terça-feira, 19 de julho de 2011

A Onisciência de Deus


Deus é onisciente, Ele conhece tudo, sabe de todos os eventos – passado, presente e futuro. Infelizmente, para muitos evangélicos, isso já não significa mais nada. Por mais incrível que se pareça, hoje há evangélicos que afirmam que Deus não conhece o futuro. O passado Ele conhece, pois já são fatos ocorridos. O presente, Ele está construindo conosco passo a passo, inclusive Ele é dependente de nós nessa construção. E o futuro, por ainda não ter ocorrido, Ele não conhece. Não sou contra questionar os dogmas. Na minha prática de professor, uso o recurso das perguntas constantemente para instigar meus alunos a pensar. Mas se as respostas nos levarem a transformar Deus em um ser parecido conosco, estaremos errados nas nossas conclusões.

O início de qualquer reflexão sobre a onisciência de Deus deve ser feito com cuidado, pois o terreno que estamos pisando é totalmente estranho para nós. Nós, seres marcados pela nódoa do pecado, não somos capazes de compreender com exatidão esse atributo da deidade. Além de nosso conhecimento ser limitado ao tempo, vamos ampliando esse conhecimento à medida que o tempo passa. E o limite desse conhecimento é em questões de segundos. Nós não somos capazes de conhecer um evento futuro em frações de segundos. O máximo que podemos é estimar algum evento e sermos, simplesmente, meros expectadores.

Que consolador é para nós sabermos que nada na nossa vida está oculto para nosso erro e, com amor, nos disciplina para acertarmos. Se corremos o risco do assédio do diabo, Ele sabe como lidar com o adversário das nossas almas. Se o diabo simplesmente desejar nos peneirar, como fez com Pedro, Ele conhece as fraquezas do diabo e vai nos preservar. Nos tempos em que a nossa fé parece fraca, quase morta, Ele “conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (Salmo 103:14).

Se estamos desesperados, sem esperança “não há motivo para temer que as petições dos justos não serão ouvidas”. Eu posso lançar sobre Ele toda a minha esperança, toda a minha ansiedade. Não preciso me preocupar com que palavras tenho que me dirigir a Ele. Não preciso ficar escolhendo as melhores palavras, como se estivesse diante de um juiz, pois “será que antes que clamem, eu responderei: estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Isaías 65:24).

Pink chama a atenção para a possibilidade, se ela existisse, de tirarmos a onisciência da Deus. “Gostariam que não houvesse nenhuma Testemunha dos seus pecados(...)”. Mas de Deus não se esconde nada. Tudo está claro diante de Seus olhos, pois para Deus “trevas e luz são a mesma coisa” (Salmo 139:12). Para onde vai a nossa esperança se Deus não conhece o que acontece comigo? Onde posso me sustentar diante das perplexidades que ocorrem comigo e que não encontro explicação? Ele sabe qual é o meu fim, pois já determinou como devo chegar lá.

“Se fosse possível ocorrer alguma coisa sem a ação direta de Deus ou sem Sua permissão, então aquilo seria independente dEle e Ele deixaria, de pronto, de ser Supremo.” É com essa frase que Pink inicia sua reflexão sobre o fato de Deus conhecer todos os eventos futuros, do mesmo modo que Ele conhece todos os eventos passados e presentes. O que Ele conhece do futuro depende exclusivamente de Sua própria vontade e, certamente, isso vai se realizar: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4:35).

Em nenhum lugar das Escrituras pode-se concluir que Deus não tem conhecimento do passado, presente e futuro. Do Gênesis ao Apocalipse, Deus Se mostra como onisciente, todo-poderoso e soberano. Nada escapa dos Seus olhos. “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.” (Hebreus 4:13). Mas o Brasil agora tem sido apresentado a um Deus que desconhece o presente porque está participando da sua constrição junto com o homem. De igual modo, Deus desconhece o futuro, porque as possibilidades de escolha do homem são tantas que impedem Deus de saber com exatidão o que vai acontecer.

Para os que defendem esse tipo de teologia, deixo a frase que Martinho Lutero disse a Erasmo de Roterdã: “Seu deus é pequeno demais!”

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os Decretos de Deus


No clássico Os Dez Mandamentos, estrelado Charlton Heston e Yul Brynner, há uma frase muito interessante dita pelos faraós: “Assim está escrito, assim será feito”. Eu não sei se essa frase realmente existiu no Egito Antigo, mas ela demonstra o poder e a força que os faraós tinham. O que eles determinassem, certamente aconteceria. E se não acontecesse alguém pagaria pelo não cumprimento daquela determinação.

Neste capítulo 2, Arthur Pink reflete sobre os decretos de Deus. Lembro-me que quando eu li esse capítulo eu exultei de alegria, pois fui apresentado para um Deus diferente daquele visto na Escola Dominical. Sempre acreditei que Deus é Todo-poderoso, mas nunca tinha pensado na extensão de Seu poder.

Os decretos de Deus são Suas determinações dos atos futuros. Usamos o termo no plural porque nossas mentes funcionam melhor quando os eventos são encadeados um ao outro. Mas as Escrituras tratam dos decretos como um único ato, acabado e definido. Nossas mentes, como destacou Pink, funcionam em ciclos sucessivos e pensamos que cada evento sucede e é sucedido por outro, e por outro e por outro. Mas a mente divina contempla tudo desde a eternidade (Atos 15:18).

Os decretos de Deus são a expressão da vontade de Deus. É preciso lembrar que a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Romanos 12:2). Se a vontade de Deus tem essas três características, não devemos nos estranhar com ela, pois essas características também são do próprio Deus. A Sua vontade e os Seus decretos não foram influenciados por nenhum fator externo ao próprio Deus. Portanto, deve ser motivo de nossa alegria o cumprimento da vontade de Deus. 

“O que quer que seja feito no tempo, foi preordenado antes de iniciar-se o tempo”. Com essa frase, Pink passa a explicar que os decretos de Deus se relacionam com todos os eventos futuros, sem exceção. Os decretos de Deus envolvem os eventos bons e maus, grandes ou pequenos. Inclusive a entrada do pecado e do sofrimento na Sua criação. Sendo Deus santo e bom, Ele não é o criador do mal no mesmo sentido que Ele é o criador da natureza, por exemplo. A ação de Deus foi permitir a entrada do mal na Sua criação e não a sua criação ativa. Nas palavras de Pink, “Deus é o Ordenador e Controlador do pecado”. Deus assume a responsabilidade da entrada do sofrimento e da miséria na Sua criação, mas não foi Ele o seu criador.

Nós não fomos simplesmente criados e abandonados neste mundo. Além de querer nos criar Deus “fixou todas as circunstâncias do destino dos indivíduos e todas as particularidades que a história da raça humana compreende, desde seu início até o seu fim”. Que frase forte essa! Para mim é realmente confortante e abençoador saber que meu criador tem um plano traçado para mim e que não estou por conta da minha própria sorte, vivendo minha vida como um andarilho errante no deserto sem saber para onde caminhar. Eu sei para onde vou e o modo como vou para lá Deus já sabe porque escolheu para mim o que Ele tinha de “bom, agradável e perfeito”. Se eu fosse deixado por minha própria conta e risco, certamente não chegaria onde Ele quer que eu chegue.

A partir desse ponto, Pink passa a mostrar quatro características dos decretos de Deus: eles são eternos, sábios, livres e absolutos e incondicionais. Se Deus tivesse que mudar de plano a todo instante, significaria que o plano não era perfeito antes e não tinha previsto algum imprevisto. Isso nos levaria a pensar que Deus vai melhorando toda vez que Ele tivesse que reestruturar Seu plano. Já em 1961 Pink alertava: “Ninguém que creia que o entendimento divino é infinito, abrangendo o passado, o presente e o futuro, jamais admitirá a errônea doutrina dos decretos temporais”. Hoje, infelizmente, o Teísmo Aberto tem produzido muitos prejuízos na igreja evangélica brasileira. Quando refletimos sobre a eternidade dos decretos de Deus temos o consolo suficiente para nossas preocupações futuras. O que quer que nos assole no tempo presente, Deus já decretou como nos fortalecer.

Os decretos de Deus são sábios e, por isso mesmo, são além da nossa especulação. Como pensamos de modo encadeado sem ter a noção do todo, nos perdemos na tentativa de compreender o que nos acontece. A sabedoria de Deus vai além do que podemos imaginar. Todos os problemas que já ocorreram no meu casamento me fizeram questionar se realmente tinha casado com a pessoa certa. Com Deus não acontece isso. Certamente Deus tinha o melhor para mim quando me decidi casar com a Cyntia e, obviamente, tinha o melhor para ela quando ela se decidiu por mim. Mas não conseguimos ver assim. Vemos o hoje, o agora, o momentâneo, o passageiro. Deus vê tudo.

“Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?” (Isaías 40:13-14) O que poderia ser escrito depois de um texto como esse? Nada, nem ninguém influenciou a Deus para Ele tomar Suas decisões. Nem mesmo o diabo influenciou Deus a tomar alguma decisão. Como dizia Lutero: “o diabo é o diabo de Deus”. Os decretos de Deus foram tomados livremente sem caprichos, sem paixões, sem dramas. Apenas Deus, subsistindo na Sua trindade, decidiu tudo.

Qualquer governante depende de um conjunto de circunstâncias para que suas vontades sejam estabelecidas. Com Deus isso não acontece. Não há ninguém que possa fazer frente às Suas determinações. Quem pode questioná-lo a ponto de impedir o cumprimento da Sua vontade? A Bíblia está recheada de situações em que os homens quiseram impedir o cumprimento da vontade de Deus. Voltando no filme Os Dez Mandamentos, lemos na Bíblia a saga que o faraó impôs ao povo judeu até que “com mão forte” Deus fez o Seu povo sair do Egito para uma terra que manava “leite e mel”.

E aqui, Pink encerra o capítulo com um dos pontos mais importantes da teologia: a relação da soberania de Deus e da responsabilidade humana. As Escrituras Sagradas ensinam essas duas realidades. Da mesma forma que ensinam a divindade e a humanidade de Jesus Cristo, a nossa luta em fazer o bem sendo maus. Cristo é Deus e homem. Ele é onisciente, mas crescia em sabedoria (Lucas 2:52). Essas realidades não se opõem, mas como Pink afirma, “que há real dificuldade em definir onde um termina um e o outro começa. Sempre acontece isto quando há uma conjunção do divino e do humano”. 

Não é possível negar os decretos divinos. Se quisermos negá-los temos que assumir que o mundo e tudo que acontece nele é por acaso ou por um destino cego e isso é incompatível com o Deus das Escrituras.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Solidão de Deus


Quando vi o título desse capítulo fiquei imaginando o que o autor queria dizer com a expressão A Solidão de Deus. Será que Deus sofria de solidão? Será que Deus Se sentia sozinho e sofria com isso? Logicamente Deus não sofria de nada – era a minha convicção. Deus não poderia sentir falta de nada, afinal Ele é perfeito. Só lendo para saber o que realmente Pink estava pensando.

Ele era consciente da necessidade das pessoas conhecerem a Deus mais profundamente. Já naquela época ele tinha a convicção que o senso comum de quem é Deus é insuficiente para garantir um verdadeiro relacionamento com o Criador. Pelas suas palavras, entendi que é fundamental, para o filho de Deus sair da superficialidade e realmente conhecer Deus a fundo.

“Houve tempo, se é que se lhe pode chamar “tempo” em que Deus, na unidade de Sua natureza, habitava só (...).” Lembro-me do impacto dessas palavras na minha vida. Imaginar que Deus ficou sozinho por uma eternidade inteira dá uma pequena dimensão da grandeza do nosso Deus. Eu me perco em pensar essas coisas.

Como Pink diz, se Deus quisesse poderia ter-nos criado desde sempre, mas não. Por algum período de tempo Ele esteve sozinho sem nenhum anjo a lhe entoar cânticos, sem nenhuma estrela a brilhar no infinito, sem nenhuma criatura a chamar-lhe a atenção. Simplesmente Ele e o resplendor da Sua glória. Esse capítulo bem que poderia se chamar A Autossuficiência de Deus.

E depois que fomos criados, o que Ele ganhou com isso? Absolutamente nada! Ele não fica mais glorioso por causa da nossa adoração. Ele não Se torna mais amoroso por nos ter oferecido Seu Filho por nosso resgate, Ele não Se tornou mais digno de adoração por causa da igreja, “(...)Sua glória não pode ser aumentada nem diminuída.” Ele continua sendo o mesmo Deus de sempre, “(...)completo, suficiente, satisfeito em Si mesmo, de nada necessitando.”

Criar o mundo foi um ato livre de Sua vontade. Ninguém O influenciou, ninguém o pressionou a criar, nem quem deveria ser criado, nem como deveria ser criado. Deus agiu como sempre age, de modo soberano e absoluto. Em uma época que até mesmo o caráter de Deus tem sido relativizado, através de doutrinas estranhas dentro da igreja, Pink nos faz lembrar que Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11).

É verdade que Deus é honrado e desonrado todos os dias (Salmo 7:11). É igualmente certo que Jesus Cristo manifestou a glória do Pai (João 1:14). Toda a criação manifesta a glória de Deus, mas isso tem a ver com a nossa relação com Deus e com o reconhecimento da nossa dependência de Deus. Pink nos lembra que Deus poderia ter escolhido continuar sozinho, sem dar a conhecer a Sua glória a ninguém. Ele não carecia da glória das Suas criaturas.

“Ele é solitário em Sua majestade, único em Sua excelência, incomparável em Suas perfeições. Ele tudo sustenta, mas Ele mesmo é independente de tudo e de todos. Ele dá bens a todos, mas não é enriquecido por ninguém.”

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os Atributos de Deus - Parte 1

Como pregou Spurgeon: “Nada é melhor para o desenvolvimento da mente do que a contemplação da Divindade”. Para ele, o assunto era tão vasto que não existiria nada mais poderoso para fazer desaparecer nosso orgulho. Sou obrigado a concordar com o “príncipe dos pregadores”. A igreja evangélica de hoje carece – e muito – de conhecer a Deus. É triste e lamentável ter que admitir isso.

Vivo numa igreja evangélica desde o meu nascimento. Tenho 38 anos de idade e 23, de conversão. Frequento uma igreja atualmente e, mesmo assim, sou obrigado a reconhecer que não conheço a Deus de modo suficiente e satisfatório para mim. E pelo que vejo no evangelicalismo brasileiro, a maioria dos pastores e dos membros das igrejas têm a mesma carência.

Não sabemos quem é Deus, como Ele age, o que Ele pensa. Desconhecemos Seus gostos, não fazemos o que Lhe agrada. Nos relacionamos com Deus do mesmo jeito que nos relacionamos com outras pessoas. Falamos para Ele coisas que Ele não gosta de ouvir, fazemos coisas que Ele não gosta de ver. Deixamos de fazer o que Ele gostaria que fizéssemos. Vivemos nossa vida cristã de acordo com nossos modelos e padrões porque não conhecemos o modelo e o padrão preconizado por Ele.

Dizemos que O amamos, mas não sabemos expressar esse amor do modo que Ele determinou. Dizemos que O conhecemos, mas não somos capazes de apresentá-lo a quem não O conhece. Dizemos que somos Seus filhos, mas não O tratamos como um verdadeiro pai deve ser tratado.

Se realmente soubéssemos quem é Deus, os púlpitos das nossas igrejas não teriam pregações humanistas e psicológicas. Não haveria espaço para entretenimento nas pregações dominicais. Se o conhecimento de Deus fosse o centro da vida da igreja, não haveria intromissão – e admissão – de falsas doutrinas. Nossos pastores não estariam interessados no bem-estar de seus ouvintes. 

Se Deus ocupasse a nossa mente por mais tempo, haveria menos pecado na nossa vida. Se o caráter de Deus fosse o nosso real alvo na vida, seríamos muitos mais parecidos com Seu Filho Jesus Cristo do que somos hoje em dia. Se realmente conhecêssemos a Deus, amaríamos o que Ele realmente ama e odiaríamos o que Ele odeia.

Um livro fantástico que me ajudou muito a conhecer a Deus no início da minha conversão foi Atributos de Deus (Arthur W. Pink – Editora PES). Segundo o revisor da 2ª edição em português, o saudoso irmão Antonio Poccinelli, nenhum outro autor teve a “envergadura visual” de Pink sobre a pessoa de Deus. Era um dos livros que o irmão Poccinelli mais apreciava e sempre recomendava para as pessoas. E Bill Barkley, diretor da Editora PES, sempre diz que esse livro “contém 17 esboços para sermões”. 

Se Deus quiser, a partir de hoje vou postar meus resumos e minhas reflexões sobre os capítulos desse livro do Pink. Os capítulos são esses:

1.    A solidão de Deus
2.    Os decretos de Deus
3.    A onisciência de Deus
4.    A presciência de Deus
5.    A supremacia de Deus
6.    A soberania de Deus
7.    A imutabilidade de Deus
8.    A santidade de Deus
9.    O poder de Deus
10. A fidelidade de Deus
11. A bondade de Deus
12. A paciência de Deus
13. A graça de Deus
14. A misericórdia de Deus
15. O amor de Deus
16. A ira de Deus
17. Contemplando a Deus

Que Deus nos abençoe para Sua própria glória.
Marcos D. Muhlpointner

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Meu amor pela Verdade


          Amo estudar a Bíblia desde meus 15 anos de idade. Depois que ganhei o sermão Eleição, por C. H. Spurgeon, nunca mais parei de estudá-la. Comprei livros, frequentei uma biblioteca evangélica, participei de congressos, conversei com pastores e teólogos e nunca deixei de querer entender o que A Bíblia ensina sobre seus mais variados temas.
             
          Depois descobri que isso se chamava “fazer teologia”. Os livros que comprava, os assuntos pelos quais me interessava, as conversas que mantinha giravam em torno do assunto TEOLOGIA. Nunca me interessei muito por livros sobre testemunhos, biografias, aconselhamento pastoral ou outros temas. Sempre me interessei pelas doutrinas bíblicas, pela análise dessas doutrinas e o que os pensadores cristãos tinham a dizer sobre esses temas.

          Com o tempo descobri, no meu círculo de amigos e no contexto da minha igreja, que pouco se interessavam por esses assuntos. Alguns me diziam que estudar doutrina era chato e eu não conseguia entender isso. Sempre nutri um amor muito grande pelo binômio ensino-aprendizagem. Não que a leitura de testemunhos não fosse interessante e importante. Mas entender o que a Bíblia ensinava (e ensina) sempre me chamou a atenção.
 
           Quando conheci o ICP (Instituto Cristão de Pesquisas) quando ainda era presidido pelo Pr Paulo Romeiro passei a amar ainda mais a Palavra de Deus e esse tipo de ministério – explicar aos outros o que a Bíblia ensina e mostrar os erros que muitos ensinamentos têm. Depois disso, outro revés: descobri que muitos cristãos não gostavam desse tipo de atitude. Eu tinha uns 20 anos e não entendia por que os líderes mais famosos daquela época “olhavam de cara feia” para a refutação de suas teologias.

             Lembro-me quando o Pr Paulo Romeiro lançou seu primeiro livro – Evangélicos em Crise. Ele “apanhou” de todos os lados. Muitos pentecostais na época não o apoiaram, apesar de ele mesmo ser pentecostal. Interessante foi perceber que os tradicionais apoiaram a sua publicação. É bem verdade que muitos pentecostais o apoiaram. Eu não compreendia o fato das pessoas não aceitarem rever suas posições, mudar seu jeito de pensar, mudar de atitude e assumirem seus erros. 

O tempo passou e “deixei as coisas de menino”, contudo o amor pelo que a Bíblia ensina não desapareceu. Ainda hoje, uma bela exposição doutrinária me enche os olhos de alegria. Amo a pregação expositiva e o quanto ela exalta a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Mas a realidade à minha volta não mudou muito. Percebo que muita gente continua a não gostar de doutrina e do estudo das doutrinas bíblicas. Há quem a considere chata, difícil, ultrapassada, desnecessária, relevante e por aí vai. Ouço que o estudo das doutrinas “mata o amor” e que o amor é mais importante que tudo.

Mas essas pessoas se esquecem que o “apóstolo do amor”, João, estabeleceu que o amor deve ser exercido, vivido e praticado “na verdade”, tendo a Verdade como base, como fundamento. Onde não há verdade não pode existir amor. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

Nesses últimos anos tenho percebido uma ênfase muito grande que está sendo dada ao amor – e muitos escrevem Amor, com “a” maiúsculo, não sei por quê – em detrimento de outros atributos de Deus e de outras realidades na pessoa de Jesus. Ao afirmarem que Jesus amou as pessoas, os cristãos atuais se esquecem das palavras de condenação que o próprio Jesus proferiu várias vezes ao longo de sua vida terrena.

Aí cabe a pergunta: Jesus amou os escribas, fariseus e religiosos de sua época? Se Ele de fato amou essas pessoas, por que Ele não teve o mesmo comportamento com eles como teve com Zaqueu, Marta e Maria, com a mulher com fluxo de sangue ou com o cego em Jericó?

Eu amo a teologia, o estudo sistemático e sistematizado das Sagradas Escrituras e, se Deus quiser, nunca vou deixar de amar. Pois, amando a Sua Palavra e conhecendo-a, só assim poderei amar as pessoas.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Minha cirurgia bariátrica

Pessoal, acabei de sair de uma cirurgia bariátrica. Só que ela é bem diferente das que os cirurgiões já realizaram. Diferente porque quem a fez fui eu mesmo. É verdade. Eu me operei e reduzi o tamanho do meu estômago. Só que essa redução ocorreu no meu cérebro. Reduzi o tamanho do meu estômago no meu cérebro. Isso não tem nada a ver com as teorias do Lair Ribeiro. Isso tem a ver com o Marcos David Muhlpointner.

Ou vai... ou vai!!! Não tem outra possibilidade.

Ouvindo uma pregação do Dr Augustus N. Lopes, ele citou a experiência de um pastor que tinha problemas com a pornografia na internet. Quando a esposa dele o descobriu, ele foi orientado a ser radical na sua luta contra a imoralidade. Ele nunca mais viajou de laptop, pedia quartos sem televisão, quando não conseguia um quarto assim, ele mesmo tirava a televisão do quarto... tudo isso para conseguir vencer sua compulsão por sexo. Pelo que percebo e estudo, ser radical para provocar mudanças comportamentais é o principal motivador para a realização de um propósito. E com a perda de peso não é diferente. Se não houver disciplina, determinação, luta e esforço nada será conseguido.

Ainda estou na UTI pós-cirurgia, mas as perspectivas são as melhores. Não posso receber visitas ainda - tenho que me resguardar por, pelo menos, 30 dias. É nesse momento que a região operada fica mais sensível, mais vulnerável. Serão dias de constante análise da evolução do quadro. Os pontos podem se soltar e eu não aguentaria uma nova cirurgia. Preciso me adaptar a essa nova realidade e a minha cabeça precisa se acostumar com essa situação.

Passei pelo centro cirúrgico várias vezes ao longo da minha vida, mas sempre recuava por vários motivos: medo, falta de vontade, vergonha. Mas no fundo mesmo, acho que o principal motivo que me fazia não encarar essa cirurgia era a necessidade de mudar de comportamento, sair da zona de conforto. Quando me acostumo com alguma coisa boa é muito difícil eu desejar largar. Na verdade, isso acontece com todas as pessoas. Mas no meu caso, minha obesidade estava me levando a várias mortes. E eu amo a vida. Não quero morrer, pelo menos não agora. 

Posso receber apenas ligações e emails. O médico aconselhou a evitar contato direto com as pessoas para me manter focado e não ter nenhuma recaída. Não que os meus amigos não sejam boa influência. Nada disso. Os meus amigos são maravilhosos. Mas é apenas um período de resguardo. Lembro-me que o apóstolo Paulo passou por um período desses de reflexão para assumir uma nova postura na vida. É disso que estou precisando.

terça-feira, 7 de junho de 2011

QAP OPERANTE!!!!!

Faz tempo que não escrevo aqui. Não é falta de assunto. Pelo contrário. Às vezes é falta de tempo. Às vezes é falta de vontade. Lembro-me que quando disse em sala de aula que às vezes não tinha vontade de dar aula, os alunos ficaram muito assustados. Eles pensavam que um professor sempre está a fim de dar aula, sempre a fim de ir ao colégio. A última vez que escrevi faz mais de um mês e muita coisa no meio evangélico aqui no Brasil. Coisas boas e coisas ruins.

Uma das coisas boas que aconteceu é que surgiu um grupo de cristãos com uma proposta nova. Há um grupo de cristãos que são reformados em sua doutrina, mas que não são cessacionistas radicais. Eu mesmo sempre me considerei desse jeitohá 24 anos atrás. E sempre achei difícil achar alguém que pensasse dessa maneira. Já fui até chamado de "aberração teológica" por não ser cessacionista e ser calvinista. Mas enfim... Gostaria de te convidar a ler dois textos interessantes sobre os Novos Reformados (texto 1 e texto 2). 


Infelizmente as coisas estranhas têm acontecido com mais frequência. Pastores televisivos inventando modas novas na igreja, brigando com as pessoas sobre questões políticas. Gente defendendo pontos de vista polêmicos na mídia impressa. Gente atacando o proponente dessas posições polêmicas. Pastores xingando outros pastores em vídeos do Youtube. Só sei que a situação está feia, muito feia.


Estou ainda na ativa e não desisti nem da Igreja nem das pessoas. Pelo menos não das pessoas honestas que querem fazer diferença vivendo de acordo com as Escrituras. E estou procurando ser uma dessas pessoas.


Até mais, Marcos.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...