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quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu grito de indignação

Sempre me propus a escrever sobre Teologia, Música e Ciência. Mas estou indignado com as coisas que ocorrem na política brasileira. Por causa disso, vai aí meu grito de indignação contra o que está acontecendo na política brasileira.


            Eu sou brasileiro, mas em alguns momentos gostaria de ser suíço, ou austríaco, ou ainda canadense. Não sou um brasileiro ufanista, mas reconheço que os brasileiros têm qualidades que um suíço, austríaco ou canadense não possuem. Acho que somos mais espontâneos, mais alegres, mais descontraídos, talvez até mais criativos. Sem dúvida nenhuma, temos nossas qualidades, mas acho que nossos defeitos e problemas estão superando essas qualidades.
            Um dos problemas que temos chama-se políticos. Essa classe de trabalhadores do Brasil não é um bom exemplo a ser seguido. Muitos de nós nem os considera como trabalhadores. Pelo menos não são como a maioria da população, inclusive aqueles que exercem sua cidadania votando neles. Infelizmente passamos por um momento na nossa história marcado por uma descrença na classe política em rápida elevação.
            Eu não aguento mais a desfaçatez dos políticos brasileiros. Não suporto mais a “cara de pau” da maioria deles em não se lembrar daqueles que os elegeram. Minha paciência está no limite para fatos como nepotismo, fisiologismo, falcatruas, enriquecimento ilícito, preguiça, enrolação, tentativas de enganar os outros.
Um trabalhador normal tem um salário regulado por outras pessoas que não o próprio beneficiário. Os políticos decidem qual é o salário que eles devem receber. Dificilmente eles reconhecem que já possuem um bom salário. Um trabalhador comum tem só 13º salário. O Senado Federal quer ter 14º e 15º salários. O meu medo é que ninguém pode impedi-los de votar isso. E tenho mais medo ainda porque duvido que alguém no Poder Legislativo ou no Poder Judiciário vai se levantar contra esse absurdo.

Vossa Excelência Presidente da República Dilma Rousseff, levante-se contra esse acinte à população brasileira. Por favor, lembre-se dos policiais, médicos, professores, metalúrgicos, empregadas domésticas, lixeiros, aposentados, motoristas do transporte público. Peço-lhe encarecidamente que se volte para a maioria de seus eleitores, formada por gente que trabalha de 5 a 6 dias por semana, que se desloca de ônibus, trens, carroças ou a pé para seu trabalho. Impeça que os políticos – classe a qual Vossa Excelência faz parte – tenham autoridade suficiente para determinar seus salários. Meu apelo é que Vossa Excelência resista na trincheira daquele que depende do seu 13º salário para ter uma ceia de final de ano.

Para quem podemos apelar? Em quem votei para prefeito na minha cidade, abriu mão da prefeitura para se candidatar a Governador. Depois de eleito, ele desistiu do governo do Estado para se candidatar a Presidente da República. Não venceu, porque, inclusive nessa eleição, eu votei em Dilma Rousseff.
Para quem podemos apelar? O vereador em quem votei também deixou a Câmara Municipal para se candidatar a Deputado Estadual – votei nele de novo, mas fiquei chateado pelo que ele fez. O candidato em que votei para Deputado Federal concorda com tudo o que a maioria dos políticos está fazendo. Estou decepcionado com ele e com todo o seu partido de trabalhadores: não me sinto representado por ele. Nunca fui consultado por ele nas votações em que ele participa em Brasília. A mulher em que votei um dia preferiu me mandar “sentar e gozar” a resolver o problema para o qual ela foi designada.
A corrupção está impregnada no DNA das instituições públicas. Não há uma semana que passe sem escândalos, maracutaias e negociatas. A imensa maioria dos ministros esteve envolvida em problemas financeiros. Se fossem pessoas cuidadosas, recatadas e prudentes não haveria nada a ser dito contra eles. Ainda que sejam honestos, que não tenham participações nos crimes que foram acusados suas imagens estão arranhadas. Eles deveriam ser mais zelosos.
Eu não aguento mais. Não tenho mais paciência. Não suporto mais. Sinto-me envergonhado e não quero mais votar em ninguém. Não acredito mais na classe política. Desconfio de todos que querem se eleger para algum cargo político. Não confio no discurso deles. Desconfio dos políticos que são eleitos. Antes de ganharem as eleições eles têm uma postura. Depois de eleitos, eles mudam completamente de postura. Não tenho vontade de conhecer nenhum político. Não quero me encontrar com nenhum deles. Não faço questão conhecê-los e, ainda que esforce, não consigo perceber boas intenções nas ações deles.
O que eu quero mesmo, se me fosse possível, mudar para a Suíça e me naturalizar suíço.

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