quinta-feira, 30 de maio de 2013

Deus, o criador do universo, não seu salvador!

No ano de 1987 o meu líder de jovens, hoje o Pr Décio Leme Jr, num estudo bíblico sobre salvação nos perguntou porque estávamos salvos. Todas as respostas foram mais ou menos assim: "Porque eu um dia aceitei a Jesus Cristo". E alguns comentários que se seguiram a essa resposta davam conta que qualquer um podia ser salvo, bastando aceitar a Jesus Cristo como seu suficiente Salvador. Depois de alguns outros comentários, alguém falou dos índios e outras pessoas que nunca ouviram ou ouviriam sobre Jesus Cristo, seriam eles salvos? A resposta do Décio foi enfática: "Não!" Aí a comoção foi geral. Três tipos de reações surgiram: "Não aceito o que você está dizendo e nem quero ouvi-lo"; "Não aceito o que você está dizendo, mas quer ouvir o que você vai ensinar" e "Nem aceito nem repudio o que você está ensinando, vou tentar entender melhor isso". Essa última foi a atitude que tomei.

Passados 26 anos, a doutrina do universalismo ou da salvação universal continua presente em nossos dias. Recentemente o livro de Rob Bell (O amor vence) causou muita polêmica na igreja evangélica pela postura radical na defesa de que todos serão salvos. Muito foi dito. Gente muito séria saiu em defesa de Bell. Como também muita gente séria saiu para mostrar o erro dessa doutrina. Eu não sou universalista. Não creio que na última hora - e nem agora - Deus vai salvar todo mundo. E não creio nessa doutrina simplesmente pelo fato de não encontrá-la na Bíblia. Vejo no Antigo e no Novo Testamentos muita gente que morreu perdida em seus pecados e não foi salva. Vejo gente que foi deixada por Jesus Cristo seguir seu próprio caminho, sem ser levada ao arrependimento. Não posso crer que Jesus Cristo vai salvar todo mundo na última hora, pois o "livro da última hora" não me mostra isso. Em Apocalipse 17:14, o apóstolo João, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu que vencerão apenas os que estão com Ele e não todo mundo.

Pensando nessa doutrina hoje pela manhã, dois exemplos ocorridos com Jesus Cristo me vieram à mente. Um deles é a visita de Jesus Cristo às cidades de Tiro e Sidom. Em Mateus 11:21 lemos que para Betsaida e Corazim haverá mais rigor no Dia do Juízo do que para Tiro e Sidom. Isso porque em Betsaida e em Corazim Jesus Cristo operou muitos prodígios e eles não se arrependeriam da forma que Tiro e Sidom poderiam ter se arrependido. É espantoso ver que Jesus Cristo visitou as "cidades impenitentes" e não operou nenhum prodígio mesmo sabendo que elas se arrependeriam em pano de saco e cinza. Então, pergunto, por que Jesus não operou nenhum milagre naquelas cidades?

Em Marcos 3:8 lemos que as pessoas de Tiro e de Sidom vinham até Jesus porque ouviam falar muitas coisas sobre Ele, mas elas nunca tinham visto nada da parte de Jesus em suas própria cidades. Além disso, é curioso perceber que quando Jesus Cristo entra em Tiro e Sidom em uma de Suas visitas, Ele entra numa casa e pede para que ninguém saiba de Sua presença. E mesmo sendo descoberto naquela casa, não há nenhum registro em Marcos que Ele tenha feito algum sinal ou maravilha nessas cidades. Ora, por que Jesus Cristo não operou nenhum milagre? Não Lhe custaria nada? Ele não ficaria menos poderoso com isso! Eu sinceramente não tenho resposta para isso.

Outra situação de Jesus Cristo, que me parece contrária ao universalismo, é a Sua crucificação. Ele foi crucificado com dois ladrões. Pelas leis da época, esses ladrões mereciam aquela morte, mas Ele mesmo era um "justo morrendo pelos injustos". Um dos ladrões zomba dEle, mandano-O Se salvar como fez com outros (Lucas 23:39). Interessante é que Jesus Cristo nem responde a esse malfeitor zombeteiro. Ele nem dá atenção ao que o ladrão está falando. Jesus Cristo pede que o Pai perdoe os soldados que escarneciam dEle, mas não pede que o ladrão seja perdoado pela zombaria que comete. O ladrão propôs a mesma coisa que os soldados propuseram, mas Jesus Cristo nem conversa com esse malfeitor.

Na crucificação vemos dois homens semelhantes, condenados por merecimento e apenas um deles olha para Jesus Cristo pedindo por salvação. Ambos os ladrões estavam mortos espiritualmente (Efésios 2), ambos não desejavam a vida por estarem mortos (João 5:40) e apenas um é alcançado. Então pergunto, por que só um reconheceu Jesus Cristo como Salvador? Por que só um teve fé para crer na vida ao lado de Jesus Cristo depois da morte? Na cruz, apenas um dos ladrões vai ter entrada no paraíso com Jesus Cristo. É preciso lembrar que a "salvação pertence ao Senhor" (Jonas 2:9) e, pertencendo a Ele, nós não temos gerência sobre a nossa salvação e dos outros. A salvação é nossa apenas porque nos foi dada.

Não podemos escolher os versículos isoladamente e montar uma doutrina que se nos pareça confortável e, até mesmo, razoável. Argumentos que usam o grande amor de Deus, a grandeza do Seu amor, a Sua infinita misericórdia esquecem que Ele não deixa de ser amor quando age com justiça. A Bíblia nos ensina que Deus Se ira todos os dias. A mesma Bíblia diz que Ele ama todos os dias. Ele não é nem mais amor, nem mais justiça. Lembremos do episódio em que uma prostituta é levada até Jesus. Tanto ela como os seus acusadores precisavam de salvação. Ambos eram pecadores e necessitavam de perdão. Mas todos aqueles homens foram embora sem serem perdoados e Jesus não ficou chateado com a atitude deles. Nenhum deles, ao se perceberem pecadores, voltou-se para Jesus Cristo pedindo perdão. E Jesus não insistiu para que eles fossem perdoados. Mas a prostituta não foi procurar Jesus Cristo buscando perdão. Será que ela queria ser perdoada? Ela não foi espontaneamente buscar o perdão de seus pecados. E mesmo assim, sem querer ser perdoada, Jesus Cristo a perdoou.

Jesus Cristo salva a quem quer e eu não tenho que dizer a Ele quem Ele tem que salvar, eu tenho apenas que anunciá-lO.

sábado, 27 de abril de 2013

Jesus, nem manso e nem suave!!!



            Eu sei que tem uma parte da igreja evangélica brasileira que não gosta de estudar a Bíblia. Essas pessoas ficam só na leitura, muitas vezes, superficial e não querem saber de se aprofundar nos assuntos. Muitas não gostam de ler. O problema é que não gostam de ler nada – livros, revistas, jornais e nem o manual do carro que compram! O problema que vejo nisso é que ou a pessoa está errada ou Deus está errado. Bem, se Deus escolheu Se comunicar conosco através de um livro que precisa ser lido e a pessoa que se diz cristã não gosta de ler, temos um problema.

            Contudo, não somente ler a Bíblia, mas é preciso que ela seja compreendida e aplicada à vida. Em seu mais recente livro, Luiz Sayão dá um diagnóstico preciso dessa situação: “...muita gente toma decisões teológicas por reação emocional e não por consciência e aprofundamento...”. E tem algo pior. Na visão de Sayão, os pastores também não sabem o que pensam, “...cresce o número de pastores que só é contra alguma coisa, sem saber o que ele mesmo é” (p.18, grifos do autor – Agora sim!: teologia na prática do começo ao fim, São Paulo: Hagnos, 2012).

            O problema em não ler a Bíblia se divide em duas partes. Acredito que uma face do problema é não saber, não conhecer o que a Bíblia diz. A Bíblia ensina coisas práticas sobre casamento, educação de filhos, relacionamento familiar, relacionamento entre empregado e empregador, cuidado com as finanças, respeito às autoridades políticas, relacionamento do cidadão com o Estado, entre outros temas. Veja você que, apesar de corriqueiros, esses assuntos são a base da nossa vida. Apesar de lidarmos com essas questões todos os dias, temos vários problemas em todas essas áreas que poderiam ser evitados se seguíssemos os princípios bíblicos.

            A segunda parte desse problema é dizer o que a Bíblia não diz. Um caso extremado dessa situação é o de uma artista brasileira muito famosa na década de 1980 que se diz (ou dizia) evangélica. Ela foi casada muitas vezes, estrelou filme pornográfico e, vez ou outra, é chamada para participar de programas televisivos para dar sua opinião sobre assuntos bíblicos. Leia uma de suas afirmações: “Venha a mim do jeito que você está e eu farei a obra” (se tiver coragem, veja aqui). E esse é um problema sério, pois quem prega, ou quem ensina a Bíblia, se tiver uma postura dessas, vai ensinar qualquer outra coisa, exceto a Bíblia.


            A maneira como Jesus lidava com as pessoas é um prato cheio para esse erro tipo dizer o que a Bíblia não diz. Esta semana, a TVUOL publicou um vídeo com depoimentos de três cantores evangélicos, Thalles, Rodolfo Abrantes e Pregador Luo. O título do vídeo é Religiosidade atrapalha o gospel. Nele, os entrevistados dão sua opinião sobre a relação que têm com a religião e com a prática religiosa.

            Thalles disse:
“Jesus era um cara suave. Jesus andava no meio do povo, andava no meio dos pobres, alimentava as multidões com pão, peixe. E se tivesse pouco pão, pouco peixe ele multiplicava pra alegrar todo mundo. Depois, todo mundo tava alimentado, ele trocava uma ideia e falava por parábolas, contando historinha pra ficar mais suave, pra galera entender, fazendo as coisas paulatinamente.”

            Jesus multiplicou pães e peixes duas vezes nos Evangelhos.Uma das vezes, usando cinco pães e dois peixes (Mateus 14:13-21; Marcos 6:31-44; Lucas 9:10-17; João 6:5-15). Em outra ocasião, Ele multiplicou “sete pães e alguns peixes” (Marcos 8:1-9; Mateus 15:32-39). Pelo que se lê nos Evangelhos, essas multiplicações não eram corriqueiras, mas fatos excepcionais do Seu poder. Além disso, contar parábolas não tinha a intenção de aliviar os fatos. O próprio Jesus explica porque falava em parábolas e, pela fala de Jesus, a intenção não era suavizar nada:

Os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: Por que falas ao povo por parábolas? Ele respondeu: A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem.” (Mateus 13:10-13)

            Jesus falava por parábolas para que algumas pessoas não entendessem o que era dito. Entender suas palavras era para um grupo restrito de pessoas, não para todos. Aos outros, a visão e os ouvidos ficavam tapados justamente pelo uso das parábolas. Isso não significa que Jesus falava sempre por parábolas. Elas tinham uma função específica e didática no ministério de Jesus. E parece que o Thalles se esqueceu disso (ou não sabe disso).

            Outra afirmação é a do cantor Rodolfo. Ele teve uma conversão radical e verdadeira, abandonou a vida que tinha antes de Cristo e atua como um missionário para essa geração. Gosto muito dele. Vejo suas ministrações na internet e sou abençoado por elas. Mas nesse vídeo, ele faz uma afirmação equivocada sobre Jesus Cristo. Em suas palavras, 

“Você lê os evangelhos que falam de Jesus, você vai ver que as únicas pessoas que ele se dirigia com agressividade eram os religiosos da época.”

            Infelizmente essa é uma visão equivocada de Jesus Cristo. Jesus foi duro com todo tipo de gente. É bem verdade, e acho que é isso que o Rodolfo quis acentuar, com os doutores da lei, Jesus não aliviou em nada. Apenas com Nicodemus, em João 3, Jesus não foi duro na maneira de falar. Mas a conversa dEle com Nicodemus é sobre um assunto espinhoso, “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo” (v. 3). Pelo diálogo relatado por João não vemos Jesus com agressividade, mas uma conversa normal no meio da madrugada. Contudo, Jesus é duro com “as multidões” também. O mesmo discurso que Ele fazia contra os fariseus, ele fazia contra pessoas comuns.

            Em Mateus 12:34 e em 23:33, Jesus Se dirige aos fariseus da sua época chamando-os de “raça de víboras”. Não é uma maneira amistosa de se dirigir a um grupo de pessoas. É verdade. Contudo, coube a João Batista, Seu precursor, chamar as multidões que o ouviam de “raça de víboras” (Mateus 3:7; Lucas 3:7). Ao que lemos na Bíblia, Jesus não invalidou o discurso de João Batista, pelo contrário. Jesus o chamou de “o maior dos nascidos de mulher” (Mateus 11:11; Lucas 7:28).

            Além disso, Jesus não confiava nas multidões que o seguiam (João 2:23-24), porque conhecia o coração deles. Interessante João, o “discípulo do amor” registrar esse sentimento de Jesus pelas pessoas. Outro fato marcante no ministério de Jesus são as cidades de Tiro e Sidom. Quando Jesus visitou essas cidades, Ele não fez nenhum milagre nelas, mesmo sabendo que elas se arrependeriam com os milagres (Lucas 10:13). É difícil imaginar que Jesus tenha evitado o arrependimento das pessoas. Pelo menos para mim é difícil.

            Outra passagem famosa é quando Jesus expulsa os vendilhões do templo (João 2:13-16). Pelo que sabemos dos dados históricos, os vendedores não eram os fariseus e escribas. Estes, eram a elite religiosa da época. Os vendedores eram pessoas comuns, do dia a dia, do cotidiano. E Jesus não alivia em nada para eles. Além de ter batido neles, os expulsou, expulsou os animais e os produtos vendidos. É difícil imaginar que Jesus tenha falado de modo calmo nesse episódio. E se levarmos em conta que muitas famílias pobres viviam da venda desses produtos, fica ainda mais difícil imaginar que Jesus tenha sido suave com eles.

            É uma tentação considerar Jesus Cristo como manso e suave a todo instante. É difícil imaginar um salvador carrancudo, olhando feio e dando bronca. Mas Jesus não era assim sempre. Creio que as pessoas pensam assim de Jesus por outros motivos. Ninguém gosta de ganhar uma bronca, de ser repreendido, de não ser valorizado, e quando Deus faz isso, é difícil aceitar isso. Mas Jesus é Deus completo. Ele ama sempre e é sempre justo. Nele não há mancha de caráter. Ele é perfeito.

sábado, 23 de março de 2013

Ciência, livre arbítrio e Bíblia

Lá pelos idos de 2009, escrevi um artigo chamado O livre-arbítrio cerebral (leia aqui). Nesse artigo discuti que o cérebro comanda as nossas vontades. Em resumo, antes de desejarmos alguma coisa, nosso cérebro determina esse desejo, para só depois realizarmos a nossa vontade. Há experimentos muito simples que medem o tempo entre sentir a vontade e realizar essa vontade. Esses mesmos experimentos conseguem medir o tempo em que o seu cérebro mandou você sentir tal vontade.

A Revista Galileu deste mês traz uma reportagem de capa que discute o mesmo assunto (leia aqui). Nesse link há apenas um resumo da reportagem impressa, então, aconselho a você que compre a revista.

Qual é o problema que vejo nisso? Eu não tenho problema nenhum com o livre-arbítrio, mesmo porque creio que ele não existe. Do ponto de vista filosófico e teológico, o livre-arbítrio é uma piada. Nenhum de nós toma decisões de modo livre. Você pode não ser consciente de quem ou do quê te influencia nas suas decisões. O problema que vejo não é para mim, mas para cristãos moderninhos. Melhor dizendo, pós-moderninhos. Gente que não olha mais para a Bíblia como inerrante, autoritativa, acima de qualquer cultura ou tradição.

Cristãos assim olham para o Gênesis e o encaram como uma alegoria, ou parábola, ou ainda mais, como uma explicação para a origem de tudo dentre tantas outras dos povos que viviam junto dos hebreus na época bíblica. Cristãos pós-modernos olham para as coisas modernas em pé de igualdade com a Bíblia. Cristãos assim não se posicionam contra o homossexualismo, contra as explicações naturalistas para origem da vida e do universo. Os púlpitos das nossas igrejas estão cheios de pregadores que colocam Freud, Augusto Cury, Bento XVI e Marx em pé de igualdade com Paulo, Pedro ou João. Pregadores atuais precisam olhar para a Ciência como algo que complementa a Bíblia. Afinal de contas, não pega bem o homem do século 21 acreditar que Deus fez o ser humano do barro, que uma cobra fala com as pessoas e que uma chuva muito grande matou os dinossauros.

Pois então, a mesma metodologia científica aplicada ao estudo da evolução das espécies é aplicada ao estudo de como tomamos as nossas decisões. Os neurocientistas dizem que o livre-arbítrio não existe e que nossas decisões estão baseadas na carga genética que trazemos dos nossos antepassados e das experiências que vivenciamos no nosso meio ambiente. Mas há ainda um dado que coloca mais lenha nessa discussão. Gêmeos idênticos que são criados nas mesmas condições, que não foram separados na infância e desfrutam dos mesmos pais, da mesma alimentação, educação e influências, optam por carreiras diferentes, se casam com pessoas completamente diferentes e têm vontades distintas em muitas coisas. Do ponto de vista da Ciência ainda há muito a ser estudado.

Do ponto de vista da Teologia, a Bíblia mostra muito claramente que a nossa vontade não é livre. Jesus, em Suas pregações dizia o seguinte:

"Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai..." - João 8:44
"E não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5:40
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" - João 6:44

Eu não sei como os pregadores modernos vão interpretar esse assunto da neurociência. Na verdade, creio que eles nem se importarão com essas notícias. A própria comunidade científica não dão importância quando esse assunto surgiu da primeira vez. Mas agora ele ganha corpo, pois muitos cientistas se debruçam sobre esse tema. Associar a Bíblia com a Ciência soa moderno e parece coisa de intelectual. É descolado pregar usando Darwin, Dawkins e Stephen Hawking. As pessoas vão olhar para você como uma pessoa que entende dos tempos modernos, como uma pessoa que não é alienada e tosca. Mas a Bíblia está acima disso tudo. Inclusive acima de nós.
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40
E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40

domingo, 3 de março de 2013

Jesus não morreu por todos - parte 8



            Owen apresenta um argumento baseado no significado da palavra redenção. Essa palavra aparece na Bíblia por volta de 15 vezes – dependendo da versão que o leitor estiver usando. O significado dessa palavra é fácil de ser entendido. Imagine que há alguém preso por uma dívida qualquer e essa dívida é paga. Quando isso ocorre a pessoa está redimida, ou seja, ela não deve mais nada.

            A salvação do povo de Deus teve um preço a ser pago. Esse preço não podia ser pago por nenhum homem, visto que o pecado impede o homem de se apresentar diante de Deus sem mancha. Além disso, o preço exigido por Deus era alto demais para qualquer homem se aventurar a pagar. O homem não tem a capacidade de cumprir integralmente a lei de Deus e esse era o preço exigido por Deus.

            Assim, o próprio Deus teve que providenciar quem pagasse tal dívida: Ele mesmo pagou a escrita de dívida que nos era contrária (Colossenses 2:14). E o sacrifício de Jesus Cristo foi perfeito porque Ele foi perfeito. Não há o que ser questionado no tribunal de Deus. Não cabe nenhum recurso de apelação. A dívida foi paga de modo cabal, sem que sobrasse nada para o endividado fazer.

            Por causa do sacrifício de Jesus Cristo, e somente por isso, somos redimidos dos nossos pecados. Somos agora tornados livres de toda culpa do pecado. “Por isso, a própria Palavra nos ensina que Cristo não pode ter obtido a redenção para aqueles que não estão livres (...) É inconcebível que um resgate seja pago e a pessoa ainda continue prisioneira.” (p. 47). Não podemos afirmar que Cristo tenha morrido por alguém, se esta pessoa morre presa aos seus próprios pecados. Se de fato Jesus morreu por uma pessoa, ela realmente será salva.

            “Redenção não pode ser universal, como romano não pode ser católico. A redenção tem que ser particular, visto que somente alguns são redimidos.” (p. 48). É importante ressaltar que a palavra “alguns” usada por Owen, não tem a conotação de poucos. Lemos no Apocalipse que o número dos eleitos é da ordem de “milhões de milhões e milhares de milhares” (5:11). Quem morre redimido, morre sem a culpa do pecado nas costas.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Deus é... o quê?


           A Bíblia tem várias declarações sobre Deus. Algumas dessas declarações são sobre quem Deus é, sobre como Deus é, sobre o quê Deus é. Assim sendo, há declarações que são diretas. Outras são inferências que fazemos a partir dos textos bíblicos.
 
            Por exemplo, Deus toma conta de nós. Não existe nenhuma afirmação direta na Bíblia sobre isso, mas inferimos essa característica de Deus quando lemos o Salmo 103:13, “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem.” Outra comparação interessante é relacionar Deus com animais. No Salmo 91:4, Deus é comparado a uma ave que protege seus filhotes debaixo de suas asas, “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade é escudo e broquel.”

            Mas há versículos que mostram diretamente características da personalidade de Deus. Por exemplo, em seu evangelho, João afirma que “Deus é verdadeiro” (João 3:33) e que “Deus é Espírito” (João 4:24). Essas são afirmações que não são figuras de linguagem. Não se trata de uma metáfora e, portanto, resta pouca margem para ficarmos imaginando como explicar a frase “Deus é verdadeiro”. Uma afirmação é verdadeira ou falsa, não existe uma  meia verdade – ainda que desejássemos que elas existissem. Quando a Bíblia afirma que Deus é Espírito ela coloca um ponto final em qualquer representação visual que se queira fazer de Deus. É impossível representar Deus visualmente. Até mesmo o próprio Jesus não usou de artifícios visuais para mostrar o Pai aos seus discípulos, “Quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9).

Dentro desse tipo de afirmação, ainda vemos declarações que deixam pouca margem para qualquer discussão. Nessa linha lemos que “Deus é fiel” (2 Coríntios 1:18). Não é que Deus seja muito fiel ou pouco fiel. Ou ainda, que Ele seja fiel hoje e infiel amanhã. Deus é fiel e não se discute isso. Outras afirmações que me parecem da mesma essência são “Deus é luz” (1 João 1:5) e “Deus é amor” (1 João 4:8). A luz pode ser fraca como uma vela ou intensa com a do Sol, mas luz é luz e quando ela não está presente – no fundo de uma caverna comprida, por exemplo – todo mundo percebe sua ausência.

O fato de Deus ser verdadeiro, fiel, luz e amoroso nos trazem um conforto muito grande, uma paz e tranquilidade que fazem bem à alma. Saber que Deus é amor, permite com que nos lancemos em Seus braços nos momentos de tristeza que passamos – dizer que Deus tem braços é uma figura antropomórfica, pois “Deus é Espírito”. Saber que Deus é verdadeiro nos dá uma confiança muito grande, pois se Ele disse alguma coisa na Sua Palavra, não precisamos desconfiar que não seja verdade tal afirmação.

Mas, e quando a Bíblia afirma que “Deus é um fogo consumidor” (Hebreus 12:29), como devemos entender uma afirmação dessas? O que Ele consome? Quem Ele consome? Como Ele consome? O fogo pode ser usado para destruição e para purificação pelas pessoas. Bem, se a Bíblia compara Deus ao fogo, deve estar relacionado com algo que as pessoas conheçam, ou essa comparação não faria sentido para nós! Mas Deus é capaz de destruir? Bem, se Ele destruir alguma coisa, certamente será algo que Ele mesmo criou. Mas se realmente Ele vai destruir, onde fica o amor dEle? Seria Deus mais amor e menos fogo consumidor? Seria Deus mais amor é menos Espírito? Seria Deus mais amor e menos fiel? Será que Deus “abandonaria” ou deixaria de lado certas características em detrimento de outras?

Em 2 Coríntios 9:8, lemos “E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra”. Pergunto, será mesmo que Deus é poderoso para me fazer transbordar na graça, ou essa é mais uma figura de linguagem? Ele é mais poderoso ou mais amoroso? Ou é amor e poder na mesma intensidade?

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...