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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Homem é homem. E rato é rato!

 Volta e meia somos pegos por reportagens e notícias bombásticas sobre os mais variados assuntos. E, particularmente, assuntos relacionados às questões bioéticas, sempre chamam a atenção. Hoje em dia o assunto em pauta é a pesquisa com uso de animais. Pode ou não pode? Existe fiscalização? É necessário? Já existem meios alternativos? Essas são questões colocadas na ordem do dia.
 
Logo que os últimos acontecimentos ficaram conhecidos, muita gente, nas redes sociais, saiu em defesa dos animais e outro tanto de gente saiu em defesa das pesquisas. Vimos mais uma vez nesse país, ações violentas e agressivas por parte de gente ativa na defesa dos animais. O caso da Royal é apenas mais um em que os manifestantes querem resolver o assunto na porrada. Parece-me que isso está virando moda no Brasil. Infelizmente.
 
Essa agressividade parece ter invadido também o campo das ideias. Os ativistas defenderam seus pontos de vista com bastante veemência e algumas conversas que participei, o tom era sempre o mesmo: cancelamento total e imediato de todas as pesquisas que usam animais. Mas pensar dessa maneira é animalesco, uma vez que não há medida das consequências de um ato com esse.
 
A pergunta que sempre faço - e ainda não consegui obter nenhuma resposta inteligente é o que os ativistas fazem quando precisam de analgesia para alguma dor. Será que passear com os animais de estimação causa analgesia? Alguma mulher ativista, em TPM, resolve não tomar nenhum tipo de remédio? Ativistas acometidos de câncer, fazem o quê, só brincam com os animais? Quando somos contra alguma coisa de modo indiscriminado, podemos exagerar nas nossas avaliações e "jogar fora a água da banheira junto com o bebê".
 
Do ponto de vista evolutivo, não existem privilégios para a espécie humana, mesmo que essa seja considerada a mais inteligente. Mas é inegável que existe uma dignidade (não sei se é essa a palavra!) diferente entre humanos e animais não humanos. Não consigo entender como o mesmo direito dos animais se aplicaria a pessoas "menores" e "interditados". O Direito não olha para os humanos do mesmo jeito que olha para os outros animais. A Psicologia também, apesar de crescer mais e mais o número de psicólogos especializados em animais não humanos.
 
E se considerarmos a religião, vemos a mesma coisa. A própria Torá, nos mostra que Deus estabeleceu uma diferença entre nós e os outros animais, fazendo-nos à Sua "imagem e semelhança" e Se relacionando conosco de uma forma diferente de como Se relaciona com as demais criaturas. Aos humanos, Deus deu a ordem de dominar sobre os animais de todas as espécies e de cuidar do Jardim do Éden. Isso não significa que Deus autorizou o homem a ser um déspota sanguinário e inconsequente no trato com os animais.
 
Qual é a ética entre os animais não humanos? Existe moralidade entre eles? Qual é o ethos que rege a convivência dos animais não humanos? Se estudarmos o comportamento, por exemplo, de chimpanzés, veremos muita semelhança comportamental. E até há quem extrapole essas semelhanças para emoções e questões sociais. Uma vez que seja questionável o aspecto moral nos animais não humanos, entre nós, essa questão está bem estabelecida. Somente agora especialistas em comportamento de primatas, por exemplo, têm desvendado comportamentos dos macacos parecidos com o nosso. Darwin talvez dissesse que é o nosso comportamento que se parece com o deles.
 
Os direitos dos animais são respeitados por todos os comitês de ética das universidades em que são feitas pesquisas com uso deles. Inclusive os comitês de ética são bem rigorosos nesses acompanhamentos, muitas vezes vetando algum tipo de pesquisa que não esteja de acordo. O CONCEA existe justamente para essa finalidade. Na minha experiência pessoal, na graduação e depois de formado, vi muitos casos que projetos de pesquisa foram revistos por causa dos comitês de ética das universidades.
 
Outro problema que vejo é a falta de alternativas. Quais são as alternativas apresentadas pelos ativistas da causa dos animais. O discurso que mais aparece para os cientistas pode ser resumido na seguinte frase: "Virem-se. Não queremos o uso de animais, então desenvolvam outras técnicas." Isso é muito fácil falar. Mas quando inúmeros estudos sérios já estão em andamento, não é possível simplesmente parar anos de estudos para achar novas técnicas. Por que os ativistas não se debruçam sobre a bancada nos laboratórios e criam essas novas técnicas?
 
Portanto, há que se ter muito equilíbrio quando discutimos essas questões. Não podemos forçar os argumentos para nenhum dos lados. Ninguém, em sã consciência, é favor que a vida seja maltrada, seja a vida humana ou dos outros animais. Ninguém usaria animais de estimação para pesquisas científicas. Mas existem animais que por anos têm sido usados nas pesquisas com resultados benéficos para a saúde humanos. Temos muitos exemplos: insulina para uso humano, remédios para câncer, analgésicos entre muitos outros casos.
 
Se os direitos são iguais entre seres humanos e não humanos, por que os deveres não deveriam ser iguais também? Que os animais não humanos tarabalhem e ganhem o seu próprio sustento. Quando um animal carnívoro, como os cachorros, são alimentados com vegetais por seus donos, eles deveriam protestar na Avenida Paulista às 18 horas por melhores condições de alimentação.
 
Afinal de contas, você é um homem ou um rato?

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