que se diz evangélica e proíbe a televisão em casa e tem evangélico que não vive sem uma novelinha para acompanhar.
  • Tem gente que se diz evangélica que lê todo o tipo de literatura e tem evangélico que só lê a Bíblia e mais nada.
  • Tem gente que se diz evangélica e compra tudo dentro da legalidade e tem evangélico que compra e vende produto pirata.
  • Tem gente que se diz evangélica que no domingo à noite vai ao teatro, cinema, restaurante ou a alguma casa de show e tem evangélico que, se não for à igreja no domingo à noite, sente que está pecando contra o Senhor.
  • Tem gente que se diz evangélica que estuda a Bíblia, faz cursos, participa de congressos e tem evangélico que diz que "a letra mata".
  • Tem gente que se diz evangélica que vai à igreja constantemente e tem evangélico que já desistiu de frequentar uma igreja local.
  • Tem gente que se diz evangélica que já leu a Bíblia inteira mais de uma vez e tem evangélico que não consegue localizar a carta aos Romanos.
  • Tem gente que se diz evangélica e acredita em todos os milagres de Jesus Cristo e tem evangélico que desconfia até que Ele tenha existido.
Por favor, me responda uma pergunta, você é evangelico(a)?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carta ao meu amigo Fernando

Olá Fernando, você sabe e Deus é minha testemunha do que eu amo a você e a sua família. Sei que a recíproca é verdadeira. Estou escrevendo essa carta por causa do nosso último encontro. Como nossos encontros são empolgantes, cheios de música, reflexão e espiritualidade - e sempre com comida!!!

O que me deixou preocupado foi a nossa última conversa em que você opinou algo que não consigo encontrar na Bíblia. E como a temos como nossa "regra de fé e prática", julguei ser importante você refletir sobre sua postura teológica. A propósito, a teologia é uma boa desculpa para nos reunirmos. Não uma teologia fria, mas algo que transforma a nossa relação com Deus e com nossa comunidade em benção para a nossa vida.

Você disse que não acredita que Jesus tenha todo o poder que os crentes dizem que Ele tem. Sua explicação foi que para curar um cego, Ele usou barro. Quando ele fez vinho, ele usou a água. Em resumo, Ele, para fazer os milagres tinha que usar algo que já existisse antes e que há uma "glamurização" do poder de Deus no discurso dos crentes.

Não sei se você sabe ou conhece, mas há uma linha.  teológica muito famosa hoje em dia chamada de Liberalismo. Esse pensamento surgiu há uns 300 anos aproximadamente e, em linhas gerais, posso dizer, lê a Bíblia de uma maneira metafórica, alegórica e diz exatamente o que você está pensando. Um exemplo muito claro dessa forma de pensar é do teólogo alemão Rudolf K. Bultmann. Ele afirmava que a única informação histórica confiável do Credo Apostólico era que Jesus havia padecido sob o governo de Pôncio Pilatos e que todo o resto do Credo não é verdadeiro. Os liberais relativizam o texto bíblico de tal maneira que chegam a questionar os pilares do Cristianismo, como por exemplo, o nascimento virginal de Jesus, Sua ressurreição, os milagres bíblicos, o relato da criação entre outros assuntos.

O problema dessa maneira de pensar é que se tudo é relativo, nossa relação com Deus e com a Bíblia também é relativa e corre o risco de nunca ter acontecido. Quando essas verdades bíblicas são relativizadas, nós perdemos os nossos referenciais de fé e o Cristianismo passa a ser apenas uma forma de pensar e agir e deixa de ser a verdade. Para você ter uma idéia, os liberais afirmam que a ressurreição de Jesus acontece toda vez que Jesus é lembrado por uma pessoa. Jesus ressuscita no pensamento da pessoa. O que os discípulos de um tal Jesus fizeram naquela época (e essa é a linguagem dos liberais) foi inventar essa história da ressurreição de Jesus para manter viva os seus ansinamentos. E pasme: o Cristo, o ungido de Deus também não existiu. Foi uma invenção de um grupo de pessoas para manter acesa a chama, a vontade por um messias libertário.

Os liberais afirmam que há trechos na Bíblia que foram inseridos por copistas e que os milagres alí relatados não ocorreram, pois eles não podem ser provados cientificamente. Inclusive, a Ciência é a grande aliada do Liberalismo Teológico. Os liberais apelam constantemente para a Ciência. Aquilo que pode ser provado com o método científico é digno de crédito, do contrário, tudo pode e deve ser questionado. Eles não acreditam na obra missionária, pois para que pregar a fábula de um messias que morreu pelos pecadores! Basta que as pessoas se apropriem de suas idéias, que copiem seu jeito de ser, que imitem certos hábitos que um tal judeu chamado Jesus tinha, que tudo estará certo.

Como eu sei que você gosta de ler - apesar de ter pouco tempo - peço que você leia os links que que selecionei. Eles dão uma visão bastante importante sobre o Liberalismo Teológico, suas influências e o quanto ele é pernicioso para a fé cristã. Você vai ver que por onde ele passou, ele acabou com a igreja. Muitas igrejas locais se fecharam, muitos esfriaram na fé e outros até apostataram. E como quero que isso não aconteça nem com você nem com sua família, peço que dê especial atenção a isso.

Que Deus te abençoe, seu amigo, Marcos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Se Deus ama, Ele também odeia.

Para a nossa sociedade pós-moderna, onde tudo é relativizado, a mensagem da ira de Deus está completamente esquecida. Vez ou outra, na história da Igreja, Deus levanta Seus arautos para lembrar as pessoas, cristãs e incrédulas, que os pecadores são o alvo da ira e do ódio de Deus. Deus encerrou a todos debaixo do pecado para usar de misericórdia com todos (Romanos 11:32) e a Sua graça salvífica para Seu povo eleito.

Os vídeos abaixo são de dois pastores muito conhecidos, Paul Washer e Mark Driscoll. Eles tratam do assunto da ira de Deus sem esconder nada. Trata-se da Palavra de Deus nos advertindo que "Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias." (Salmo 7:11)

Mark Driscoll é o pastor da Mars Hill Church.

Paul Washer foi missionário no Peru por 10 anos.

sábado, 8 de outubro de 2011

A imutabilidade de Deus


Ainda hoje me lembro do impacto que esse capítulo teve sobre a minha vida. Até essa leitura nunca havia pensado sobre a imutabilidade de Deus. Ninguém nunca havia pregado sobre esse assunto na minha igreja local. Toda vez que alguém pregava e falava sobre isso, falava que Deus mudava de planos e dava como exemplo o dilúvio de Noé, ou o caso do rei Ezequias, ou o profeta Jonas e a cidade de Nínive. Portanto, a argumentação era que Deus mudava Seus planos dependendo das reações das pessoas. Qual não foi o impacto na minha vida quando Pink argumentou a favor do fato de que Deus não muda!

Ao contrário de qualquer outro deus, o Deus das Sagradas Escrituras é o mesmo “ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13:8). Isto significa que, independente do que ocorra no mundo, Deus permanecerá sempre o mesmo. Sendo Ele o princípio e o fim, Ele não pode experimentar nenhum tipo de mudança. Ele não pode mudar para melhor, porque já é perfeito e, sendo perfeito não pode mudar para pior. Ele é o único Deus capaz de dizer “...eu sou o que sou...” (Êxodo 3:14). A Sua essência, o Seu caráter é imutável.

Mas então por que lemos trechos da Bíblia Sagrada que parecem dizer o contrário? Dois textos muito famosos são: 

“Então, arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.” (Gênesis 6:6) e

“Então, o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.” (Êxodo 32:14).

Por outro lado, lemos textos que afirmam categoricamente que Deus não se arrepende de nada que tenha feito ou planejado, por exemplo, “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa (Números 23:19) e “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). Então, como conciliar esses trechos bíblicos? Em primeiro lugar deve ficar claro que a Bíblia não tem contradições. O que ela ensina no início, ensina no meio e no fim. A Palavra de Deus traz consigo as características de Seu autor: perfeição, integridade, autoridade e justiça.

Eis o que disse o Dr Packer: “A referência em cada caso é sobre a anulação de um prévio tratamento dispensado a certos homens, como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não há sugestão de que essa reação não tenha sido prevista, ou que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação a um homem de maneira diferente.” E é preciso entender que o arrependimento de Deus é completamente diferente do nosso.

Quando Deus Se arrepende, Ele não foi motivado por algum erro cometido. O arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada, como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais comete erros. Em Deus "não pode existir variação, ou sombra de mudança" (Tiago 1:17).[1] Portanto, o arrependimento de Deus deve ser entendido de outra maneira.

Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo e mudando sua intenção para com o homem, “evidentemente é só a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus, mas no homem e nas relações do homem com Ele” (L. Berkhof).[2] Precisamos entender que até as mudanças nas nossas atitudes fazem parte do plano de Deus. Quando Deus assume arrepender-Se, Ele está assumindo a responsabilidade por essa atitude e pela situação ter chegado onde chegou. Ao criar o homem, Deus viu que “era muito bom” e depois, na época de Noé, Ele reconheceria que teria sido um erro cria-lo? Ora, se Deus tivesse errado na criação do homem Ele seria como o próprio homem, capaz de errar. Mas não podemos aceitar que Deus erre à luz do que lemos nas Escrituras.

Da mesma forma, com uma linguagem antropomórfica, Deus Se apresenta como tendo olhos, mãos, braços e ouvidos. Ele fala de Si como tendo despertado (Salmo 78:65) e como tendo madrugado (Jeremias 7:13). Mas o próprio salmista diz que o guarda de Israel não dorme (Salmo 121:3).Deus nos ama tanto que Ele mesmo opta por Se manifestar de uma forma humana para que possamos entender o que Ele mesmo sente. No caso da destruição da raça humana, a indignação divina era tão grande contra o pecado, que para entender o por quê da raça humana ser destruída, Deus Se manifesta como arrependido de ter criado a humanidade.

Em Malaquias 3:6 lemos a famosa declaração de Deus, “Porque eu, o SENHOR, não mudo”. E é uma benção a imutabilidade de Deus. Imagine se Deus mudasse de opinião como nós mudamos! Hoje Ele está resolvido em nos amar e usar de graça conosco. Mas amanhã, se pecarmos, Ele resolve mudar de postura e nos tratar de acordo com nosso pecado. Hoje somos abençoados por Ele e amanhã Ele fica de birra e não nos abençoa. A imutabilidade de Deus é uma benção para a Igreja, pois podemos confiar plenamente em Deus, visto que Ele não vai largar a corda e nos abandonar.

É por causa da imutabilidade de Deus que Ele nos ama desde toda a eternidade (Jeremias 31:3) e nunca Se moveu dessa determinação. É porque Deus não muda que não somos consumidos por Sua santa ira (Malaquias 3:6). Ele não vai voltar atrás na determinação de nos salvar e nos conduzir ao céu (Judas 24). Que consolo e segurança podemos desfrutar da imutabilidade de Deus. Ele não vai mudar no Seu desejo de me salvar, de me preservar santo, de me abençoar. Ele não vai voltar atrás na determinação de me provar e dar sustento nas minhas horas mais difíceis (1 Coríntios 10:13).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Líderes "evangélicos" e o tenesmo que eles causam

Nos últimos dias, a igreja brasileira tem sido assolada por uma série de denúncias, críticas pesadas, palavras duras e lavagem de roupa suja. Não vejo problema nessas coisas por elas mesmas. O grande problema é que isso tem sido feito abertamente, publicamente. E o que é pior, são as mesmas pessoas que estão se envolvendo cada vez mais nesse atoleiro.

O versículo 3 da carta de Judas encerra uma verdade muito importante, "batalhar pela fé que foi dada aos santos". É lógico que cada um pode interpretar esse versículo de acordo com suas conveniências. Assim, o pastor assembleiano vai defender o seu horário das madrugadas; o apóstolo cowboy vai fazer com o assembleiano o mesmo que o missionário fez com ele. O missionário, por sua vez, vai continuar vendendo canais de televisão para disponibilizar bons programas para seus assinantes; o bispo universal vai vociferar contra os cantores evangélicos que ele julga estarem a serviço de satanás.

Nessa lambança toda sobra para o povo comum, aquele crente que se dedica diariamente para manter sua relação com Deus longe dessa podridão toda. No "frigir dos ovos" é o nome de Jesus Cristo, o Senhor e Salvador da Igreja, que fica envergonhado. Aquele crente fiel que quer seguir a Jesus Cristo é exposto a situações de constrangimento quando sua vida cristã é comparada com esse tipo de líder evangélico, que pode ter muito de líder, mas não tem nada de evangélico.

Silas Malafaia, foi-se o tempo que o senhor e o seu programa proclamavam a Palavra de Deus. O tempo em que o senhor abria a Bíblia e procurava dissecá-la, explicá-la e aplicá-la à vida dos seus ouvintes já não existe mais. A maior parte dos seus programas e para pedir dinheiro, vender seus produtos e fazer propaganda dos seus encontros. Apesar de ser calvinista eu tinha prazer em te ouvir. Hoje, esse prazer já se foi. Prefiro ler um bom livro de Spurgeon, Lloyd-Jones, Owen ou Edwards a ficar sentado ouvindo sua verborragia.

Valdemiro Santiago, sua teologia é fraca, inexistente, eu diria. Sua arrogância e prepotência são nojentas. O senhor segue indiferente sendo tocado pelas pessoas, distribuindo toalhinhas molhadas com seu suor, tocando nas fotos das pessoas pensando que isso é fazer a obra de Deus. Teve seu horário comprado pelo missionário, ficou todo "magoadinho", foi lá e comprou o horário do pastor assembleiano. Por acaso o senhor já leu na Bíblia que o mal deve ser pago com o bem? Que lástima é o seu ministério!

R. R. Soares, já faz tempo que seu ministério deixou de ser evangélico. Assim como seu "professor eclesiástico", o senhor a rrecadou uma grana alta e montou uma rede de comunicação. Não tinha nada e agora é ouvido por milhares de pessoas e é lógico que vai dizer que isso foi a graça de Deus. Lógico, mas isso não foi de graça para os milhares que contribuem mensalmente para manter esse "império" de comunicação. O senhor é um excelente garoto-propaganda dos seus produtos, mas deixou de cumprir sua missão já faz tempo.

Edir Macedo, nunca acreditei em suas palavras, nunca dei crédito às suas pregações. Jamais quis visitar alguma igreja sua, sempre desconfiei da sua teologia e nunca vi coerência nas suas práticas. O senhor é o o mais incoerente de todos. Diz que as igrejas neopentecostais se assemelham com centros espíritas e de candomblé, mas sua igreja se parece com o quê? Sua igreja é o principal exemplo do que seja um centro desses. Suas mentiras, seus podres, sua metodologia mercantilista já foi denunciada por crentes e por incrédulos. Minhas náuseas são o que de melhor tenho a te oferecer.

Eis meu desabafo. Talvez fique só por aqui. Talvez nenhum deles leia o que eu escrevi. Mas sei que se eles lerem, eles não vão mudar em nada porque não é nem por força, nem por violência, nem por eu ou outros ficarem escrevendo, mas é pelo Espírito de Deus.

Será que somos livres? - Parte 2

No início do ano, em março, publiquei a primeira parte desse grande tema, a liberdade humana (Parte 1). Na verdade, essa liberdade humana é muito relativa. Você pode escolher a cor da camisa que quiser, mas, pelo menos, você ficará restrito ao seu gosto pessoal. Você poderá escolher o carro que quiser comprar, mas sua liberdade está restrita à quantidade de dinheiro disponível que você tem.

Quando Adão e Eva foram criados e colocados naquele imenso bosque, eles ainda não tinham experimentado o pecado. Eles ficaram por algum tempo experimentando o que é viver sem dor, sem tristeza, sem medo, sem morte, enfim, eles eram perfeitos. Exatamente feitos à imagem e semelhança de Deus, eles ficaram por algum tempo sem conhecer o mal. Contudo, foram criados numa situaçã condicional, se se mantivessem em obediência, continuariam em estado de perfeição; se desobedecessem, perderiam essa condição e morreriam. E foi isso que aconteceu.

Depois que eles pecaram, eles perderam a semelhança que tinham com o Criador. Eles passaram a conhecer o mal e se tornaram escravos do pecado, realizando suas vontades. E, uma vez mortos em delitos e pecados, perderam a capacidade de decidirem, espontaneamente, se voltar para Deus. Agora, quando o Criador os procurava, eles tinham medo, se escondiam e desconfiavam da presença dEle.

E o testemunho de Jesus Cristo é que as pessoas estão escravizadas pelo pecado e precisam ser libertas (João 8:32) e só Ele pode libertar. Se fôssemos livres Ele não precisaria nos libertar. E por pecarmos, Jesus adverte que somos "servos do pecado" (João 8:34) e é somente pela ação do Filho que verdadeiramente seremos livres (João 8:36). Além disso, em outra passagem conversando com as pessoas, o próprio Pão da Vida afirma que as pessoas não iam até ele por que não queriam e, caso fossem, receberiam vida (João 5:40). Isso significa que as pessoas não têm um desejo natural de se aproximarem de Jesus. 


Já na época do profeta Jeremias ele advertia o povo quanto a impossibilidade das pessoas fazerem o bem sendo ensinados a fazer o mal (Jeremias 13:23). Não se discute atos voluntariosos e benévolos que podemos ter em relação a outras pessoas, atos de caridade, sermos solidários com os pobres, os mais necessitados. Não é de altruísmo o que estou falando. O que está em questão é se o homem tem ou não a capacidade de voltar-se espontaneamente para Deus. A Bíblia diz que não.


A Bíblia deixa claro que existe uma força motriz no coração do homem que o impulsiona para longe de Deus, "...a inclinação da carne é morte... é inimizade contra Deus" (Romanos 8:6-7). E enquanto essa força não for vencida pela ação regeneradora do Espírito Santo, ficaremos escravos do pecado. Não é uma boa educação que nos livrará do pecado. Não seguirmos bons exemplos de conduta e imitarmos o altruísmo de certas pessoas. A liberdade do pecado só é conseguida quando nosso coração de pedra for trocado por um coração sensível à voz do Bom Pastor (Ezequiel 36:26).

sábado, 1 de outubro de 2011

A soberania de Deus


Qual é o atributo de Deus que você mais gosta? Talvez muitos respondam que é o amor de Deus, ou a bondade de Deus, ou ainda a fidelidade de Deus. Spurgeon chegou a dizer, em um dos seus sermões, que se os homens pudessem, tirariam a soberania de Deus. Ele chega a dizer que os homens, de maneira geral, odeiam a soberania de Deus. Pode ser uma linguagem forte, principalmente nos tempos pós-modernos em que vivemos. Mas sou obrigado a concordar com ele. Quando entendemos realmente a soberania de Deus e suas implicações para a nossa vida, temos apenas duas saídas: ou aceitamos a soberania de Deus, ou vivemos como se ela não existisse.

Aqui em terras brasileiras, há líderes de igreja que repensaram a soberania de Deus e a descaracterizaram de tal modo, que transformaram a Deus em um ser muito parecido com os homens. E muitos vão argumentar que realmente Deus Se parece com as pessoas, principalmente porque Deus Se encarnou em Jesus Cristo e “habitou entre nós”. Contudo, “habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:14 – grifos meus). Mesmo encarnado, Deus continua sendo Deus. E a soberania de Deus é, talvez, um dos atributos mais excelentes que Ele tem.

Pink diz que a soberania de Deus é o exercício de Sua supremacia. Ao mesmo tempo em que Deus é o mais elevado ser, Ele também é o único que é capaz de fazer tudo o que quer, sem ser impedido por nenhuma circunstância. Não há no mundo físico ou espiritual nenhum ser nem situação que impeça Deus de agir. Além de Ele fazer tudo o que Lhe apraz, tudo o que Ele faz é perfeito. Nunca é demais asseverar e reafirmar a soberania de Deus. Nada escapa dos Seus olhos, nada do que aconteça no mundo está alheio a Ele. Cada evento das nossas vidas foi conhecido e determinado por Deus (Salmo 139:16).

Mas de tanto enfatizar a soberania de Deus, onde fica a responsabilidade humana? Há espaço para a soberania de Deus e a responsabilidade humana? Sim. Da mesma maneira que a luz se comporta como uma onda e como um corpo; da mesma maneira que uma gelatina não é nem sólida nem líquida. Para Pink, “a responsabilidade humana baseia-se na soberania divina e desta é resultado”. Pelo que entendemos ao ler a Bíblia, vemos que alguns anjos foram criados com a possibilidade de perderem seu estado original de graça (Judas 6). Da mesma forma, Adão e Eva foram criados do mesmo modo. Se obedecessem a Deus continuariam a desfrutar da presença imediata de Deus. Se desobedecessem a Deus, eles morreriam e decairiam da graça tornando-se mortos espiritualmente. Quem influenciou a Deus a criar desse jeito? Absolutamente ninguém.

Eu não tenho dúvida nenhuma, apesar de não entender por completo, que Deus é absolutamente soberano e que nenhum evento acontece sem o Seu consentimento. O tsunami da Indonésia, as chuvas torrenciais no Rio de Janeiro, a fome na África, a morte de inocentes na queda das Torres Gêmeas, o sofrimento dos pobres em filas nos hospitais, o estupro de mulheres, a pedofilia, a gravidez indesejada de casais adolescentes; todos esses eventos estão no controle total de Deus. Ele não foi pego de surpresa, Ele sabia que esses eventos aconteceriam, Ele tinha poder suficiente para evitar todos esses eventos e não os evitou. Por quê?

Sinceramente não sei qual é a resposta para essa pergunta. Talvez seja para me ensinar a sofrer o sofrimento dos outros e não ficar indiferente repetindo a teologia da soberania de Deus. Talvez Deus permita isso para ensinar a Sua Igreja a se mobilizar e atender às necessidades das pessoas. A Igreja não pode se ausentar dos pobres e dos necessitados e ficar pregando a Jesus Cristo sem ver as mazelas das pessoas. O apóstolo Tiago nos adverte que nossa fé deve ser seguida de obras que justifiquem a presença dessa fé nas nossas vidas. Sem essas obras nossa fé é morta.

A soberania de Deus é um fato. Deus está assentado em Seu trono e ninguém vai tirá-lo de lá. Ele é soberano em todas as Suas determinações, quando entendemos e quando não as entendemos também. O fato de Deus ser soberano implica na nossa total rendição à Sua vontade que é “boa, perfeita e agradável”. Ainda assim somos responsáveis pelas nossas ações e responderemos por elas diante do Justo juiz.