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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Deus também odeia pessoas!


            Esse post é inspirado por uma pregação do Pr Paul Washer (veja aqui) e por uma pregação do Pr Décio Leme Júnior. Mas também, e talvez, principalmente, é inspirado pelo que vejo no espelho. Não fosse a graça maravilhosa de Deus e o sacrifício que Jesus fez por mim, eu mesmo seria o alvo desse texto. Spurgeon dizia que muitas vezes ele escolhia seus textos para o sermão com base naquilo que ele precisava ouvir do Senhor. Esse post é assim, tem esse mesmo sentimento.

            Quantas vezes já não ouvimos a seguinte frase: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Aí vem Paul Washer e nos lembra desse texto do livro de Salmos (5:5-6):

“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.”

            Devo confessar que não lembrava desse texto. Se algum dia já o tinha lido, não me recordava dele. E é impressionante a clareza com que o texto trata da questão. Em qualquer versão da Língua Portuguesa, Inglesa, no Hebraico é a mesma expressão: “...odeias a todos...”! Então vamos ao dicionário. Minha fonte de pesquisa é o Dicionário Houaiss.

Odiar: 1. sentir aversão por (algo, alguém, a si próprio ou um ao outro); detestar(-se), abominar(-se); 2. achar muito desprazeroso; 3. ter inimizade intensa a; detestar.
Aborrecer: 1. ter horror ou aversão a ou causar aversão, desagrado, mal-estar; abominar ou provocar abominação; 2. causar ou sofrer desgosto ou contrariedade; desgostar(-se); 3. causar tédio ou fastio a ou entediar-se; enfadar(-se), enfastiar(-se), maçar(-se); 4. tornar(-se) zangado; apoquentar(-se), enraivecer(-se), enfurecer(-se).

            Eu não sei o que você pensa quando medita sobre isso – se é que nós conseguimos meditar no ódio que Deus tem – mas o fato é que a Bíblia está afirmando que Deus também odeia pessoas. Não é preciso fazer grandes exercícios de hermenêutica e exegese. Da mesma forma que a Bíblia afirma que “Deus é amor”, que Jesus Cristo é “o caminho, a verdade e a vida”, ela também a firma que Deus odeia certo tipo de pessoa. Para entendermos o amor de Deus e a salvação assegurada por Jesus Cristo não recorremos a livros teológicos, análises teológicas de autores consagrados no meio evangélico. Aceitar que Deus é amor é uma das ações mais simples e básicas do cristianismo. Mas o mesmo não ocorre com essa verdade: a verdade de que Deus odeia pessoas.

            Entretanto, alguém dirá que essa postura de Deus é do Velho Testamento, de antes da vinda de Jesus Cristo, de antes do advento da graça quando Deus lidava com as pessoas através da Lei. Ou ainda, e pior, que a maneira de Deus lidar com as pessoas mudou depois de Jesus Cristo ter realizado seu ministério. Então vejamos o que escreveu o apóstolo Paulo em Romanos 11:22:

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.”

            Voltemos ao dicionário:

Severidade: 1. qualidade, condição ou estado do que é severo; 2. ato rigoroso; atitude severa; 3. falta de flexibilidade ao julgar, disciplinar, castigar; 4. inteireza de caráter; rigor, austeridade.

            Querido leitor, será que já pensamos seriamente na severidade de Deus? Será que Deus será flexível no Seu julgamento? Será que Deus toma alguma decisão sem inteireza de caráter? Será que o comportamento que Deus nos exige não é rigoroso? Talvez não haja nada mais urgente na nossa vida do que vivê-la de modo digno à vocação com que fomos chamados.

            Iniquidade nós praticamos todos os dias contra Deus, contra nós e contra o próximo. Mas graças a Deus fomos colocados debaixo da graça e da misericórdia de Deus para estarmos livres da condenação do pecado. É só pela graça de Deus que não somos mais alvo do ódio de Deus. É só pelo sacrifício eterno de Jesus que não seremos cortados e lançados no fogo que nunca se apaga. Se não fosse a graça de Deus, estaríamos ainda correndo a passos largos e em grande velocidade para o futuro castigo eterno, como pregou Robert McCheyne.

            Não podemos fugir dessa verdade: Deus odeia o pecado e odeia as pessoas que praticam a maldade. Não podemos “tapar o sol com a peneira”. Deus não toma o culpado por inocente. Amamos o amor de Deus, desejamos esse amor mais que tudo, mas infelizmente não tratamos a Sua justiça com o mesmo amor. Não sabemos lidar com a ira de Deus porque não pensamos sobre ela. Quantos sermões você já ouviu sobre a ira de Deus?

            Concordo que pensar na ira de Deus é difícil e nos incomoda. Mas o Deus da Bíblia está contra todos aqueles que praticam a maldade. E Jesus Cristo é o único que pode nos tirar do alcance da ira de Deus. Certamente que pensar no amor de Deus e na Sua salvação dada à nós é mais prazeroso. Mas se quisermos agradar a Deus temos que procurar odiar o pecado com a mesma intensidade que Deus o odeia. Quanto a odiar os pecadores, só Deus pode fazê-lo!

Para entender melhor a ira de Deus: O Futuro Castigo Eterno (Robert McCheyne), Pecadores na mãos de um Deus irado (Jonathan Edwards) e a Ira de Deus (Martyn Lloyd-Jones), todos sermões que foram editados pela Editora PES.

2 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Marcos,
outra ótima postagem.
A questão é que o "cristianismo self-service" apropria-se do que lhe interessa e despreza, rotula ou desvirtua o que não lhe interessa. Por isso a igreja tem falhado tanto em sua missão de proclamar o Evangelho, não uma parte dele [e o que é pior, normalmente, mal-interpretada, sinal de ignorância, ou maliciosamente tendenciosa], mas todo ele. Como digo: ter uma parte do Evangelho é o mesmo que não ter nada.
Há grupos de crentes descontinuístas que consideram o AT não-inspirado, não-histórico, como um grande apêndice falso na Bíblia. Há de se lembrar que Jesus falou mais do inferno do que do céu no NT. E de que tudo o que é afirmado por Deus no Antigo também o é no Novo.
Mas para os corações impenitentes, que não querem se arrepender dos seus pecados, um "deus paz e amor" é uma construção que se encaixa completamente em seus anseios ímpios.
Somos chamados a amar e adorar a Deus em sua completude, não a um deus fatiado, esquartejado; tanto em seu amor, misericórdia, graça e benevolência quanto em sua ira e justiça. Pois a ira de Deus é santa, e sua justiça também é santa, assim como o seu amor, misericórida, graça e benevolência também são santos.
Grande abraço, meu irmão!
Cristo o abençoe!

vmouradasilva disse...

Gostei do post. Lembro que A. W. Pink, em seu livro "The Attributes of God", também escreveu sobre a ira de Deus, e comenta que esse atributo divino é negligenciado e ignorado por muitos, e que é tratado quase que como uma espécie de mancha moral do Altíssimo.