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quinta-feira, 5 de março de 2009

Aborto causa excomunhão

Essa é uma daquelas notícias que nos deixam boquiabertos. Hoje estava ouvindo a CBN e escutei essa notícia da excomunhão dos médicos e dos familiares de uma menina, com 9 anos de idade, que foi estuprada e estava grávida de gêmeos. Nove anos é a idade das minhas alunas em um dos colégios que trabalho. E por ser professor de Biologia, sempre estive envolvido com a educação sexual e uma das perguntas que minhas alunas me fazem é quando a mulher está pronta para engravidar. Sim, garotas de 9 anos de idade têm curiosidade sobre o assunto. Mas a curiosidade delas não é para engravidar, é simplesmente curiosidade.

Outro dia estava discutindo esse assunto com uns colegas. O problema do pedófilo não é somente sua sexualidade, mas a questão da autoridade. Sexo ele tem com qualquer prostituta a quem ele pagar. O problema da pedofilia é o poder macabro que o(a) pedófilo(a) tem que exercer sobre alguém. E como o crime não pode ser cometido com quem questione a autoridade do agressor, sempre os mais fracos é que são escolhidos. O desvio desse padrasto não era sua sexualidade, mas sim o fato que ele queria mandar em alguém.

Imagine, a garota tinha 1,33m e 36 quilos e estava grávida de gêmeos. Não sei se você já teve oportunidade de ver uma mulher numa gravidez gemelar. Uma amiga minha teve gêmeos há um ano. Ela tem 1,60 e estava enorme, quase não se aguentando mais já no sétimo mês. Agora, o que faz uma mulher apta para ser mãe não se é ela já tem ciclo menstrual. A base psicológica é muito mais fundamental do que a fisiológica. O que faz de uma mulher uma mãe é se, depois de concebido, essa mulher terá condições de cuidar de seu filho.

Não sei se esse artigo vai chegar até o arcebispo de Recife, dom José Cardoso Sobrinho. Mas gostaria de poder dizer algo para ele. Em primeiro lugar, ele não é um “dom” para as pessoas. O Sr José Cardoso Sobrinho queria submeter a menina a manter uma gravidez de alto risco de morte ou de sequelas irreversíveis, e isso sob a alegação de salvar vidas.

“Quais vidas o senhor queria preservar? Se a menina morresse, as crianças também correriam risco de morrer. O senhor disse que as leis dos homens são inferiores à lei de Deus. Mas encontro na minha Bíblia, no Novo Testamento, que o senhor deveria conhecer bem, que devemos respeitar as autoridades, pois elas foram constituídas por Deus. Os médicos e familiares tinham amparo legal para isso, pois a gravidez era fruto de aborto e a mãe corria risco de morte. E mais, a salvação pertence ao Senhor (Jonas 2:9), mesmo sendo excomungados da igreja católica romana, eles podem ser alvo do amor de Deus, muito maior do que as leis humanas ditadas pela igreja romana.”

Meu momento de desabafo. Agora queria me comunicar com os médicos e com a família:

“Médicos, como biólogo e cidadão, estou do lado de vocês. A ação que vocês tiveram foi a mais correta e mais digna, exatamente dentro daquilo que vocês se propuseram a fazer em suas vidas. Mantenham essa coragem e determinação na profissão de vocês.

Familiares, como servo de Cristo, aprendi que tenho que chorar com os que choram e gostaria muito de poder oferecer-lhes meu ombro para você chorarem esse sofrimento que estão passando. Quero me confraternizar com vocês e, se pudesse e conhecesse vocês, orar junto com vocês. Mas oro daqui onde estou, pois Deus pode alcançar vocês aí em Recife.

Médicos e familiares, se a igreja católica romana excomungou vocês, corram para Jesus, porque todo aquele que se aproxima dEle não é abandonado. Ele mesmo disse isso, que qualquer que se aproximasse, Ele não lançaria fora.”

5 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Marcos,
Concordo com boa parte do que disse, exceção à questão do aborto. A legitimação desse crime, seja qual motivação houver, sempre ferirá a Lei Moral, a qual, para nós crentes, está acima da lei estatal.
Muitas vezes, são argumentos humanísticos (eivados por uma falsa justiça) que, invariavelmente, tentam desacreditar e invalidar a Escritura Sagrada, e levam os cristãos a guiarem-se pelo pensamento antropocêntrico.
Não sou biólogo, nem médico, mas se fosse, me recusaria a realizar abortos e cirúrgias de mudança de sexo, ainda que fosse punido pela lei.
A questão é se os meus pressupostos são bíblicos, aparentemente bíblicos ou não-bíblicos; o que refletirá diretamente na minha conduta de vida. Se são bíblicos, guiarei-me pela vontade de Deus, nos outros dois casos, a minha cosmovisão é extra-bíblica, e conflita com a revelação divina.
O problema é que a nossa sociedade despreza Deus e a Sua palavra, e, como tal, desde o início, mantém-se num estado de rebeldia, onde casamentos são desfeitos e outros arranjados sem se preocupar com a real proteção e necessidade dos filhos (tratando-os negligente e irresponsavelmente), além do quê, há uma irritante tolerância com o criminoso(a).
Vivemos uma avalanche de padastros (e pais, mães) que torturam, estupram e matam enteadas e enteados (filhos e filhas), e a origem disso está onde? No desprezo aos princípios bíblicos, os quais são para toda a sociedade, não apenas para o crente (e a maioria de nós quer se ver livre deles, e pecar comodamente).
Portanto, a despeito do apelo emocional e sentimental da situação (realmente triste, sobretudo, porque é uma afronta a Deus), não vejo nada além do que pecadores sofrendo por sua própria rebeldia (não se esqueça de que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", inclusive a menina)
Abraços.

Música, Ciência e Teologia disse...

Jorge, é verdade tudo que escreveu. A rebeldia contra Deus é a mãe de todos os males. E esse é apenas mais um exemplo disso.

Minha perplexidade diante de tudo isso é porque fico me imaginando numa situação dessas. Com toda honestidade (e isso não legitima nenhuma ação) não gostaria de ter uma filha estuprada, grávida de seu agressor. Da mesma maneira que, acho eu, não suportaria o fato de ver minha esposa grávida de um estuprador.

As questões da bioética estão sempre presentes e mauito mais hoje em dia. Como cristãos devemos nos posicionar com a Bíblia aberta. Mas isso não esconde o fato de sermos humanos e ainda não ser 100% capazes de lidar com nossa humanidade. Conciliar nossas naturezas é trabalho diário nosso e em conexão com o Espírito Santo.

Até mais, Marcos.

Jorge Fernandes disse...

Marcos,
Como pai, também me coloco na posição dessa família, mas não consigo me ver cometendo um crime ainda maior do que o do padastro, especialmente, porque conheço a Cristo e Seu Evangelho; o que é agravante.
Fico a imaginar minha filha ou esposa passando por uma situação dessas, tendo um filho indesejado, e eu vendo-o crescer com a cara do bandido. Realmente, é algo duro de se imaginar. Mas creio na soberania de Deus, e creio que nada, absolutamente nada, acontece sem que Ele queira, inclusive, o pecado e o mal. Mas sei também que Deus é amoroso com Seus filhos, e, numa situação dessa, me daria sabedoria, amor, misericórdia e compaixão para não transferir ao pequenino a raiva e indignação pelo ato pecaminoso, imoral e brutal cometido pelo criminoso.
Quanto a esse, se as leis fossem duras, se houvesse a aplicação da Lei Moral, e ao invés de tentar ordenar a sociedade pela mente caída do homem (o que é impossível), mas ordená-la pela sabedoria divina, as coisas não chegariam ao ponto em que estamos,e os casos fortuitos seriam tratados com severidade, e o bandido seria punido exemplarmente. Porém, o que se vê é a criminalidade piorando dia após dia, enquanto a sociedade acuada, passa a mão na cabeça dos malfeitores, julgando-os pobres-coitados, na esperança de que não se voltem novamente contra nós, o que, invariavelmente, ocorrerá (é a herança imposta pela mentalidade demoniaca do esquerdismo/liberalismo).
Como cristãos, não somos autorizados a rever os princípios bíblicos, mas a obedecê-los.
Um forte abraço.

Volney Faustini disse...

Marcos,

Se pra muitos a questão - mais do que inspirar compaixão e misericórdia - é complexa e polêmica, fico com vc e seu posicionamento objetivo:

Familiares, como servo de Cristo, aprendi que tenho que chorar com os que choram e gostaria muito de poder oferecer-lhes meu ombro para você chorarem esse sofrimento que estão passando.

Creio que - digo por mim, nossos paradigmas ortodoxos, tradicionalistas e ultra-conservadores nos fazem 'ditar' o que deve ser feito pelos outros (menina, mãe, médico). E em todos os comentários e textos, foi somente no seu que vi uma reflexão e praxis objetiva do verdadeiro cristão: amor e compaixão.

Estou com vc, e saiba que isso me conquistou.

Fique na paz

Música, Ciência e Teologia disse...

Volney, obrigado por suas palavras.

Sabe, minha percepção é que falta à igreja, a empatia que Jesus tinha. A capacidade de se colocar no lugar do outro. Acho que é isso que Jesus quis dizer com o “chorai com os que choram”.

Grande abraço, Marcos.