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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 1

Talvez pouca pessoas leiam esse primeiro post de 2014. Principalmente pelo tema que me proponho a escrever. Infelizmente, tenho amigos e irmãos, na minha própria igreja local que jamais leriam algo relacionado com o calvinismo. E, a impressão que tenho, é que a maioria dos que assim procedem, o fazem por puro preconceito. Em parte, isso é culpa dos próprio calvinistas. Eu mesmo já fui vítima do meu calvinismo. A impressão que tenho é que estou escrevendo mais para mim mesmo, a fim de rever a forma como vejo a Bíblia.

O Presb. Solano Portela enumera cinco pecados que ameaçam os calvinistas - poderiam ser citados mais - e acho que já caí nos cinco ao longo da minha vida. Hoje, graças a Deus, deixei a beligerância e não tento mais convencer as pessoas sobre a soberania absoluta de Deus ou a predestinação. Contudo, nunca me furto a uma boa conversa sobre esses assuntos. É bem verdade que a imagem que as pessoas fazem dos calvinistas é aquela de uma pessoa sisuda, intolerante, fundamentalista e conservadora.

O Dr Augustus, um dos calvinistas mais conhecidos do Brasil, concorda com isso (leia aqui). Mas há um ressurgimento do calvinismo no mundo todo e no Brasil não é diferente. Talvez você não saiba do que tem acontecido nos bastidores. Mas tem muita gente estudando e tentando entender o calvinismo. A Editora PES tem como um de seus maiores clientes igrejas e seminários da Assembleia de Deus. Essa editora é especializada em literatura de teologia reformada.

Quando comecei estudar a Bíblia, o meu calvinismo também era só o da predestinação. Inclusive a dupla predestinação: para o céu e para o inferno. Depois descobri que estava errado, pois Deus não predestina ninguém ao inferno. Ao céu sim. Mas ao inferno, o homem vai sozinho e sem ajuda divina. Depois disso, caí no hipercalvinismo: já que Deus predestinou tudo, então não precisava estudar a Bíblia (de alguma maneira eu iria aprender); não precisava mais evangelizar (os predestinados de alguma maneira serão alcançados); nem precisava orar (já que tudo acontece quando e como Deus quer) mais. Errei de novo.

Não fui calvinista desde criança. Pelo contrário. Minha convicção (e resposta num estudo bíblico sobre salvação na juventude) era a de que estava salvo porque tinha aceitado a Jesus, confessado publicamente e repetido algumas palavras na frente da igreja. Eu era bem responsável pela minha salvação. E ai de mim se não me esforçasse. Eu poderia perder a minha salvação. 

Com o passar do tempo deixei essa maneira de pensar - conhecida como arminianismo - e passei de modo completamente diferente. Não foi fácil. Lutei comigo mesmo, com o Senhor, com a Bíblia. Lutei com escritores modernos e com escritores antigos. Ouvi pregações de ambos os lados. Conversei com muita gente. Ouvia muito até formar minha maneira de pensar. Sempre esteve na minha mente e coração: tenho que pensar do jeito que a Bíblia ensina. E essa foi (e tem sido) minha busca na teologia.

Sou calvinista sim. Isso significa que...

(1) acredito que Deus é absolutamente soberano sobre tudo e todos e nada que aconteça no mundo foge dos Seus olhos ou do Seu controle. Se estou escrevendo agora é porque Ele quis que eu escrevesse desde toda a eternidade e providenciou os meios para que isso acontecesse;

(2) acredito que sou absolutamente responsável por todos os meus atos. Eu não peco sem querer e nem porque Deus predestinou que eu pecasse - Ele não é responsável pelos pecados que cometo. Todas as minhas escolhas sou eu que as faço. E as decisões que tomo, infelizmente, são manchadas por minha natureza pecaminosa, embora o sacrifício de Jesus Cristo tenha me libertado do domínio do pecado;

(3) acredito que se Deus não tivesse me amado primeiro eu jamais teria como amá-lO. Se meu coração de pedra não tivesse sido trocado antes, eu jamais teria me voltado para Jesus Cristo. Deus mudou o meu coração, regenerando-me para uma viva esperança, só depois disso foi que passei a amar e a desejar conhecer e ter Jesus Cristo como meu Senhor e Mestre;

(4) acredito que Jesus Cristo morreu e que isso foi suficiente para minha salvação. Eu não preciso fazer mais nada para ser salvo. A morte de Jesus Cristo é tão eficaz que garante a minha salvação do começo ao fim. Ao me substituir na Sua cruz, Jesus também me incluiu nela, fazendo-me morrer para minha velha vida, para o pecado e para a morte. A obra de Jesus Cristo está consumada, como Ele mesmo disse;

(5) acredito que minha salvação está garantida e que meu destino também está selado da mesma forma. Ainda que eu venha me desviar, o Pai vai me preservar salvo para Sua própria glória. Minha certeza é que estou salvo para sempre. Mas isso não faz de mim um cristão indolente e preguiçoso. Eu não descanso nessa promessa com quem está debaixo de um coqueiro, sentindo a brisa no rosto. Tenho convicção que nada vai me separar do amor de Deus.

Por ser o primeiro post sobre esse assunto, essas informações bastam para situar as pessoas que não sabem o que um calvinista pensa. Há muito preconceito na igreja de Jesus Cristo. Mesmo pessoas que frequentam igrejas mais contextualizadas (como a minha por exemplo), não conhecem direito essas coisas. é por amá-las que escrevo essas coisas.

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