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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A presciência de Deus


Pink parece ecoar as discussões que Spurgeon teve na sua época. O “príncipe dos pregadores”, muitas vezes, foi obrigado a entrar na trincheira do Evangelho para defendê-lo dos ataques dos hereges. Pink começa argumentando que não se calará diante dos ataques que a doutrina da presciência de Deus sofre e sofreu ao longo da história. Para ele, “nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida”.

Somos advertidos pela Palavra de Deus que a falta de conhecimento é um dos motivos para a nossa destruição (Oséias 4:6). A falta de conhecimento sobre a doutrina da presciência de Deus é um dos motivos para sua rejeição e para o abuso que é cometido. Para evitarmos esse comportamento, Pink propõe que o significado e o sentido bíblicos do termo presciência não sejam ignorados. E já nesse segundo parágrafo, ele mostra a relação entre presciência e soberania de Deus.

A palavra presciência aparece no Novo Testamento apenas em duas ocasiões: Atos 2:23 e 1 Pedro 1:2. Nessas duas passagens a palavra aparece associada diretamente a pessoas e não apenas a fatos. Na passagem de Atos, o apóstolo Pedro está pregando no dia de Pentecostes afirmando que Cristo foi crucificado “pelo determinado conselho e presciência de Deus”. A segunda passagem, também do apóstolo Pedro, ele relaciona a nossa eleição com a presciência de Deus. Isso é extremamente importante pois, não apenas nos faz pensar que Deus já sabia desses eventos, mas que esses eventos aconteceriam inexoravelmente.

O que isso significa? Significa que nada impediria Jesus de ser crucificado. E a presciência de Deus indica justamente o cumprimento cabal das determinações de Deus. Quanto à morte de Jesus Cristo, nada a impediria. Qualquer plano humano de evitar que Jesus crescesse, como o de Herodes. Qualquer plano diabólico, como a tentação no deserto. Absolutamente nada impediria o resgate do Seu povo eleito. 

“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei” (Isaías 46.9-11).

De igual modo, a nossa eleição tem o seu cumprimento total, pois está vinculada ao sacrifício de Jesus Cristo, que é eterno. O cumprimento da nossa eleição não foi baseado no fato que Deus previu que teríamos fé e, por isso, nos salvou. A nossa salvação não é fruto da previsão de Deus que seríamos receptivos à mensagem da salvação à margem da ação do Espírito Santo. A nossa salvação depende exclusivamente da ação de Deus que “porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Romanos 8:29-30). É verdade que nossa salvação nos encontrou no tempo da nossa existência e fomos alcançados pela graça de Deus, mas ela já havia sido determinada “antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 2:9; Tito 1:2).

Pink faz uma explanação do significado do termo “presciência” comparando-o com outras palavras. Em muitos locais na Bíblia a palavra “conhecimento” está vinculada ao amor de Deus. Quando lemos em Amós 3:2, “De todas as famílias da terra a vós somente conheci...”, percebemos que não pode significar que Deus só sabia quem eram os judeus. 

Além disso, vemos esse mesmo emprego do termo no Novo Testamento. “Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas e das minhas sou conhecido” (João 10:14). “(...)nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:23). Fica evidente que conhecer não significa simplesmente saber quem é. De uma certa forma todos os brasileiros conhecem a presidente Dilma Rousseff, ou conhecem o Pelé. Mas não é desse tipo de conhecimento que estamos lidando. Veja o exemplo de 2 Timóteo 2:19: “(...)o Senhor conhece os que são seus(...)”. Ora, Deus na Sua infinita sabedoria e onisciência tem conhecimento de todos os seres humanos, de todas as eras e de todos os lugares. Não é possível que Deus só saiba quem são “os seus”. É óbvio que a palavra conhecimento significa mais do que simplesmente saber quem é, significa que Deus de modo especial um povo, um conjunto de pessoas, desde toda a eternidade e que, no seu devido tempo, vai salvando para Sua própria glória.

“Deus conhece de antemão o que será porque Ele decretou o que há de ser”. É com essa frase que Pink começa a concluir esse assunto. A presciência de Deus tem a ver com pessoas e não com os atos que essas pessoas têm. “A verdade é esta: Ele as “pré-conhece” (pessoas eleitas) porque as elegeu”. Não é nossa fé que motivou Deus a nos eleger – até mesmo a nossa fé foi determinada por Deus, “a eleição de Deus é a causa e a nossa fé em Cristo, o efeito”. Ele vai discorrendo sobre o assunto com pensamentos fantásticos a cerca da presciência de Deus. “Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, isso tornaria o ato de crer num ato meritório e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente: Efésios 2:9”.

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