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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A vitória da tentação

            A campeã do carnaval em São Paulo em 2013 é a Mocidade Alegre. Isso não me interessa nenhum pouco. Poderia ser qualquer escola que ganhasse o título, meu interesse pelo carnaval é quase nulo. Mas vendo as reportagens na televisão sobre o desfile, um fato me chamou a atenção: o tema apresentado pela escola campeã – A Sedução Me Fez Provar, Me Entregar à Tentação... [1]
            O homem sempre foi fascinado pelo desconhecido e pelo proibido. Se você quiser tornar alguma coisa irresistível, faça com que as pessoas percebam a proibição do fato. Além disso, outro mecanismo de persuasão é o poder. Diga a alguém que se algo proibido for feito a pessoa se tornará poderosa e pronto, estes são os ingredientes da tentação e da queda. Foi assim no Éden, foi assim no deserto com Jesus, foi assim com Judas Iscariotes, é assim conosco todos os dias da nossa vida.

Aceite, sem medo, o convite da Mocidade Alegre... Deixe-se seduzir pela possibilidade de assumir o papel de criador... Prove do fruto proibido e seja você também capaz de dar novos desfechos às verdades, histórias e conceitos que nos foram apresentados desde sempre... Sinta o fascínio de poder reinventar o mundo!
Deixe-se seduzir pela inebriante sensação de mudar os rumos dos fatos... Entregue-se à essa tentação!!!

            Assumir o papel de criador”... O que foi mesmo que o diabo disse a Eva no Jardim do Éden? “Vocês se tornarão como Deus, conhecedores do bem e do mal.”. Que proposta realmente tentadora! Quem não gostaria de controlar o bem e o mal e dispor deles ao seu bel prazer?! Quem não gostaria de exercer o bem para os necessitados e desancar o mal em cima dos desafetos?! A Bíblia afirma que só Deus conhece o bem e o mal, inclusive que Ele assume a responsabilidade da coexistência dessas duas forças, “Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas essas coisas.” (Isaías 45:7). Quem não cederia a tamanho grau de poder na raça humana?! Até o diabo, criado com toda grandeza quis um pouco mais e caiu (Ezequiel 28:15).
            “...mudar os rumos dos fatos...” Ah, que maravilha seria mudar as coisas pelas quais somos responsáveis!!! E, depois disso, dar o fim que desejávamos anteriormente. Tirar dos nossos ombros a nossa própria responsabilidade. Não sermos culpados de nada. Transferirmos as nossas culpas para outra pessoa. Podermos ter a capacidade de fazer o que quisermos e não pagar pelos erros das nossas escolhas. O velho ditado diz que “errar é humano, divino é perdoar”. No fundo, não queremos a possibilidade do perdão, o homem quer mesmo é errar e não ser responsabilizado.

Desde sempre aprendemos que, ao ceder à tentação do pecado, conheceremos as trevas... Mas hoje a Mocidade Alegre refaz o final e mostra que, pecando, alcançaremos a redenção,
Na vaidade, nos tornaremos mais bonitos e atraentes... Graças à luxúria, poderemos compartilhar o prazer... A inveja nos fará despertar para procurarmos nossos talentos... É com a ira que mostraremos nossa força e ganharemos respeito como guerreiros... Não fosse a preguiça, como poderíamos amar o aconchego de nossos lares?... A avareza nos trará economia e riqueza... Bem aventurados os gulosos, pois saberão sentir os sabores do mundo!
Deleite-se... Sinta-se à vontade para sucumbir ao pecado sem culpa e assim, no nosso final, você conquistará os céus!!!

         Esse trecho da sinopse do samba enredo da escola campeã é a síntese do que pensa o homem sem Deus. “...hoje a Mocidade Alegre refaz o final e mostra que, pecando, alcançaremos a redenção”. Isso me lembra um poema de Gregório de Matos, maior poeta do barroco brasileiro, apelidado de Boca do Inferno. Eis um trecho desse poema (A Jesus Cristo Nosso Senhor),


Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

            É nítida a vontade de ele continuar pecando, porque quanto mais ele pecar, mais empenhado estará o Senhor em perdoar. O homem é dado ao pecado, o Senhor é dado em perdoar. O apóstolo Paulo tratou desse abuso da graça de Deus em Romanos 6:1, “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” É assim o tema do samba campeão: mais pecado, mais redenção. A beleza é fruto da vaidade; o prazer é fruto da luxúria; a inveja suscitou os talentos das pessoas; é por causa da ira que mostramos nossa força. O aconchego dos nossos lares é desencadeado pela preguiça; o fato de sermos avarentos (idolatria à luz da Bíblia) é responsável economia e pelas riquezas e a gula é responsável pelos prazeres da vida. Nada há que se sustente à luz da Palavra de Deus.
            A Bíblia não nomina os chamados “pecados capitais” – referência feita pelo samba enredo – que seriam os pecados basilares de todos os outros. De qualquer modo, todo e qualquer pecado é derivado de um só, esse sim mostrado no relato bíblico: a vontade de se tornar independente do Criador. Os criadores do samba inverteram a ordem natural da criação (para usar uma expressão do apóstolo Paulo – Romanos 1:26) e tornaram em benefício aquilo que a Bíblia condena enfaticamente.
            A prática do pecado é mostrada como sem nenhuma consequência nessa frase, “Sinta-se à vontade para sucumbir ao pecado sem culpa e assim, no nosso final, você conquistará os céus!!!” Os céus são dados como prêmio a quem peca desenfreadamente. Quanta distância do que nos apresenta a Palavra de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23); “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4, 20). O céu não é conquistado na presença do pecado. O sacrifício de Jesus Cristo pela Sua Igreja é “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” Efésios 5:27. Portanto, importa sim o quanto pecamos nesta vida, pois se pecamos damos prova que não somos filhos de Deus, “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados.” (Efésios 4:1).

Em algum momento da nossa vã existência, todos nós imaginamos – ao menos por um dia – poder realizar feitos impossíveis – ou serão possíveis?
Seja na ciência, seja na arte, vem a irresistível tentação de refazer as regras da vida e o compasso da existência, dando vazão às loucuras que passam a ser nossa razão... Fascinante é a sensação de poder dar novos horizontes aos limites humanos... E assim será!
No desafio à lógica e às leis naturais, será possível ao homem voar na imensidão, descobrir o elixir da eterna juventude e até mesmo viajar para outra dimensão,
Desafie os limites. Ouse reinventar a criação. Brinque de Criador!

            Novamente surge a ideia de fazermos o que está além do nosso alcance – “poder realizar feitos impossíveis”. Isso me lembra uma declaração muito interessante de Jesus Cristo. Ele está explicando sobre a salvação do homem e os discípulos chegam a uma pergunta importantíssima, “...Quem poderá, pois, salvar-se?” (Mateus 19:25). Depois de ouvirem da dificuldade do homem se salvar, os discípulos se voltam para Jesus incapazes de entender a conclusão óbvia da explicação do Mestre – o homem não é capaz de se salvar. E Jesus responde, “Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19:26). Imagine se o homem pudesse chegar diante de Deus e apresentar as razões de sua salvação – dedicação, esforço pessoal, cumprimento das leis de Deus, atos de bondade e benevolência. Para que então Jesus teria morrido? Se qualquer um pudesse se salvar, para que serviria o sofrimento de Jesus Cristo? Infelizmente, para alguns pastores, o universalismo não encontra respaldo bíblico.
            Essa é a proposta do diabo desde o princípio – “Brinque de Criador!” É uma brincadeira mesmo. O que o diabo faz é brincar com o ser humano, pois cria um mundo de fantasias que não podem ser reais. O ser humano nunca poderá ser o criador do seu futuro, no mesmo sentido que Deus é. Logicamente que as escolhas que eu faço criam certas condições para minha existência. Mas eu não crio minha redenção; eu não crio minha salvação. O samba enredo conclama as pessoas a darem “vazão às loucuras que passam a ser nossa razão.” E não é isso que as pessoas querem? Que as loucuras se tornem aceitáveis! Mas de novo, esse samba enredo se choca com a Palavra de Deus. “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. (1 Coríntios 1:27). Existe uma “loucura” nas coisas de Deus que não nos cabe tentar entender, uma vez que não temos a capacidade para entendê-las. Mas é preferível a “loucura” de Deus à nossa razão corrompida pelo pecado.

Dos tantos devaneios possíveis pelo direito de refazer os finais, talvez o mais enigmático e encantador seja a chance de avançar no tempo e conhecer o amanhã...
Se você algum dia sonhou com um mundo de paz, amor, prosperidade e união, a Mocidade Alegre – pela força da magia do próprio carnaval – reescreverá o futuro, pois um sambista jamais perde a esperança, e tem na união sua força maior. O amanhã será melhor, porque somos nós sambistas – portadores de tantos sonhos e ilusões – que o estamos construindo, com a força dos nossos pavilhões... Juntos, unidos, reunidos.
Não podemos mudar e melhorar o nosso futuro se continuarmos acreditando, todo dia, nas mesmas coisas. Portanto, liberte-se... Reinvente-se... Se entregue você também à tentação de refazer o final... Aceite o convite da Mocidade Alegre a recriar o seu destino...
...E o “Final Feliz”, só depende de você!!!

            Esse samba mostra um erro moderno que os cristãos estão começando a cometê-lo; acreditar em coisas novas, desqualificando as antigas. A Palavra de Deus é uma pessoa, o Senhor Jesus Cristo. E “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente.” (Hebreus 13:8). Portanto a Palavra de Deus não muda, o que Jesus Cristo ensinou no passado continua válido hoje. Isso não significa que Deus não possa nos revelar coisas que nos estavam – e estão – ocultas. Contudo, Ele nunca fará isso fora da Sua palavra. É pela Palavra de Deus que sabemos o que Ele requer de cada um de nós.
            Outra ideia do samba enredo – que reforça a ideia de independência – é que o “final feliz” só depende de nós. Mais uma vez a soberba volta a ser o tema da sinopse apresentada pela própria escola de samba. Não depende só de nós a nossa vida. Minha vida depende também da minha esposa, minha família, meus irmãos em Cristo, meus amigos, meu trabalho, da minha relação comigo mesmo. Minha vida depende de aspectos biológicos do meu corpo, das minhas emoções. Se quisermos depender apenas de nós mesmos, temos de nos lembrar que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). E o mesmo profeta nos adverte sobre em quem colocamos a nossa confiança, “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17:5).
            Mas alguém poderá dizer que o carnaval é uma expressão da cultura popular e que a Bíblia não tem nada a ver com a cultura de um povo; que a cultura pode mudar de um povo para outro e que, necessariamente, a cultura não interfere na vida espiritual das pessoas. Será mesmo que os povos que cultuam os elementos da natureza não estão errados? Será que as culturas africanas não têm nada de errado quando colocam elementos da natureza como deuses? Será que as culturas orientais não são contrárias à Palavra de Deus? A propósito, as palavras cultura e cultuar têm a mesma raiz.


[1] Todas as informações foram retiradas do website da própria escola: http://mocidadealegre.com.br/index.php?id=1052.

Um comentário:

jrroveri disse...

Caro Marcos : Lindo...e não se trata de filosofia ou outro artifício humano para tentar entender "O que tem isso a ver com Deus..." Tem sim !!!! Enquanto perserverarmos em ocultar nosso "real" pecado e não nos aproximarmos de Deus, estaremos sempre sujeitos a estas artimanhas do inimigo ... nunca percebendo que o problema está em nós e não na sociedade,igreja,etc.Quando aprenderemos a cultuar da maneira correta para que comecemos nos aculturarmos (formarmos então nossa cultura) no que é essencial, básico e fundamental ao elemento humano ... seu Criador !