Estou em Israel!!! Quando poderia imaginar que isso fosse possível. Estou hospedado no Insituto Weizmann de Ciência para uma semana de muito trabalho e muita reciclagem pessoal e profissional.
Trata-se de uma dos maiores institutos de ciência e divulgação científica do mundo. Fui convidado pelo diretor de um dos colégios que trabalho para integrar a equipe de brasileiros. Na verdade a equipe é de apenas duas pessoas, eu e o Rogério.
Infelizmente nem tudo são flores. Fomos muito bem recebidos aqui no Instituto, mas nossas bagagens não chegarem junto conosco em Tel-Aviv. Queira Deus que elas estejam em Milão, onde fizemos uma conexão, e cheguem amanhã.
Quando Alexandre, o Grande, era pequeno, sua mãe sempre falava que ele era forte e poderoso e que tinha nascido para vencer. Coincidência ou não, Alexandre acreditou nessas palavras e foi um dos maiores conquistadores que a história humana conheceu. Dizem que se os pais falam para seus filhos, ainda pequenos, que eles são burros e incapazes, que não vão conseguir nada na vida, que são incompetentes... eles crescem pensando dessa forma. Em minha experiência de 11 anos como professor, nunca vi um caso desses. Nunca!
Não sou adepto da corrente teológica chamada confissão positiva. Não acredito que as palavras tenham todo o poder que seus proponentes dizem ter. Se não, Vitória, capital do estado do Espírito Santo, seria quase o paraíso na Terra (para muitos capixabas pode até ser!). Mas devo reconhecer que as palavras têm seu poder de persuasão, de ofensa, de ânimo, de tristeza entre outras finalidades.
Existem palavras que funcionam como pólvora. Vá na torcida do Palmeiras e diga que o Corinthians é o melhor time do mundo. Num país muçulmano, fale o nome JESUS. Mencione o nome Al-Quaeda em algum aeroporto nos Estados Unidos. Troque o nome do seu namorado ou da sua namorada num momento a sós. E dentro das igrejas não é diferente.
Fale numa classe de escola dominical a palavra predestinação. Pronto! Basta para acabar com qualquer preparação que o professor tenha feito. O mesmo ocorre com as palavras sexo, camisinha, entre outras. Mesmo que a aula seja para jovens e adolescentes, com o tema sexualidade, há palavras que são proibidas. Conheço uma igreja que os pastores sempre se recusaram em falar sobre o tema e tiveram problemas nessa área com um certo casal. É lógico que se falassem não seria garantia de não haver problemas.
No meio evangélico a palavra fundamentalismo também está estigmatizada. Se você for chamado de fundamentalista, é muito provável que alguém esteja te menosprezando. O fundamentalista é tido como alguém conservador, inflexível, arrogante, que não sabe dialogar, retrógrado, antiquado, ultrapassado. Já me chamaram de fundamentalista e a conversa estava indo pra esse lado. Não me importo. Não tomo mais isso como ofensa a mim. Sei que meu fundamentalismo não é nenhum pouco nas mesmas bases dos fundamentalistas muçulmanos de alguns países, nem dos fundamentalistas norte-americanos do sul dos Estados Unidos.
O meu fundamentalismo se baseia nos fundamentos da Palavra de Deus. Minha fé e minhas convicções estão baseadas — ou, fundamentadas — no que ensina a Palavra de Deus. É bem verdade que quanto a isso sou um cristão reformado, não no sentido da reforma que se faz numa roupa velha, mas no sentido das doutrinas enfatizadas pela Reforma Protestante. Meu fundamentalismo não me impede de ler livros que não sejam reformados, posso ler até livros de liberais. Meu fundamentalismo não me impede de cantar músicas que não sejam de origem da Reforma. Posso cantar músicas modernas sem nenhum problema e em qualquer ritmo.
Meu fundamentalismo não me impediu de ser baterista e de exercer esse dom dentro da própria igreja. É bem verdade que existem pastores que não admitem esse instrumento na igreja, mas mesmo assim, partilham da mesma teologia que eu. Eu não tenho problemas com eles — talvez alguns tenham comigo. O fato de ser fundamentalista não me impede de, vez ou outra, visitar uma igreja que não seja de teologia reformada. Ser fundamentalista não me impede até mesmo de freqüentar uma igreja com características liberais.
Fundamentalismo é, muitas vezes, confundido com radicalismo. Se você pensa dessa maneira, quero te convidar a refletir sobre algumas frases:
·Jesus Cristo é realmente o Filho encarnado de Deus e único salvador necessário e suficiente para todo homem. Se você concorda com isso, então você é radical em desconsiderar qualquer outro caminho de salvação possível fora de Jesus.
·A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus infalível e revelada para a humanidade e nela encontramos tudo que precisamos para crer nEle. Se você concorda com isso, então você é radical e desconsidera qualquer outro texto tido como sagrado na relação homem-Deus.
·Jesus Cristo, e ninguém mais, nem natureza nem outras pessoas, mesmo que extremamente “santas” são o meio de nos aproximarmos de Deus e da salvação que Ele nos oferece. Se você concorda com isso, então você é radical contra uma série de coisas adicionais que foram e continuam sendo acrescidas à fé cristã.
·A Bíblia é a única regra de fé e prática que o cristão tem e por ela deve pautar a sua vida, seja no casamento, na família, na profissão e nas relações interpessoais. Se você concorda com isso, então é possível que você rejeite vários pensamentos e posturas modernas dentro das igrejas.
Muitas outras coisas e temas poderiam ser citados e talvez o texto perdesse seu principal sentido, que é chamar-nos para uma reflexão séria e honesta sobre o assunto. Apesar de não abrir mão de certos pressupostos, não estou fechado ao diálogo, com ninguém. Sou sim radical e fundamentalista com aquilo que a Bíblia não abre mão de ser e mostrar. Quanto ao resto, fico com a postura dos antigos puritanos: quando a Bíblia fala, eu falo; quando a Bíblia se cal, eu me calo; quando a Bíblia não é conclusiva, fico com aquilo que glorifica apenas a Deus.
Um texto muito importante sobre esse mesmo assunto pode ser lido aqui. É do Dr Augustus N. Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e um dos melhores teólogos do Brasil. A propósito, ele é fundamentalista!
“E dizia cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.”
Jonas 1:7
Você já teve a sensação de estar sobrando num certo ambiente? Já passou pela sensação de se sentir um peixe fora da água? Você já se percebeu como se fosse um “Jonas”?
Vou te explicar. O profeta Jonas tinha sido mandado, por Deus, para a cidade de Nínive a fim de anunciar o Deus verdadeiro para aquele povo. Mas, inesperadamente, ele decidiu não ir para lá e entrou num navio que ia para uma cidade em direção contrária. Lá pelas tantas o barco começou a ser assolado por uma terrível tempestade de ventos e ondas. Numa tentativa desesperada de se salvarem, as pessoas começaram a jogar seus pertences ao mar para diminuir o peso do barco. Não adiantando nada, resolveram “tirar no palitinho” para saber quem era o “pé frio” da situação. E eis que a “sorte” caiu sobre Jonas.
Pelo menos agora não vou entrar na discussão da presença dessa palavra “sorte”. Em outro texto vou escrever sobre isso. Prometo. Contudo, agora quero pensar no fato que, depois de Jonas ser jogado ao mar, a tempestade cessou e o barco pôde seguir sua viagem em paz. Mas o mais interessante disso é que durante a tempestade, Jonas foi para a parte de baixo do barco e dormiu. Simplesmente dormiu. O barco quase indo à pique, as pessoas desesperadas, talvez gritando loucamente umas com as outras, e Jonas nem aí para o que estava acontecendo. Ele estava dormindo!
É nesse sentido que repito minha pergunta: será que você já se sentiu como Jonas em alguma situação? Eu já e muitas vezes. Em muitas ocasiões me sentiu como o causador da tempestade, com a convicção que as coisas se acalmariam para os outros se eu simplesmente saísse de cena. Trata-se de uma sensação terrível, Perceber-se como o causador dos problemas para outras pessoas é muito ruim. E mais complicado ainda é passar um tempo, vendo as coisas erradas, e estar insensível para a causa do problema. Era assim que Jonas estava.
Já há algum tempo tenho me preocupado com a causa do outro, colocar-me no lugar de quem sofre, de quem passa por problemas, tentar entender a situação das pessoas que sofrem. Por isso, policio-me constantemente para saber se não estou ficando insensível às situações dos meus próximos. E não ser insensível consigo mesmo é também um exercício salutar. Saber como estamos diante de Deus e das pessoas é fundamental para não sermos como pedras nas quais elas tropeçarão.
Assim, peço a você que ore nesse momento a Deus, para que Ele te mostre se você é o causador da tempestade na vida de alguém. É preciso lembrar que mesmo dormindo, Jonas estava no meio da tempestade também. Então, podemos ser os causadores da tempestade e sofrermos junto com ela. Que Deus nos ilumine e abra nossos olhos.
De acordo com e esquema do livre-arbítrio, o Senhor tem boas intenções, mas precisa aguardar como um servo, a iniciativa de sua criatura, para saber qual é a intenção dela. Deus quer o bem e o faria, mas não pode, por causa de um homem indisposto, o qual não deseja que sejam realizadas as boas coisas de Deus.
O que os senhores fazem, senão destronar o Eterno e colocar em seu lugar a criatura caída, o homem? Pois, de acordo com essa teoria, o homem aprova, e o que ele aprova torna-se destino. Tem de existir um destino em algum lugar; ou é Deus ou é o homem quem decide. Se for Deus Quem decide, então Jeová se assenta soberano em seu trono de glória, e todas as hostes Lhe obedecem, e o mundo está seguro. Em caso contrário, os senhores colocam o homem em posição de dizer: "eu quero" ou "eu não quero". "Se eu quiser, entro no céu; se eu quiser, desprezarei a graça de Deus. Se quiser, conquistarei o Espírito Santo, pois sou mais sou mais forte do que Deus e mais forte que a onipotência. Se eu decidir, tornarei ineficaz o sangue de Cristo, pois sou mais poderoso que o sangue, o sangue do próprio filho de Deus. Embora Deus estipule seu propósito, me rirei desse propósito; será o meu propósito que fará o dEle realizar-se ou não" Senhores, se isso não é ateísmo é idolatria; é colocar o homem onde Deus deveria estar.
Eu me retraio, com solene temor e horror diante dessa doutrina que faz a maior das obras de Deus – a salvação do homem - depender da vontade da criatura, para que se realize ou não. Posso e hei de me gloria neste texto da palavra, em seu mais amplo sentido: "Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia"(Rm 9.16).
Não quero ser abalado. Se você já recebeu alguma notícia que te abalou, talvez as lembranças não sejam tão boas. No dicionário Houaiss, podemos aprender o significado de ser abalado. Veja que interessante:
Acepções
■ adjetivo
que se abalou
1 que tem pouca firmeza ou está mal seguro Ex.:
2 Derivação: por extensão de sentido. que se tornou enfraquecido; alquebrado Ex.: saúde a.
3 Derivação: sentido figurado. que se tornou hesitante; frouxo, inseguro Ex.: mostrou-se a., não acompanhara os avanços científicos de sua área
4 Derivação: sentido figurado. que se impressionou ou perturbou com choque ou abalo Ex.: a. com o desamparo daquela gente, soltou a verba para a saúde
Em todas essas definições, inclusive nas de sentido figurado, não há como querer passar por uma situação dessas. Tornar-me enfraquecido, hesitante, inseguro, frouxo; ficar perturbado ou em estado de choque, definitivamente essas sensações não estão nos meus planos.
Contudo, e infelizmente, essas sensações não saem da cabeça de muitos pastores, bispos, apóstolos e até de líderes de louvor. Essas pessoas querem que Deus abale as pessoas, que as cidades sejam abaladas, que as estruturas sejam abaladas. Imaginem esses homens pregando assim lá no Japão ou no Chile, onde ocorrem terremotos todos os anos.
A liderança evangélica brasileira está totalmente fora da realidade, com um discurso inflamado, arrogante e teologicamente capenga. Falta Bíblia nos púlpitos de hoje. Falta usar o raciocínio, essa faculdade que nos diferencia dos chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos. Simplesmente não há reflexão sobre a própria prática dos pastores. Eles estão criando uma geração abalada psicologicamente, teologicamente e nos relacionamentos. Esse abalo que os pastores propõem não tem nenhuma base bíblica, absolutamente nenhuma!
Não há nenhuma oração registrada nas Escrituras que peça esse comportamento da parte de Deus. Se Deus realmente estiver determinado a abalar as estruturas será algo perigoso para a espécie humana. Ele fez isso no Dilúvio, na Torre de Babel, em Sodoma e Gomorra, em Nínive, apenas para citar alguns exemplos.
E não me venha dizer que a definição número 4 do dicionário pode ser aplicada ao sentido que eles querem dar a essa palavra, pois em nenhum momento eles querem que as pessoas fiquem impressionadas. Na ânsia de fazer o culto “pegar fogo”, os pastores usam essas palavras de ordem para demonstrar que estão cheios de poder, ou cheios do poder de Deus. A bem da verdade, acho que falta mesmo é vocabulário para eles. Trata-se de falta de conhecimento do vernáculo.
Também não quero ser desafiado. Os líderes hodiernos (veja no dicionário) gostam de desafiar os ouvintes. E eles os desafiam a dar uma contribuição maior, os desafiam a “profetizar” para outras pessoas e sobre si mesmos, os desafiam na hora do louvor, os desafiam para tomar uma certa postura na vida... É tanto desafio que parece mais um filme de bang-bang ou da Idade Média, quando os homens se desafiavam.
Imagine se Deus Se colocasse em posição de desafiar alguém. Você consegue perceber o risco que nós correríamos se Ele nos desafiasse para alguma coisa. A única vez que parece estarmos autorizados a “desafiar” a Deus é quando não O roubamos naquilo que devemos oferecer a Ele (Malaquias 3). Mas quem é que se encontra nessa posição de ter a capacidade de fazer prova de Deus? Eu não quero ser desafiado pelo Todo-poderoso. Eu quero é ser abençoado por Ele.
Ao invés dos pregadores fazerem aquilo para o qual foram chamados, que é pregar o evangelho, eles ficam nessa toada de desafios e abalos. Falta muita cultura entre os pregadores atuais. Quando um desafio era proposto era pra se medir a força entre os desafiantes. E quem é o homem para ficar desafiando a Deus? “Para que medir forças com o Sol da justiça?”. Esse discurso é muito mais para mostrar um pretenso poder que os pregadores dizem ter – ou pelo menos querem demonstrar que têm. Isso é ridículo!
O Sergio Pimenta foi um homem brilhante. Infelizmente não o conheci pessoalmente, mas conheço sua poesia, sua música e sua personalidade através das pessoas que o conheceram e que foram impactadas por ele. A letra dessa música ele escreveu num dos momentos mais difíceis da curta vida que ele teve. Aprouve a Deus chamá-lo quando ainda ele era muito ativo na Sua igreja. Mas o legado que o Sergio Pimenta deixou, fica nos corações do que o conheceram e nos coração daqueles que admiram a sua obra.
Quando se está só, o silêncio é mais profundo, As noites são mais longas, o frio mais intenso; E até a própria sombra parece estar mais junta, Como se soubesse quando se está só.
Quando se está só, um grito é desespero, Sussurro é loucura, o estalo mete medo; E a mão forte aparece e está sempre nos sonhos, Eternos pesadelos quando se está só.
Quando se está só, se está porque deseja, Pois Ele com certeza não foge de ninguém; Deus está sempre perto, amigo, abraço aberto, Convida a ir com ele pra não mais estar só. Pra não mais estar só.
Estou me tornando uma pessoa muito sensível. Em alguns círculos eu seria chamado de “afetado”, mas se você ler esse texto até o final, acho que não vai concordar com isso. Há algum tempo, pouca coisa mexia com meu humor. Uma das coisas que não dava muita impostância era ser esquecido pelas pessoas. Por exemplo, nunca me importei quando não me ligavam para perguntar como estava. Na verdade alguém sempre ligava.
Hoje isso não acontece mais. Quando escrevo um texto novo sempre mando um email para muita gente convidando-as para ler e, se quiserem, comentar. Pelo que recebo de resposta das pessoas, poucos se comunicam comigo. Para você ter uma idéia, quando muitos se comunicam comigo, esse número não passa de 10 pessoas. Meu Orkut tem mais de 500 pessoas - na maioria meus alunos. Contudo, dos que têm acesso ao meu blog e a esses emails que eu mando, somam-se quase 100 pessoas.
Estou escrevendo isso porque estou sentindo muita falta de me relacionar com as pessoas. Pessoas que conheço há muito tempo, pessoas que conheço há pouco tempo. Pessoas que antes tinham intimidade comigo e perderam com o tempo. Pesssoas que estou conhecendo e gostaria de aumentar a intimidade. Pessoas da antiga igreja local e os da atual igreja local. Pessoas da primeira família e da mais nova família que tenho. Pessoas com quem trabalhei e as com quem trabalho atualmente.
Simplesmente uma necessidade básica de conversar (por telefone, email ou pessoalmente), de ver, de sentir, abraçar e tocar. Ouvir o que as pessoas pensam, falar para elas o que eu penso. Quero concordar com elas, discordar delas, chegar a consensos, ter minhas opiniões mudadas por argumentos mais inteligentes que os meus, levar as pessoas a refletirem sobre o que falo. Querer relacionar-se com os amigos é ser afetado? Alguns dias são tristes por causa dessa distância.
Devo confessar que na maioria das vezes o causador desse distanciamento sou eu mesmo. Eu não sou fácil! E a Cyntia sabe disso muito bem!!! Mas, graças a Deus, estou mudando. Antes eu mesmo não queria relacionamentos. Hoje eu os quero. Passei alguns anos indo a uma igreja sem ser conhecido por ninguém. Por um lado era bom, pois não corria risco de criar vínculos desagradáveis. Por outro lado, guardo poucas recordações daquele lugar.
Se você chegou até aqui e sente-se da mesma maneira que eu me sinto, não se sinto só mais. Vamos caminhar juntos. Meu email é marcos.david.m@uol.com.br. É só clicar e escrever.