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sábado, 23 de março de 2013

Ciência, livre arbítrio e Bíblia

Lá pelos idos de 2009, escrevi um artigo chamado O livre-arbítrio cerebral (leia aqui). Nesse artigo discuti que o cérebro comanda as nossas vontades. Em resumo, antes de desejarmos alguma coisa, nosso cérebro determina esse desejo, para só depois realizarmos a nossa vontade. Há experimentos muito simples que medem o tempo entre sentir a vontade e realizar essa vontade. Esses mesmos experimentos conseguem medir o tempo em que o seu cérebro mandou você sentir tal vontade.

A Revista Galileu deste mês traz uma reportagem de capa que discute o mesmo assunto (leia aqui). Nesse link há apenas um resumo da reportagem impressa, então, aconselho a você que compre a revista.

Qual é o problema que vejo nisso? Eu não tenho problema nenhum com o livre-arbítrio, mesmo porque creio que ele não existe. Do ponto de vista filosófico e teológico, o livre-arbítrio é uma piada. Nenhum de nós toma decisões de modo livre. Você pode não ser consciente de quem ou do quê te influencia nas suas decisões. O problema que vejo não é para mim, mas para cristãos moderninhos. Melhor dizendo, pós-moderninhos. Gente que não olha mais para a Bíblia como inerrante, autoritativa, acima de qualquer cultura ou tradição.

Cristãos assim olham para o Gênesis e o encaram como uma alegoria, ou parábola, ou ainda mais, como uma explicação para a origem de tudo dentre tantas outras dos povos que viviam junto dos hebreus na época bíblica. Cristãos pós-modernos olham para as coisas modernas em pé de igualdade com a Bíblia. Cristãos assim não se posicionam contra o homossexualismo, contra as explicações naturalistas para origem da vida e do universo. Os púlpitos das nossas igrejas estão cheios de pregadores que colocam Freud, Augusto Cury, Bento XVI e Marx em pé de igualdade com Paulo, Pedro ou João. Pregadores atuais precisam olhar para a Ciência como algo que complementa a Bíblia. Afinal de contas, não pega bem o homem do século 21 acreditar que Deus fez o ser humano do barro, que uma cobra fala com as pessoas e que uma chuva muito grande matou os dinossauros.

Pois então, a mesma metodologia científica aplicada ao estudo da evolução das espécies é aplicada ao estudo de como tomamos as nossas decisões. Os neurocientistas dizem que o livre-arbítrio não existe e que nossas decisões estão baseadas na carga genética que trazemos dos nossos antepassados e das experiências que vivenciamos no nosso meio ambiente. Mas há ainda um dado que coloca mais lenha nessa discussão. Gêmeos idênticos que são criados nas mesmas condições, que não foram separados na infância e desfrutam dos mesmos pais, da mesma alimentação, educação e influências, optam por carreiras diferentes, se casam com pessoas completamente diferentes e têm vontades distintas em muitas coisas. Do ponto de vista da Ciência ainda há muito a ser estudado.

Do ponto de vista da Teologia, a Bíblia mostra muito claramente que a nossa vontade não é livre. Jesus, em Suas pregações dizia o seguinte:

"Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai..." - João 8:44
"E não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5:40
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" - João 6:44

Eu não sei como os pregadores modernos vão interpretar esse assunto da neurociência. Na verdade, creio que eles nem se importarão com essas notícias. A própria comunidade científica não dão importância quando esse assunto surgiu da primeira vez. Mas agora ele ganha corpo, pois muitos cientistas se debruçam sobre esse tema. Associar a Bíblia com a Ciência soa moderno e parece coisa de intelectual. É descolado pregar usando Darwin, Dawkins e Stephen Hawking. As pessoas vão olhar para você como uma pessoa que entende dos tempos modernos, como uma pessoa que não é alienada e tosca. Mas a Bíblia está acima disso tudo. Inclusive acima de nós.
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40

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