Total de visualizações de página

quinta-feira, 24 de março de 2011

Por que não creio no livre-arbítrio - Parte 2


         Em primeiro lugar, acima de tudo, todo cristão (Atos 11:26) acredita que a Bíblia é a sua regra de fé e prática, que nela não há contradições, ainda que sua interpretação seja difícil em alguns pontos.
         Devo começar com essas afirmações, pois se você não compartilha delas, você não tem que ler esse texto. Se você não crê que a Bíblia é tudo isso, esse texto vai ser muito chato!
         A Bíblia começa dizendo que Deus criou o homem bom, perfeito e com a capacidade de escolher entre obedecê-lO ou não (Gênesis 1:26-31; 2:17; Eclesiastes 7:29a). Isso significa que o homem que foi criado, Adão e sua esposa Eva, eram, num certo sentido, diferentes de nós. Em que consistia essa(s) diferença(s)?
         Adão era inocente do mal. Isso fica evidente na sua conversa com Deus depois de ter pecado. Adão e Eva se encontraram vestidos depois de terem pecado, pois a nudez deles agora era ofensiva (Gênesis 3:7-12). E usando uma linguagem antropomórfica – apenas para entendermos a Sua indignação – Deus Se “espanta” com o fato dos nossos primeiros pais descobrirem a sua nudez.
         Adão e Eva experimentarem por um período de tempo a ausência do mal em seus corações e intenções. E isso nunca aconteceu conosco. Houve um tempo que Adão e Eva não conheciam o pecado. Eles foram criados e Deus viu que isso era “muito bom”. Se era “muito bom” é sinal que não havia ainda o mal na criação física de Deus. Mas nós já nascemos marcados pelo pecado (Salmo 51:5).
         Mas voltemos para nossos primeiros pais. Eles foram criados para viverem eternamente. A sentença de morte seria cumprida, apenas, se eles comessem do fruto proibido (Gênesis 2:17). Assim, temos a segunda diferença entre nós e eles: hoje nós nascemos marcados para morrer. A Biologia trabalha com a noção de apoptose celular, ou seja, a morte programada no DNA. É lógico que não sabemos quando morreremos, mas nosso DNA já sabe! A única certeza que temos a respeito da nossa vida biológica é que um dia nós vamos morrer.
         Uma terceira diferença entre nós e nossos primeiros pais é a possibilidade que eles tinham de escolher entre o bem e o mal. Ao serem colocados no Jardim do Éden, Adão e Eva tinham a capacidade de seguir a orientação de Deus, escolhendo permanentemente o que era bom, afastando-se do mal. Mas eles ouviram a sugestão do diabo e testaram se era realmente daquele jeito.
         E apesar do diabo ser o “pai da mentira” (João 8:44) em um ponto ele acertou: nossos pais passaram a conhecer o bem e o mal. Adão e Eva não se tornaram como Deus e nem deixaram de morrer. Pelo contrário. O distanciamento moral entre Deus e a humanidade ficou gigantesco e a morte passou a fazer parte da existência humana.
         Assim, vemos na Palavra de Deus, que a humanidade perdeu certas capacidades que tinha em Adão e Eva: nossa comunhão com Deus não é mais direta e precisa de um mediador (1 Timóteo 2:5); passamos a morrer biologicamente e a sofrer ao longo dessa vida (Salmo 90:10); e, mais devastador – na minha opinião – deixamos de ser livres e passamos a ser controlados pela nossa natureza pecaminosa (Romanos 5:12). Paula ainda afirma que o pecado é como um rei na nossa vida, com total domínio sobre nossa vontade (Romanos 6:12).
         E é exatamente no capítulo 6 de Romanos que somos apresentados à realidade da nossa escravidão, da escravidão da nossa vontade. Em outras palavras: somos apresentados ao fato que não somos livres.
Romanos 6:14  Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Antes de estarmos “debaixo da graça” o pecado tinha total domínio sobre nós.

Romanos 6:16  Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Ora, naturalmente as pessoas não se apresentam para Deus. Pelo contrário. Quando Jesus pregava, Ele mesmo disse que as pessoas não queriam ir até Ele para terem vida (João 5:40).

Romanos 6:17  Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. Não é preciso argumentar muito aqui. Quem é servo tem que cumprir a vontade do seu senhor e não tem liberdade para fazer o que quiser.

Romanos 6:18  E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Se precisamos ser “libertados do pecado” é sinal de que erámos seus prisioneiros.

Romanos 6:20  Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. Paulo diz que no passado éramos “servos do pecado”, mas em Jesus Cristo temos a liberdade do pecado para servos “feitos servos da justiça”.

Romanos 6:22  Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Aqueles que são alcançados pela graça de Deus foram feitos livres da escravidão do pecado, libertados do seu domínio.

         Muitos outros textos poderiam ser colocados aqui e serão. No momento, vamos ficar com esses poucos textos pois eles já nos fazem refletir sobre a mentira da presença do livre-arbítrio na humanidade.
         Já que você chegou até aqui, permita-me dar-lhe uma recomendação. A ausência do livre-arbítrio afronta a nossa dignidade e o nosso orgulho. Cogitar que não temos liberdade de escolha nos humilha e nos torna mais fracos do que já somos. Lute contra o desejo de parar de refletir sobre isso. Num primeiro momento vai ser duro esse reconhecimento, mas eu garanto, em Cristo Jesus, que essa reflexão vai te abençoar muito.

4 comentários:

Ronan Seara disse...

Se o ser humano, é livre para escolher entre o bem e o mal, aonde fica a Soberania de Deus? Se o homem é livre, Deus não pode está no controle das coisas.

Música, Ciência e Teologia disse...

Ronan, o que você chama de bem e de mal? Escolher fazer uma boa ação, ajudando uma pessoa carente? Ou escolher tirar a vida de uma pessoa em troca de dinheiro?

Quando a Bíblia fala entre bem e mal está falando da condição moral, condição essa que está manchada e escravizada pela natureza pecaminosa da qual somos formados.

Quanto à liberdade do homem, não vejo onde essa liberdade existe na Bíblia. Pelo contrário, Jesus disse que as pessoas eram escravas do pecado (João 8).

Até mais, Marcos.

CLÁU MOURA disse...

Marcos,
Crendo, como vc crê, que alguns são predestinados para a salvação, realmente fica difícil crer no livre-arbítrio. Mas uma vez que escolho ser escolhida(o), eu tbém assumo meu livre-arbítrio (escolher o que quer que seja pra mim...).
Pra mim, simples assim...rs

Francisco A. Barbosa disse...

Ninguém quer ir para o inferno... mesmo sabendo que viver à margem de Deus o fim será este... e por que não escolhem a vida? Nõa têm este poder de escolha se do Alto não for concedido!