sábado, 8 de outubro de 2011

A imutabilidade de Deus


Ainda hoje me lembro do impacto que esse capítulo teve sobre a minha vida. Até essa leitura nunca havia pensado sobre a imutabilidade de Deus. Ninguém nunca havia pregado sobre esse assunto na minha igreja local. Toda vez que alguém pregava e falava sobre isso, falava que Deus mudava de planos e dava como exemplo o dilúvio de Noé, ou o caso do rei Ezequias, ou o profeta Jonas e a cidade de Nínive. Portanto, a argumentação era que Deus mudava Seus planos dependendo das reações das pessoas. Qual não foi o impacto na minha vida quando Pink argumentou a favor do fato de que Deus não muda!

Ao contrário de qualquer outro deus, o Deus das Sagradas Escrituras é o mesmo “ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13:8). Isto significa que, independente do que ocorra no mundo, Deus permanecerá sempre o mesmo. Sendo Ele o princípio e o fim, Ele não pode experimentar nenhum tipo de mudança. Ele não pode mudar para melhor, porque já é perfeito e, sendo perfeito não pode mudar para pior. Ele é o único Deus capaz de dizer “...eu sou o que sou...” (Êxodo 3:14). A Sua essência, o Seu caráter é imutável.

Mas então por que lemos trechos da Bíblia Sagrada que parecem dizer o contrário? Dois textos muito famosos são: 

“Então, arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.” (Gênesis 6:6) e

“Então, o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.” (Êxodo 32:14).

Por outro lado, lemos textos que afirmam categoricamente que Deus não se arrepende de nada que tenha feito ou planejado, por exemplo, “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa (Números 23:19) e “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). Então, como conciliar esses trechos bíblicos? Em primeiro lugar deve ficar claro que a Bíblia não tem contradições. O que ela ensina no início, ensina no meio e no fim. A Palavra de Deus traz consigo as características de Seu autor: perfeição, integridade, autoridade e justiça.

Eis o que disse o Dr Packer: “A referência em cada caso é sobre a anulação de um prévio tratamento dispensado a certos homens, como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não há sugestão de que essa reação não tenha sido prevista, ou que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação a um homem de maneira diferente.” E é preciso entender que o arrependimento de Deus é completamente diferente do nosso.

Quando Deus Se arrepende, Ele não foi motivado por algum erro cometido. O arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada, como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais comete erros. Em Deus "não pode existir variação, ou sombra de mudança" (Tiago 1:17).[1] Portanto, o arrependimento de Deus deve ser entendido de outra maneira.

Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo e mudando sua intenção para com o homem, “evidentemente é só a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus, mas no homem e nas relações do homem com Ele” (L. Berkhof).[2] Precisamos entender que até as mudanças nas nossas atitudes fazem parte do plano de Deus. Quando Deus assume arrepender-Se, Ele está assumindo a responsabilidade por essa atitude e pela situação ter chegado onde chegou. Ao criar o homem, Deus viu que “era muito bom” e depois, na época de Noé, Ele reconheceria que teria sido um erro cria-lo? Ora, se Deus tivesse errado na criação do homem Ele seria como o próprio homem, capaz de errar. Mas não podemos aceitar que Deus erre à luz do que lemos nas Escrituras.

Da mesma forma, com uma linguagem antropomórfica, Deus Se apresenta como tendo olhos, mãos, braços e ouvidos. Ele fala de Si como tendo despertado (Salmo 78:65) e como tendo madrugado (Jeremias 7:13). Mas o próprio salmista diz que o guarda de Israel não dorme (Salmo 121:3).Deus nos ama tanto que Ele mesmo opta por Se manifestar de uma forma humana para que possamos entender o que Ele mesmo sente. No caso da destruição da raça humana, a indignação divina era tão grande contra o pecado, que para entender o por quê da raça humana ser destruída, Deus Se manifesta como arrependido de ter criado a humanidade.

Em Malaquias 3:6 lemos a famosa declaração de Deus, “Porque eu, o SENHOR, não mudo”. E é uma benção a imutabilidade de Deus. Imagine se Deus mudasse de opinião como nós mudamos! Hoje Ele está resolvido em nos amar e usar de graça conosco. Mas amanhã, se pecarmos, Ele resolve mudar de postura e nos tratar de acordo com nosso pecado. Hoje somos abençoados por Ele e amanhã Ele fica de birra e não nos abençoa. A imutabilidade de Deus é uma benção para a Igreja, pois podemos confiar plenamente em Deus, visto que Ele não vai largar a corda e nos abandonar.

É por causa da imutabilidade de Deus que Ele nos ama desde toda a eternidade (Jeremias 31:3) e nunca Se moveu dessa determinação. É porque Deus não muda que não somos consumidos por Sua santa ira (Malaquias 3:6). Ele não vai voltar atrás na determinação de nos salvar e nos conduzir ao céu (Judas 24). Que consolo e segurança podemos desfrutar da imutabilidade de Deus. Ele não vai mudar no Seu desejo de me salvar, de me preservar santo, de me abençoar. Ele não vai voltar atrás na determinação de me provar e dar sustento nas minhas horas mais difíceis (1 Coríntios 10:13).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Líderes "evangélicos" e o tenesmo que eles causam

Nos últimos dias, a igreja brasileira tem sido assolada por uma série de denúncias, críticas pesadas, palavras duras e lavagem de roupa suja. Não vejo problema nessas coisas por elas mesmas. O grande problema é que isso tem sido feito abertamente, publicamente. E o que é pior, são as mesmas pessoas que estão se envolvendo cada vez mais nesse atoleiro.

O versículo 3 da carta de Judas encerra uma verdade muito importante, "batalhar pela fé que foi dada aos santos". É lógico que cada um pode interpretar esse versículo de acordo com suas conveniências. Assim, o pastor assembleiano vai defender o seu horário das madrugadas; o apóstolo cowboy vai fazer com o assembleiano o mesmo que o missionário fez com ele. O missionário, por sua vez, vai continuar vendendo canais de televisão para disponibilizar bons programas para seus assinantes; o bispo universal vai vociferar contra os cantores evangélicos que ele julga estarem a serviço de satanás.

Nessa lambança toda sobra para o povo comum, aquele crente que se dedica diariamente para manter sua relação com Deus longe dessa podridão toda. No "frigir dos ovos" é o nome de Jesus Cristo, o Senhor e Salvador da Igreja, que fica envergonhado. Aquele crente fiel que quer seguir a Jesus Cristo é exposto a situações de constrangimento quando sua vida cristã é comparada com esse tipo de líder evangélico, que pode ter muito de líder, mas não tem nada de evangélico.

Silas Malafaia, foi-se o tempo que o senhor e o seu programa proclamavam a Palavra de Deus. O tempo em que o senhor abria a Bíblia e procurava dissecá-la, explicá-la e aplicá-la à vida dos seus ouvintes já não existe mais. A maior parte dos seus programas e para pedir dinheiro, vender seus produtos e fazer propaganda dos seus encontros. Apesar de ser calvinista eu tinha prazer em te ouvir. Hoje, esse prazer já se foi. Prefiro ler um bom livro de Spurgeon, Lloyd-Jones, Owen ou Edwards a ficar sentado ouvindo sua verborragia.

Valdemiro Santiago, sua teologia é fraca, inexistente, eu diria. Sua arrogância e prepotência são nojentas. O senhor segue indiferente sendo tocado pelas pessoas, distribuindo toalhinhas molhadas com seu suor, tocando nas fotos das pessoas pensando que isso é fazer a obra de Deus. Teve seu horário comprado pelo missionário, ficou todo "magoadinho", foi lá e comprou o horário do pastor assembleiano. Por acaso o senhor já leu na Bíblia que o mal deve ser pago com o bem? Que lástima é o seu ministério!

R. R. Soares, já faz tempo que seu ministério deixou de ser evangélico. Assim como seu "professor eclesiástico", o senhor a rrecadou uma grana alta e montou uma rede de comunicação. Não tinha nada e agora é ouvido por milhares de pessoas e é lógico que vai dizer que isso foi a graça de Deus. Lógico, mas isso não foi de graça para os milhares que contribuem mensalmente para manter esse "império" de comunicação. O senhor é um excelente garoto-propaganda dos seus produtos, mas deixou de cumprir sua missão já faz tempo.

Edir Macedo, nunca acreditei em suas palavras, nunca dei crédito às suas pregações. Jamais quis visitar alguma igreja sua, sempre desconfiei da sua teologia e nunca vi coerência nas suas práticas. O senhor é o o mais incoerente de todos. Diz que as igrejas neopentecostais se assemelham com centros espíritas e de candomblé, mas sua igreja se parece com o quê? Sua igreja é o principal exemplo do que seja um centro desses. Suas mentiras, seus podres, sua metodologia mercantilista já foi denunciada por crentes e por incrédulos. Minhas náuseas são o que de melhor tenho a te oferecer.

Eis meu desabafo. Talvez fique só por aqui. Talvez nenhum deles leia o que eu escrevi. Mas sei que se eles lerem, eles não vão mudar em nada porque não é nem por força, nem por violência, nem por eu ou outros ficarem escrevendo, mas é pelo Espírito de Deus.

Será que somos livres? - Parte 2

No início do ano, em março, publiquei a primeira parte desse grande tema, a liberdade humana (Parte 1). Na verdade, essa liberdade humana é muito relativa. Você pode escolher a cor da camisa que quiser, mas, pelo menos, você ficará restrito ao seu gosto pessoal. Você poderá escolher o carro que quiser comprar, mas sua liberdade está restrita à quantidade de dinheiro disponível que você tem.

Quando Adão e Eva foram criados e colocados naquele imenso bosque, eles ainda não tinham experimentado o pecado. Eles ficaram por algum tempo experimentando o que é viver sem dor, sem tristeza, sem medo, sem morte, enfim, eles eram perfeitos. Exatamente feitos à imagem e semelhança de Deus, eles ficaram por algum tempo sem conhecer o mal. Contudo, foram criados numa situaçã condicional, se se mantivessem em obediência, continuariam em estado de perfeição; se desobedecessem, perderiam essa condição e morreriam. E foi isso que aconteceu.

Depois que eles pecaram, eles perderam a semelhança que tinham com o Criador. Eles passaram a conhecer o mal e se tornaram escravos do pecado, realizando suas vontades. E, uma vez mortos em delitos e pecados, perderam a capacidade de decidirem, espontaneamente, se voltar para Deus. Agora, quando o Criador os procurava, eles tinham medo, se escondiam e desconfiavam da presença dEle.

E o testemunho de Jesus Cristo é que as pessoas estão escravizadas pelo pecado e precisam ser libertas (João 8:32) e só Ele pode libertar. Se fôssemos livres Ele não precisaria nos libertar. E por pecarmos, Jesus adverte que somos "servos do pecado" (João 8:34) e é somente pela ação do Filho que verdadeiramente seremos livres (João 8:36). Além disso, em outra passagem conversando com as pessoas, o próprio Pão da Vida afirma que as pessoas não iam até ele por que não queriam e, caso fossem, receberiam vida (João 5:40). Isso significa que as pessoas não têm um desejo natural de se aproximarem de Jesus. 


Já na época do profeta Jeremias ele advertia o povo quanto a impossibilidade das pessoas fazerem o bem sendo ensinados a fazer o mal (Jeremias 13:23). Não se discute atos voluntariosos e benévolos que podemos ter em relação a outras pessoas, atos de caridade, sermos solidários com os pobres, os mais necessitados. Não é de altruísmo o que estou falando. O que está em questão é se o homem tem ou não a capacidade de voltar-se espontaneamente para Deus. A Bíblia diz que não.


A Bíblia deixa claro que existe uma força motriz no coração do homem que o impulsiona para longe de Deus, "...a inclinação da carne é morte... é inimizade contra Deus" (Romanos 8:6-7). E enquanto essa força não for vencida pela ação regeneradora do Espírito Santo, ficaremos escravos do pecado. Não é uma boa educação que nos livrará do pecado. Não seguirmos bons exemplos de conduta e imitarmos o altruísmo de certas pessoas. A liberdade do pecado só é conseguida quando nosso coração de pedra for trocado por um coração sensível à voz do Bom Pastor (Ezequiel 36:26).

sábado, 1 de outubro de 2011

A soberania de Deus


Qual é o atributo de Deus que você mais gosta? Talvez muitos respondam que é o amor de Deus, ou a bondade de Deus, ou ainda a fidelidade de Deus. Spurgeon chegou a dizer, em um dos seus sermões, que se os homens pudessem, tirariam a soberania de Deus. Ele chega a dizer que os homens, de maneira geral, odeiam a soberania de Deus. Pode ser uma linguagem forte, principalmente nos tempos pós-modernos em que vivemos. Mas sou obrigado a concordar com ele. Quando entendemos realmente a soberania de Deus e suas implicações para a nossa vida, temos apenas duas saídas: ou aceitamos a soberania de Deus, ou vivemos como se ela não existisse.

Aqui em terras brasileiras, há líderes de igreja que repensaram a soberania de Deus e a descaracterizaram de tal modo, que transformaram a Deus em um ser muito parecido com os homens. E muitos vão argumentar que realmente Deus Se parece com as pessoas, principalmente porque Deus Se encarnou em Jesus Cristo e “habitou entre nós”. Contudo, “habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:14 – grifos meus). Mesmo encarnado, Deus continua sendo Deus. E a soberania de Deus é, talvez, um dos atributos mais excelentes que Ele tem.

Pink diz que a soberania de Deus é o exercício de Sua supremacia. Ao mesmo tempo em que Deus é o mais elevado ser, Ele também é o único que é capaz de fazer tudo o que quer, sem ser impedido por nenhuma circunstância. Não há no mundo físico ou espiritual nenhum ser nem situação que impeça Deus de agir. Além de Ele fazer tudo o que Lhe apraz, tudo o que Ele faz é perfeito. Nunca é demais asseverar e reafirmar a soberania de Deus. Nada escapa dos Seus olhos, nada do que aconteça no mundo está alheio a Ele. Cada evento das nossas vidas foi conhecido e determinado por Deus (Salmo 139:16).

Mas de tanto enfatizar a soberania de Deus, onde fica a responsabilidade humana? Há espaço para a soberania de Deus e a responsabilidade humana? Sim. Da mesma maneira que a luz se comporta como uma onda e como um corpo; da mesma maneira que uma gelatina não é nem sólida nem líquida. Para Pink, “a responsabilidade humana baseia-se na soberania divina e desta é resultado”. Pelo que entendemos ao ler a Bíblia, vemos que alguns anjos foram criados com a possibilidade de perderem seu estado original de graça (Judas 6). Da mesma forma, Adão e Eva foram criados do mesmo modo. Se obedecessem a Deus continuariam a desfrutar da presença imediata de Deus. Se desobedecessem a Deus, eles morreriam e decairiam da graça tornando-se mortos espiritualmente. Quem influenciou a Deus a criar desse jeito? Absolutamente ninguém.

Eu não tenho dúvida nenhuma, apesar de não entender por completo, que Deus é absolutamente soberano e que nenhum evento acontece sem o Seu consentimento. O tsunami da Indonésia, as chuvas torrenciais no Rio de Janeiro, a fome na África, a morte de inocentes na queda das Torres Gêmeas, o sofrimento dos pobres em filas nos hospitais, o estupro de mulheres, a pedofilia, a gravidez indesejada de casais adolescentes; todos esses eventos estão no controle total de Deus. Ele não foi pego de surpresa, Ele sabia que esses eventos aconteceriam, Ele tinha poder suficiente para evitar todos esses eventos e não os evitou. Por quê?

Sinceramente não sei qual é a resposta para essa pergunta. Talvez seja para me ensinar a sofrer o sofrimento dos outros e não ficar indiferente repetindo a teologia da soberania de Deus. Talvez Deus permita isso para ensinar a Sua Igreja a se mobilizar e atender às necessidades das pessoas. A Igreja não pode se ausentar dos pobres e dos necessitados e ficar pregando a Jesus Cristo sem ver as mazelas das pessoas. O apóstolo Tiago nos adverte que nossa fé deve ser seguida de obras que justifiquem a presença dessa fé nas nossas vidas. Sem essas obras nossa fé é morta.

A soberania de Deus é um fato. Deus está assentado em Seu trono e ninguém vai tirá-lo de lá. Ele é soberano em todas as Suas determinações, quando entendemos e quando não as entendemos também. O fato de Deus ser soberano implica na nossa total rendição à Sua vontade que é “boa, perfeita e agradável”. Ainda assim somos responsáveis pelas nossas ações e responderemos por elas diante do Justo juiz.

sábado, 6 de agosto de 2011

A supremacia de Deus


Um dia, pregando na Grécia, o apóstolo Paulo se deparou com a seguinte inscrição: “...ao deus desconhecido...” (Atos 17:23). Esse encontro deve ter sido bem interessante. Na Grécia, em Atenas especificamente, havia deuses e deusas para todos os gostos: amor, guerra, fogo, tempo, etc. Qualquer sentimento ou situação que afetasse a vida humana, tinha lá um deus para ajudar ou atrapalhar as pessoas. E eram deuses interessantes para as pessoas, pois eram muito parecidos com os humanos. Eles se expressavam e agiam de modo parecido com os humanos. Eram ciumentos, desencanados, apaixonados, alguns irresponsáveis, mas eram todos muito parecidos com os humanos.

É exatamente nesse contexto que Paulo aparece no Areópago e vê a inscrição para um Deus, até então, desconhecido. As pessoas estavam todas reunidas na “grande praça” discutindo as questões mais elevadas para a filosofia de então. E o apóstolo Paulo começa a descortinar o “Deus desconhecido”, tornando-O acessível para as pessoas. Em meio ao caos teológico, à corrupção da sociedade ateniense surge uma voz para exaltar o Deus supremo. Infelizmente, ainda hoje, em muitos púlpitos, Deus continua sendo os ser desconhecido, totalmente descaracterizado em Sua essência. 

É bem verdade que nossa mente não consegue identificar a grandeza de Deus. Não somos capazes, do jeito que estamos agora, corrompidos pelo pecado, de penetrar na “profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33). E por mais que nos esforcemos ainda assim ficaremos longe de entender quem Deus é. Já ouvi um famoso cantor no meio evangélico dizer que não gosta de teologia que tenta compreender quem é Deus. Sinceramente não entendo essa postura. Ora, se a Bíblia nos foi dada para nossa instrução, por que não estudá-la e tirar dela o conhecimento da natureza de Deus. Para mim, não querer isso é pura preguiça.

Pink faz uma acusação, em no início da década de 1980 que é a realidade nos nossos dias. O Deus que sido apresentado não é o Deus das Escrituras. Deus é tido como um “fazedor de milagres”; Sua autoridade é colocada em xeque quando Suas determinações são afrontadas pelas pessoas. Poucos há que consideram a opinião de Deus para resolver os “negócios desta vida” (2 Timóteo 2:4). Transformaram Deus numa marionete que é manipulada pela oração, pelas ofertas, pelas campanhas de jejum e oração. Querem comprar a graça de Deus fazendo votos e promessas, mas quando lhes ocorre algum revés na vida, logo se esquecem de Deus, pois já não serve mais um Deus que não atenda as minhas necessidades.

Mas Deus continua sendo Deus. Ele é o Oleiro que faz da massa o que Lhe apraz (Romanos 9:21). Ele é o soberano Deus sobre toda a terra (2 Pedro 2:1), para o qual deveremos prestar contas (Hebreus 4:13; 1 Pedro 4:5). O mundo pertence a Ele (Salmo 24:1), não a nós. Ele tem o poder sobre todos os eventos passados, presentes e futuros (Isaías 46:9-10). Quando comparados a Ele, somos apenas pequenos gafanhotos (Isaías 40:22). 

Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força.”
1 Crônicas 29:11-12

“Ah! SENHOR, Deus de nossos pais, porventura, não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na tua mão, está a força e o poder, e não há quem te possa resistir.”
2 Crônicas 20:6

Perante Ele, presidentes e papas, reis e imperadores, são menos que gafanhotos. “Mas, se ele está contra alguém, quem então o desviará? O que a sua alma quiser isso fará” (Jó 23:13). Ah, meu leitor, o Deus das Escrituras não é um falso monarca, nem um mero soberano imaginário, mas Rei dos reis e Senhor dos senhores. "Sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido (Jó 42:2, ou, segundo outro tradutor, “nenhum dos teus propósitos pode ser frustrado”. Tudo que designou fazer, Ele o faz. Realiza tudo quanto decretou. “Mas o nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz” (Salmo 115:3). Por quê? Porque “não há sabedoria nem inteligência, nem conselho contra o Senhor” (Provérbios 21:30).”

Essa é a minha oração: “Senhor Deus, faça com que minha alma se apegue de tal forma à Sua Pessoa, que não haja outro lugar para estar, que não seja a Sua presença. Não permita que meu coração se eleve diante de Ti, não permita que meus pensamentos me afastem do Teu senhorio sobre eles. Trata o meu pecado através do sacrifício do Teu Filho Jesus, que é eficaz e suficiente. Mostra a Tua soberania sobre os homens pela via do amor e não pela justa recompensa do nosso pecado. Tem misericórdia de nós e olha para nós através do Teu Filho amado. Amém.”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Steve Smith and Vital Information


Um pouco de boa música para relaxar!!!

A presciência de Deus


Pink parece ecoar as discussões que Spurgeon teve na sua época. O “príncipe dos pregadores”, muitas vezes, foi obrigado a entrar na trincheira do Evangelho para defendê-lo dos ataques dos hereges. Pink começa argumentando que não se calará diante dos ataques que a doutrina da presciência de Deus sofre e sofreu ao longo da história. Para ele, “nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida”.

Somos advertidos pela Palavra de Deus que a falta de conhecimento é um dos motivos para a nossa destruição (Oséias 4:6). A falta de conhecimento sobre a doutrina da presciência de Deus é um dos motivos para sua rejeição e para o abuso que é cometido. Para evitarmos esse comportamento, Pink propõe que o significado e o sentido bíblicos do termo presciência não sejam ignorados. E já nesse segundo parágrafo, ele mostra a relação entre presciência e soberania de Deus.

A palavra presciência aparece no Novo Testamento apenas em duas ocasiões: Atos 2:23 e 1 Pedro 1:2. Nessas duas passagens a palavra aparece associada diretamente a pessoas e não apenas a fatos. Na passagem de Atos, o apóstolo Pedro está pregando no dia de Pentecostes afirmando que Cristo foi crucificado “pelo determinado conselho e presciência de Deus”. A segunda passagem, também do apóstolo Pedro, ele relaciona a nossa eleição com a presciência de Deus. Isso é extremamente importante pois, não apenas nos faz pensar que Deus já sabia desses eventos, mas que esses eventos aconteceriam inexoravelmente.

O que isso significa? Significa que nada impediria Jesus de ser crucificado. E a presciência de Deus indica justamente o cumprimento cabal das determinações de Deus. Quanto à morte de Jesus Cristo, nada a impediria. Qualquer plano humano de evitar que Jesus crescesse, como o de Herodes. Qualquer plano diabólico, como a tentação no deserto. Absolutamente nada impediria o resgate do Seu povo eleito. 

“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei” (Isaías 46.9-11).

De igual modo, a nossa eleição tem o seu cumprimento total, pois está vinculada ao sacrifício de Jesus Cristo, que é eterno. O cumprimento da nossa eleição não foi baseado no fato que Deus previu que teríamos fé e, por isso, nos salvou. A nossa salvação não é fruto da previsão de Deus que seríamos receptivos à mensagem da salvação à margem da ação do Espírito Santo. A nossa salvação depende exclusivamente da ação de Deus que “porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Romanos 8:29-30). É verdade que nossa salvação nos encontrou no tempo da nossa existência e fomos alcançados pela graça de Deus, mas ela já havia sido determinada “antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 2:9; Tito 1:2).

Pink faz uma explanação do significado do termo “presciência” comparando-o com outras palavras. Em muitos locais na Bíblia a palavra “conhecimento” está vinculada ao amor de Deus. Quando lemos em Amós 3:2, “De todas as famílias da terra a vós somente conheci...”, percebemos que não pode significar que Deus só sabia quem eram os judeus. 

Além disso, vemos esse mesmo emprego do termo no Novo Testamento. “Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas e das minhas sou conhecido” (João 10:14). “(...)nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:23). Fica evidente que conhecer não significa simplesmente saber quem é. De uma certa forma todos os brasileiros conhecem a presidente Dilma Rousseff, ou conhecem o Pelé. Mas não é desse tipo de conhecimento que estamos lidando. Veja o exemplo de 2 Timóteo 2:19: “(...)o Senhor conhece os que são seus(...)”. Ora, Deus na Sua infinita sabedoria e onisciência tem conhecimento de todos os seres humanos, de todas as eras e de todos os lugares. Não é possível que Deus só saiba quem são “os seus”. É óbvio que a palavra conhecimento significa mais do que simplesmente saber quem é, significa que Deus de modo especial um povo, um conjunto de pessoas, desde toda a eternidade e que, no seu devido tempo, vai salvando para Sua própria glória.

“Deus conhece de antemão o que será porque Ele decretou o que há de ser”. É com essa frase que Pink começa a concluir esse assunto. A presciência de Deus tem a ver com pessoas e não com os atos que essas pessoas têm. “A verdade é esta: Ele as “pré-conhece” (pessoas eleitas) porque as elegeu”. Não é nossa fé que motivou Deus a nos eleger – até mesmo a nossa fé foi determinada por Deus, “a eleição de Deus é a causa e a nossa fé em Cristo, o efeito”. Ele vai discorrendo sobre o assunto com pensamentos fantásticos a cerca da presciência de Deus. “Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, isso tornaria o ato de crer num ato meritório e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente: Efésios 2:9”.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...