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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Deus, o criador do universo, não seu salvador!

No ano de 1987 o meu líder de jovens, hoje o Pr Décio Leme Jr, num estudo bíblico sobre salvação nos perguntou porque estávamos salvos. Todas as respostas foram mais ou menos assim: "Porque eu um dia aceitei a Jesus Cristo". E alguns comentários que se seguiram a essa resposta davam conta que qualquer um podia ser salvo, bastando aceitar a Jesus Cristo como seu suficiente Salvador. Depois de alguns outros comentários, alguém falou dos índios e outras pessoas que nunca ouviram ou ouviriam sobre Jesus Cristo, seriam eles salvos? A resposta do Décio foi enfática: "Não!" Aí a comoção foi geral. Três tipos de reações surgiram: "Não aceito o que você está dizendo e nem quero ouvi-lo"; "Não aceito o que você está dizendo, mas quer ouvir o que você vai ensinar" e "Nem aceito nem repudio o que você está ensinando, vou tentar entender melhor isso". Essa última foi a atitude que tomei.

Passados 26 anos, a doutrina do universalismo ou da salvação universal continua presente em nossos dias. Recentemente o livro de Rob Bell (O amor vence) causou muita polêmica na igreja evangélica pela postura radical na defesa de que todos serão salvos. Muito foi dito. Gente muito séria saiu em defesa de Bell. Como também muita gente séria saiu para mostrar o erro dessa doutrina. Eu não sou universalista. Não creio que na última hora - e nem agora - Deus vai salvar todo mundo. E não creio nessa doutrina simplesmente pelo fato de não encontrá-la na Bíblia. Vejo no Antigo e no Novo Testamentos muita gente que morreu perdida em seus pecados e não foi salva. Vejo gente que foi deixada por Jesus Cristo seguir seu próprio caminho, sem ser levada ao arrependimento. Não posso crer que Jesus Cristo vai salvar todo mundo na última hora, pois o "livro da última hora" não me mostra isso. Em Apocalipse 17:14, o apóstolo João, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu que vencerão apenas os que estão com Ele e não todo mundo.

Pensando nessa doutrina hoje pela manhã, dois exemplos ocorridos com Jesus Cristo me vieram à mente. Um deles é a visita de Jesus Cristo às cidades de Tiro e Sidom. Em Mateus 11:21 lemos que para Betsaida e Corazim haverá mais rigor no Dia do Juízo do que para Tiro e Sidom. Isso porque em Betsaida e em Corazim Jesus Cristo operou muitos prodígios e eles não se arrependeriam da forma que Tiro e Sidom poderiam ter se arrependido. É espantoso ver que Jesus Cristo visitou as "cidades impenitentes" e não operou nenhum prodígio mesmo sabendo que elas se arrependeriam em pano de saco e cinza. Então, pergunto, por que Jesus não operou nenhum milagre naquelas cidades?

Em Marcos 3:8 lemos que as pessoas de Tiro e de Sidom vinham até Jesus porque ouviam falar muitas coisas sobre Ele, mas elas nunca tinham visto nada da parte de Jesus em suas própria cidades. Além disso, é curioso perceber que quando Jesus Cristo entra em Tiro e Sidom em uma de Suas visitas, Ele entra numa casa e pede para que ninguém saiba de Sua presença. E mesmo sendo descoberto naquela casa, não há nenhum registro em Marcos que Ele tenha feito algum sinal ou maravilha nessas cidades. Ora, por que Jesus Cristo não operou nenhum milagre? Não Lhe custaria nada? Ele não ficaria menos poderoso com isso! Eu sinceramente não tenho resposta para isso.

Outra situação de Jesus Cristo, que me parece contrária ao universalismo, é a Sua crucificação. Ele foi crucificado com dois ladrões. Pelas leis da época, esses ladrões mereciam aquela morte, mas Ele mesmo era um "justo morrendo pelos injustos". Um dos ladrões zomba dEle, mandano-O Se salvar como fez com outros (Lucas 23:39). Interessante é que Jesus Cristo nem responde a esse malfeitor zombeteiro. Ele nem dá atenção ao que o ladrão está falando. Jesus Cristo pede que o Pai perdoe os soldados que escarneciam dEle, mas não pede que o ladrão seja perdoado pela zombaria que comete. O ladrão propôs a mesma coisa que os soldados propuseram, mas Jesus Cristo nem conversa com esse malfeitor.

Na crucificação vemos dois homens semelhantes, condenados por merecimento e apenas um deles olha para Jesus Cristo pedindo por salvação. Ambos os ladrões estavam mortos espiritualmente (Efésios 2), ambos não desejavam a vida por estarem mortos (João 5:40) e apenas um é alcançado. Então pergunto, por que só um reconheceu Jesus Cristo como Salvador? Por que só um teve fé para crer na vida ao lado de Jesus Cristo depois da morte? Na cruz, apenas um dos ladrões vai ter entrada no paraíso com Jesus Cristo. É preciso lembrar que a "salvação pertence ao Senhor" (Jonas 2:9) e, pertencendo a Ele, nós não temos gerência sobre a nossa salvação e dos outros. A salvação é nossa apenas porque nos foi dada.

Não podemos escolher os versículos isoladamente e montar uma doutrina que se nos pareça confortável e, até mesmo, razoável. Argumentos que usam o grande amor de Deus, a grandeza do Seu amor, a Sua infinita misericórdia esquecem que Ele não deixa de ser amor quando age com justiça. A Bíblia nos ensina que Deus Se ira todos os dias. A mesma Bíblia diz que Ele ama todos os dias. Ele não é nem mais amor, nem mais justiça. Lembremos do episódio em que uma prostituta é levada até Jesus. Tanto ela como os seus acusadores precisavam de salvação. Ambos eram pecadores e necessitavam de perdão. Mas todos aqueles homens foram embora sem serem perdoados e Jesus não ficou chateado com a atitude deles. Nenhum deles, ao se perceberem pecadores, voltou-se para Jesus Cristo pedindo perdão. E Jesus não insistiu para que eles fossem perdoados. Mas a prostituta não foi procurar Jesus Cristo buscando perdão. Será que ela queria ser perdoada? Ela não foi espontaneamente buscar o perdão de seus pecados. E mesmo assim, sem querer ser perdoada, Jesus Cristo a perdoou.

Jesus Cristo salva a quem quer e eu não tenho que dizer a Ele quem Ele tem que salvar, eu tenho apenas que anunciá-lO.