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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Confissão de Fé Batista de 1689 - Um resumo

Em abril de 1995 conheci a Confissão de Fé Batista de 1689. Sete anos antes já havia conhecido a Confissão de Westminster. Quando li a Confissão Batista achei que fosse uma cópia da outra. Na verdade, naquela época a sã doutrina estava mais preservada entre os cristãos.

Pouco tempo depois, me deparei com um resumo da Confissão Batista em inglês que resolvi traduzir para mim. Hoje procurei o resumo em inglês e não achei. Mas mesmo assim foi publicar a tradução que fiz. Trata-se de um bom resumo daquilo que acredito ser a essência das Escrituras.

1.      Eu creio no verdadeiro e vivo Deus, que subsiste em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É invisível, pessoal, onipresente, eterno, não dependente de ninguém, imutável, sincero, digno de confiança, poderoso, soberano, onisciente, justo, santo, bom, amoroso, misericordioso, longânimo e gracioso.
2.      Eu creio que o Deus todo-poderoso revelou tudo que é necessário para a vida e salvação nos 66 livros das Sagradas Escrituras, que são a Palavra de Deus. Toda a Escritura foi dada por inspiração de Deus, é infalível e inequívoca e o árbitro final em todas as discussões. Sua autoridade é derivada do Seu autor e não das opiniões dos homens.
3.      Eu creio que Deus criou o nosso primeiro pai Adão perfeito, santo e íntegro. Ele foi colocado como representante e cabeça da raça humana, de tal modo a expor todo sua descendência aos efeitos da sua obediência ou desobediência às ordenanças de Deus.
4.      Eu creio que Adão caiu de sua justiça original em pecado e trouxe sobre si mesmo e toda sua descendência morte, condenação e pecado.
5.      Eu creio que é completamente impossível ao homem decaído, por si mesmo, amar a Deus, guardar Suas leis, entender o evangelho, arrepender-se dos pecados ou crer em Cristo.
6.      Eu creio que Deus, antes da fundação do mundo, para Sua própria glória elegeu um inumerável número de homens e mulheres para a vida eterna como um ato da Sua livre e soberana graça. Essa eleição não foi, de maneira nenhuma, dependente de Sua previsão de fé do homem, ou sua decisão, obra ou méritos.
7.      Eu creio que Deus enviou Seu Filho ao mundo, concebido da virgem Maria pelo Espírito Santo, sem pecado, sendo Deus e homem, nascido sob a Lei para viver uma vida de justiça em favor do Seu povo eleito.
8.      Eu creio que o Filho de Deus morreu na cruz do Calvário para efetuar propiciação, redenção, reconciliação e expiação para Seu povo eleito. Deus propiciou evidência para a Sua aprovação da obra de Seu Filho ressuscitando-o dos mortos.
9.      Eu creio que o Filho de Seus ascendeu à destra do Pai e está entronizado em glória, onde intercede em favor do Seu povo e governa todas as coisas para Sua própria glória.
10.  Eu creio que Deus, o Filho, enviou o Espírito Santo para atuar em consonância com a pregação da Palavra. O Espírito Santo regenera o pecador eleito e o atrai à fé em Deus de maneira irresistível.
11.  Eu creio que os eleitos, aqueles que são cheios por graça, são justificados aos olhos de Deus de acordo com a justiça de Cristo imputada a eles, que é recebida apenas por fé.
12.  Eu creio que todos aqueles que são chamados, regenerados e justificados serão preservados em santidade e nunca cairão do seu estado de graça.
13.  Eu creio que o batismo por imersão e a ceia do Senhor são ordenanças do evangelho pertencentes apenas aos regenerados.
14.  Eu creio que a igreja local está sob autoridade apenas de Jesus Cristo. A comunhão dos santos, contudo, requer reconhecimento e relacionamento com outras igrejas.
15.  Eu creio que o Senhor Jesus Cristo voltará para ressuscitar os mortos, justos e injustos e que os justos se regozijarão na vida eterna e que os injustos receberão sua condenação por toda a eternidade.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Fui eleito, mas sem merecer essa eleição!


            Estou ensaiando escrever uma série de textos explicando como creio na Bíblia. Não que eu tenha que explicar algo para alguém. Mas esse blog surgiu de uma necessidade minha de pensar nas coisas da minha vida e é só por isso que eu escrevo. Se Deus quiser usar isso para abençoar alguém, que Ele fique à vontade.

            Esforço-me para entender tudo o que leio, mas devo confessar minha limitação em compreender certos textos. Minha dificuldade é em perceber a realidade da metáfora. Gosto de textos que não enrolam, que vão direto ao ponto. E um bom exemplo é um dos textos últimos textos que li nesta semana. E essa leitura motivou iniciar a série de textos sobre o que e como creio a Bíblia Sagrada. Se quiser saber que texto é esse, é só clicar aqui.

            Creio vigorosamente que nós só amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). Não tivesse Ele me chamado e me atraído (Jeremias 31:3), eu não O procuraria. Como as coisas dEle são entendidas espiritualmente (1 Coríntios 2:14) e eu estava morto espiritualmente em meus pecados (Efésios 2:1), eu não entendia os apelos da Palavra de Deus para me aproximar dEle, depender dEle, buscar o Seu perdão, agradá-lO e buscá-lO.

            Quando entendi a mensagem do Evangelho e o que Jesus Cristo significava para mim, não pude fazer outra coisa: tive que reconhecer minha pecaminosidade, que viva afrontando a Deus, que carecia do Seu perdão e que absolutamente incapaz de me aproximar dEle por conta própria. Quando compreendi que era impossível eu desejá-lO antes que Ele me desejasse, passei a amá-lO e querer agradá-lO. E esse é o ponto.

            Antes de eu querer seguir a Jesus Cristo, Ele escolheu me chamar para andar perto dEle. Antes de querer amá-lO, Ele resolver me amar. O que quero dizer é que eu nunca aceitei a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, Ele é que aceitou como um pecador remido e arrependido, convencido por Sua bondade (Romanos 2:4). Ora, por que eu deveria aceitar a Jesus se Ele nunca fez nada contra mim! Por que sou eu que devo aceitá-lO? O errado nesta relação sou eu. O pecador que afrontou o Senhor dos senhores sou eu. Ele não me fez nada de errado para que fique pacientemente – ou amorosamente, se quiser – esperando a minha decisão de querer algum relacionamento com Ele. Sobre a minha vontade de segui-lO Ele já deu o veredicto (João 5:40).

            A eleição de Deus, ao contrário do que muitos pensam, não transforma o eleito numa pessoa especial dentro da raça humana. Quando entendemos corretamente o fato que Deus nos amou sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8), reconhecemos que não tínhamos nada a oferecer a Ele em troca da nossa eleição. Quem de fato reconhece o seu pecado e credita sua salvação exclusivamente à obra de Deus não fica achando que “haver alguma lista com os especiais”. Especial é Jesus Cristo que resolveu tomar a minha forma pecadora e vencer o pecado por mim e para mim.

            Comparar a eleição de Deus com a mitologia, em que os deuses tinham seus privilegiados por mero capricho e ciúmes, é um crime teológico e intelectual. O Deus apresentado nas Escrituras é bem diferente da mitologia. Ele não age de modo caprichoso e com um ciúme piegas, protegendo os seus queridinhos. Dizer que Davi se achava a “última bolacha do pacote” é ridículo e desvirtuar o texto sagrado. Davi era sim um homem do “cotidiano, banal e ordinário”. Ele era tão banal que nem reconheceu que o profeta falava dele mesmo (2 Samuel 12:1-10). Ele era um homem comum escolhido por Deus. Assim como eu: um pecador indigno que não merecia nada da parte de Deus, mas que Ele resolveu amar.

            Chamar os eleitos de Deus de soberbos é demonstrar uma mentalidade curta, pequena e despreparada. Gostaria que me apresentasse algum pregador que considere a eleição de Deus e que se considerava soberbo. É uma pena tratar homens e mulheres que se reconheciam como o pó da terra como se fossem soberbos. A doutrina da eleição, devida e honestamente entendida, não traz soberba ao coração. Pelo contrário, quando reconhecemos que somos salvos apenas porque Deus quis nos salvar, somos obrigados a reconhecer a nossa nulidade diante da nossa incapacidade de nos salvarmos.

            Nós não podemos nada contra a verdade, a não ser, sermos a favor dela (2 Coríntios 13:8). Se a Palavra de Deus nos chama de “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2:9), é arrogância aceitarmos essas denominações? Insisto, quem realmente conhece a doutrina da eleição, não sai por aí dizendo que é o melhor de todos. Ao contrário. A doutrina da eleição humilha de tal maneira o homem que o faz dependente de Deus do início ao fim na salvação de sua alma.

            Quando me perguntam se acredito em destino, respondo que sim e que meu destino é com “D” maiúsculo, “D” de Deus. Se Deus não é Senhor do destino, então Ele foi pego de surpresa ao longo da história? Jesus estava destinado a ser o Cristo e a morrer na cruz como o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Afinal de contas Ele é o cordeiro que morreu antes que o mundo existisse (Apocalipse 13:8). Mas o fato de todos os meus dias terem sido escritos (Salmo 139:16) não significa que Deus tenha me feito um robô sem a capacidade de expressar minha vontade. Lógica de Deus!

            Como eleito de Deus não trago o “rei na barriga”, tenho o Rei dos reis no meu coração. E Ele só está no meu coração porque Ele quebrou a pedra do pecado que fechava a porta dela. Glórias e graças somente a Ele. Ele é tudo, eu sou nada. Só Ele pode. Eu sem Ele não posso nada.