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sábado, 2 de março de 2019

Frank Turek e o seu problema com o livre arbítrio


“O problema é no coração, não na cabeça. Eles (ateus) não querem que seja verdade (que o cristianismo seja verdadeiro).”


“O problema está na vontade.”



Essas duas frases foram ditas por Frank Turek, um importante apologeta do cristianismo[1]. Em seu livro, Não tenho fé suficiente para ser ateu (Editora Vida), ele fornece muitos bons argumentos contra o ateísmo. Mas aqui ele escorregou!



A primeira frase está relacionada com a cosmovisão (visão de mundo) que as pessoas têm. De modo consciente ou não, todos nós expressamos nossas opiniões e tomamos decisões com base naquilo que cremos. James Sire, em Dando nome ao elefante (Editora Monergismo), diz que temos um envolvimento com o coração, ou seja, com o âmago da nossa vontade, e nos comprometemos integralmente com aquilo que cremos. Não é apenas uma decisão racional – e nisso Turek está certo – mas é um envolvimento de tudo o que crê e é. Ainda que não haja consciência disso. Então, Turek conclui que ateus não assumem a possibilidade de o cristianismo ser verdade porque sua cosmovisão aponta o vetor da vida deles para outra direção. Ao assumirem o pressuposto de que Deus não existe, a partir dele, eles tomam todas as decisões da vida. Desde tentar responder sobre a origem da vida até o próximo relatório para a FAPESP ou para o CAPES e até mesmo o paper que escrevem para alguma revista científica qualis A.



Mas Turek comete um outro equívoco. No tempo 1:12, Turek diz que o homem tem livre arbítrio para aceitar ou não as coisas e que Deus nos deu o livre arbítrio. Em 2:24, Turek se contradiz. No início de sua resposta ele afirma que o homem tem livre arbítrio podendo escolher o que quer fazer. Mas depois – em 2:24 – ele diz que o problema está na vontade. Ora, se o homem tem a vontade livre e o problema é a sua vontade, logo o livre arbítrio é um problema. E é mesmo. Simplesmente porque o livre arbítrio, a vontade livre do homem, não existe, é uma falácia.



O problema da resposta dele está nesse pronome pessoal nos. Se por nos Turek entende toda a raça humana pós-adâmica, ele está errado, totalmente errado. Se ele entende esse pronome pessoal como toda a raça humana e Adão, ele ainda estará totalmente errado. Mas se ele entende que que essa palavra, nos, corresponde apenas a Adão e Eva, aí concordamos. Acompanhe comigo a análise dessas três possibilidades.





Toda a raça humana, pós Adão, tem livre arbítrio

A palavra livre significa a capacidade que o homem tem de tomar suas decisões livre de qualquer influência, externa ou interna. Sabemos, pela história da humanidade e por experiência própria, que nenhum homem goza dessa liberdade plenamente. O feto não pode ir para onde quer, mas tem que ir aonde sua mãe o leva dentro do útero. E nem eu e você, que está lendo agora, goza da liberdade de não ter começado essa leitura. Você até poderia ter decidido não ler, mas foi forçado a ler pelo seu interesse, pelo autor, pela curiosidade do assunto, ou qualquer outro motivo que o tenha motivado a isso.



Depois que Adão pecou, sua vontade passou a ser dominada, escravizada nas palavras de Jesus, por uma força maior que ele, o pecado. No livro Os Puritanos e a conversão (Editora PES), Samuel Bolton chama o pecado de “o mal sem par”. O pecado é a força motriz que impulsiona o homem para longe de Deus. É o pecado que transforma a vontade humana em inimizade contra Deus e faz o homem tomar as decisões morais que toma, boas ou más, todas elas manchadas. Quando dizemos que todo homem é totalmente depravado não estamos dizendo que o homem pode ser tão mal quanto o pode em malignidade. Mas asseveramos, à luz das Sagradas Escrituras que não mentem, e à luz que vemos na história da humanidade que todas as áreas da vida humana e suas ações, são vistas por Deus como sujas pelo pecado. O pecado nos transformou como “trapos de imundícia” diante de Deus. Exalamos o cheiro putrefato da morte para as narinas de Deus. Depois de Adão, ser humano nenhuma goza de liberdade e do amor de Deus.



A menos que Jesus Cristo tenha morrido por tal pessoa, é firme a decisão de Deus de condenar essa pessoa ao inferno, ao fogo que “não se apaga”. Se a justiça do Senhor Jesus Cristo não for imputada ao homem, ninguém se salvará. Deus está contra o pecador e Sua decisão de destruí-lo já está tomada, “quem não crer já está condenado” são as palavras de Jesus no evangelho do discípulo do amor. Não há como se salvar sozinho. Nenhum esforço que você empreender vai te favorecer a Deus. Ao contrário disso, se você se aproximar de Deus, no dia do seu julgamento, e disser que quer ser salvo pelo que fez, você terá acendido a ira de Deus e vai ouvir dEle “a minha glória, pois, a outrem não darei”.



Toda a raça humana e Adão têm livre arbítrio

Se Turek pensa assim – pessoalmente creio que não – ele se aproxima de uma heresia já condenada na história da Igreja, o pelagianismo. Pelágio ensinava que “homem natural não é concebido em pecado. Consequentemente, a vontade humana não está presa a uma natureza pecaminosa e suas afeições; apenas as escolhas determinam se alguém irá obedecer a Deus, e assim ser salvo.”[2]



Pelágio cria que não existia diferença entre nós e Adão e que somos tão livres hoje quanto Adão era quando foi criado. Não preciso falar mais do que isso. A história já enterrou Pelágio e ninguém tem poder de ressuscitá-lo.



Só Adão e Eva tiveram livre arbítrio

Aos nossos primeiros pais foi dada a ordem de não comerem o fruto da árvore “do conhecimento do bem o do mal”. Se desobedecessem a Deus, eles morreriam. Assim sendo, eles perderiam a sua condição com a qual foram criados, de viverem para sempre. E foi assim que aconteceu. A imagem de Deus (imago Dei) neles ficou pervertida, deturpada, depravada, manchada pelo pecado que cometeram.



A sentença dada por Jesus é que os homens são “escravos do pecado” e escravos não têm liberdade, não são livres. Em outra parte, Jesus disse para Seus interlocutores que eles não queriam ir até Ele para terem vida, o que denota que eles estavam mortos e, como mortos espirituais, não poderiam ter nenhuma vontade em direção a Deus e muito menos serem livres para exercê-la.



Conclusão

Não podemos ir contra a Palavra de Deus e devemos lê-la a partir do seu todo. Por toda ela, vemos que o pecado do home o afasta de Deus e que o pecado do povo de Deus “faz separação” entre ele e Deus. Além disso, é importante destacar que Deus providenciou um meio para que o homem tivesse esse pecado tirado do meio do caminho e pudesse se aproximar de Jesus Cristo.



A morte e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo garantem ao povo de Deus a sua salvação. A Bíblia mostra em toda a sua extensão que o sacrifício de Jesus Cristo é perfeito, completo e definitivo. É perfeito porque Ele não pecou e cumpriu cabalmente a Lei de Deus. O sacrifício dEle é completo porque não resta nada que possamos fazer que complemente o que foi feito. E é definitivo porque não há nenhum outro ser que posso substituir o que foi feito por Jesus.



[1] O vídeo de Frank Turek pode ser visto nesse link: https://goo.gl/8Ucj83.
[2] Michael Horton em Pelagianismo: A Religião do Homem Natural - Primeira Parte: Um Pouco de História. O texto completo pode ser lido em http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/pelagianismo.htm.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Marcos, no que você acredita? - Parte 2

Um dos temas que mais converso com as pessoas é a questão da liberdade das pessoas, a questão do livre arbítrio. Será que temos livre arbítrio? Será que somos livres para tomar as nossas decisões? Penso que não. Nenhuma das nossas escolhas são livres de influências, externas e internas. Já tratei desse assunto em outros artigos, mas vou tentar explicar mais uma vez.

Hoje resolvi ir trabalhar com uma camisa amarela. Por que eu a escolhi? Muitos vão responder que eu escolhi a amarela dentre todas as possibilidades que tinha e que sou absolutamente livre para escolher entre a amarela, azul, verde ou a vermelha. Será mesmo que tenho toda essa liberdade?

Em primeiro lugar eu tenho que pensar em que ambiente eu vou estar, para então escolher a minha roupa. Se eu estivesse num velório, dificilmente escolheria uma cor tão chamativa quanto o amarelo. Se eu estivesse num ambiente bem frio, a cor da camisa nem seria notada, então tão faz a escolha que eu fizesse. Talvez o lugar que eu trabalhe não permita outras cores.

Outra coisa que pensei é se sirvo na camisa. Tem algumas camisas no meu armário não me servem mais e, mesmo querendo vesti-las, não posso mais usá-las. Então, a´qui, tenho uma limitação do tamanho da roupa que me serve.

Outro aspecto da minha escolha é meu gosto pessoal. Como gosto do amarelo, tenho uma camisa dessa cor. Não gosto de roxo, por isso, meu armário não tem camisas dessa cor. Obviamente só visto roupas que gosto.

Não sou lá de seguir muito a moda e as tendências modernas de se vestir, mas não saio de casa sem ter um mínimo de bom senso na combinação das cores que visto. Aí vejo outra limitação que é como vou ser visto pelas pessoas com as quais trabalho. Não quero ser ridicularizado nem parecer um "ogro" diante das pessoas.

Levando tudo isso em consideração. Melhor dizendo: sendo influenciado por todos esses fatores, escolhi a camisa amarela. A pergunta é eu agi de modo livre? É óbvio que eu não fui coagido por alguém apontando uma arma na minha cabeça me obrigando a vestir a camisa amarela. Mas meu gosto pessoal, o ambiente de trabalho, meu tamanho e o tamanho da camisa e a moda me influenciaram a tomas essa decisão.

Será que eu poderia escolher outra cor de camisa? Lógico que poderia. Mas essa outra escolha seria isenta de influências?

No que diz respeito à salvação da alma, não há tantas diferenças assim. 

A Bíblia declara que a inclinação do homem, sem a influência do Espírito Santo de Deus é de ser Seu inimigo, inimigo de Deus (Romanos 8:7). Isso significa que há uma força que nos leva para longe de Deus, que nos afasta de Deus. Além disso, nossas atitudes são inimigas da santidade de Deus. Ratificamos essa força interna, cometendo atos que nos afastam ainda mais de Deus (Tiago 4:1-4). Outro fato importante nessa relação do homem com Deus é o fato de Deus ser espírito (João 4:24) e que as coisas espirituais somente são discernidas de modo espiritual (1 Coríntios 2:14-15). O problema é que, espiritualmente, o homem está morto para Deus (Efésios 2:1-2).

Mas o que, para mim, é definitivo na questão da liberdade do ser humano são certas declarações de Jesus Cristo que deixam claro a incapacidade do homem voltar-se para as coisas de Deus. Em João 8:44 o diagnóstico do Mestre é que as pessoas querem satisfazer as vontades do pai delas, o diabo. Outra declaração de Jesus é que as pessoas não querem ir até Ele para terem vida (João 5:40). Nossa liberdade é limitada pela ação da natureza de pecado que em nós opera.

Há outros textos que poderiam ser citados, porém vamos ficar por aqui nessa série. Se Deus permitir, o próximo texto vai continuar a abordar esse tema da liberdade de escolha que, infelizmente, nunca é para o Bem.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um amigo querido está estudando as questões sobre livre-arbítrio e salvação. Animei-me em conversar com ele, ainda que de modo virtual. Essa é a resposta que escrevi a ele sobre suas indagações. Creio que pode ser útil para outras pessoas interessadas no assunto.

Quando tomei contato com essas doutrinas também me questionei isso. Mas veja que todos, sem exceção, merecem o inferno. Deus não tinha – e não tem – obrigação de salvar ninguém. O parâmetro de Deus nas Suas escolhas é Ele mesmo. Pois sendo perfeito e bom, não existe parâmetro melhor que a própria Trindade.

Ninguém é capaz de se arrepender a não ser que seja convencido pelo Espírito Santo e conduzido pelo próprio Deus ao arrependimento (Romanos 2:4). Lembre-se que a inclinação natural da carne é inimizade contra Deus e, portanto, por nós mesmos, sem a ação de Deus não seríamos capazes de nos voltar para Deus.

Não somos programados para fazer o “bem” ou o “mal”, o pecado da nossa natureza nos inclina SEMPRE para o mal: “Não há um justo se quer, ninguém que faça o bem”. É preciso entender que esse bem está relacionado com a capacidade de nos voltarmos a Deus. A nós isso é impossível, a não ser se houver a influência do Espírito Santo. Por que precisamos participar da salvação? Em Jonas 2:9, lemos que “a salvação pertence ao Senhor”. Ao mancebo de qualidade Jesus disse que o que era impossível para os homens é possível para Deus. Agora, sendo Deus perfeito, bondoso e amoroso para conosco, qual seria o problema se fôssemos programados por Ele! Se Deus fosse um ser qualquer, aí sim seria temerário ser programado por Ele.

Mas não é esse tipo de Deus que os calvinistas veem na Bíblia. Certamente, o deus que você descreveu é humano demais e não é o Deus da Bíblia. O problema de não se reconhecer o próprio pecado é porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não se resplandeça a luz”. Os sentidos estão embotados não por Deus, mas pelo pecado. Lembre-se que, sem Cristo, os homens estão “mortos nos seus delitos e pecados”, espiritualmente mortos. Ora, “as coisas do Espírito são discernidas espiritualmente”, como o homem natural pode entender as coisas de Deus? A não ser que haja uma radical operação regeneradora do coração humano, segue-se a máxima de Jesus de João 5:40, “vós não quereis vir a mim para terdes vida”.

Estar disposto a ser iluminado pelo Espírito Santo envolve, talvez, sermos confrontados nas nossas convicções. Você está disposto a se reconhecer errado, caso isso venha ocorrer? Você analisa com isenção suficiente as duas explicações sobre salvação? Está disposto a estudar sem ideias pré-concebidas?No final das contas a sua salvação depende de quem: de Deus que te amou ou da escolha que você fez? A quem você agradece quando está de joelhos aos pés do Mestre? A sua salvação é sua porque você se esforça para mantê-la? Ou é apenas pelos méritos de Cristo que você se mantém salvo? Aliás, é você que se mantém salvo ou é o Senhor Jesus Cristo que preserva você salvo? Essas são perguntas que precisam ser feitas com sinceridade ao nosso coração.

Não faz sentido nós compararmos a justiça de Deus com os nossos padrões de justiça. A salvação, por um lado, não tem sentido mesmo: desobedecemos a Deus, somos pecadores na nossa natureza e endossamos o pecado com nossas ações todos os dias; a Bíblia nos chama de “inimigos de Deus” e mesmo assim Ele resolve pagar o preço que nós deveríamos pagar e resolve nos amar e salvar para Si mesmo. Como isso se explica? Que sentido tem em Deus salvar gente que o afronta todo dia?! Lembre-se que nós só O amamos “porque Ele nos amou primeiro”. A pregação do evangelho é nossa obrigação, mas salvar quem nos ouve é prerrogativa de Deus. É o Espírito que “convence do pecado, da justiça e do juízo”. Lembre-se que Jesus era seguido por uma multidão, mas Ele mesmo não confiava neles, “porque conhecia o coração deles” (João 2:24).

Eu não tenho capacidade de mudar o coração de uma mulher e tornar esse coração favorável a mim. Mas Deus tem capacidade de “trocar o nosso coração de pedra, por um coração de carne” e Ele efetivamente faz isso. Deus não precisa Se sentir amado porque Ele é suficiente em Si mesmo. Nesse sentido, acho que essa comparação não pode ser aplicada aqui. Ora, Jesus pregou em inúmeras cidades e ninguém foi convertido. Veja o exemplo da mulher que foi pega em adultério. Naquele episódio quem precisava de salvação? A adúltera e os seus acusadores; ambos careciam da graça divina para salvação. Mas Jesus deixou aqueles homens irem embora e só tratou do perdão da mulher. O pecado daqueles homens foi exposto publicamente por Jesus, eles reconheceram que estavam em pecado e mesmo assim Jesus os deixou irem embora.

Se eu tiver alguma participação na minha reconciliação, para que então Jesus teve que morrer no meu lugar? Se eu, de alguma forma, participo da minha salvação, eu não precisaria de Jesus! Eu tenho alguma de boa para apresentar diante de Deus que me favoreça diante dEle? A motivação para eu pregar o Evangelho é porque Deus salva e Ele só salva se as pessoas ouvirem a Palavra de Deus. A minha motivação é porque Deus é cumpridor da Sua Palavra e Ele garantiu que, se Sua Palavra for pregada, as pessoas seriam salvas. A minha motivação é que Deus tem um povo e aqueles que fazem parte desse povo precisam ouvi-lO através da nossa pregação. Eu não sei quem vai ser salvo, mas Ele sabe. E Ele é fiel e capaz de cumprir Suas promessas.

A pergunta é quem pode crer? Quem pode crer em Jesus de modo salvífico? Se tomarmos o capítulo 2 de Efésios, versos 8-9, vemos que somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós. Perceba que existem três elementos envolvidos aqui: FÉ, GRAÇA e SALVAÇÃO. E o ensino do apóstolo é que isso não vem de nós. Não somos nós que produzimos esses três elementos. Temos isso tudo porque isso tudo nos foi dado. Fé para crer que minha mulher me ama é completamente diferente de crer que Jesus Cristo é meu salvador.
 

Perdoe-me pela longa resposta, mas quero muito continuar essa conversa com você. É muito bom conversar com quem pensa, com quem estuda. Um grande abraço, Marcos.

sábado, 23 de março de 2013

Ciência, livre arbítrio e Bíblia

Lá pelos idos de 2009, escrevi um artigo chamado O livre-arbítrio cerebral (leia aqui). Nesse artigo discuti que o cérebro comanda as nossas vontades. Em resumo, antes de desejarmos alguma coisa, nosso cérebro determina esse desejo, para só depois realizarmos a nossa vontade. Há experimentos muito simples que medem o tempo entre sentir a vontade e realizar essa vontade. Esses mesmos experimentos conseguem medir o tempo em que o seu cérebro mandou você sentir tal vontade.

A Revista Galileu deste mês traz uma reportagem de capa que discute o mesmo assunto (leia aqui). Nesse link há apenas um resumo da reportagem impressa, então, aconselho a você que compre a revista.

Qual é o problema que vejo nisso? Eu não tenho problema nenhum com o livre-arbítrio, mesmo porque creio que ele não existe. Do ponto de vista filosófico e teológico, o livre-arbítrio é uma piada. Nenhum de nós toma decisões de modo livre. Você pode não ser consciente de quem ou do quê te influencia nas suas decisões. O problema que vejo não é para mim, mas para cristãos moderninhos. Melhor dizendo, pós-moderninhos. Gente que não olha mais para a Bíblia como inerrante, autoritativa, acima de qualquer cultura ou tradição.

Cristãos assim olham para o Gênesis e o encaram como uma alegoria, ou parábola, ou ainda mais, como uma explicação para a origem de tudo dentre tantas outras dos povos que viviam junto dos hebreus na época bíblica. Cristãos pós-modernos olham para as coisas modernas em pé de igualdade com a Bíblia. Cristãos assim não se posicionam contra o homossexualismo, contra as explicações naturalistas para origem da vida e do universo. Os púlpitos das nossas igrejas estão cheios de pregadores que colocam Freud, Augusto Cury, Bento XVI e Marx em pé de igualdade com Paulo, Pedro ou João. Pregadores atuais precisam olhar para a Ciência como algo que complementa a Bíblia. Afinal de contas, não pega bem o homem do século 21 acreditar que Deus fez o ser humano do barro, que uma cobra fala com as pessoas e que uma chuva muito grande matou os dinossauros.

Pois então, a mesma metodologia científica aplicada ao estudo da evolução das espécies é aplicada ao estudo de como tomamos as nossas decisões. Os neurocientistas dizem que o livre-arbítrio não existe e que nossas decisões estão baseadas na carga genética que trazemos dos nossos antepassados e das experiências que vivenciamos no nosso meio ambiente. Mas há ainda um dado que coloca mais lenha nessa discussão. Gêmeos idênticos que são criados nas mesmas condições, que não foram separados na infância e desfrutam dos mesmos pais, da mesma alimentação, educação e influências, optam por carreiras diferentes, se casam com pessoas completamente diferentes e têm vontades distintas em muitas coisas. Do ponto de vista da Ciência ainda há muito a ser estudado.

Do ponto de vista da Teologia, a Bíblia mostra muito claramente que a nossa vontade não é livre. Jesus, em Suas pregações dizia o seguinte:

"Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai..." - João 8:44
"E não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5:40
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" - João 6:44

Eu não sei como os pregadores modernos vão interpretar esse assunto da neurociência. Na verdade, creio que eles nem se importarão com essas notícias. A própria comunidade científica não dão importância quando esse assunto surgiu da primeira vez. Mas agora ele ganha corpo, pois muitos cientistas se debruçam sobre esse tema. Associar a Bíblia com a Ciência soa moderno e parece coisa de intelectual. É descolado pregar usando Darwin, Dawkins e Stephen Hawking. As pessoas vão olhar para você como uma pessoa que entende dos tempos modernos, como uma pessoa que não é alienada e tosca. Mas a Bíblia está acima disso tudo. Inclusive acima de nós.
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Será que somos livres? - Parte 2

No início do ano, em março, publiquei a primeira parte desse grande tema, a liberdade humana (Parte 1). Na verdade, essa liberdade humana é muito relativa. Você pode escolher a cor da camisa que quiser, mas, pelo menos, você ficará restrito ao seu gosto pessoal. Você poderá escolher o carro que quiser comprar, mas sua liberdade está restrita à quantidade de dinheiro disponível que você tem.

Quando Adão e Eva foram criados e colocados naquele imenso bosque, eles ainda não tinham experimentado o pecado. Eles ficaram por algum tempo experimentando o que é viver sem dor, sem tristeza, sem medo, sem morte, enfim, eles eram perfeitos. Exatamente feitos à imagem e semelhança de Deus, eles ficaram por algum tempo sem conhecer o mal. Contudo, foram criados numa situaçã condicional, se se mantivessem em obediência, continuariam em estado de perfeição; se desobedecessem, perderiam essa condição e morreriam. E foi isso que aconteceu.

Depois que eles pecaram, eles perderam a semelhança que tinham com o Criador. Eles passaram a conhecer o mal e se tornaram escravos do pecado, realizando suas vontades. E, uma vez mortos em delitos e pecados, perderam a capacidade de decidirem, espontaneamente, se voltar para Deus. Agora, quando o Criador os procurava, eles tinham medo, se escondiam e desconfiavam da presença dEle.

E o testemunho de Jesus Cristo é que as pessoas estão escravizadas pelo pecado e precisam ser libertas (João 8:32) e só Ele pode libertar. Se fôssemos livres Ele não precisaria nos libertar. E por pecarmos, Jesus adverte que somos "servos do pecado" (João 8:34) e é somente pela ação do Filho que verdadeiramente seremos livres (João 8:36). Além disso, em outra passagem conversando com as pessoas, o próprio Pão da Vida afirma que as pessoas não iam até ele por que não queriam e, caso fossem, receberiam vida (João 5:40). Isso significa que as pessoas não têm um desejo natural de se aproximarem de Jesus. 


Já na época do profeta Jeremias ele advertia o povo quanto a impossibilidade das pessoas fazerem o bem sendo ensinados a fazer o mal (Jeremias 13:23). Não se discute atos voluntariosos e benévolos que podemos ter em relação a outras pessoas, atos de caridade, sermos solidários com os pobres, os mais necessitados. Não é de altruísmo o que estou falando. O que está em questão é se o homem tem ou não a capacidade de voltar-se espontaneamente para Deus. A Bíblia diz que não.


A Bíblia deixa claro que existe uma força motriz no coração do homem que o impulsiona para longe de Deus, "...a inclinação da carne é morte... é inimizade contra Deus" (Romanos 8:6-7). E enquanto essa força não for vencida pela ação regeneradora do Espírito Santo, ficaremos escravos do pecado. Não é uma boa educação que nos livrará do pecado. Não seguirmos bons exemplos de conduta e imitarmos o altruísmo de certas pessoas. A liberdade do pecado só é conseguida quando nosso coração de pedra for trocado por um coração sensível à voz do Bom Pastor (Ezequiel 36:26).

quinta-feira, 24 de março de 2011

Por que não creio no livre-arbítrio - Parte 2


         Em primeiro lugar, acima de tudo, todo cristão (Atos 11:26) acredita que a Bíblia é a sua regra de fé e prática, que nela não há contradições, ainda que sua interpretação seja difícil em alguns pontos.
         Devo começar com essas afirmações, pois se você não compartilha delas, você não tem que ler esse texto. Se você não crê que a Bíblia é tudo isso, esse texto vai ser muito chato!
         A Bíblia começa dizendo que Deus criou o homem bom, perfeito e com a capacidade de escolher entre obedecê-lO ou não (Gênesis 1:26-31; 2:17; Eclesiastes 7:29a). Isso significa que o homem que foi criado, Adão e sua esposa Eva, eram, num certo sentido, diferentes de nós. Em que consistia essa(s) diferença(s)?
         Adão era inocente do mal. Isso fica evidente na sua conversa com Deus depois de ter pecado. Adão e Eva se encontraram vestidos depois de terem pecado, pois a nudez deles agora era ofensiva (Gênesis 3:7-12). E usando uma linguagem antropomórfica – apenas para entendermos a Sua indignação – Deus Se “espanta” com o fato dos nossos primeiros pais descobrirem a sua nudez.
         Adão e Eva experimentarem por um período de tempo a ausência do mal em seus corações e intenções. E isso nunca aconteceu conosco. Houve um tempo que Adão e Eva não conheciam o pecado. Eles foram criados e Deus viu que isso era “muito bom”. Se era “muito bom” é sinal que não havia ainda o mal na criação física de Deus. Mas nós já nascemos marcados pelo pecado (Salmo 51:5).
         Mas voltemos para nossos primeiros pais. Eles foram criados para viverem eternamente. A sentença de morte seria cumprida, apenas, se eles comessem do fruto proibido (Gênesis 2:17). Assim, temos a segunda diferença entre nós e eles: hoje nós nascemos marcados para morrer. A Biologia trabalha com a noção de apoptose celular, ou seja, a morte programada no DNA. É lógico que não sabemos quando morreremos, mas nosso DNA já sabe! A única certeza que temos a respeito da nossa vida biológica é que um dia nós vamos morrer.
         Uma terceira diferença entre nós e nossos primeiros pais é a possibilidade que eles tinham de escolher entre o bem e o mal. Ao serem colocados no Jardim do Éden, Adão e Eva tinham a capacidade de seguir a orientação de Deus, escolhendo permanentemente o que era bom, afastando-se do mal. Mas eles ouviram a sugestão do diabo e testaram se era realmente daquele jeito.
         E apesar do diabo ser o “pai da mentira” (João 8:44) em um ponto ele acertou: nossos pais passaram a conhecer o bem e o mal. Adão e Eva não se tornaram como Deus e nem deixaram de morrer. Pelo contrário. O distanciamento moral entre Deus e a humanidade ficou gigantesco e a morte passou a fazer parte da existência humana.
         Assim, vemos na Palavra de Deus, que a humanidade perdeu certas capacidades que tinha em Adão e Eva: nossa comunhão com Deus não é mais direta e precisa de um mediador (1 Timóteo 2:5); passamos a morrer biologicamente e a sofrer ao longo dessa vida (Salmo 90:10); e, mais devastador – na minha opinião – deixamos de ser livres e passamos a ser controlados pela nossa natureza pecaminosa (Romanos 5:12). Paula ainda afirma que o pecado é como um rei na nossa vida, com total domínio sobre nossa vontade (Romanos 6:12).
         E é exatamente no capítulo 6 de Romanos que somos apresentados à realidade da nossa escravidão, da escravidão da nossa vontade. Em outras palavras: somos apresentados ao fato que não somos livres.
Romanos 6:14  Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Antes de estarmos “debaixo da graça” o pecado tinha total domínio sobre nós.

Romanos 6:16  Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Ora, naturalmente as pessoas não se apresentam para Deus. Pelo contrário. Quando Jesus pregava, Ele mesmo disse que as pessoas não queriam ir até Ele para terem vida (João 5:40).

Romanos 6:17  Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. Não é preciso argumentar muito aqui. Quem é servo tem que cumprir a vontade do seu senhor e não tem liberdade para fazer o que quiser.

Romanos 6:18  E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Se precisamos ser “libertados do pecado” é sinal de que erámos seus prisioneiros.

Romanos 6:20  Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. Paulo diz que no passado éramos “servos do pecado”, mas em Jesus Cristo temos a liberdade do pecado para servos “feitos servos da justiça”.

Romanos 6:22  Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Aqueles que são alcançados pela graça de Deus foram feitos livres da escravidão do pecado, libertados do seu domínio.

         Muitos outros textos poderiam ser colocados aqui e serão. No momento, vamos ficar com esses poucos textos pois eles já nos fazem refletir sobre a mentira da presença do livre-arbítrio na humanidade.
         Já que você chegou até aqui, permita-me dar-lhe uma recomendação. A ausência do livre-arbítrio afronta a nossa dignidade e o nosso orgulho. Cogitar que não temos liberdade de escolha nos humilha e nos torna mais fracos do que já somos. Lute contra o desejo de parar de refletir sobre isso. Num primeiro momento vai ser duro esse reconhecimento, mas eu garanto, em Cristo Jesus, que essa reflexão vai te abençoar muito.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...