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sábado, 27 de junho de 2009

Síndrome de Jonas

“E dizia cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.”

Jonas 1:7


Você já teve a sensação de estar sobrando num certo ambiente? Já passou pela sensação de se sentir um peixe fora da água? Você já se percebeu como se fosse um “Jonas”?


Vou te explicar. O profeta Jonas tinha sido mandado, por Deus, para a cidade de Nínive a fim de anunciar o Deus verdadeiro para aquele povo. Mas, inesperadamente, ele decidiu não ir para lá e entrou num navio que ia para uma cidade em direção contrária. Lá pelas tantas o barco começou a ser assolado por uma terrível tempestade de ventos e ondas. Numa tentativa desesperada de se salvarem, as pessoas começaram a jogar seus pertences ao mar para diminuir o peso do barco. Não adiantando nada, resolveram “tirar no palitinho” para saber quem era o “pé frio” da situação. E eis que a “sorte” caiu sobre Jonas.


Pelo menos agora não vou entrar na discussão da presença dessa palavra “sorte”. Em outro texto vou escrever sobre isso. Prometo. Contudo, agora quero pensar no fato que, depois de Jonas ser jogado ao mar, a tempestade cessou e o barco pôde seguir sua viagem em paz. Mas o mais interessante disso é que durante a tempestade, Jonas foi para a parte de baixo do barco e dormiu. Simplesmente dormiu. O barco quase indo à pique, as pessoas desesperadas, talvez gritando loucamente umas com as outras, e Jonas nem aí para o que estava acontecendo. Ele estava dormindo!


É nesse sentido que repito minha pergunta: será que você já se sentiu como Jonas em alguma situação? Eu já e muitas vezes. Em muitas ocasiões me sentiu como o causador da tempestade, com a convicção que as coisas se acalmariam para os outros se eu simplesmente saísse de cena. Trata-se de uma sensação terrível, Perceber-se como o causador dos problemas para outras pessoas é muito ruim. E mais complicado ainda é passar um tempo, vendo as coisas erradas, e estar insensível para a causa do problema. Era assim que Jonas estava.


Já há algum tempo tenho me preocupado com a causa do outro, colocar-me no lugar de quem sofre, de quem passa por problemas, tentar entender a situação das pessoas que sofrem. Por isso, policio-me constantemente para saber se não estou ficando insensível às situações dos meus próximos. E não ser insensível consigo mesmo é também um exercício salutar. Saber como estamos diante de Deus e das pessoas é fundamental para não sermos como pedras nas quais elas tropeçarão.


Assim, peço a você que ore nesse momento a Deus, para que Ele te mostre se você é o causador da tempestade na vida de alguém. É preciso lembrar que mesmo dormindo, Jonas estava no meio da tempestade também. Então, podemos ser os causadores da tempestade e sofrermos junto com ela. Que Deus nos ilumine e abra nossos olhos.

Um comentário:

Jorge Fernandes disse...

Marcos,
ótima reflexão.
Em tempos em que o egoísmo fala mais alto, o individualismo assume ares de um novo modo de vida (à antiga), e as pessoas, de uma forma geral, são obstáculos em todos os sentidos à nossa felicidade (quando o obstáculo é cada um de nós que pensa estar tropeçando mas, na verdade, é a própria "pedra de tropeço"), voltar ao Evangelho, e dizer como o apóstolo, é prova de obediência, e de que somos de Cristo: "não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade... Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1Jo 3.18;4.20-21).
Cristo o abençoe imensamente, cada dia mais.
Abraços