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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O que Deus é?

Se perguntarmos isso na saída de um culto para as pessoas, invariavelmente vamos ouvir a mesma resposta: "Deus é amor". Por que as pessoas sempre respondem isso? 

No Novo Testamento vemos a expressão "Deus é" está associada a algumas características do ser de Deus, daquilo que Ele é por natureza. E esse ser de Deus expressa exatamente o que Ele faz. Ser e agir de acordo com o que se é, é o nos diferencia de Deus. Jesus Cristo, certa vez, disse aos homens que eles eram maus, mas sabiam dar boas coisas aos seus filhos (Lucas 11:13). Como Deus não é assim. Ele é perfeito e não Lhe falta nada. E também não sobra nada. Ele não é mais santo do que é amor. Ele não é mais misericordioso do que é justo. Não há desequilíbrios no caráter de Deus. Ele é sempre o mesmo. Nada pode ser diminuído ou aumentado do Seu ser.

É pensando nisso que não consigo entender por que as pessoas valorizam mais alguns aspectos do caráter de Deus em detrimento de outros! E o pior não é só isso. O que considero mais grave é que existem pastores que ensinam que há certos aspectos de Deus que Ele resolveu abrir mão para Se relacionar conosco. Assim, por exemplo, Deus deixou de conhecer o futuro para poder se relacionar e construi-lo conosco. Por exemplo, Deus não pode saber que roupa você vai vestir amanhã, uma vez que o amanhã ainda não chegou! Mas uma camisa é uma banalidade. O teísmo aberto diz que não sabe que vai ser salvo, pois a pessoa pode se decidir contra a salvação de Deus e, nesse sentido, se Deus soubesse antecipadamente o que vai acontecer, o homem não teria a liberdade de escolher ser salvo ou não. Deus é onisciente e ponto. Em inúmeras passagens a Bíblia deixa isso muito claro.

Voltando para o que Deus é, no Novo Testamento vemos sete aspectos do caráter de Deus:

1. Deus é amor: 1 João 4:8; 4:16
2. Deus é luz: 1 João 1:5
3. Deus é fogo consumidor: Hebreus 12:29
4. Deus é poderoso: 2 Coríntios 9:8
5. Deus é fiel: João 4:24
6. Deus é espírito: João 4:24
7. Deus é verdadeiro: João 3:33

Por que os autores (João, Paulo e o autor de Hebreus) enfatizaram esses aspectos apenas? E existem gradações para essas características? Deus é mais amor e menos fiel? Seria confiável um Deus que fosse pouco fiel? Nem nossos cônjuges nós aceitamos que sejam pouco fieis!

Gostaria de propôr um exercício para pensarmos nisso.

Vemos na Bíblia que o salário do pecado é a morte (Romanos 3), que toda alma que peca morre (Ezequiel 18), que não há nenhum justo (Romanos 3), que os pecadores impenitentes serão lançados no fogo (Apocalipse 22). Tudo isso significa a condenação daqueles que rejeitam a Cristo. 

Bem, se Deus mandasse todos os homens para o inferno, sem exceção, Ele continuaria sendo amor? Sim. Ele seria justo? Sim. Ele seria mais justo ou mais amoroso se fizesse isso? Nem um nem outro. Ele continuaria sendo 100% justo e 100% amoroso.

Agora, e se Deus salvasse a todos os homens, sem exceção, Ele continuaria sendo amor? Sim. Tem alguma coisa que Deus faça sem amor? Não. Se Ele salvasse a todos os homens, sem exceção, Ele seria justo? Não. E esse é um ponto importante. 

Por uma questão de justiça própria, que Ele mesmo determinou, o pecado e o pecador têm de ser punidos, por que Deus é santo (Salmo 99:9). Deus poderia passar por cima de Si mesmo, negar Sua própria justiça e não punir o pecador? 

É isso que as pessoas não conseguem enxergar - ou não querem ver. Deus pune o pecador, aquele que transgride a Sua lei. Apesar de o inferno ter sido criado para Satanás e seus anjos, é para lá, junto com os demônios, que os pecadores não redimidos serão enviados. Pois se Ele não punisse o pecador Ele não seria um Deus justo. Ele estaria indo contra Sua própria determinação. Ele estaria quebrando Suas próprias regras.

Talvez leitor, você não concorde com esse pensamento. Entendo isso. Eu também não concordava. O inferno é algo terrível que não deveria existir - alguns reformados não vão concordar comigo! - mas sua existência é real e será o destino de muita gente, todos aqueles que não conhecem a Jesus Cristo como seu salvador pessoal. Mas pense nisso.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

As sete palavras da cruz




“Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.” Lucas 23:34
Como era costume na época, as vestes do crucificado eram tomadas pelos executores. Mas no caso de Jesus Cristo, é o Executado que divide o Seu perdão com aqueles que não mereciam nada dEle. Jesus Cristo é o exemplo que, no reino de Deus, a vida nasce da morte: da morte do Autor da vida e da morte da nossa vida para o pecado. Nesse momento vemos se cumprir as Escrituras registradas no Salmo 22:18.


“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:43
Jesus estava morrendo entre dois ladrões. Eles sim, merecedores daquela morte (Lucas 23:41). Jesus não merecia aquela morte, mas por um daqueles ladrões, Ele estava morrendo também. O comportamento de Mestre nesse episódio é muito interessante e intrigante. Havia um grupo de soldados romanos que estava zombando dEle, disputando suas vestes e o intitulando como “rei dos judeus” (Lucas 23:33-38). Pendurado, ao seu lado, um ladrão que também zombava dEle, instigando-O a que Se salvasse e aos ladrões (Lucas 23:39). Veja você que ambos, soldados e o ladrão, tinham a mesma atitude contra Jesus Cristo, mas Ele pediu por perdão apenas para um grupo. Mesmo sabendo que o “mau ladrão” carecia do perdão sob pena de não “estar no paraíso” (Lucas 23:43), Jesus Cristo não clamou por ele. Sequer Jesus conversou com ele. Por que Jesus mostra compaixão pelos soldados zombadores e não mostra sentimento algum pelo “mau ladrão”? O outro ladrão, conhecido como “bom ladrão” repreende o “mau ladrão” e, mais surpreendente, ele reconhece que está diante de Deus e que Este está morrendo na mesma sentença (Lucas 23:40-41). Agora cabe-nos a pergunta, quem foi que disse ao “bom ladrão” que Jesus é Deus? Como isso lhe foi revelado?

“Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” João 19:26-27
Ainda que estivesse agonizando, Jesus exalta o mandamento de honrar pai e mãe, contudo, Seus dias não foram “longos na terra”. É possível que José, seu pai, já tivesse morrido e Jesus, como o primogênito, tinha que cuidar de sua mãe. Ao morrer Ele recorre ao discípulo amado, João. Isso nos leva a pensar, com quem temos andado no nosso dia a dia? Quem é nosso “filho” e nossa “mãe”? Quem tem cuidado de nós, de nossos filhos? Mesmo tendo os 11 discípulos, Jesus recorreu a apenas um deles. Mesmo porque os outros 10 tinham fugido na hora da crucificação!

“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mateus 27:46
Jesus Cristo foi constituído pelo Pai a ser o representante e substituto do Seu povo no plano da redenção. Graças a Deus não precisamos morrer em cumprimento da sentença de morte estabelecida pelo próprio Deus. Ele morreu a nossa morte. Ele carregou os nossos pecados e pagou o preço que era nosso. Isso significa que, ao pagar a nossa “escrita de dívida”, passamos a ser considerados inocentes, sem culpa. O peso do nosso pecado era de tal monta que o Pai não foi capaz de contemplar Seu próprio Filho morrendo. A santidade de Deus O faz intolerante para o pecado. O Ser que é três vezes santo abomina o pecado de tal modo que Ele não pode nem olhar para o pecado. A Sua santidade, a beleza dos Seus atributos, não pode ser maculada nem pela visão do pecado. Aqui aprendemos que devemos odiar o pecado com a mesma disposição que o nosso Pai o odeia. O pecado é o mal sem par, o maior mal do mundo e é contra ele que a Igreja foi colocada. O pecado nascido no coração do inferno não vai prevalecer contra a Igreja, como profetizou o Dono da Igreja. Queridos irmãos e irmãs, estamos abandonando o pecado da nossa vida? Hoje amamos menos o pecado do que no início da nossa vida cristã? Entre a “concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida” e a Bíblia, a oração e a “comunhão dos santos”, o que optamos? Entre a casa de Deus e a cama no domingo de manhã, qual é a nossa escolha? Nosso ódio ao pecado está ligado diretamente ao tamanho do nosso amor por Deus.

“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!” João 19:28
Jesus era verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Esse pedido “tenho sede” mostra a humanidade de Jesus Cristo e Sua fraqueza no momento da morte. Isso já seria suficiente para acabar com toda a heresia do gnosticismo “que afirmava que o Cristo divino veio sobre Jesus quando foi batizado e o deixou quando morreu. Aquele que sofreu a sede na cruz ofereceu Sua vida para saciar a sede espiritual do mundo.” E o único discípulo que presenciou essa demonstração inequívoca da humanidade de Jesus Cristo foi, mais à frente, responsável por escrever contra o gnosticismo que já aparecia (Epístolas de João).

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” João 19:30
Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Isaías 53:10-11). Você já teve a sensação de dever cumprido depois de ter realizado uma tarefa muito árdua? Depois de um dia de trabalho, ou do conserto de alguma coisa em casa. Depois de muito trabalho, você chega em casa e senta no sofá, dá aquela relaxada e se sente feliz!!! O problema é que muitas vezes, depois de trabalharmos tanto, no dia seguinte temos de voltar e recomeçar de onde paramos. Com Jesus Cristo não aconteceu isso. A obra de salvação que Ele realizou, Ele a fez de uma vez por todas, é definitiva, sem a necessidade de revisão, aditivos ou emendas. Quando Ele disse “está consumado” Ele estava colocando um ponto final na questão mais importante da nossa vida: a salvação da nossa alma. Não há o que precisa ser feito, pois Ele fez tudo que era possível ser feito. Nada pode ser acrescentado porque não há necessidade de acrescentar nada. Nada pode ser suprimido, porque se alguma coisa for tirada do Seu sacrifício vai deixar de ser o verdadeiro sacrifício de Jesus Cristo. Irmãos, descansemos na suficiência de Jesus Cristo, não precisamos de mais ninguém, não precisamos de mais nada. Qualquer esforço da nossa parte será em vão.

“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” Lucas 23:46
Essa é a única sensação que ainda nenhum de nós já teve oportunidade de experimentar. Essa é ainda a única frase que não pudemos dizer. O momento da morte será único para cada um de nós. Tão único que não poderemos repartir com nossos amigos, parentes ou irmãos. Como será a sua morte? Jesus Cristo sempre soube como seria a dEle. Você é capaz de imaginar como você viveria sabendo que aos 33 anos de vida você morreria crucificado e sofrendo dores terríveis? Se o médico nos dissesse que temos 6 meses de vida, o que faríamos nesse tempo? Você teria alegria em viver sabendo que está condenado a morrer em tal dia e tal hora?

Irmãos, é ou não a natureza divina de Jesus Cristo que O sustentou durante os anos do Seu ministério? Que homem, suportaria viver com essa condenação já decretada e sem a possibilidade de revogação!!! Jesus Cristo só pôde Se encarnar e passar por tudo o que passou porque Ele é Deus; homem algum teria essa capacidade!!! São essas terríveis palavras de cruz que nos trazem a paz. E o fato mais surpreendente é que Ele mesmo Se entregou voluntariamente para morrer e me substituir na cruz. Ninguém o forçou, ninguém o obrigou. Ele não estava coagido Se sentido na obrigação de fazer alguma coisa. O mesmo Deus que o desamparou no momento mais agudo da vida é o Deus que recebe Seu espírito no estertor da vida. No último fôlego de vida, Jesus o usa para glorificar a Deus e mostrar que a nossa vida é do Pai, não nossa.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Um amigo querido está estudando as questões sobre livre-arbítrio e salvação. Animei-me em conversar com ele, ainda que de modo virtual. Essa é a resposta que escrevi a ele sobre suas indagações. Creio que pode ser útil para outras pessoas interessadas no assunto.

Quando tomei contato com essas doutrinas também me questionei isso. Mas veja que todos, sem exceção, merecem o inferno. Deus não tinha – e não tem – obrigação de salvar ninguém. O parâmetro de Deus nas Suas escolhas é Ele mesmo. Pois sendo perfeito e bom, não existe parâmetro melhor que a própria Trindade.

Ninguém é capaz de se arrepender a não ser que seja convencido pelo Espírito Santo e conduzido pelo próprio Deus ao arrependimento (Romanos 2:4). Lembre-se que a inclinação natural da carne é inimizade contra Deus e, portanto, por nós mesmos, sem a ação de Deus não seríamos capazes de nos voltar para Deus.

Não somos programados para fazer o “bem” ou o “mal”, o pecado da nossa natureza nos inclina SEMPRE para o mal: “Não há um justo se quer, ninguém que faça o bem”. É preciso entender que esse bem está relacionado com a capacidade de nos voltarmos a Deus. A nós isso é impossível, a não ser se houver a influência do Espírito Santo. Por que precisamos participar da salvação? Em Jonas 2:9, lemos que “a salvação pertence ao Senhor”. Ao mancebo de qualidade Jesus disse que o que era impossível para os homens é possível para Deus. Agora, sendo Deus perfeito, bondoso e amoroso para conosco, qual seria o problema se fôssemos programados por Ele! Se Deus fosse um ser qualquer, aí sim seria temerário ser programado por Ele.

Mas não é esse tipo de Deus que os calvinistas veem na Bíblia. Certamente, o deus que você descreveu é humano demais e não é o Deus da Bíblia. O problema de não se reconhecer o próprio pecado é porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não se resplandeça a luz”. Os sentidos estão embotados não por Deus, mas pelo pecado. Lembre-se que, sem Cristo, os homens estão “mortos nos seus delitos e pecados”, espiritualmente mortos. Ora, “as coisas do Espírito são discernidas espiritualmente”, como o homem natural pode entender as coisas de Deus? A não ser que haja uma radical operação regeneradora do coração humano, segue-se a máxima de Jesus de João 5:40, “vós não quereis vir a mim para terdes vida”.

Estar disposto a ser iluminado pelo Espírito Santo envolve, talvez, sermos confrontados nas nossas convicções. Você está disposto a se reconhecer errado, caso isso venha ocorrer? Você analisa com isenção suficiente as duas explicações sobre salvação? Está disposto a estudar sem ideias pré-concebidas?No final das contas a sua salvação depende de quem: de Deus que te amou ou da escolha que você fez? A quem você agradece quando está de joelhos aos pés do Mestre? A sua salvação é sua porque você se esforça para mantê-la? Ou é apenas pelos méritos de Cristo que você se mantém salvo? Aliás, é você que se mantém salvo ou é o Senhor Jesus Cristo que preserva você salvo? Essas são perguntas que precisam ser feitas com sinceridade ao nosso coração.

Não faz sentido nós compararmos a justiça de Deus com os nossos padrões de justiça. A salvação, por um lado, não tem sentido mesmo: desobedecemos a Deus, somos pecadores na nossa natureza e endossamos o pecado com nossas ações todos os dias; a Bíblia nos chama de “inimigos de Deus” e mesmo assim Ele resolve pagar o preço que nós deveríamos pagar e resolve nos amar e salvar para Si mesmo. Como isso se explica? Que sentido tem em Deus salvar gente que o afronta todo dia?! Lembre-se que nós só O amamos “porque Ele nos amou primeiro”. A pregação do evangelho é nossa obrigação, mas salvar quem nos ouve é prerrogativa de Deus. É o Espírito que “convence do pecado, da justiça e do juízo”. Lembre-se que Jesus era seguido por uma multidão, mas Ele mesmo não confiava neles, “porque conhecia o coração deles” (João 2:24).

Eu não tenho capacidade de mudar o coração de uma mulher e tornar esse coração favorável a mim. Mas Deus tem capacidade de “trocar o nosso coração de pedra, por um coração de carne” e Ele efetivamente faz isso. Deus não precisa Se sentir amado porque Ele é suficiente em Si mesmo. Nesse sentido, acho que essa comparação não pode ser aplicada aqui. Ora, Jesus pregou em inúmeras cidades e ninguém foi convertido. Veja o exemplo da mulher que foi pega em adultério. Naquele episódio quem precisava de salvação? A adúltera e os seus acusadores; ambos careciam da graça divina para salvação. Mas Jesus deixou aqueles homens irem embora e só tratou do perdão da mulher. O pecado daqueles homens foi exposto publicamente por Jesus, eles reconheceram que estavam em pecado e mesmo assim Jesus os deixou irem embora.

Se eu tiver alguma participação na minha reconciliação, para que então Jesus teve que morrer no meu lugar? Se eu, de alguma forma, participo da minha salvação, eu não precisaria de Jesus! Eu tenho alguma de boa para apresentar diante de Deus que me favoreça diante dEle? A motivação para eu pregar o Evangelho é porque Deus salva e Ele só salva se as pessoas ouvirem a Palavra de Deus. A minha motivação é porque Deus é cumpridor da Sua Palavra e Ele garantiu que, se Sua Palavra for pregada, as pessoas seriam salvas. A minha motivação é que Deus tem um povo e aqueles que fazem parte desse povo precisam ouvi-lO através da nossa pregação. Eu não sei quem vai ser salvo, mas Ele sabe. E Ele é fiel e capaz de cumprir Suas promessas.

A pergunta é quem pode crer? Quem pode crer em Jesus de modo salvífico? Se tomarmos o capítulo 2 de Efésios, versos 8-9, vemos que somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós. Perceba que existem três elementos envolvidos aqui: FÉ, GRAÇA e SALVAÇÃO. E o ensino do apóstolo é que isso não vem de nós. Não somos nós que produzimos esses três elementos. Temos isso tudo porque isso tudo nos foi dado. Fé para crer que minha mulher me ama é completamente diferente de crer que Jesus Cristo é meu salvador.
 

Perdoe-me pela longa resposta, mas quero muito continuar essa conversa com você. É muito bom conversar com quem pensa, com quem estuda. Um grande abraço, Marcos.

sábado, 8 de junho de 2013

Que segurança: sou de Jesus!

Hoje, 5 da manhã, insônia. Coloquei o iPhone para escutar algumas músicas e voltei a dormir. De repente acordo e está tocando a música "Deus não pensa como pensa o homem", de Carlos Sider. Lá pelo meio da música, a letra diz: "Ele é o Deus que consertou meus trilhos...Ele é quem define qual é o meu rumo/Ele é quem sabe bem mais que eu". Que conforto há para a alma cansada, como a minha, saber que meus dias já foram escritos por Deus (Salmo 139:16). Que conforto saber que os pensamentos dEle para mim, são pensamentos de paz (Jeremias 29:11). Que descanso posso desfrutar em saber que os eventos da minha vida estão dentro do plano perfeito de Deus para mim.
Nada escapa de Seu controle, de Seus olhos. Não estou jogado à minha própria sorte. Se erro ou se acerto na vida, a glória é toda dEle. Cada vitória que tenho é a Ele que agradeço. Cada fracasso que passo, agradeço a Ele por aprender a ser um melhor filho dEle. Se Ele é capaz de saber quantos fios de cabelo eu tenho, imagine o que Ele já sabe sobre o meu futuro, pois já o determinou para mim! Cabelos na cabeça não são nada quando comparados com a excelência do céu que Seu Filho Jesus Cristo preparou.
Em momentos de crise espiritual temos que vislumbrar a glória de Cristo que nos aguarda, diz John Owen. Meus olhos precisam se fixar na glória eterna. As tristezas, desilusões e decepções que tenho, não são nada perto do que Jesus Cristo sofreu por mim, para assegurar o céu para mim. Sim, a salvação pertence ao Senhor (Jonas 2:9), mas Ele a repartiu comigo. Nada há que possa me separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Romanos 8:39). Posso passar fome e nudez. Passar privações emocionais e de saúde. Posso ser tentado pelo próprio diabo na minha frente. E, ainda que caia nas suas armadilhas, continuo sendo de Deus, ovelha do pastoreio do Bom Pastor.
Uma vez fui conduzido até o Bom Pastor, Ele pegou na minha mão e ninguém vai me arrebatar de lá (João 10:29). Ele nunca vai me rejeitar porque o que Ele faz é sem revogação (Romanos 11:29). Se Ele decidiu me salvar ninguém vai movê-lo dessa decisão (Daniel 4:35) e Ele não vai me lançar fora (João 6:37). Lembrei-me de um hino que gostava de cantar na minha infância. Depois descobri que ele foi escrito por uma mulher cega que tinha a esperança de se encontrar com seu Senhor e salvador Jesus Cristo. Essa é a minha certeza.
Que segurança: sou de Jesus!
Que segurança: sou de Jesus.
Eu já desfruto o brilho da luz.
Sou, por Jesus, herdeiro de Deus,
ele me leva à glória dos céus.

Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!
Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!

Ao seu amor eu me submeti,
no coração a paz eu senti!
Anjos descendo, trazem dos céus
ecos do imenso amor do bom Deus.

Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!
Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!

Sempre vivendo em seu grande amor
sinto alegria em meu Salvador.
Com esperança vivo na luz.
Oh! que bondade e amor de Jesus.

Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!
Canta, minha alma! Canta ao Senhor!
Rende-lhe sempre ardente louvor!
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 3 de março de 2013

Jesus não morreu por todos - parte 8



            Owen apresenta um argumento baseado no significado da palavra redenção. Essa palavra aparece na Bíblia por volta de 15 vezes – dependendo da versão que o leitor estiver usando. O significado dessa palavra é fácil de ser entendido. Imagine que há alguém preso por uma dívida qualquer e essa dívida é paga. Quando isso ocorre a pessoa está redimida, ou seja, ela não deve mais nada.

            A salvação do povo de Deus teve um preço a ser pago. Esse preço não podia ser pago por nenhum homem, visto que o pecado impede o homem de se apresentar diante de Deus sem mancha. Além disso, o preço exigido por Deus era alto demais para qualquer homem se aventurar a pagar. O homem não tem a capacidade de cumprir integralmente a lei de Deus e esse era o preço exigido por Deus.

            Assim, o próprio Deus teve que providenciar quem pagasse tal dívida: Ele mesmo pagou a escrita de dívida que nos era contrária (Colossenses 2:14). E o sacrifício de Jesus Cristo foi perfeito porque Ele foi perfeito. Não há o que ser questionado no tribunal de Deus. Não cabe nenhum recurso de apelação. A dívida foi paga de modo cabal, sem que sobrasse nada para o endividado fazer.

            Por causa do sacrifício de Jesus Cristo, e somente por isso, somos redimidos dos nossos pecados. Somos agora tornados livres de toda culpa do pecado. “Por isso, a própria Palavra nos ensina que Cristo não pode ter obtido a redenção para aqueles que não estão livres (...) É inconcebível que um resgate seja pago e a pessoa ainda continue prisioneira.” (p. 47). Não podemos afirmar que Cristo tenha morrido por alguém, se esta pessoa morre presa aos seus próprios pecados. Se de fato Jesus morreu por uma pessoa, ela realmente será salva.

            “Redenção não pode ser universal, como romano não pode ser católico. A redenção tem que ser particular, visto que somente alguns são redimidos.” (p. 48). É importante ressaltar que a palavra “alguns” usada por Owen, não tem a conotação de poucos. Lemos no Apocalipse que o número dos eleitos é da ordem de “milhões de milhões e milhares de milhares” (5:11). Quem morre redimido, morre sem a culpa do pecado nas costas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Jesus não morreu por todos - Parte 7



Três argumentos baseados na natureza da santidade e da fé
1.    A morte de Jesus é a causa da nossa santidade e da purificação dos nossos pecados. É óbvio que existem pessoas que não são santificadas – inclusive frequentando uma igreja local – se essas pessoas não são santificadas não é possível dizer que Jesus tenha morrido por elas.
O Velho Testamento é pródigo em mostrar que os sacrifícios realizados tipificavam e apontavam para o sacrifício definitivo de Jesus Cristo. Mesmo aquele sangue de animais já purificava aqueles homens diante de Deus, quanto mais o sangue de Cristo pode purificar aqueles pelos quais Ele mesmo morreu (Hebreus 9:13-14).
Além disso, encontramos outros versículos que mostram que os objetivos da morte de Jesus Cristo quanto à nossa santificação foram alcançados: “o corpo do pecado é destruído, para que não mais sirvamos ao pecado (Romanos 6:6); temos redenção através do Seu sangue (Colossenses 1: 14); Ele Se deu a Si mesmo para nos remir e nos purificar (Tito 2: 14)” (p. 45).

2.    A fé parece fazer parte da constituição humana. Temos fé – no sentido mais amplo da palavra – que os alimentos que comemos nos nutrem; temos fé que podemos sair de casa e que retornaremos, etc e etc. Contudo, a fé que opera para a salvação, fé que chamamos de salvífica, é um dom da graça de Deus dada àqueles que são salvos (Efésios 2:8-9). Esta fé salvífica não vem de nós, é Deus quem a dá. Ora, se pessoas morrem sem salvação, conclui-se que elas nunca receberam essa fé salvífica.

3.    Neste argumento, Owen compara a Igreja de Cristo com o povo de Israel. Em suas palavras, “A maneira como Deus tratou o Seu povo escolhido no Velho Testamento é uma ilustração de que a salvação obtida por Cristo não é para todos os homens, mas é apenas para o Seu povo escolhido” (p. 47). Ora, o que isso significa? Que tudo que encontramos na relação de Deus com o povo de Israel no Velho Testamento pode – e deve, em muitos casos – ser aplicado à Igreja do Novo Testamento. De todos os povos da Terra, apenas os judeus foram agraciados com essa relação especial de Deus. Da mesma forma a Igreja. A salvação é dada e garantida apenas para aqueles que fazem parte da Igreja de Jesus Cristo.

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...