sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Que eu me cale, para que Ele fale!

"E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas. Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo. E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam. Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes. E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo: Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas. Nem assim o testemunho deles era coerente. Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte. Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas." (Marcos 14:53-65). 

Na igreja que frequento e no grupo familiar que ministro a Palavra de Deus, estamos estudando o evangelho de Marcos e chegamos no ponto do julgamento de Jesus Cristo perante o Sinédrio. Estamos chegando nos momentos finais da vida de Jesus Cristo e no ponto culminante da Sua vida, ou seja, a Sua morte e consequente ressurreição.

Jesus Cristo passou o Seu ministério todo pregando a céu aberto, para qualquer pessoa ouvir, estando o tempo todo no Templo e teve que ser entregue por um traidor! Ele esteve cercado de multidões que ouviam Suas palavras nas colinas, nas cidades, nas sinagogas e nas casas das pessoas e foi entregue sorrateiramente na madrugada. O fato é que nada disso era necessário, pois Ele mesmo deu sua vida, ninguém preciso tirá-la (João 10:18).

Mas perante os sacerdotes do Sinédrio Jesus Cristo foi acusado. De quê? Num primeiro momento os acusadores ficaram batendo cabeça. As acusações eram infundadas e contradizentes. Ninguém se entendia. Não havia coerência no que diziam. Aí fico me perguntando se o testemunho que dou de Jesus é coerente com o que vivo, ou se sou como esses acusadores falsos!

Como é o cristianismo que vivo? Existe relação entre o que creio-falo-vivo? Meu testemunho é verdadeiro e honesto diante de Deus ou fico quebrando o nono mandamento de não dar falso testemunho? Será que caio em contradição quando digo que sou discípulo de Jesus e escandalizo Seu nome com minha vida! Em certa medida, nós somos como Pedro, negando a Jesus com nossas palavras; somos como Judas, traindo-O com nossos atos; e, às vezes, somos como esses acusadores, sem coerência entre nossa vida e nossa crença.

Um segundo ponto que vejo nesse relato é que Jesus Cristo Se emudeceu diante de Seus acusadores. Isso me ensina que não tenho que ficar batendo boca com quem me acusa, ainda mais se as acusações são infundadas e mentirosas. Jesus sabia exatamente quem Ele era e o que deveria fazer. Ele não falou que destruiria o templo de Jerusalém e nem que construiria outro templo físico. Ele estava tratando de questões espirituais. Ele não veio "dar ibope" para o diabo, Ele veio para destrui-lo.

E na acusação final, o próprio sacerdote disse o que Jesus era, o Cristo, o Filho do Deus vivo. E, em sendo verdade, mesmo que boca do acusador, Jesus Cristo confirma quem Ele é. Ele nem argumenta com o sacerdote. Diante de todos que falavam enganosamente surgiu a verdade. E que força a verdade tem. Que poder destruidor a verdade exerce sobre a mentira. Que luz é jogada no meio das trevas quando a verdade aparece. "Nada ficará encoberto". Dos doze discípulos, um O traíra, outro estava negando que O conhecia e os outros dez fugiram de medo. Mas a verdade vai aparecer, ainda que as pedras a proclamem. O Filho do Homem veio para morrer e não seria mentira, a calúnia e a difamação que impediriam a morte do Autor da vida.

Isso me mostra que o acusador das nossas almas não tem poder sobre o nosso Advogado. Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que me defende, que me protege, que me comprou, que apagou a minha escrita de sangue. Os meus acusadores podem se levantar o dizer o que quiserem sobre mim. É Ele que julga a minha causa. Ele foi acusado como eu posso ser acusado. Mas é Ele quem me defende.

Que sejamos sábios para a falar o que é certo, no tempo certo, do jeito certo. Que possamos refrear a nossa língua quando for o momento de ficarmos em silêncio. Deixemos Jesus Cristo falar por nós. Ele é quem tem autoridade para isso. Quem sou para querer me defender! Se eu quiser falar vou tropeçar nas minhas próprias palavras. Mas Ele é o Verbo, Ele é a Palavra.
E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas.
E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume.
E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam.
Porque muitos testificavam falsamente contraE, levantando-se alguns, testificaram falsamente contra ele, dizendo:
Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.
E nem assim o seu testemunho era coerente.
E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?
Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?
E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.
E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?
Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte.
E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.

Marcos 14:53-65
E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas.
E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume.
E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam.
Porque muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos não eram coerentes.
E, levantando-se alguns, testificaram falsamente contra ele, dizendo:
Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.
E nem assim o seu testemunho era coerente.
E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?
Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?
E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.
E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?
Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte.
E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.

Marcos 14:53-65

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Você não gosta de teologia? Que pena!!!



            Vez ou outra vejo declarações de cristãos dizendo não gostar de teologia. O que eu acho realmente que essas pessoas querem dizer é que elas não gostam de um estudo sistemático de doutrinas bíblicas. Acho isso uma pena também!
            Há alguns anos – uns 20 anos ou mais – os cristãos eram conhecidos como o povo do Livro. E éramos assim conhecidos por andar com a Bíblia debaixo do braço, mas também, quero acreditar, que era porque havia muito mais estudos bíblicos do que hoje. Lembro-me que quando eu era criança, há 30 anos, todo o terceiro sábado, havia o Estudo Bíblico. Ficávamos o dia inteiro, com café, almoço e jantar, só estudando a Bíblia. Infelizmente naquela época eu não entendia muita coisa, mas ver a dedicação das pessoas ao fazer a comida, ao preparar os estudos e à oração me ensinou muita coisa.
            Duvido que uma igreja faça uma programação dessas mensalmente – eu não conheço! Para muitos de nós tornou-se cansativo empregar um dia inteiro de estudos dedicados à Bíblia. Hoje é mais legal, é mais produtivo e cansa menos encher as igrejas de atividades recreacionais, ensaios disso e daquilo, almoços e jantares. Tempos modernos. Não serei eu que vou brigar com o sistema. Mas uma coisa é fato: era bem mais difícil nos manipular teologicamente.
            Sabe por que tantos ensinos estranhos à Bíblia fazem sucesso hoje? Porque as pessoas não conhecem a Bíblia. E não conhecer a Bíblia é uma sentença de fracasso e desventura espiritual. É o que Deus disse através do profeta Oséias: “O meu povo perece por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6). Nossa vida espiritual depende da Palavra de Deus, assim como nossa vida biológica depende dos nutrientes dos alimentos. Lembro-me do Pr Bill Barkley (www.editorapes.com.br) me perguntando todos os dias: “Você já leu a Bíblia hoje? E comer, já comeu hoje?”.
            Eu não tenho dúvida que a situação da igreja cristã moderna está desse jeito por falta de estudo bíblico. Doutrinas como o universalismo, teologia da prosperidade, neopentecostalismo, apostolado moderno, teísmo aberto, liberalismo teológico, triunfalismo entre tantas outras só existem e fazem sucesso porque as pessoas não conhecem mais a Bíblia. Reconheço que muitos cristãos leem a Bíblia e ainda o fazem com certa regularidade. Mas essa leitura não está frutificando a ponto de preservar-nos do erro que, escamoteada ou abertamente, tem entrado na igreja.
            Algumas epístolas foram escritas justamente para combater certos desvios doutrinários que já ameaçam a Igreja de Cristo no século primeiro. As epístolas de 2 Pedro, Judas e 1, 2, e 3 de João foram escritas com a clara intenção de combater heresias que já se levantavam na igreja. Pedro e Judas escreveram para reafirmar a autoridade de Jesus Cristo e da Sua Palavra. João escreveu essas cartas a fim de combater o gnosticismo. Elas “foram escritas para resolver o problema criado por essas tendências para as falsas doutrinas dentro da igreja”.[1]
            Portanto, se você é cristão e diz não gostar de ler, alguma coisa está errada. O conhecimento de quem é Jesus Cristo, para sermos parecidos com Ele, vem através de um Livro e da sua leitura. Você não precisa ser um expert nas línguas originais, não precisa cursar nenhum curso acadêmico de teologia. Contudo, precisamos seguir a recomendação dos profetas, “Vinde e arrazoemos com o Senhor” (Isaías 1:18), “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3) e a recomendação do apóstolo, “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18). Não sejamos negligentes com o estudo da Palavra de Deus.


[1] Tenney, Merrill C. (2008), O Novo Testamento: sua origem e análise, página 375, Shedd Publicações, São Paulo, SP.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

As sete palavras da cruz




“Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.” Lucas 23:34
Como era costume na época, as vestes do crucificado eram tomadas pelos executores. Mas no caso de Jesus Cristo, é o Executado que divide o Seu perdão com aqueles que não mereciam nada dEle. Jesus Cristo é o exemplo que, no reino de Deus, a vida nasce da morte: da morte do Autor da vida e da morte da nossa vida para o pecado. Nesse momento vemos se cumprir as Escrituras registradas no Salmo 22:18.


“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:43
Jesus estava morrendo entre dois ladrões. Eles sim, merecedores daquela morte (Lucas 23:41). Jesus não merecia aquela morte, mas por um daqueles ladrões, Ele estava morrendo também. O comportamento de Mestre nesse episódio é muito interessante e intrigante. Havia um grupo de soldados romanos que estava zombando dEle, disputando suas vestes e o intitulando como “rei dos judeus” (Lucas 23:33-38). Pendurado, ao seu lado, um ladrão que também zombava dEle, instigando-O a que Se salvasse e aos ladrões (Lucas 23:39). Veja você que ambos, soldados e o ladrão, tinham a mesma atitude contra Jesus Cristo, mas Ele pediu por perdão apenas para um grupo. Mesmo sabendo que o “mau ladrão” carecia do perdão sob pena de não “estar no paraíso” (Lucas 23:43), Jesus Cristo não clamou por ele. Sequer Jesus conversou com ele. Por que Jesus mostra compaixão pelos soldados zombadores e não mostra sentimento algum pelo “mau ladrão”? O outro ladrão, conhecido como “bom ladrão” repreende o “mau ladrão” e, mais surpreendente, ele reconhece que está diante de Deus e que Este está morrendo na mesma sentença (Lucas 23:40-41). Agora cabe-nos a pergunta, quem foi que disse ao “bom ladrão” que Jesus é Deus? Como isso lhe foi revelado?

“Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” João 19:26-27
Ainda que estivesse agonizando, Jesus exalta o mandamento de honrar pai e mãe, contudo, Seus dias não foram “longos na terra”. É possível que José, seu pai, já tivesse morrido e Jesus, como o primogênito, tinha que cuidar de sua mãe. Ao morrer Ele recorre ao discípulo amado, João. Isso nos leva a pensar, com quem temos andado no nosso dia a dia? Quem é nosso “filho” e nossa “mãe”? Quem tem cuidado de nós, de nossos filhos? Mesmo tendo os 11 discípulos, Jesus recorreu a apenas um deles. Mesmo porque os outros 10 tinham fugido na hora da crucificação!

“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mateus 27:46
Jesus Cristo foi constituído pelo Pai a ser o representante e substituto do Seu povo no plano da redenção. Graças a Deus não precisamos morrer em cumprimento da sentença de morte estabelecida pelo próprio Deus. Ele morreu a nossa morte. Ele carregou os nossos pecados e pagou o preço que era nosso. Isso significa que, ao pagar a nossa “escrita de dívida”, passamos a ser considerados inocentes, sem culpa. O peso do nosso pecado era de tal monta que o Pai não foi capaz de contemplar Seu próprio Filho morrendo. A santidade de Deus O faz intolerante para o pecado. O Ser que é três vezes santo abomina o pecado de tal modo que Ele não pode nem olhar para o pecado. A Sua santidade, a beleza dos Seus atributos, não pode ser maculada nem pela visão do pecado. Aqui aprendemos que devemos odiar o pecado com a mesma disposição que o nosso Pai o odeia. O pecado é o mal sem par, o maior mal do mundo e é contra ele que a Igreja foi colocada. O pecado nascido no coração do inferno não vai prevalecer contra a Igreja, como profetizou o Dono da Igreja. Queridos irmãos e irmãs, estamos abandonando o pecado da nossa vida? Hoje amamos menos o pecado do que no início da nossa vida cristã? Entre a “concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida” e a Bíblia, a oração e a “comunhão dos santos”, o que optamos? Entre a casa de Deus e a cama no domingo de manhã, qual é a nossa escolha? Nosso ódio ao pecado está ligado diretamente ao tamanho do nosso amor por Deus.

“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!” João 19:28
Jesus era verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Esse pedido “tenho sede” mostra a humanidade de Jesus Cristo e Sua fraqueza no momento da morte. Isso já seria suficiente para acabar com toda a heresia do gnosticismo “que afirmava que o Cristo divino veio sobre Jesus quando foi batizado e o deixou quando morreu. Aquele que sofreu a sede na cruz ofereceu Sua vida para saciar a sede espiritual do mundo.” E o único discípulo que presenciou essa demonstração inequívoca da humanidade de Jesus Cristo foi, mais à frente, responsável por escrever contra o gnosticismo que já aparecia (Epístolas de João).

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” João 19:30
Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Isaías 53:10-11). Você já teve a sensação de dever cumprido depois de ter realizado uma tarefa muito árdua? Depois de um dia de trabalho, ou do conserto de alguma coisa em casa. Depois de muito trabalho, você chega em casa e senta no sofá, dá aquela relaxada e se sente feliz!!! O problema é que muitas vezes, depois de trabalharmos tanto, no dia seguinte temos de voltar e recomeçar de onde paramos. Com Jesus Cristo não aconteceu isso. A obra de salvação que Ele realizou, Ele a fez de uma vez por todas, é definitiva, sem a necessidade de revisão, aditivos ou emendas. Quando Ele disse “está consumado” Ele estava colocando um ponto final na questão mais importante da nossa vida: a salvação da nossa alma. Não há o que precisa ser feito, pois Ele fez tudo que era possível ser feito. Nada pode ser acrescentado porque não há necessidade de acrescentar nada. Nada pode ser suprimido, porque se alguma coisa for tirada do Seu sacrifício vai deixar de ser o verdadeiro sacrifício de Jesus Cristo. Irmãos, descansemos na suficiência de Jesus Cristo, não precisamos de mais ninguém, não precisamos de mais nada. Qualquer esforço da nossa parte será em vão.

“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” Lucas 23:46
Essa é a única sensação que ainda nenhum de nós já teve oportunidade de experimentar. Essa é ainda a única frase que não pudemos dizer. O momento da morte será único para cada um de nós. Tão único que não poderemos repartir com nossos amigos, parentes ou irmãos. Como será a sua morte? Jesus Cristo sempre soube como seria a dEle. Você é capaz de imaginar como você viveria sabendo que aos 33 anos de vida você morreria crucificado e sofrendo dores terríveis? Se o médico nos dissesse que temos 6 meses de vida, o que faríamos nesse tempo? Você teria alegria em viver sabendo que está condenado a morrer em tal dia e tal hora?

Irmãos, é ou não a natureza divina de Jesus Cristo que O sustentou durante os anos do Seu ministério? Que homem, suportaria viver com essa condenação já decretada e sem a possibilidade de revogação!!! Jesus Cristo só pôde Se encarnar e passar por tudo o que passou porque Ele é Deus; homem algum teria essa capacidade!!! São essas terríveis palavras de cruz que nos trazem a paz. E o fato mais surpreendente é que Ele mesmo Se entregou voluntariamente para morrer e me substituir na cruz. Ninguém o forçou, ninguém o obrigou. Ele não estava coagido Se sentido na obrigação de fazer alguma coisa. O mesmo Deus que o desamparou no momento mais agudo da vida é o Deus que recebe Seu espírito no estertor da vida. No último fôlego de vida, Jesus o usa para glorificar a Deus e mostrar que a nossa vida é do Pai, não nossa.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 2

Um dos temas que mais converso com as pessoas é a questão da liberdade das pessoas, a questão do livre arbítrio. Será que temos livre arbítrio? Será que somos livres para tomar as nossas decisões? Penso que não. Nenhuma das nossas escolhas são livres de influências, externas e internas. Já tratei desse assunto em outros artigos, mas vou tentar explicar mais uma vez.

Hoje resolvi ir trabalhar com uma camisa amarela. Por que eu a escolhi? Muitos vão responder que eu escolhi a amarela dentre todas as possibilidades que tinha e que sou absolutamente livre para escolher entre a amarela, azul, verde ou a vermelha. Será mesmo que tenho toda essa liberdade?

Em primeiro lugar eu tenho que pensar em que ambiente eu vou estar, para então escolher a minha roupa. Se eu estivesse num velório, dificilmente escolheria uma cor tão chamativa quanto o amarelo. Se eu estivesse num ambiente bem frio, a cor da camisa nem seria notada, então tão faz a escolha que eu fizesse. Talvez o lugar que eu trabalhe não permita outras cores.

Outra coisa que pensei é se sirvo na camisa. Tem algumas camisas no meu armário não me servem mais e, mesmo querendo vesti-las, não posso mais usá-las. Então, a´qui, tenho uma limitação do tamanho da roupa que me serve.

Outro aspecto da minha escolha é meu gosto pessoal. Como gosto do amarelo, tenho uma camisa dessa cor. Não gosto de roxo, por isso, meu armário não tem camisas dessa cor. Obviamente só visto roupas que gosto.

Não sou lá de seguir muito a moda e as tendências modernas de se vestir, mas não saio de casa sem ter um mínimo de bom senso na combinação das cores que visto. Aí vejo outra limitação que é como vou ser visto pelas pessoas com as quais trabalho. Não quero ser ridicularizado nem parecer um "ogro" diante das pessoas.

Levando tudo isso em consideração. Melhor dizendo: sendo influenciado por todos esses fatores, escolhi a camisa amarela. A pergunta é eu agi de modo livre? É óbvio que eu não fui coagido por alguém apontando uma arma na minha cabeça me obrigando a vestir a camisa amarela. Mas meu gosto pessoal, o ambiente de trabalho, meu tamanho e o tamanho da camisa e a moda me influenciaram a tomas essa decisão.

Será que eu poderia escolher outra cor de camisa? Lógico que poderia. Mas essa outra escolha seria isenta de influências?

No que diz respeito à salvação da alma, não há tantas diferenças assim. 

A Bíblia declara que a inclinação do homem, sem a influência do Espírito Santo de Deus é de ser Seu inimigo, inimigo de Deus (Romanos 8:7). Isso significa que há uma força que nos leva para longe de Deus, que nos afasta de Deus. Além disso, nossas atitudes são inimigas da santidade de Deus. Ratificamos essa força interna, cometendo atos que nos afastam ainda mais de Deus (Tiago 4:1-4). Outro fato importante nessa relação do homem com Deus é o fato de Deus ser espírito (João 4:24) e que as coisas espirituais somente são discernidas de modo espiritual (1 Coríntios 2:14-15). O problema é que, espiritualmente, o homem está morto para Deus (Efésios 2:1-2).

Mas o que, para mim, é definitivo na questão da liberdade do ser humano são certas declarações de Jesus Cristo que deixam claro a incapacidade do homem voltar-se para as coisas de Deus. Em João 8:44 o diagnóstico do Mestre é que as pessoas querem satisfazer as vontades do pai delas, o diabo. Outra declaração de Jesus é que as pessoas não querem ir até Ele para terem vida (João 5:40). Nossa liberdade é limitada pela ação da natureza de pecado que em nós opera.

Há outros textos que poderiam ser citados, porém vamos ficar por aqui nessa série. Se Deus permitir, o próximo texto vai continuar a abordar esse tema da liberdade de escolha que, infelizmente, nunca é para o Bem.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 1

Talvez pouca pessoas leiam esse primeiro post de 2014. Principalmente pelo tema que me proponho a escrever. Infelizmente, tenho amigos e irmãos, na minha própria igreja local que jamais leriam algo relacionado com o calvinismo. E, a impressão que tenho, é que a maioria dos que assim procedem, o fazem por puro preconceito. Em parte, isso é culpa dos próprio calvinistas. Eu mesmo já fui vítima do meu calvinismo. A impressão que tenho é que estou escrevendo mais para mim mesmo, a fim de rever a forma como vejo a Bíblia.

O Presb. Solano Portela enumera cinco pecados que ameaçam os calvinistas - poderiam ser citados mais - e acho que já caí nos cinco ao longo da minha vida. Hoje, graças a Deus, deixei a beligerância e não tento mais convencer as pessoas sobre a soberania absoluta de Deus ou a predestinação. Contudo, nunca me furto a uma boa conversa sobre esses assuntos. É bem verdade que a imagem que as pessoas fazem dos calvinistas é aquela de uma pessoa sisuda, intolerante, fundamentalista e conservadora.

O Dr Augustus, um dos calvinistas mais conhecidos do Brasil, concorda com isso (leia aqui). Mas há um ressurgimento do calvinismo no mundo todo e no Brasil não é diferente. Talvez você não saiba do que tem acontecido nos bastidores. Mas tem muita gente estudando e tentando entender o calvinismo. A Editora PES tem como um de seus maiores clientes igrejas e seminários da Assembleia de Deus. Essa editora é especializada em literatura de teologia reformada.

Quando comecei estudar a Bíblia, o meu calvinismo também era só o da predestinação. Inclusive a dupla predestinação: para o céu e para o inferno. Depois descobri que estava errado, pois Deus não predestina ninguém ao inferno. Ao céu sim. Mas ao inferno, o homem vai sozinho e sem ajuda divina. Depois disso, caí no hipercalvinismo: já que Deus predestinou tudo, então não precisava estudar a Bíblia (de alguma maneira eu iria aprender); não precisava mais evangelizar (os predestinados de alguma maneira serão alcançados); nem precisava orar (já que tudo acontece quando e como Deus quer) mais. Errei de novo.

Não fui calvinista desde criança. Pelo contrário. Minha convicção (e resposta num estudo bíblico sobre salvação na juventude) era a de que estava salvo porque tinha aceitado a Jesus, confessado publicamente e repetido algumas palavras na frente da igreja. Eu era bem responsável pela minha salvação. E ai de mim se não me esforçasse. Eu poderia perder a minha salvação. 

Com o passar do tempo deixei essa maneira de pensar - conhecida como arminianismo - e passei de modo completamente diferente. Não foi fácil. Lutei comigo mesmo, com o Senhor, com a Bíblia. Lutei com escritores modernos e com escritores antigos. Ouvi pregações de ambos os lados. Conversei com muita gente. Ouvia muito até formar minha maneira de pensar. Sempre esteve na minha mente e coração: tenho que pensar do jeito que a Bíblia ensina. E essa foi (e tem sido) minha busca na teologia.

Sou calvinista sim. Isso significa que...

(1) acredito que Deus é absolutamente soberano sobre tudo e todos e nada que aconteça no mundo foge dos Seus olhos ou do Seu controle. Se estou escrevendo agora é porque Ele quis que eu escrevesse desde toda a eternidade e providenciou os meios para que isso acontecesse;

(2) acredito que sou absolutamente responsável por todos os meus atos. Eu não peco sem querer e nem porque Deus predestinou que eu pecasse - Ele não é responsável pelos pecados que cometo. Todas as minhas escolhas sou eu que as faço. E as decisões que tomo, infelizmente, são manchadas por minha natureza pecaminosa, embora o sacrifício de Jesus Cristo tenha me libertado do domínio do pecado;

(3) acredito que se Deus não tivesse me amado primeiro eu jamais teria como amá-lO. Se meu coração de pedra não tivesse sido trocado antes, eu jamais teria me voltado para Jesus Cristo. Deus mudou o meu coração, regenerando-me para uma viva esperança, só depois disso foi que passei a amar e a desejar conhecer e ter Jesus Cristo como meu Senhor e Mestre;

(4) acredito que Jesus Cristo morreu e que isso foi suficiente para minha salvação. Eu não preciso fazer mais nada para ser salvo. A morte de Jesus Cristo é tão eficaz que garante a minha salvação do começo ao fim. Ao me substituir na Sua cruz, Jesus também me incluiu nela, fazendo-me morrer para minha velha vida, para o pecado e para a morte. A obra de Jesus Cristo está consumada, como Ele mesmo disse;

(5) acredito que minha salvação está garantida e que meu destino também está selado da mesma forma. Ainda que eu venha me desviar, o Pai vai me preservar salvo para Sua própria glória. Minha certeza é que estou salvo para sempre. Mas isso não faz de mim um cristão indolente e preguiçoso. Eu não descanso nessa promessa com quem está debaixo de um coqueiro, sentindo a brisa no rosto. Tenho convicção que nada vai me separar do amor de Deus.

Por ser o primeiro post sobre esse assunto, essas informações bastam para situar as pessoas que não sabem o que um calvinista pensa. Há muito preconceito na igreja de Jesus Cristo. Mesmo pessoas que frequentam igrejas mais contextualizadas (como a minha por exemplo), não conhecem direito essas coisas. é por amá-las que escrevo essas coisas.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Há dez anos atrás

Há exatos dez anos atrás eu passava o dia mais triste da minha vida: passei o Natal de 2003 sozinho, numa cidade litorânea. Eu e um peru que comprei para comer. Deixei a ave assando no forno, desci, andei pela praia e voltei. Antes de comer, orei e perguntei ao Senhor o que estava acontecendo comigo. Não lembro de ter recebido uma resposta.

Mas quanta tristeza. Não tinha ninguém com quem dividir. Mas eu também não tinha nada para dividir. Vivia um verdadeiro deserto. Não tinha esperança de nada mais: triste com minha igreja local, pouquíssimos amigos, profissão sem perspectiva, sem namorar já fazia muito tempo. Enfim, dava dó!

Depois de ter comido uns pedaços do Peru, desci para a praia a fim de ver alguém. Vi algumas pessoas, mas a tristeza continuava dentro de mim. Resolvi voltar para o apartamento e dormir. No dia seguinte, logo cedo, esquentei um pouco da carne do peru do dia anterior, comi meu café da manhã. Organizei o lixo, e sobrou muita carne, joguei fora, peguei minha mala e voltei para casa. Nada tinha mudado. E daquela experiência, pelo menos naquele momento, não tirei nada de útil.

Hoje, 2013, dez anos depois, estou na mesma praia, no mesmo apartamento, só que acompanhado da minha esposa e meus sogros. Como louvo a Deus por Ele ter colocado essas pessoas na minha vida! Como sou feliz ao lado deles! Deus restaurou minha alegria. Quase não tenho lembrança daquele fatídico Natal de 2003.

No Natal lembramos o nascimento de Jesus Cristo - ainda que na Bíblia não tenha essa prescrição. Mas Ele nasceu para morrer. E Ele morreu para me salvar, para me colocar no caminho do céu. Se não fosse por Ele, diretamente e na vida dos que estão comigo hoje, certamente eu não estaria aqui. É só porque Ele morreu e decidiu me amar é que estou aqui.

Bendito seja o Senhor Jesus Cristo e que Ele nasça no coração dos Seus eleitos! Feliz aniversário do Senhor Jesus Cristo!!!!! 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um amigo querido está estudando as questões sobre livre-arbítrio e salvação. Animei-me em conversar com ele, ainda que de modo virtual. Essa é a resposta que escrevi a ele sobre suas indagações. Creio que pode ser útil para outras pessoas interessadas no assunto.

Quando tomei contato com essas doutrinas também me questionei isso. Mas veja que todos, sem exceção, merecem o inferno. Deus não tinha – e não tem – obrigação de salvar ninguém. O parâmetro de Deus nas Suas escolhas é Ele mesmo. Pois sendo perfeito e bom, não existe parâmetro melhor que a própria Trindade.

Ninguém é capaz de se arrepender a não ser que seja convencido pelo Espírito Santo e conduzido pelo próprio Deus ao arrependimento (Romanos 2:4). Lembre-se que a inclinação natural da carne é inimizade contra Deus e, portanto, por nós mesmos, sem a ação de Deus não seríamos capazes de nos voltar para Deus.

Não somos programados para fazer o “bem” ou o “mal”, o pecado da nossa natureza nos inclina SEMPRE para o mal: “Não há um justo se quer, ninguém que faça o bem”. É preciso entender que esse bem está relacionado com a capacidade de nos voltarmos a Deus. A nós isso é impossível, a não ser se houver a influência do Espírito Santo. Por que precisamos participar da salvação? Em Jonas 2:9, lemos que “a salvação pertence ao Senhor”. Ao mancebo de qualidade Jesus disse que o que era impossível para os homens é possível para Deus. Agora, sendo Deus perfeito, bondoso e amoroso para conosco, qual seria o problema se fôssemos programados por Ele! Se Deus fosse um ser qualquer, aí sim seria temerário ser programado por Ele.

Mas não é esse tipo de Deus que os calvinistas veem na Bíblia. Certamente, o deus que você descreveu é humano demais e não é o Deus da Bíblia. O problema de não se reconhecer o próprio pecado é porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não se resplandeça a luz”. Os sentidos estão embotados não por Deus, mas pelo pecado. Lembre-se que, sem Cristo, os homens estão “mortos nos seus delitos e pecados”, espiritualmente mortos. Ora, “as coisas do Espírito são discernidas espiritualmente”, como o homem natural pode entender as coisas de Deus? A não ser que haja uma radical operação regeneradora do coração humano, segue-se a máxima de Jesus de João 5:40, “vós não quereis vir a mim para terdes vida”.

Estar disposto a ser iluminado pelo Espírito Santo envolve, talvez, sermos confrontados nas nossas convicções. Você está disposto a se reconhecer errado, caso isso venha ocorrer? Você analisa com isenção suficiente as duas explicações sobre salvação? Está disposto a estudar sem ideias pré-concebidas?No final das contas a sua salvação depende de quem: de Deus que te amou ou da escolha que você fez? A quem você agradece quando está de joelhos aos pés do Mestre? A sua salvação é sua porque você se esforça para mantê-la? Ou é apenas pelos méritos de Cristo que você se mantém salvo? Aliás, é você que se mantém salvo ou é o Senhor Jesus Cristo que preserva você salvo? Essas são perguntas que precisam ser feitas com sinceridade ao nosso coração.

Não faz sentido nós compararmos a justiça de Deus com os nossos padrões de justiça. A salvação, por um lado, não tem sentido mesmo: desobedecemos a Deus, somos pecadores na nossa natureza e endossamos o pecado com nossas ações todos os dias; a Bíblia nos chama de “inimigos de Deus” e mesmo assim Ele resolve pagar o preço que nós deveríamos pagar e resolve nos amar e salvar para Si mesmo. Como isso se explica? Que sentido tem em Deus salvar gente que o afronta todo dia?! Lembre-se que nós só O amamos “porque Ele nos amou primeiro”. A pregação do evangelho é nossa obrigação, mas salvar quem nos ouve é prerrogativa de Deus. É o Espírito que “convence do pecado, da justiça e do juízo”. Lembre-se que Jesus era seguido por uma multidão, mas Ele mesmo não confiava neles, “porque conhecia o coração deles” (João 2:24).

Eu não tenho capacidade de mudar o coração de uma mulher e tornar esse coração favorável a mim. Mas Deus tem capacidade de “trocar o nosso coração de pedra, por um coração de carne” e Ele efetivamente faz isso. Deus não precisa Se sentir amado porque Ele é suficiente em Si mesmo. Nesse sentido, acho que essa comparação não pode ser aplicada aqui. Ora, Jesus pregou em inúmeras cidades e ninguém foi convertido. Veja o exemplo da mulher que foi pega em adultério. Naquele episódio quem precisava de salvação? A adúltera e os seus acusadores; ambos careciam da graça divina para salvação. Mas Jesus deixou aqueles homens irem embora e só tratou do perdão da mulher. O pecado daqueles homens foi exposto publicamente por Jesus, eles reconheceram que estavam em pecado e mesmo assim Jesus os deixou irem embora.

Se eu tiver alguma participação na minha reconciliação, para que então Jesus teve que morrer no meu lugar? Se eu, de alguma forma, participo da minha salvação, eu não precisaria de Jesus! Eu tenho alguma de boa para apresentar diante de Deus que me favoreça diante dEle? A motivação para eu pregar o Evangelho é porque Deus salva e Ele só salva se as pessoas ouvirem a Palavra de Deus. A minha motivação é porque Deus é cumpridor da Sua Palavra e Ele garantiu que, se Sua Palavra for pregada, as pessoas seriam salvas. A minha motivação é que Deus tem um povo e aqueles que fazem parte desse povo precisam ouvi-lO através da nossa pregação. Eu não sei quem vai ser salvo, mas Ele sabe. E Ele é fiel e capaz de cumprir Suas promessas.

A pergunta é quem pode crer? Quem pode crer em Jesus de modo salvífico? Se tomarmos o capítulo 2 de Efésios, versos 8-9, vemos que somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós. Perceba que existem três elementos envolvidos aqui: FÉ, GRAÇA e SALVAÇÃO. E o ensino do apóstolo é que isso não vem de nós. Não somos nós que produzimos esses três elementos. Temos isso tudo porque isso tudo nos foi dado. Fé para crer que minha mulher me ama é completamente diferente de crer que Jesus Cristo é meu salvador.
 

Perdoe-me pela longa resposta, mas quero muito continuar essa conversa com você. É muito bom conversar com quem pensa, com quem estuda. Um grande abraço, Marcos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Os cultos do final de semana

Este final de semana fui a alguns cultos. Um deles aconteceu na casa de um amigo e na minha casa. Um deles foi em um cemitério e o último deles foi numa convenção de tatuadores. Não participei de todos eles, mas, pelo menos, fui a eles.

Isso é bem interessante: você participa dos cultos em que comparece? Se bem que há várias possibilidades e maneiras de participar. Quando vou a um show, participo do show? Eu não subo no palco, não toco e não canto com a banda, mas de alguma maneira eu acabo participando do show. E de um culto? Será que podemos, passivamente, participar de um culto a Deus?

Hoje em dia, percebo muitos cultos acontecendo no dia a dia. Nas academias, o culto é ao corpo, forma física e a aparência. O que move esse culto é o exibicionismo, a necessidade de ser percebido e o ego. Nos restaurantes, o culto é à gastronomia. A motivação para esse culto nem sempre é a necessidade de se alimentar. Mas os elementos desse culto são prazerosos: cheiro, cor, textura, ambiente, bebida, temperatura são alguns dos componentes desse culto.

O culto à memória dos que faleceram é muito forte. A lembrança dos que partiram, do legado que deixaram é muito presente nas culturas. O interessante é que um tema como a morte evocar tanta manifestação. A pessoa pode ser uma desconhecida na multidão, mas sempre tem alguém que se manifesta. É muito triste quando uma pessoa morre na solidão da vida, sozinha e abandona. Quando vamos a um cemitério isso fica muito evidente.

Ninguém cultua o que não aprecia ou o que não conhece. Até ateus prestam seu culto, seja para a intelectualidade, para o conhecimento, para a família, etc. Não tem jeito. O ser humano é um cultuador. Através do culto a pessoa se conecta com o cultuado e estabelece uma relação de existência com seus pares.

Um dia, uma mulher perguntou a Jesus Cristo onde era o lugar correto de se prestar um culto a Deus. Jesus respondeu dizendo a ela sobre a atitude que o cultuador a Deus deve ter. Não é num monte nem em um templo, mas com um coração que seja aceitável a Deus.

O cadáver enterrado não participa do culto que lhe é prestado. A comida ingerida no restaurante nem sabe que está participando de um ritual. A academia pode estar vazia, mas fico me olhando e me admirando na frente do espelho. No culto a Deus não tem jeito, eu e Ele temos que estar presentes. No meu caso, meu coração deve estar do jeito que Ele prescreveu, "em espírito e verdade". Se eu estiver de outra forma tentando cultuar a Deus, mesmo assim Ele estará presente, mas dificilmente vai gostar do que vai receber.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Homem é homem. E rato é rato!

 Volta e meia somos pegos por reportagens e notícias bombásticas sobre os mais variados assuntos. E, particularmente, assuntos relacionados às questões bioéticas, sempre chamam a atenção. Hoje em dia o assunto em pauta é a pesquisa com uso de animais. Pode ou não pode? Existe fiscalização? É necessário? Já existem meios alternativos? Essas são questões colocadas na ordem do dia.
 
Logo que os últimos acontecimentos ficaram conhecidos, muita gente, nas redes sociais, saiu em defesa dos animais e outro tanto de gente saiu em defesa das pesquisas. Vimos mais uma vez nesse país, ações violentas e agressivas por parte de gente ativa na defesa dos animais. O caso da Royal é apenas mais um em que os manifestantes querem resolver o assunto na porrada. Parece-me que isso está virando moda no Brasil. Infelizmente.
 
Essa agressividade parece ter invadido também o campo das ideias. Os ativistas defenderam seus pontos de vista com bastante veemência e algumas conversas que participei, o tom era sempre o mesmo: cancelamento total e imediato de todas as pesquisas que usam animais. Mas pensar dessa maneira é animalesco, uma vez que não há medida das consequências de um ato com esse.
 
A pergunta que sempre faço - e ainda não consegui obter nenhuma resposta inteligente é o que os ativistas fazem quando precisam de analgesia para alguma dor. Será que passear com os animais de estimação causa analgesia? Alguma mulher ativista, em TPM, resolve não tomar nenhum tipo de remédio? Ativistas acometidos de câncer, fazem o quê, só brincam com os animais? Quando somos contra alguma coisa de modo indiscriminado, podemos exagerar nas nossas avaliações e "jogar fora a água da banheira junto com o bebê".
 
Do ponto de vista evolutivo, não existem privilégios para a espécie humana, mesmo que essa seja considerada a mais inteligente. Mas é inegável que existe uma dignidade (não sei se é essa a palavra!) diferente entre humanos e animais não humanos. Não consigo entender como o mesmo direito dos animais se aplicaria a pessoas "menores" e "interditados". O Direito não olha para os humanos do mesmo jeito que olha para os outros animais. A Psicologia também, apesar de crescer mais e mais o número de psicólogos especializados em animais não humanos.
 
E se considerarmos a religião, vemos a mesma coisa. A própria Torá, nos mostra que Deus estabeleceu uma diferença entre nós e os outros animais, fazendo-nos à Sua "imagem e semelhança" e Se relacionando conosco de uma forma diferente de como Se relaciona com as demais criaturas. Aos humanos, Deus deu a ordem de dominar sobre os animais de todas as espécies e de cuidar do Jardim do Éden. Isso não significa que Deus autorizou o homem a ser um déspota sanguinário e inconsequente no trato com os animais.
 
Qual é a ética entre os animais não humanos? Existe moralidade entre eles? Qual é o ethos que rege a convivência dos animais não humanos? Se estudarmos o comportamento, por exemplo, de chimpanzés, veremos muita semelhança comportamental. E até há quem extrapole essas semelhanças para emoções e questões sociais. Uma vez que seja questionável o aspecto moral nos animais não humanos, entre nós, essa questão está bem estabelecida. Somente agora especialistas em comportamento de primatas, por exemplo, têm desvendado comportamentos dos macacos parecidos com o nosso. Darwin talvez dissesse que é o nosso comportamento que se parece com o deles.
 
Os direitos dos animais são respeitados por todos os comitês de ética das universidades em que são feitas pesquisas com uso deles. Inclusive os comitês de ética são bem rigorosos nesses acompanhamentos, muitas vezes vetando algum tipo de pesquisa que não esteja de acordo. O CONCEA existe justamente para essa finalidade. Na minha experiência pessoal, na graduação e depois de formado, vi muitos casos que projetos de pesquisa foram revistos por causa dos comitês de ética das universidades.
 
Outro problema que vejo é a falta de alternativas. Quais são as alternativas apresentadas pelos ativistas da causa dos animais. O discurso que mais aparece para os cientistas pode ser resumido na seguinte frase: "Virem-se. Não queremos o uso de animais, então desenvolvam outras técnicas." Isso é muito fácil falar. Mas quando inúmeros estudos sérios já estão em andamento, não é possível simplesmente parar anos de estudos para achar novas técnicas. Por que os ativistas não se debruçam sobre a bancada nos laboratórios e criam essas novas técnicas?
 
Portanto, há que se ter muito equilíbrio quando discutimos essas questões. Não podemos forçar os argumentos para nenhum dos lados. Ninguém, em sã consciência, é favor que a vida seja maltrada, seja a vida humana ou dos outros animais. Ninguém usaria animais de estimação para pesquisas científicas. Mas existem animais que por anos têm sido usados nas pesquisas com resultados benéficos para a saúde humanos. Temos muitos exemplos: insulina para uso humano, remédios para câncer, analgésicos entre muitos outros casos.
 
Se os direitos são iguais entre seres humanos e não humanos, por que os deveres não deveriam ser iguais também? Que os animais não humanos tarabalhem e ganhem o seu próprio sustento. Quando um animal carnívoro, como os cachorros, são alimentados com vegetais por seus donos, eles deveriam protestar na Avenida Paulista às 18 horas por melhores condições de alimentação.
 
Afinal de contas, você é um homem ou um rato?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mais uma reportagem desastrosa

Esta semana, a Veja São Paulo publicou uma reportagem entitulada A "cura gay" nos templos da fé. Pelas três frases destacadas na capa da revista, suspeitei do leria mais tarde. Dito e feito. Quem escreveu a reportagem, João Batista Jr., apesar do nome bíblico, não conhece a cristianismo brasileiro.

No meio da reportagem (p. 38 e 39) há 7 diálogos em destaque que o repórter teve com os pastores das igrejas visitadas. Na reprotagem, um dos parágrafos começa "Na semana passada, VEJA SÃO PAULO ouviu frases como essas em um périplo por dez igrejas evangélicas da metrópole das mais variadas vertentes." (grifos meus). Se ouviu, não publicou e, portanto, não deveria ter escrito o que escreveu. As citações na reportagem e as igrejas visitadas são todas da vertente neopentecostal. Vertente essa que tem deturpado e trazido muitos problemas para o evangelicalismo brasileiro.

Não apenas do ponto de vista teológico, mas também no aspecto sociológico, essa vertente do cristianismo tem feito um verdadeiro estrago. Pastores e estudiosos como Paulo Romeiro e Augustus Nicodemus, apenas para citar dois nomes, têm analisado o impacto da doutrina e dos ensinos dessas igrejas entre os cristãos. Por isso mesmo não vou falar deles.

Mas o que me chamou a atenção na reportagem é justamente a ineficiência do repórter em mostrar o que o cristianismo pensa da homossexualidade. Todas as pessoas, de todas as eras e em todos os lugares, seguem uma ética, pessoal ou coletiva. No caso dos evangélicos, seguidores da Bíblia como são, seguem o que ela ensina a respeito da vida. Quanto à homossexualidade, a Bíblia diz que isso é pecado, como também o são, o roubo, o assassinato, a fofoca, a poligamia, desonrar os pais, entre outros.

O que o repórter, hábil e maldosamente, deixa para a interpretação do leitor é a associação de todos esses pecados com a vida de quem os comete. "Segundo ele [o pastor entrevistado], na escala das malfeitorias, um homossexual está na mesma categoria do ladrão, do assassino, do viciado em drogas e do adúltero. Todos são pecadores mortais." (p. 38). O que o repórter talvez não saiba, é que a Bíblia ensina que "todos pecaram" e por isso "são carentes da glória de Deus" (Romanos 3:23). Além do fato que "Deus encerrou a todos debaixo da desobediência para usar de misericórdia com todos" (Romanos 11:32).

O que o repórter e a sociedade ainda não entenderam é que o fato da Bíblia denunciar o pecado, não significa que o pecador está sem esperança. Os cristãos não devem escolher contra quais pecados pregar. A mesma veemência que usamos para combater a homossexualidade, as drogas, o sexo fora do casamento, devemos usar para combater a mentira, a maledicência, o roubo, a injustiça social, etc e etc. Quando a igreja bate demais contra a homossexualidade e, deliberadamente, deixa os outros pecados de fora, faz as pessoas interpretarem errado a sua função no mundo. Jesus Cristo disse que seríamos Suas testemunhas e Ele próprio, combateu toda a forma de pecado.

Outra coisa que o repórter precisa entender - e a sociedade também - é que a Bíblia não vê gradações para o pecado. Diante de Deus não existem "pecado, pecadinho e pecadão". Essa escala de valores existe para nós, pecadores, porque queremos aliviar o nosso lado diante de Deus. Assim, se eu roubei R$ 0,50 e mereço menos rigor que os ladrões do Banco Central. A apóstolo Tiago, em sua carta, ensina que aquele que erra em um ponto da lei, é como se tivesse errado em todos (Tiago 2:10). Portanto, o padrão de conduta do cristão deve ser muito mais elevado, do que simplesmente ser contra uma prática homossexual. Por isso, toda forma de pecado é mesmo considerada um caminho de morte pela Bíblia.

Portanto, João Batista Jr., minha sugestão é que você seja um pouco mais cuidadoso com suas palavras. Uma vez que existem muitos evangélicos que pensam de modo diferente daqueles que foram citados. E esse é outro problema da reportagem. Pelo que se lê na revista, existem apenas dois lados - extremados - nessa discussão: os que são totalmente contrários e os que conciliam o cristianismo e a homossexualidade. O que o repórter precisa entender é que existe uma massa de cristãos que não tem a mente tacanha dos pastores entrevistados e nem possui o desvario das pastoras lésbicas citadas na reportagem. E esses ficaram de fora da reportagem.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...