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sábado, 19 de setembro de 2009

Spurgeon, um exemplo

Relutei muito em escrever esse texto, mas fui fortemente incentivado pelo que Spurgeon fez no seu tempo. Em outubro de 1887, ele rompeu com a União Batista, em Londres, porque faziam parte dessa associação pessoas que não pregavam mais o evangelho verdadeiro. A Alta Crítica, como ficou conhecida na época, desviou-se dos temas centrais da fé cristã, criando o que ficou conhecido como Novo Pensamento ou Nova Teologia. Infelizmente, Spurgeon usou de vários artifícios para evitar ter que tomar essa atitude. Escreveu para o secretário da União várias vezes (que inclusive era seu amigo), escrevia artigos apontando os erros e nada foi feito, nem pela União Batista, nem pelos próprios envolvidos naquelas discussões.


Spurgeon combateu com pessoas que queriam reconsiderar as fontes dos livros da Bíblia, eliminar os milagres da Bíblia e reduzir a Palavra inspirada ao nível dos livros meramente humanos. Nos dias atuais, pelo menos em relação aos milagres, a situação é oposta. Hoje, os pregadores evangélicos, principalmente os que têm a mídia consigo, exageram o papel dos milagres, inclusive banalizando-os. O “príncipe dos pregadores”, desde o início de seu ministério, combatia as falsas doutrinas onde e quando elas surgiam. É bem verdade que ele tem muitos inimigos e desafetos com essa postura. Mas importava mais defender a Palavra de Deus, do que fazer concessões espúrias.


Eu não tenho a influência e nem a capacidade que Spurgeon tinha. Não sou pastor e não tenho responsabilidade sobre a vida espiritual de ninguém, Spurgeon, por exemplo, pregava mais de dez vezes por semana, em cidades diferentes, indo à cavalo e sem microfone. Sua igreja tinha mais de 10 mil pessoas todos os domingos para ouvi-lo. Portanto, meu rompimento aqui não terá o impacto que teve a ação de Spurgeon. Por isso mesmo, vou colocar um trecho de um artigo escrito pelo próprio Spurgeon:



“Torna-se um assunto sério: até onde aqueles que permaneçam na fé uma vez dada aos santos devem confraternizar-se com aqueles que se voltaram para outro evangelho. O amor cristão tem seus direitos e as divisões devem ser evitadas como graves males; mas, até que ponto estaremos justificados em permanecer confederados com aqueles que estão abandonando a verdade? É pergunta difícil de responder de maneira que se mantenha o equilíbrio dos deveres. Quanto ao presente, é necessário que os crentes sejam cautelosos, para não suceder que dêem seu apoio e seu auxilio aos traidores do Senhor(...) grifos meus!



Cada crente julgue pessoalmente; mas de nossa parte, pusemos novos ferrolhos em nossa parte e demos ordens para que a grilheta fique bem presa, pois, parecendo pedir a amizade de servo, há aqueles que pretendem roubar O SENHOR(...)


Uma coisa está clara para nós: não se pode esperar que estejamos associados com nenhuma união que abranja aqueles cujo ensino sobre os pontos fundamentais é exatamente o inverso daquilo que para nós é estimado... Com profundo pesar nos abstemos de reunir-nos com aqueles que amamos profundamente e que respeitamos de coração, visto que fazê-lo nos envolveria numa aliança com aqueles que não podemos ter nenhuma comunhão no Senhor.”


Esses trechos foram extraídos do livro que estou terminando de ler, Spurgeon: uma nova biografia, de Arnold A. Dallimore, publicado pela Editora PES.



2 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Marcos,

Outro livro da Ed. Pes que aborda a controvérsia do "baixo grau" na qual Spurgeon se viu isolado na luta contra a União Batista, pela defensa da fidelidade aos princípios bíblicos, enquanto a U.B. se entregava ao modismo filosófico da época (liberalismo teológico, Alta Crítica, Evolucionismo, etc), é "O Spurgeon que foi esquecido" do Iain Murray.

É interessante notar que após a morte de Spurgeon foram necessários apenas 5 anos para que o Tabernáculo Metropolitano perdesse boa parte dos princípios bíblicos defendidos pelo príncipe dos pregadores.

Hoje, a maioria das igrejas iniciam-se sem qualquer zelo ou interesse pela fidelidade às Escrituras, pregando um outro evangelho, o antievangelho, no qual a maioria dos crentes apascentam a si mesmos.

Ótima lembrança de um servo de Cristo que, mesmo detentor de um grande prestígio e pastor de uma das maiores igrejas da Europa, foi perseguido e injustiçado por amor ao Senhor. Com isso, teve a sua saúde debilitada, e morreu ainda jovem, com pouco mais de cinquenta anos.

Continuemos a defender a fé dada UMA só vez aos santos.

Forte abraço.

Pastor Menga disse...

Bem, para mim, o que aconteceu com Spurgeon, não é diferente do que está acontecendo hoje com a disseminação sorreteira, da teologia liberal em muitas denominações. Creio que Spurgeon teve a capacidade de prever que de uma maneira ou de outra, essa mentalidade cresceria e se expandiria.

Veja a semelhança com o que está no texto: "Spurgeon combateu com pessoas que queriam reconsiderar as fontes dos livros da Bíblia, eliminar os milagres da Bíblia e reduzir a Palavra inspirada ao nível dos livros meramente humanos." Ai está clara a negação da Palavra como plena e inerrante, e a humanização dominante em nossos dias.

Agora levanto uma questão que me atordoa quase diariamente, com base nas palavras de Spurgeon, que assume a postura de se separar de tudo e de todos que pregam um outro evangelho!

Como ficamos, quando, mesmo os que frequentam a mesma igreja, conhecem a mesma doutrina e creem nas mesmas verdades, mas pensam e defendem o que pensam como certo em determidados pontos, como se o que pensam é o que a Bíblia ensina?

Exemplos: Dar ou não dar dizimos; batizar ou não crianças; declaração pública de fé ou não; liturgia contemporânea, músicas, instrumentos musicais, etc. e por ai vai em uma lista interminável de assuntos?

Pessoas que defendem a mesma doutrina reformada (reeditada na reforma) divergem uns dos outros sobre dança na igreja e dons do Espírito. Olha até perco o folego.

Se fizermos como Spurgeon, então as igrejas terão no máximo 10 membros mas um milhão a mais de denominações a mais!

Como resolver isso?