quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 5

Depois de bastante tempo estou aqui de novo, dando continuidade ao tema da morte expiatória de Jesus.

Três argumentos baseados nas descrições bíblicas da salvação
1. As Escrituras ensinam que nossa redenção é uma "redenção eterna". Se esta redenção é para todas as pessoas, então, automaticamente, todos os homens estão salvos, ou ela está disponível na dependência do cumprimento de certas obrigações. Sabemos, por experiência e pelo testemunho das Escrituras, que não são todos os homens que estão salvos. Contudo, se temos que cumprir certas condições para sermos salvos, significa que Jesus Cristo não foi suficientemente capaz de cumpri-las todas! Se for assim, em parte nossa salvação depende de nós, o que nos tornaria merecedores dela. Mas não é isso que ensina a Bíblia: "Pela graça sois salvos, por meio da fé e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem de vós para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9).

2. A Bíblia mostra cuidadosamente aqueles pelos quais Jesus Cristo morreu: Seu povo (Mateus 1:21); Suas ovelhas (João 10:11, 14); Sua Igreja (Atos 20:28); Seus eleitos (Romanos 8:32-34); Seus filhos (Hebreus 2:13). Ou seja, aquelas pessoas que não são Seu povo, Suas ovelhas, Sua Igreja, Seus eleitos e Seus filhos não são alvo da salvação de Jesus Cristo.

3. "Não devemos descrever a salvação de nenhuma maneira diferente daquela que a Bíblia a descreve. E a Bíblia não diz, em lugar algum, que Cristo morreu "por todos os homens", ou por cada homem em particular. Ela diz que Cristo deu Sua vida "em resgate de todos"; entretanto, isso não pode provar que signifique mais que "todas as Suas ovelhas" ou "todos os Seus eleitos". Se estudarmos cuidadosamente qualquer versículo que emprega a palavra "todos" e o examinarmos em seu contexto, logo estaremos convencidos de que, em lugar algum, as Escrituras dizem que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção de nenhum." (Por quem Cristo morreu?, John Owen, pág. 43, 1ª edição, Editora PES).

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vontade vs Necessidade

Tenho vontade de conhecer uma igreja que "persevere na doutrina dos apóstolos" e não tenha problemas doutrinários. Queria ser membro de uma igreja que enxergasse o mundo e usasse suas qualidades (ainda que poucas) para a glória de Deus e que rejeitasse tudo que não presta no mundo (talvez a maioria das coisas). Eu queria uma igreja que, ao mesmo tempo, fosse madura para não ser levada por nenhum vento de doutrina, mas que tivesse a pureza das crianças, as herdeiras do reino dos céus. Queria uma igreja que ensinasse só a Bíblia, sem conceitos humanos distorcidos; que considerasse a Bíblia acima de toda suspeita e a única regra de fé e prática.

Tenho vontade de conhecer uma igreja que olhe para o rico e para o pobree do mesmo jeito; para o negro, para o branco e para o indígena da mesma maneira. Uma igreja que olhe para a prostituta, para o ladrão, para o corrupto do mesmo jeito. Uma igreja que tenha os mesmos olhos para o político, para gari, para os presidiários e para os divorciados. Uma igreja que veja os governantes e os governados como iguais, sem distinções. Uma igreja que seja igual para os pastores e para os membros. Queria uma igreja que olhasse para os gays e lésbicas como pessoas, do mesmo jeito que são os heterossexuais. Todos esses tipos de pessoas são pecadoras diante de Deus, carentes da glória dEle, vivendo em rebelião contra Ele e se inclinando na direção contrária. Queria uma igreja que mostrasse o pecado das pessoas, mas que também mostrasse, em proporção ainda maior, o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

A minha vontade é de pertencer a uma igreja que valorize os artistas e que veja a arte como de fato ela é, uma arte - com beleza, com poesia, com alegria. Mas que perceba que a arte não é um caminho para se chegar a Jesus Cristo. Como músico, queria uma igreja que olhasse o músico do mesmo jeito que olha o advogado, o médico, o engenheiro, a cabeleireira, a manicure, os psicólogos e os empresários. A minha vontade é de pertencer a uma igreja que "não se conforme com o mundo", mas que o renove, que o a ressignifique. Na verdade, o meu desejo é de uma igreja que seja atual, porém que não se desvie da "sã doutrina".

O meu desejo é que a minha igreja local seja composta de gente de verdade. Gente que tem problemas, culpas, medos e pecados dos mais diversos e que tudo isso não seja escondido para debaixo do tapete. Mas também que não os coloque às vistas de todos. Queria uma igreja que lidasse com meus problemas como se fosse de todos, e que em todos houvesse uma verdadeiro desejo de me ajudar, de andar ao meu lado, que procurasse meu bem-estar. Uma igreja que me discipline quando eu precisar ser disciplinado e que me discipule, quando eu precisar ser discipulado. Quero uma igreja que não olhe pra mim como um número, contudo que me carregue no colo quando eu precisar, mas que me coloque no chão e me ensine a carregar outras pessoas.

No fundo, no fundo mesmo.... acho que eu estou necessitando de ir para o céu.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Jesus não morreu por todos - parte 4

Falar que Jesus não morreu por todas as pessoas não é muito popular. Muitos pregadores ao longo da história da Igreja sofreram por pregar isso. A ideia geral é que, se Jesus Cristo não morreu por todos, Deus não seria justo, ou que Ele não amaria a todos. Quando é dito que Jesus não morreu por todos, a impressão que as pessoas têm é que o amor de Deus seria diminuído, ou fraco. Pensar que Jesus morreu por todas as pessoas, de todas as eras parece fazer o amor de Deus grande o suficiente.

Eu pensava desse jeito. Mas a partir de março de 1987 comecei a refletir sobre a salvação de Deus e cheguei à conclusão que pensar numa expiação particular não diminuía o amor de Deus. Preciso dizer que não foi sem conflito essa transição: de pensar de um modo universalista para uma redenção particular. Na verdade esse é mais um exemplo de um arminiano que se transforma em calvinista. Muitos já passaram por isso: conflitos internos, perguntas, dúvidas e negações. Mas sempre mantive uma postura de tentar entender o que a Bíblia ensina e uma máxima que aprendi ainda jovem: tudo deve glorificar a Deus - se alguma interpretação possibilitar a menor probabilidade de mérito humano diante da salvação, ela deve ser rejeitada. "Pela graça sois salvos e isso não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8).

E em dezembro de 1987 conheci o livro Por quem Cristo morreu?, de John Owen. Na verdade esse livro é uma simplificação de um livro maior de Owen chamado A morte da morte na morte de Cristo. Para muitos, o próprio título do livro é um absurdo, pois entendem que esse tipo de pergunta é descabido. Ora, se "Deus amou o mundo de tal maneira" é certo que Seu Filho Jesus morreu para salvar o mundo, visto ser Ele o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". O raciocínio parece bastante lógico, mas o inferno está aí para provar que se tem gente sofrendo lá, é porque não foram alcançados pela obra de Jesus Cristo. Uma coisa tem que ficar muito clara na nossa mente e coração: Jesus Cristo, Seu sangue e sacrifício têm todo o poder e , portanto, é inadmissível que Ele falhe no propósito para o qual Ele foi designado. E Jesus Cristo cumpriu esse propósito à risca, pois Ele é um com o Pai, portanto Ele não falhou em salvar aqueles pelos quais Ele mesmo morreu (João 6:39).

Na terceira parte de seu livro, Owen apresenta vários argumentos contrários à ideia de Jesus ter morrido por todos os homens. John Owen foi um dos pregadores mais influentes de seu tempo. Sua obra é vasta e ele é um excelente expositor da doutrina bíblica. Ele divide seus argumentos em vários itens. Acho interessante apresentá-los aos poucos.

1. Dois argumentos baseados na natureza do novo concerto.
a. Pelo velho acordo, Deus salvaria as pessoas que guardassem Suas leis (Romanos 10:5). Mas por causa do pecados dos homens, ninguém foi capaz de guardar os mandamentos do Senhor. "Portanto, o velho acordo ficou sem efeito" (p. 39). Na nova aliança, a promessa é que as leis de Deus serão colocadas por Deus nas nossas mentes e no nosso coração (Hebreus 8:10). Daí, decorre duas coisas: Deus não vai falhar em cumprir essa promessa e Ele não tem feito isso para todas as pessoas. Obviamente, Ele não vai escrever as leis para as pessoas que crerem, visto que a fé para crer faz parte da lei escrita em nossos corações.

b. O evangelho tem estado no mundo desde a encarnação de Jesus Cristo e nem todas as nações ouvem a pregação do Evangelho. E esse ponto é muito importante e delicado. Em Atos 14:16 e 16:6-7, os missionários foram impedidos pelo Senhor de pregar nas cidades para as quais eles se propuseram. É difícil imaginar que Deus tenha impedido algupem de pregar o Evangelho, mas foi isso que aconteceu. Do mesmo jeito que Jesus foi a Tiro e Sidom e não operou nenhum milagre lá, mesmo sabendo que as pessoas se converteriam depois dos milagres. O fato é que milhões de pessoas têm morrido sem ouvir as boas novas de salvação. Por negligência da igreja e porque muitos "foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra" (Atos 16:6).

Leia e medite. Não é um tema fácil, mas é a verdade.

Um abraço e até os próximos argumentos. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 3


            Essa é a terceira parte das minhas reflexões sobre o fato de Jesus Cristo não ter morrido por todas as pessoas. E, na verdade, não sei quantas partes ainda vão ter. Mas não quero me estender muito neste assunto, pois existem muitos outros a serem tratados.

            Num primeiro momento, quando ouvimos ou lemos alguém dizer que Jesus não morreu por todas as pessoas em todas as eras, ficamos chocados. E então, perguntamos: “Como é possível Jesus não ter morrido por todos?” E isso está diretamente ligado com a noção que temos do amor de Jesus Cristo. Ora, se Deus é amor e Jesus Cristo é a exata expressão de Deus, logo o amor de Jesus é tão grande que o fez morrer por todos os homens. E assim, pensamos que Jesus morreu por todas as pessoas porque Seu amor é infinito. E com um amor desse tamanho, Ele não poderia ter morrido por um número limitado de pessoas.

            Pensamos, erroneamente, que fazemos o amor de Deus maior quando afirmamos que Jesus Cristo teria morrido por todas as pessoas. O amor de Deus é grande porque Deus é grande. O amor de Deus é poderoso, porque Deus é poderoso. No Antigo Testamento Deus Se relaciona de modo especial apenas com o povo judeu, de Israel. E ninguém chama Deus de pequeno por causa disso. De todos os povos escravizados na Terra, na época do império egípcio, apenas os judeus ganharam sua liberdade e ninguém reclama disso. Por que Deus não ajudou outros povos que eram escravizados pelos egípcios?

            O apóstolo João é quem afirmou que Jesus é a expressão de Deus, o Pai (João, capítulo 1). Ora, se Jesus Cristo é a expressão de Deus por que Ele mostraria um Deus diferente dAquele do Antigo Testamento? Um dos atributos de Deus é a Sua imutabilidade (Malaquias 3:6). Portanto, o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus revelado por Jesus Cristo no Novo Testamento. Mas vamos voltar à questão crucial nesse estudo: por quem Cristo morreu?

            No primeiro post (clique aqui) vimos que Jesus morreu apenas por aqueles que creem nEle (João 3:16). No segundo post, vimos que a fé para crer que Jesus morreu por mim é um dom especial de Deus e isso não vem de nós (Efésios 2:8-9). Disso – e de outros textos bíblicos – decorre que apenas àqueles a quem foi dada a fé para crer em Jesus Cristo como Salvador, são os objetos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ficou complicado?

            O que estou tentando dizer é que Jesus Cristo morreu apenas pelas pessoas que receberam ou que recebem fé salvífica para crer nessa morte. E qual é a parte prática disso? Se eu creio em Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador pessoal, isso é fruto da fé recebi de Deus como Seu dom para mim. Se eu não tivesse recebido essa fé salvífica, eu não teria condições de crer em Jesus Cristo. Não existe salvação em Jesus Cristo sem fé para crer nisso e nEle, do mesmo jeito que não existe mar sem água salgada. Salvação e fé salvífica andam juntas. Se Jesus morreu por mim é certo que vou receber fé para crer nEle.

            Jesus tem toda a autoridade e poder nos céus e na terra (Mateus 28:18). Isso significa que o sangue de Jesus tem o mesmo poder e eficácia para aquilo que ele foi derramado. Não podemos conceber que Jesus tenha fracassado em Sua missão, principalmente depois que lemos em Isaías 53:10-11, que Ele ficaria satisfeito com o “fruto do penoso trabalho de sua alma”. Ora, se Jesus Cristo está satisfeito com o resultado da Sua obra é sinal que o Seu sangue é suficiente e eficiente para salvar aqueles para os quais esse sangue foi derramado. É inconcebível que o sangue de Jesus seja incapaz de salvar alguém. Ele – Jesus e Seu sangue – tem todo o poder para salvar e não deixar morrer aqueles por quem Ele morreu.

            No próximo post vou tratar de algumas razões pelas quais Jesus não morreu por todos os homens, baseadas no livro Por quem Cristo morreu?, de John Owen. Se quiser matar sua curiosidade, adquira o livro clicando nesse link.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Alguma coisa não está batendo!!!!

O Pr Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus do Brás, uma das maiores igrejas locais de São Paulo, não participou da Marcha para Jesus 2012 e não incentivou os membros a participarem. Ele explicou porque não participou:

“Não fui chamado para aplaudir a homens, mas para aplaudir a Jesus Cristo.”

Ele usou seu programa de rádio para dar essas explicações. Mas tem algo muito estranho no ar! Há bem pouco tempo atrás eles estavam juntos e estavam concordando entre si. Veja no vídeo abaixo a união entre eles.




Há três anos atrás, o Pr Samuel Ferreira, assembleiano, estava muito feliz no púlpito da Renascer se solidarizando com a prisão domiciliar do "apóstolo" e da "bispa". E agora ele não podia estar no palco com os organizadores da Marcha. Alguma coisa está errada e eles não estão falando! No vídeo abaixo, o Pr Samuel Ferreira deixou sua igreja e foi falar várias palavras de incentivo para o "apóstolo" e para a "bispa" que estavam nos Estados Unidos impossibilitados de voltarem ao Brasil por terem mentido em relação à quantidade de dólares que levavam. Vale ressaltar que eles não foram presos por pregarem o evangelho, ainda mais porque estavam entrando nos Estados Unidos, um país cristão. Eles mentiram para a emigração e por isso foram presos.



Parece que só nesse ano de 2012, os organizadores aplaudiram os homens. E o pior, o "pastor da maior igreja desse país" percebeu isso só agora. Vocês podem ser a igreja de Cristo, tal como os Coríntios eram, mas precisam aprender muito de Jesus Cristo, "que não teve por usurpação ser igual a Deus".

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 2


Vimos que Jesus não morreu por todas as pessoas, mas apenas por aquelas que creem nisso - clique aqui. Ao analisarmos essa questão dessa forma, podemos concluir que aqueles que morreram sem crer em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, não foram alcançados pela Sua morte. Ou seja, aqueles que morrem sem ter fé em Jesus Cristo não foram alvo da morte expiatória dEle.

O apóstolo Paulo desenvolve isso em Efésios, capítulo 2: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (v. 8). O que fica claro, por esse versículo, é que a graça, a salvação e a fé não vêm de nós, mas vem de Deus como um dom para nós.

A graça diz respeito àquilo que não merecemos, mas mesmo assim Deus nos dá, nos outorga, nos deixa à disposição. Não merecemos ser salvos porque nossa natureza se opõe a tudo que diz respeito a Deus. Nossa inclinação é para nos afastarmos de Deus, nos distanciarmos dEle. Em Romanos, capítulo 5, o apóstolo Paulo deixa isso muito claro. E isso acontece porque a nossa natureza é má, é pecaminosa.

Isso não significa que as pessoas que ainda não têm Jesus Cristo como Senhor e Salvador não possam participar de obras assistenciais, praticar a solidariedade, justiça social ou ajudar aos necessitados. O que Paulo está associando é a graça com a fé e com a salvação. Um marido tem fé e acredita no amor de sua esposa, mas essa fé não é suficiente para salvá-lo de seus pecados. Um filho tem fé no amor e dedicação que seus pais têm por ele, porém não é esse tipo de fé que vai conduzi-lo a Cristo.

O apóstolo está tratando de uma fé salvífica. Ambas as fés, se é que podemos nos expressar dessa maneira, são dons de Deus. Mas a fé para a salvação requer algo especial: o reconhecimento de que não somos merecedores dela e que, se Deus não operar em nós a salvação, por nós mesmos não conseguiríamos ser salvos. Dessa forma, não podemos dizer que todas as pessoas têm fé em Jesus Cristo, visto que nem todas as pessoas creem nEle como Senhor e Salvador. Precisamos, como Igreja de Cristo, deixar isso muito claro para as pessoas. Não é o fato das pessoas saberem que Jesus existiu, conhecerem um ou outro ensino dEle que as fazem Suas seguidoras e discípulos.

Ter fé em Jesus Cristo é estar inteiramente seguro que o que precisava ser feito para a minha salvação, Ele já fez e eu não preciso fazer mais nada. Não há nada mais que possa ser feito. Ele obedeceu de modo perfeito. Ele morreu de uma vez por todas. Ele pagou o preço que me era exigido. Ele ressuscitou dos mortos e me deu vida. 

Eu não preciso fazer nenhum sacrifício. Não tenho que participar de nenhuma campanha de 7 dias, 7 sextas-feiras. Não preciso subir em monte algum para ficar orando ou vendo gravetos “pegarem fogo”. Não preciso ficar marchando em ruas, atrapalhando o trânsito de ambulâncias e os demais carros. Ele é tudo em todos, todos os que são salvos pelo Seu eterno e perfeito sacrifício.

Portanto, se Ele me concedeu fé para crer que meus pecados já foram perdoados e que estou lavado e remido por Seu sangue, nada mais importa. Mas preciso receber dEle o dom da fé-graça-salvação. Só Ele pode dar isso e Ele o faz a quem Ele quer. Receber esse dom não está em mim, pois nada do que eu fizer pode movê-lO na minha direção. O apóstolo João nos ensina que se nós O amamos e porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). E disso deriva todo o resto: só tenho fé, por que Ele a me deu; nasci de novo em novidade de vida, porque Ele me regenerou para essa nova vida; busquei-O com amor, porque Ele me buscou primeiro e me alcançou.

Aprendemos em Romanos 11:29 que os dons e a vocação do trino Deus são irrevogáveis, isto é, Ele não volta atrás nas Suas determinações. Mas Ele precisa outorgar fé para as pessoas crerem, do contrário, ninguém seria capaz de crer em Jesus Cristo. A Bíblia é muito clara que as pessoas não querem Jesus Cristo como Salvador (João 5:40). Portanto, todo o nosso desejo de salvação partiu dEle primeiro. Toda a iniciativa de salvação veio da parte dEle e nós apenas respondemos a essa iniciativa da parte de Deus. Nada partiu de nós, tudo partiu dEle. E, por isso mesmo, glória somente a Ele.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jesus não morreu por todos - Parte 1


Jesus não morreu por todas as pessoas. Essa é uma afirmação bíblica com amplo respaldo de versículos, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Vejamos, por exemplo, um dos versículos mais famosos da Bíblia, João 3:16:



“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Pois bem, esse versículo afirma que os que têm a vida eterna e não perecerão são apenas os que creem e não qualquer tipo de pessoa. Já temos um ponto de partida: não são todas as pessoas que serão salvas – serão salvas apenas as pessoas que creem em Jesus Cristo, o Filho unigênito do Pai. Veja que o apóstolo João vincula a vida eterna ao fato de a pessoa ser capaz de crer que Jesus Cristo é o que garante essa vida eterna. Temos aqui uma condição essencial para a salvação, crer no Senhor Jesus Cristo.

Assim, se eu creio que Jesus Cristo é meu Senhor e Salvador, posso ter certeza absoluta que Ele efetivamente morreu para mim, do contrário eu não creria nEle. Esses dois fatos estão intimamente ligados, Ele morreu por mim por isso eu creio nEle. E nessa ordem: primeiro Ele morreu, depois eu cri. A fé que eu tenho que Ele me salvou é consequência do ato dEle ter me salvado. Usando o tema do amor, lemos em 1 João 4:19 que “nós amamos porque ele nos amou primeiro”. 

Não podemos inverter essa ordem, caso contrário a nossa fé seria a causa da nossa salvação. Se tiver que responder a alguém por que sou salvo, minha resposta deve ser que sou salvo porque Ele morreu por mim e me deu fé. Essa fé que tenho na obra de Jesus Cristo é a consequência da Sua morte e ressurreição. Posso acreditar que o prefeito vai tentar fazer o melhor pela minha cidade, ou que minha esposa me ama profundamente. Mas crer que Jesus Cristo é o Senhor, requer uma fé especial, diferente dessa fé comum em pessoas comuns. Chamamos essa fé de fé salvífica.

Afirmar com fé o senhorio de Jesus Cristo é tão especial que o mesmo apóstolo João afirma que esse tipo de afirmação só é feito da parte de Deus (1 João 4: 2-3). Se não for obra de Deus na nossa vida, jamais poderíamos afirmar isso com convicção, de modo que gerasse vida em nós. Primeiro nossa mente e coração são transformados para entendermos a urgência da obra de Cristo por nós, recebemos fé da parte de Deus e confessamos que Jesus Cristo é nosso Senhor. Quem não é capaz de afirmar que Jesus Cristo é Senhor e Salvador de Sua vida, não pode dizer que Jesus morreu por ele. Daí, então, surge uma pergunta importante nessa reflexão: por quem Cristo morreu?

Vamos tratar desse questionamento na próxima postagem

terça-feira, 3 de julho de 2012

Minha refutação a Silas Malafaia

Pr Silas, não vou refutá-lo no campo da Teologia, pois gente mais capaz que eu já tem feito isso e continuará fazendo. Mas na minha área de conhecimento, Biologia, gostaria de colocar algumas questões que o irmão falou.

Infelizmente, quando o senhor coloca algumas informações científicas, eu fico entristecido com essa postura. Falta-lhe conhecimento científico em muitas das suas afirmações e isso macula o trabalho de gente séria, que milita na Ciência e na Teologia, como é o caso de Adauto Lourenço, ou Marcos Eberlin. É uma pena que o senhor fale sobre Ciência sem a devida pesquisa.

No programa em que o senhor "chama pra briga" os blogueiros de plantão há algumas afirmações equivocadas sobre a frutificação de alguns vegetais. E, à guisa de ser honesto com a informação científica e com os seus ouvintes, peço que o senhor seja mais cuidadoso com as afirmações que não são da sua área.

De onde o senhor tirou a afirmação que as tamarareiras frutificação após 30 anos? Aqui no Nordeste brasileiro, as árvores frutificam, em média, há cada dois anos (http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=170). Se o senhor quiser argumentar em relação às tamareiras no Oriente Médio, por serem espécies diferentes das cultivadas aqui, não muda muito. Elas frutificam entre 4 e 8 anos, bem diferente da sua informação. Se o senhor clicar aqui, poderá ter acesso a uma pequena bibliografia sobre o assunto.

Em relação ao tamarindo - e não tamarino, como o senhor disse - a frutificação se dá por volta de 4 a 6 anos e não 60 anos como o senhor afirmou (http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=1573). De onde o senhor tirou essa informação?

No que diz respeito ao abacate o senhor afirmou que a frutificação se dá no sétimo ano. Quanto a isso o erro cientifico nem pode ser considerado como erro, pois os estudos mostram que se dá por volta de seis anos (KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Universidade/UFGRS, 1984. 138p.). Mas tudo bem, 6 ou 7 anos é considerado como um erro-padrão em Ciência.

É lamentável que o senhor tenha uma atitude dessas em relação às informações científicas. Do mesmo jeito que a Teologia precisa ser usada com respeito e correção, as informações científicas merecem o mesmo respeito e correção. Mesmo que a Ciência esteja abaixo da revelação de Deus na Sua Palavra.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Murmuração versus Louvor


Esse é o texto do sermão que preguei na Igreja Batista da Vila Gerte (São Caetano), dia 24 de junho de 2012.

 A palavra de Deus não esconde as mazelas dos seus personagens humanos. Quantas vezes queremos esconder nossos erros e fracassos, para que as pessoas nos aceitem! O cantor Frejat mostrou essa preocupação numa letra de música:
Procuro um amor, que seja bom pra mim,
Vou procurar, eu vou até o fim,
E eu vou tratá-la bem, pra que ela não tenha medo,
Quando começar a conhecer os meus segredos.

         A Bíblia deixa muito claro, inclusive de seus principais personagens, quais foram seus erros e fracassos e não os esconde de ninguém. Apenas como exemplo podemos citar o caso do rei Davi, mesmo sendo um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), teve alguns de seus pecados registrados no Antigo Testamento. Um deles foi querer fazer o recenseamento do povo (1 Crônicas 21) contra a promessa de Deus de fazer o povo de Israel uma grande nação. Por causa desse pecado de Davi, 70 mil homens morreram de peste. O outro pecado, famoso na vida de Davi, é seu adultério com Bate-Seba (2 Samuel 11).
         O povo de Israel, na Teologia, representa o que é, hoje, a Igreja de Cristo. Guardadas as devidas proporções, podemos aplicar várias passagens do povo de Deus do Antigo Testamento para a nossa vida. É bem verdade que precisamos lembrar que o Antigo Testamento é uma prefiguração do Jesus Cristo e não da nossa vida diretamente. Sendo assim, eu gostaria de convidá-los a pensar algumas coisas em relação à nossa vida.
O apóstolo Tiago se expressou muito bem quando, na sua carta, explicou a ação da língua na vida das pessoas (Tiago 3:1-12). Trata-se de um órgão muito pequeno, mas com um poder devastador de quem não sabe usá-la. O aposto diz que a língua pode ser inflamada pelo inferno (v. 6), o que demonstra a facilidade com que pecamos no uso da língua. Numa de suas conversas com Seus discípulos, o Mestre disse que a boca fala com o que está presente no coração (Lucas 6:45). Na Bíblia, o coração é mais do que um órgão que bombeia o sangue. Em sentido figurado, o coração é a sede do intelecto (Gên. 6:5), dos sentimentos (1 Sam. 1:8) e da vontade (Salmo 119:2).  Portanto, como ensinou o Mestre em outra oportunidade, “O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.” (Mateus 12:35).
Precisamos tomar cuidado com o que falamos, com quem falamos e como falamos. Davi, no Salmo 19, nos conclama a que nossas palavras sejam agradáveis diante do Senhor. Mas o falar do salmista, vem acompanhado com a meditação do coração, o que nos mostra o estreito vínculo da boca com o coração (v. 14). Salomão, em seus Provérbios, também nos chama a atenção para uma boa qualidade de vida, a partir do bom uso da nossa língua, “O que guarda a boca e a língua guarda das angústias a sua alma.” (Provérbios 21:23). E mais uma vez, recorremos ao apóstolo Tiago, quando ele nos ensina que falar demais está associado à ira que essa tagarelice pode causar, “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tiago 1:19).
Para nossa lembrança, murmuração significa falatório depreciativo, detração, maledicência, calúnia e mexerico. Mas quais eram os motivos que o povo de Deus tinha para tratá-lO dessa maneira? A Bíblia faz separação entre uma reclamação justa e entre uma reclamação injusta, ou seja, um murmúrio. Em Lucas 18, Jesus conta uma parábola de uma viúva que importunava um juiz malvado. De tanto importunar o juiz, a viúva conseguiu que o juiz julgasse a sua causa (v. 5).
No Antigo Testamento vemos, pelo menos, 10 situações em que o povo de Israel murmurou contra o Senhor, isto é, reclamou sem uma justa causa.

1.    Êx. 14.11 — Quando persegui­dos pelos egíp­cios junto ao mar ver­melho lamen­taram a sua morte.
2.    Êx. 15.23 — As águas eram amar­gas e dis­seram: que have­mos de beber? Moisés lançou um pau nas águas e ficaram doces.
3.    Êx. 16.2 — Fal­tou o pão e lamen­taram as pan­elas da carne. Deus enviou maná de manhã e carne à tarde.
4.    Êx. 17.3 — Não havia água. Dis­seram: por que mor­rere­mos à sede? A rocha deitou água.
5.    Êx. 32.1 — Moisés demorava-se e pedi­ram deuses que os guiassem. Arão deu-lhes um bez­erro de ouro. Irou-se o Sen­hor, (9–11).
6.    Nm. 11.1 — Queixaram-se do maná no deserto. Veio fogo do Sen­hor e con­sumiu alguns no arra­ial.
7.    Nm. 12.2 — Miriam e Arão tam­bém querem a lid­er­ança. O Sen­hor irou-se e Miriam ficou leprosa, (9,10)
8.    Nm. 14.2 — Rev­e­lam temor dos gigantes da terra e mur­mu­ram. Deus disse que não entrariam na terra prometida, (23).
9.    Nm. 16. 3 — A rebe­lião de Coré con­tra a lid­er­ança de Moisés e Arão. A terra engoliu os rebeldes. E fogo do Senhor con­sumiu os 250; (33,35)
10. Nm. 16.41– Depois dis­seram: vós matastes o povo do Sen­hor. Deus indignou-se e enviou uma praga mor­rendo mais 14.600.

Vamos ver a ocorrência do bezerro de ouro, relatada em Êxodo 32.
O povo estava cansado de esperar sem ter uma resposta, por isso começou a murmuração (v. 1). Daí, pediram que Arão fizesse um bezerro de ouro, usaram suas riquezas para a fundição e fizeram para si um deus imaginário (v. 2-4). Feito isso, o sacerdote Arão declarou que no dia seguinte seria um dia de festa para o Senhor (v. 5). Quando amanheceu, o povo ofereceu sacrifícios, comeu e bebeu e se divertiu (v. 6). E é exatamente aqui o grande problema da murmuração: atribuir à criação o que é obra exclusiva de Deus.
Deus é muito claro quanto ao zelo que Ele tem com Seu nome e com Sua glória, “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura.” (Isaías 42:8). Ele agiu dessa forma com Satanás (Ezequiel 28:13-19); agiu dessa forma com Nabucodonosor (Daniel 4:33).
O caso de Nabucodonosor é emblemático quanto a não atribuir a Deus o que Lhe é devido. Ele se inflou no seu orgulho, na grandeza do seu reino, nas riquezas que amealhou, ele cresceu e confiou na força do seu poder. E, por causa desse poder todo, atribuiu a si mesmo a sua grandiosidade (Daniel 4:30). E no mesmo instante Deus mostrou-lhe quem realmente manda (v. 31-33). Por causa de sua arrogância, Nabucodonosor foi contado com os animais do campo.
No episódio do bezerro de ouro, o povo reclamou contra o Senhor, atribuiu a um animal irracional o que era de Deus e a ira do Senhor Se acendeu contra Seu povo. E como Deus impetrou a Sua justiça? A justiça de Deus foi vindicada pelos levitas. A murmuração foi combatida pelos levitas, os responsáveis pelo louvor a Deus. É assim que Deus trata a reclamação do Seu povo. Ele é intolerante com esse comportamento. E o louvor é exatamente o oposto disso. Louvar a Deus significa que não estamos pensando nas derrotas, nas dificuldades, pois atribuímos a Deus as nossas bênçãos.
Quando louvamos a Deus nossa boca se enche de alegria e gratidão pela obra de Deus na nossa vida. Quando exaltamos o “Deus da nossa salvação”, reconhecemos a nossa pequenez e, ao mesmo tempo, reconhecemos a grandeza de Deus. O louvor a Deus nos liberta (Paulo e Silas – Atos 16:25-26); Saul era liberto de um espírito mau quando Davi tocava sua harpa (1 Samuel 16:23).

Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...