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sábado, 1 de junho de 2013

A vaidade nossa de cada dia

Lucas 8:17  Nada há oculto, que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado.

Eclesiastes 1:2  Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.

A Bíblia é um livro do qual muitas pessoas fogem. Há os que fogem de modo inconsciente. Fogem porque não a conhecem, não sabem como devem lê-la. Mas há outros que fogem da Bíblia de modo muito consciente. E, infelizmente, alguns destes que fogem da Bíblia, são justamente os que a conhecem. Nós que lemos e estudamos a Bíblia com uma certa frequência, somos confrontados com nossos pecados. Pois essa é uma das funções da Palavra de Deus: mostrar o que está oculto e escondido.

De acordo com Jesus, mais dia, menos dia, o que está oculto vai ser revelado. Portanto, enganamo-nos a nós mesmos se queremos esconder alguma coisa em nossos corações. Diante de Deus "todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas." (Hebreus 4:13). Esse é um dos versículos dos quais fugimos, tentamos esquecer, passamos por cima das nossas leituras. Quando refletimos que haveremos de prestar contas a Deus, somos obrigados a lembrar que não perdoamos "a todos os que nos têm ofendido". Somos forçados a lembrar do pecado oculto do nosso coração que ninguém conhece, mas que teimamos em largar porque gostamos de praticá-lo.

 Quando refletimos com a Bíblia aberta, somos obrigados a reconhecer que nosso pecado nos dá prazer no momento que o cometemos, para então, só depois dele consumado, reconhecermos que não deveríamos tê-lo praticado. É só depois que pecamos que sentimos nojo do pecado. Mas muitas vezes não fugimos dos nossos pecados e até os buscamos. Nesse momento em que escrevo minhas memórias teimam em me fazer dos meus desejos pecaminosos. E a Bíblia continua ecoando a sentença na minha cabeça: PECADOR, PECADOR!!!!!


 É aquele desafeto no meu trabalho que não quero perdoar - quem sabe um desafeto na igreja da qual sou membro, ou um parente da minha família que eu não gosto. Quem sabe é o nome que você construiu ao longo da sua carreira. De repente, você se orgulha das convicções que tem sobre a vida que te fazem sentir melhor do que outros. Você já se pegou achando que está sempre certo nas suas conversas com seu cônjuge ou com seus filhos! Você já percebeu que tudo tem que ser feito do seu jeito, da sua maneira e é incapaz de perceber que outras pessoas podem ter ideias melhores que as suas? Quantas vezes vocês fala coisas que um filho de Deus não deveria falar? E mesmo assim, arrogantemente diz que isso mesmo, no momento de raiva ou de descontração fala dessa maneira.

 Sabe o que é isso: TUDO É VAIDADE! Vaidade nossa que nossa opinião é melhor que a do cônjuge. Vaidade nossa que somos mais importantes do que realmente somos. Vaidade nossa que achamos que o outro precisa mudar para nós mudarmos. Vaidade nossa que achamos que já melhoramos em muita coisa e não temos mais que mudar. Vaidade nossa que achamos que podemos conviver com sentimentos de raiva e ira no nosso coração. Deus odeia essa atitude! Nós temos vaidade das nossas convicções e de como as defendemos numa conversa. É vaidade nossa dizermos que somos cristãos e não damos a outra face. É orgulho cristão não ajudar o necessitado, simplesmente porque achamos que tal pessoa pode "se virar sozinho", ou porque "se eu não fizer, alguém vai fazer".

Por que não nos livramos definitivamente daqueles pecados ocultos? Talvez porque sejamos mais fracos que esses pecados. Talvez não largamos nossos pecados porque ainda não buscamos a Deus como devemos. Tenho conhecido muitas pessoas que não abandonam os pecados porque não querem mudar o estilo de vida. Muitos desses não têm coragem de mudar porque se acostumaram a essa situação e vivem no conforto do pecado. As consequências ainda não são graves e é confortável viver desse jeito. Muitas pessoas não querem mudar de vida porque não conhecem outro tipo de vida. É pecado atrás de pecado e vaidade em cima de vaidade.

Cabe refletirmos nisso ouvindo a música do João Alexandre - Vaidade
 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você é evangélico(a)?

Acho que ninguém gosta de ser rotulado. ―Você é isso ou aquilo! Quem gosta de ouvir essas coisas? Apesar do fato das pessoas não gostarem de ser rotuladas, infelizmente, nesses dias pós-modernos, a sociedade vive uma terrível crise de identidade. Ninguém mais sabe o que é. A crise não é saber quem se é. Isso também é um "presente" da pós-modernidade. As pessoas precisam ser uma "metamorfose ambulante", porque, do contrário, seriam rotuladas de quadradas, retrógradas, caretas e por aí vai.

O mesmo ocorre na igreja evangélica. 

  • Tem gente que se diz evangélica que bebe cerveja, vinho e destilados e evangélicos que colocam essas bebidas na conta do pecado e proíbem o seu consumo. 
  • Tem gente que se diz evangélica que fuma cigarro, cachimbo e charuto e tem evangélico que não admite esse tipo de comportamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que sai de balada, fica até de manhã em raves e tem evangélico que acha isso um absurdo!
  • Tem gente que se diz evangélica e tem uma ou um monte de tatuagem pelo corpo e tem evangélico que diz que tatuagem é do diabo.
  • Tem gente que se diz evangélica que escuta heavy metal, forró, axé, bossa nova, MPB e tem evangélico que só ouve música evangélica.
  • Tem gente que se diz evangélica, casados, que frequenta o motel e passa boas horas lá dentro e tem evangélico que diz que o motel é local de adultério.
  • Tem gente que se diz evangélica que fala que sexo é só depois do casamento e tem evangélico que faz sexo antes do casamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que é contra o casamento entre homossexuais e tem evangélico que defende esse casamento.
  • Tem gente que se diz evangélica que é contra o aborto, porque aborto é pecado e tem evangélico que pode abortar sem ser pecado.
  • Tem gente que se diz evangélica e proíbe a televisão em casa e tem evangélico que não vive sem uma novelinha para acompanhar.
  • Tem gente que se diz evangélica que lê todo o tipo de literatura e tem evangélico que só lê a Bíblia e mais nada.
  • Tem gente que se diz evangélica e compra tudo dentro da legalidade e tem evangélico que compra e vende produto pirata.
  • Tem gente que se diz evangélica que no domingo à noite vai ao teatro, cinema, restaurante ou a alguma casa de show e tem evangélico que, se não for à igreja no domingo à noite, sente que está pecando contra o Senhor.
  • Tem gente que se diz evangélica que estuda a Bíblia, faz cursos, participa de congressos e tem evangélico que diz que "a letra mata".
  • Tem gente que se diz evangélica que vai à igreja constantemente e tem evangélico que já desistiu de frequentar uma igreja local.
  • Tem gente que se diz evangélica que já leu a Bíblia inteira mais de uma vez e tem evangélico que não consegue localizar a carta aos Romanos.
  • Tem gente que se diz evangélica e acredita em todos os milagres de Jesus Cristo e tem evangélico que desconfia até que Ele tenha existido.
Por favor, me responda uma pergunta, você é evangelico(a)?

quarta-feira, 23 de março de 2011

O par mais romântico do cinema se afundou!!!

Definitivamente o mundo vai de "mal a pior", como diz o ditado popular. E o mundo está assim, em alguns aspectos, porque a Igreja não está influenciando como deveria. Logo depois do Pentecoste, os seguidores de Jesus Cristo foram, pela primeira vez, chamados de cristãos. E uma das suas características é que eles se pareciam com Cristo. Uma descrição muito interessante presente em Atos 17:6 é que os cristãos "transtornaram o mundo".

Quando um crente se refere a "mundo", normalmente ele se refere a um sistema de pensamento e ação que é distante da forma apresentada por Jesus Cristo que viver neste mundo. Com a palavra "mundo" nos referimos a uma conjunto de práticas e formas de encarar a vida que não leva em consideração os padrões do Reino de Deus. E não só isso, pois o padrão do mundo é antagônico, oposto aos valores do Reino de Deus. Enfim, por que tudo isso?

A revista People e a rede ABC realizaram uma eleição para saber, na opinião das pessoas, qual é o casal mais romântico do cinema. E não deu outra. A eleição, com mais de 500 mil participantes, foi para Leonardo Di Caprio e Kate Winslet, em Titanic. O casal Jack e Rose ganhou quase 25% dos votos, enquanto o casal Scarlett O'Hara e Rhett Butler de E o Vento Levou, ficou em segundo lugar com algo em torno de 15% dos votos.


Só para refrescar nossa memória, na história do navio Titanic, dirigida por James Cameron, Jack é um desenhista pobre que se encanta pela rica Rose no convés do navio. Rose é noiva de um rico investidor de Wall Street, mas esse casamento é por interesse de sua mãe que quer resguardar o nome da família que, um dia, tinha sido muito rica. Rose se apaixona pelo pobretão desenhista e, lá pelas tantas, eles acabam transando dentro de um carro no bagageiro do navio. Ela rompe o noivado ainda no navio, que está afundando, para viver sua história de amor com Jack. O navio afunda, Jack morre e ela vai tentar reconstruir sua vida longe do antigo noivo.


Veja o padrão do mundo: o casal mais romântico do cinema nessa votação é formado por uma mulher que é obrigada a se casar com um homem que ela não ama, mas ela transa com um homem que ela acabara de conhecer e por um homem que seduz uma mulher comprometida e transa com ela. 

Definitivamente esse não é padrão da Palavra de Deus.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O meu arrependimento vem de Deus


“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?”                                                                                           Romanos 2:4

            No livro Fé: dom de Deus (Editora PES), Tom Wells começa sua análise, colocando-nos uma situação muito interessante: duas pessoas com históricos de vida semelhantes ouvem a pregação do Evangelho, mas apenas uma só se volta para Cristo. E o livro parte dessa história a partir de uma pergunta Por que isso acontece?
            Por que algumas pessoas ao ouvirem a pregação do Evangelho permanecem com seu coração endurecido e não se voltam para Cristo? Na época de Jesus, quando Ele mesmo pregava, muitos não se voltavam para Ele a fim de serem perdoados de seus pecados. Por que isso acontecia até com a pregação dEle?
            É lógico que o arrependimento dos nossos pecados é nosso. É lógico que somos nós que precisamos de um Salvador. É lógico que temos que exercer a fé em Cristo para perdão dos nossos pecados. Mas a questão é a seguinte: a nossa fé e o nosso arrependimento partem de nós? Em que medida somos nós, sem a influência do Espírito Santo, que buscamos o arrependimento?
            Mas alguém pode dizer que não é sem a influência do Espírito Santo. Quando dizemos que o Espírito Santo nos influenciou é porque fomos “tocados” por Ele e então nos arrependemos. Então esse arrependimento é nosso mesmo?
            Você acredita que nós podemos resistir à ação do Espírito Santo? Você crê que o ser humano tem capacidade de rejeitar o sacrifício de Jesus Cristo, menosprezando a Sua obra? Você realmente crê que o ser humano tem a capacidade de dizer “sim” ou “não” para a obra de Jesus?
            Quando o apóstolo Paulo nos diz que a benignidade (bondade, em algumas traduções) é que nos conduziu ao arrependimento, ele está comparando com um pai que leva seu filho pequeno a dar os primeiros passos. Ou ainda, é a mesma palavra usada para um passeio com o cachorro, que precisa ser conduzido, caso contrário, o animal andará perdido.
            A palavra que o apóstolo utilizou aqui pode ainda ser traduzida persuadir, reger (como um maestro) ou orientar. Isso significa algo muito precioso: é que se não fosse a bondade de Deus eu ainda não teria me arrependido; se o próprio Senhor Deus não Se voltasse para mim, eu jamais me voltaria para Ele.
            Em 1 João 4:19, somos lembrados que só amamos porque Ele nos amou primeiro, ou seja, o meu amor é consequência do ato inicial de Deus, primeiro Ele, depois eu. Na mesma carta ao Romanos, Paulo admite que ele até queria fazer o certo, mas era incapaz por causa do pecado que habitava nele (7:18). E aos filipenses ele escreveu que o nosso desejo de querer realizar alguma coisa e a própria realização também vem de Deus, segundo a boa vontade dEle (2:13).
            Onde ficam então as nossas capacidades e vontades, se elas são determinadas e influenciadas por Deus? Se o primeiro ato da minha conversão – o meu arrependimento – nem parte espontaneamente de mim, por que ainda vivo como se Deus não me influencia nas decisões que tomo! Isso não faz de mim um robô que não tem vontade própria. Mas o fato é que minha vontade é determinada pela ação sobrenatural do Espírito Santo, aplicando a Palavra de Deus na minha vida.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Primeiro a Bíblia. O resto vem depois.


Dizem que a vida começa aos 40. Então nem comecei ainda, mas estou perto de começar. E como somos feitos de fases na vida, percebo que estou passando por uma fase bem importante. Muitas coisas novas têm acontecido - casamento, profissão, igreja - nas três áreas que julgo serem as mais importantes que tenho. Um dia o Nelson Bomilcar me disse que ele renovava os votos do casamento todos os dias. Na época não entendi direito, mas hoje, depois de cinco anos casado, entendo que o casamento é uma construção diária.

Esse ano recebi vários desafios profissionais, como ficar em apenas um colégio, integrar um grupo de professores para um aperfeiçoamento profissional, prestar a prova do Mestrado e começar uma vida acadêmica. Além disso tudo, estamos implementando uma metodologia de ensino de Ciências mais formalizada, mas não rígida. Esse ano os meninos vão aprender habilidades e competências para aprender Ciências. É um desafio e tanto tirar o foco do conteúdo e ensinar o aluno a, simplesmente, pensar de modo científico. O resto, ele vai atrás.

E os desafios na e da Igreja de Cristo. Faço parte da Igreja de Cristo. Aquela Igreja, com "I" maiúsculo, a Igreja invisível para os olhos humanos, mas viva para Deus. Aquela Igreja que é Universal, mas não é a do bispo. A Igreja santa - porque foi separada; perfeita - porque quer viver no vínculo da perfeição que é o amor; imaculada - porque está sendo santificada por Deus; combativa - porque luta contra o pecado, contra o mundo, contra o erro e a mentira.

A Igreja é perfeita, mas eu não. A Igreja é santa, mas eu ainda peco diariamente. A Igreja é única, mas ainda há dentro de mim vozes que teimam querer falar mais alto do que a Palavra de Deus. E no campo da Igreja eu também estou sendo a desafiado. Desafiado a "fazer a coisa direito", a andar duas milhas, a dar a capa e a túnica, a oferecer o outro lado da face. Isso custa, isso dói, isso cansa, isso machuca, porém isso é compensador pois é a Igreja de Cristo, o corpo de Cristo que está sendo edificado.

"De repente" redescobri a Palavra de Deus e o quanto eu a amo. Ela ficou meio escondida no coração, mas não como o salmista a escondeu. Ela estava, na verdade, esquecida no fundo do coração. Lá no fundinho, junto das teias de aranha que vão se acumulando nos recônditos da alma. Não sei onde eu li isso, mas nada como uma crise para um novo despertamento. E ao redescobrir o amor pela Palavra de Deus, lembrei-me que se ela não nortear a minha vida, a desgraceira será certa. Isso tenho aprendido com o Fabiano, uma grande amigo (e bota grande aí - risos).

Com ele tenho redescoberto que se eu não submeter tudo na minha vida à Palavra de Deus, eu vou errar em tudo, no casamento, na profissão e na igreja local. A Palavra de Deus deve realmente ser a palavra final em todas as questões. O que ela diz, deve ser dito por nós. O que ela sugere, deve ser considerado por nós. E onde ela se cala, não devemos questionar. A Palavra de Deus é o "fiel da balança", é a bússola, é a direção, "é a lâmpada para os meus e a luz para o meu caminho". Como amo a Palavra de Deus!!!

Mas há um perigo nisso. A Palavra de Deus fala coisas contrárias a mim. Você já percebeu que a livro mais lido no mundo em todos os tempos - a Bíblia - tem passagens que nos encostam contra a parede, que mostram nossos erros e que mostram que o nosso fim pode ser trágico! A palavra de Deus mostra que se o homem não tomar certas atitudes ele vai para o inferno e, mesmo assim, ela continua sendo o livro mais lido de todos os tempos!!! Aí eu me pergunto: Marcos, você realmente está disposto a crer na Palavra de Deus? Marcos, você realmente está interessado em ter sua vida direcionada por ela?

Querido leitor, se realmente quisermos ter a Palavra de Deus escondida no nosso coração, como o salmista a tinha, temos que ser lembrados sempre: primeiro ela, depois as minhas opiniões, as minhas vontades, as minhas convicções, os meus "achismos". De todos os autores bíblicos que eu li até hoje, nenhum deles pode ser maior que a própria Bíblia. Se algum deles fala ou faz algo que é contrário à Bíblia eu devo tomar muito cuidado. Se a Palavra de Deus está sendo relativizada, há um grande perigo do erro e da queda. Sua autoridade é inquestionável. Sua inspiração é divina e seu alcance é para todas as áreas da minha vida.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Como se encher do Espírito deDeus

 E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito,”                                                                                                         Efésios 5:18

Segundo o Dr Martin Lloyd-Jones, a expressão “enchei-vos” tem a noção de estar encharcado, igual a uma esponja.[1] Quando colocamos uma esponja em contato com a água, ela fica de tal modo cheia de água que não é preciso, se quer, apertá-la para a água sair. A ideia do apóstolo é que a completude do nosso ser seja preenchida pelo Espírito de Deus.
            Paulo se utiliza de uma comparação muito interessante entre a vida controlada pelo pecado e a vida controlada pelo Espírito de Deus. O álcool tem um efeito depressor no cérebro. Isso significa que sua ação faz o sistema nervoso trabalhar de modo mais lento, mais letárgico. Diversas áreas do cérebro são afetadas pelo álcool, por exemplo, aquelas responsáveis pelo movimento, memória, julgamento, respiração, etc. “Em pequenas doses, a substância tem um efeito estimulante. A pessoa fica eufórica e, geralmente, menos inibida”, afirma Denise De Michelis, psicobióloga da Unifesp. Quando a bebida alcança o lobo frontal, surge a sensação de alegria. O sujeito fica mais falante, ainda sem prejuízo do raciocínio. Ao atingir os lobos parietal e temporal, começam os problemas. O sujeito pode cometer um desatino, como cruzar um sinal vermelho.
Esse é o problema: os efeitos imediatos do álcool são a alteração do comportamento de tal maneira que a pessoa passa a não se controlar mais; perde-se a noção do certo e do errado e a pessoa torna-se “corajosa” para tomar certas atitudes que não tomaria em sã consciência. Essas atitudes podem ser desde a pessoa falar coisas que não falaria em outras circunstâncias, até tirar a vida de outra pessoa. Em reportagem, o jornal O Globo relatou que a violência em São Paulo está diretamente relacionada com o uso de bebidas alcoólicas e o porte de arma de fogo. Nada menos do que 40% das vítimas de homicídio doloso têm álcool no sangue e a criminalidade aumenta à noite e nos fins de semana.[2] É bem capaz que o apóstolo Paulo tivesse conhecimento de vários fatos provocados pelo abuso do álcool.
É muito interessante essa comparação, pois a pessoa bêbada não tem controle sobre seu corpo: não é possível andar em linha reta, articular os pensamentos, falar de modo inteligível e, mais terrível ainda, a pessoa bêbada não é capaz de medir as consequências dos seus próprios atos e, simplesmente, age de modo inconsciente. O segundo aspecto dessa comparação é que o abuso do álcool traz contenda. Essa palavra significa disputa, briga, discórdia, luta. Porém, no original grego, a palavra tem a ideia de desperdício e devassidão. É a mesma palavra utilizada por Jesus para descrever o modo de vida que o filho pródigo teve longe da presença de seu pai – luxúria, libertinagem, vida desenfreada, dissolução, lascívia.
Resumindo, o apóstolo Paulo está comparando um estilo de vida controlado pela devassidão, pela discórdia, pelas disputas com um estilo de vida que é controlado pelo Espírito Santo. E, depois de estabelecer essa comparação, o apóstolo passa a explicar como podemos nos encher do Espírito. Nos versículos 19 a 21, vemos que a maneira de nos enchermos do Espírito Santo é vivermos comunitariamente. Ninguém se enche do Espírito Santo sozinho, isolado, separado da comunidade de Jesus.
Encher-se do Espírito é uma experiência comunitária de relacionamento, de doação, de serviço mútuo, de ensino e aprendizagem “uns com os outros”. Em Atos, Lucas descreve que “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum (...) perseverando unânimes todos os dias no templo (...) louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos 2:42-47).
E Lucas, como médico que era, via os benefícios que essa comunhão provocava na vida das pessoas. No versículo 46, ele relata que o coração estava cheio de “alegria e singeleza”. Na Bíblia, o coração é mais do que um órgão. Ele é tratado como a sede do intelecto (Gênesis 6:5), dos sentimentos (1 Samuel 1:8) e da vontade (Salmo 119:2). A vida comunitária abençoa a vida em todas as suas dimensões. O intelecto trata da nossa sanidade mental, do discernimento das nossas ações e decisões que temos de tomar. A comunhão dos santos pode nos prevenir de sentimentos de ira, raiva, rancor, tristeza. Além disso, quando nossa vida está pautada na comunhão “uns com os outros”, eu tenho com quem me aconselhar, com quem dividir meus pensamentos e nunca estarei só.
Mas voltando para a comunhão entre os irmãos, o salmista também reconheceu algo muito importante: é na comunhão dos santos que o Senhor ordena a Sua bênção (Salmo 133:3). Não pode haver afirmação mais clara. Por que muitas vezes deixamos de ter a bênção de Deus? É porque estamos afastados da comunhão uns dos outros. E as bênçãos que deixamos de desfrutar são matérias e espirituais. Lucas relata que na Igreja Primitiva, os irmãos eram assistidos nas suas necessidades (Atos 2:45) e, além disso, a comunhão nos enche de bênçãos espirituais:
·         o Senhor garante a Sua presença (Mal. 3:16; Mateus 18:20);
·         oração em favor mútuo (2 Cor. 1:11; Efésios 6:18);
·         exortação (Col. 3:16; Hebreus 10:25);
·         consolo e edificação (1 Tess. 4:18; 5:11);
·         simpatia e bondade mútuas (Romanos 12:15; Efésios 4:32)

Queridos irmãos, é tempo de nos encher da presença do Espírito Santo de Deus. É tempo de buscarmos a Deus enquanto podemos achá-lo (Isaías 55:6). O profeta adverte para o fato de Deus estar perto. Mas Deus está perto como? Onde? Ele está perto porque está representado na vida dos nossos irmãos. A nossa vida e comunhão deve espelhar o ser de Deus, a Sua essência, as Suas características.
A nossa vida tem que estar tão cheia de Jesus que não precisamos fazer força a vida dEle se manifestar em nós. Igual a uma esponja encharcada que transborda de água sem esforço algum. Como Paulo nos ensina em Gálatas 2:20, a vida que temos agora é a própria vida de Cristo em nós. E ainda mais: uma esponja transborda de água em qualquer parte dela. Isso deve nos fazer refletir para o fato que em qualquer área da nossa vida temos que transbordar da vida do Espírito de Deus. Seja no trabalho, na família, no casamento, nos relacionamentos dos mais diversos níveis, temos que ser reconhecidos como filhos de luz (Efésios 5:8).



[1] Vida no Espírito: no casamento, no lar e no trabalho, Martyn Lloyd-Jones, 1991, Editora PES, São Paulo, SP.
[2] http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/10/01/297957643.asp

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quero virar um religioso!

Ao longo do tempo as palavras vão perdendo seu sentido original. Se o problema fosse só a perda do sentido, não seria tão grave assim. O ruim é quando a palavra assume um sentido completamente diferente da sua origem. Eu poderia citar vários exemplos. Um exemplo que eu já usei aqui foi com a palavra fundamentalista. Hoje essa palavra significa algo danoso para a sociedade. Mas nem sempre foi assim. Em um certo sentido, todo cristão deveria ser fundamentalista (leia aqui).

Gostaria de lhe perguntar algo: você é religioso? Dependendo do contexto em que você vive, a resposta dessa pergunta pode ser muito perigosa. Deixe-me responder a essa pergunta. Eu não sou o religioso que deveria ser.

Como assim? É isso mesmo. Todo cristão deve ser uma pessoa religiosa. A palavra religião tem o sentido de "religar". E ela surgiu num contexto muito simples. As pessoas não tinham mais nenhum contato com Deus, estavam afastadas de Deus e a religião surge, justamente, dessa necessidade de contato com o Criador.


O problema está no que as pessoas transformaram a religião. Hoje uma pessoa identificada como religiosa traz consigo aspectos negativos de comportamento, pensamento, sentimentos e ações que são difíceis de serem aceitos. Mas é difícil aceitar a idéia correta da religião porque nós, como discípulos de Jesus, também perdemos a noção correta do que é ser religioso.


A apóstolo Tiago nem ligou para os religiosos da sua época e botou o dedo na ferida. Ele escreveu que existe uma religião que é pura e sem mácula (você consegue imaginar um religioso de intenções honestas e puras?) e que essa verdadeira religião consiste em dois tipos de ações: (1) visitar órfãos e viúvas e (2) manter-se incontaminado do mal. Veja suas palavras (Tiago 1: 27):


"A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo."

Quando Jesus atacou os religiosos da sua época, ele estava pensando exatamente nisso. Os mais carentes de relacionamento humano (órfãos e viúvas) eram desprezados pelos religiosos e eles mesmos contaminavam as outras pessoas com suas práticas errôneas. Essa prática correta da religião foi instituída pelo próprio Jesus quando ele ensinava como devemos "amar o próximo como a si mesmo".

Hoje em dia, na igreja evangélica brasileira, pastores, pregadores televisos, blogueiros, escritores de livro entraram na onda de abolir a religião. O problema não é abolir a religião. O real problema é que não vivemos a verdadeira religião. O problema é que permitimos que a noção mundana de religião entrasse na igreja e, assim, fomos moldados a essa forma de ver a religiosidade. Ao contrário do que o apóstolo Paulo nos ensinou em Romanos 12:1-2: não devemos adquirir a mesma forma de mundo, mas é nossa obrigação transformar o mundo pela renovação do nosso entendimento.

Se devemos transformar o mundo pela transformação que há em nós, que comecemos por isso então: amparar órfãos e viúvos e nos afastar da contaminação do mundo. As duas ações correm juntas, paralelas, inseparadas. Se flharmos em uma delas, falharemos em ambas. 

Torne-se um religioso, um religioso da religião que Jesus Cristo começou e instituiu.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...