Reflexões sobre música, ciência e teologia por um biólogo-teólogo-músico. Pelo menos da Biologia tenho o diploma.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Joana Prado não enfeitiça mais ninguém
Nesse vídeo, Joana Prado se sente indignada com a possibilidade de serem mostrados vídeos e fotos de sua antiga maneira de viver. Depois de ter brigado com o apresentador do programa ela ainda pediu desculpas por eventuais grosserias que tenha dito ao apresentador, que não teve outra opção, se não, respeitar a mulher.
Joana Prado está pagando o preço de seguir a Jesus. Pelo seu testemunho - e já vi ela e o marido várias vezes testemunhando - é possível perceber que houve conversão. Mas o nosso passado...
O que tem o nosso passado? Ora, se o próprio Deus Se esquece dos nossos pecados, por que nós vamos trazê-lo à superfície de novo? O que é pior: outros tentam constantemente nos acusar dos nossos pecados confessados e perdoados. Joana Prado, como ela mesma fala no vídeo abaixo, foi uma das mulheres mais desejadas do Brasil, a maior vendedora da revista Playboy nesse país e renegou tudo isso. Sente-se constrangida quando se vê nas imagens daquela época e quer ter outra vida, agora nos caminhos do Senhor. Isso fica muito evidente no vídeo abaixo:
Arrepender-se verdadeiramente é deixar de para trás o pecado cometido e não voltar lá para trazê-lo de volta. Depois de ler alguns comentários sobre esse episódio e pensar na minha própria vida, me pergunto, até que ponto estou verdadeiramente arrependido dos meus pecados?!
Que Deus tenha misericórdia de mim!!!
Marcos D. Muhlpointner
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O judeu e o cristão
Trabalho em dois colégios judaicos. Num deles ganhei um amigo muito legal. Seu nome é Samuel* e ele é professor de Torá e do Tanach. Para quem não sabe, o Tanach são os livros do nosso Velho Testamento depois de Deuterônomio, de Josué a Malaquias.
Samuel* é ortodoxo. Ele é literalista. Acredita que o relato do Gênesis é de dias de 24 horas. Mau comparando, o ortodoxo judeu se assemelha aos reformados (tradicionais) no meio evangélico. E como cientista que sou, conversamos muito sobre a relação Ciência e Fé. Vem ou outra, temos excelentes conversas sobre a Bíblia, sobre Ciência, sobre D'us** e os homens. Eis um trecho das nossas conversas:
Samuel: Marcos, você daria um bom judeu.
Eu: Por quê?
Samuel: Porque você é um estudioso da Bíblia e sabe conversar muito bem com as pessoas.
Eu: Eu? Acho que não, Samuel.
Samuel: Por que não?
Eu: Porque eu acredito que o Messias é Jesus Cristo e Ele já veio.
Samuel: rsrsrsrsrsrsrsr
Fim de papo!!!
*Nome fictício.... apenas para preservar a identidade do meu amigo!
** Homenagem ao meu amigo. Os judeus não escrevem o nome de D'us com todas as letras em sinal de revereância e respeito.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Entendendo a nossa vontade
Por que queremos pecar? À semelhança de Paulo, por que o bem que queremos não fazemos, e o mal que não queremos, fazemos?
Que Deus nos ilumine com Sua Palavra!!!!
Marcos
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Estou com vontade de pecar!
Todos nós temos vontade de pecar. Não dá para escapar disso. O apóstolo João escreveu que quem não tem pecado já é mentiroso (1 João 1:8). A vontade de pecar ganha força quando há uma possibilidade, ainda que remota, real de se rebelar contra algo ou alguém. Desde o jardim do Éden, quando o homem quis tomar as rédeas da própria vida, essa vontade tem feito separação entre o Criador e Suas criaturas.
Estou com vontade de pecar porque acabei de voltar da Receita Federal. Fui negociar minha dívida com o “leão”. O pessoal lá da Receita está dizendo que estou devendo. É lógico que não concordo com isso. Pago quase R$ 3.000,00 retido na fonte e ainda devo quase a mesma quantia todos os anos. Alguma coisa está errada nisso. Saí do prédio da Receita Federal com vontade de sonegar na próxima declaração de Imposto de Renda.
Um grande amigo meu, cristão também, não paga o Imposto de Renda. Ela dá um jeito de não pagá-lo. Não sei o que ele faz, mas sei que ele não paga. E a alegação dele, ainda que verdadeira.... eu não sei não! Ele fala que não paga para um bando de ladrões e corruptos ficarem roubando esses impostos. Pelo pouco que sei não é isso que a Bíblia fala.
Bem, pelo título do meu texto já dei a dica. Infelizmente querido leitor, gostemos ou não, concordemos ou não, sonegar os impostos é pecado. Devemos dar a “César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21). Meu amigo até reconhece que está errado, mas prefere não pagar o tributo. Espero que ele não pague pelo seu próprio erro!
Mas minha vontade de pecar foi motivada pela injustiça que ocorre no Brasil. Não é justo pagarmos tudo o que pagamos e os governantes serem maus administradores e roubadores desse dinheiro. No fundo a gente sempre tenta encontrar uma desculpa para nosso pecado. Contudo, a razão de querermos pecar é que somos... pecadores. Sim e infelizmente, somos pecadores!!!
Tive vontade de xingar a atendente que apenas me entregou os comprovantes da minha dívida – o pior foi ouvir dela que estava em dívida porque não havia pago. “Como assim não havia pago? Todo mês me descontam do salário!!!!!” Tive vontade de mandar aquelas pessoas e aquele prédio para a “meretriz que os tinha parido”. Tive vontade de afogar minha decepção e frustração com um belo e grande prato de comida, até não caber mais. Tive e ainda tenho vontade de me mudar desse país. Pena que ela não quer!!!
De tudo isso, comi um sanduíche que não era grande, uma esfiha e um refrigerante... zero de açúcar. Depois comi um bombom. Agora estou entrando no site da Receita Federal para ser provado no meu cristianismo. Será que ainda vou ter vontade de pecar por causa do Imposto de Renda?
sábado, 19 de setembro de 2009
Spurgeon, um exemplo
Relutei muito em escrever esse texto, mas fui fortemente incentivado pelo que Spurgeon fez no seu tempo. Em outubro de 1887, ele rompeu com a União Batista, em Londres, porque faziam parte dessa associação pessoas que não pregavam mais o evangelho verdadeiro. A Alta Crítica, como ficou conhecida na época, desviou-se dos temas centrais da fé cristã, criando o que ficou conhecido como Novo Pensamento ou Nova Teologia. Infelizmente, Spurgeon usou de vários artifícios para evitar ter que tomar essa atitude. Escreveu para o secretário da União várias vezes (que inclusive era seu amigo), escrevia artigos apontando os erros e nada foi feito, nem pela União Batista, nem pelos próprios envolvidos naquelas discussões.
Spurgeon combateu com pessoas que queriam reconsiderar as fontes dos livros da Bíblia, eliminar os milagres da Bíblia e reduzir a Palavra inspirada ao nível dos livros meramente humanos. Nos dias atuais, pelo menos em relação aos milagres, a situação é oposta. Hoje, os pregadores evangélicos, principalmente os que têm a mídia consigo, exageram o papel dos milagres, inclusive banalizando-os. O “príncipe dos pregadores”, desde o início de seu ministério, combatia as falsas doutrinas onde e quando elas surgiam. É bem verdade que ele tem muitos inimigos e desafetos com essa postura. Mas importava mais defender a Palavra de Deus, do que fazer concessões espúrias.
Eu não tenho a influência e nem a capacidade que Spurgeon tinha. Não sou pastor e não tenho responsabilidade sobre a vida espiritual de ninguém, Spurgeon, por exemplo, pregava mais de dez vezes por semana, em cidades diferentes, indo à cavalo e sem microfone. Sua igreja tinha mais de 10 mil pessoas todos os domingos para ouvi-lo. Portanto, meu rompimento aqui não terá o impacto que teve a ação de Spurgeon. Por isso mesmo, vou colocar um trecho de um artigo escrito pelo próprio Spurgeon:
“Torna-se um assunto sério: até onde aqueles que permaneçam na fé uma vez dada aos santos devem confraternizar-se com aqueles que se voltaram para outro evangelho. O amor cristão tem seus direitos e as divisões devem ser evitadas como graves males; mas, até que ponto estaremos justificados em permanecer confederados com aqueles que estão abandonando a verdade? É pergunta difícil de responder de maneira que se mantenha o equilíbrio dos deveres. Quanto ao presente, é necessário que os crentes sejam cautelosos, para não suceder que dêem seu apoio e seu auxilio aos traidores do Senhor(...) grifos meus!
Cada crente julgue pessoalmente; mas de nossa parte, pusemos novos ferrolhos em nossa parte e demos ordens para que a grilheta fique bem presa, pois, parecendo pedir a amizade de servo, há aqueles que pretendem roubar O SENHOR(...)
Uma coisa está clara para nós: não se pode esperar que estejamos associados com nenhuma união que abranja aqueles cujo ensino sobre os pontos fundamentais é exatamente o inverso daquilo que para nós é estimado... Com profundo pesar nos abstemos de reunir-nos com aqueles que amamos profundamente e que respeitamos de coração, visto que fazê-lo nos envolveria numa aliança com aqueles que não podemos ter nenhuma comunhão no Senhor.”
Esses trechos foram extraídos do livro que estou terminando de ler, Spurgeon: uma nova biografia, de Arnold A. Dallimore, publicado pela Editora PES.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Suicídio - apenas uma reflexão!
Os assuntos abordados na Bioética são muito polêmicos. E são por dois motivos. Ou as pessoas entendem do assunto e querem expor suas idéias, ou as pessoas não entendem nada, fingem que têm alguma opinião e saem falando a quem quiser ouvir. Com relação ao suicídio acho que é isso que acontece. As pessoas só vão ter uma opinião realmente sólida depois de muita reflexão. E se tiverem a experiência de conhecer alguém que tentou o suicídio, ou que efetivamente se suicidou, as opiniões se fortalecem ainda mais. A Bíblia não trata especificamente da questão, mas podemos extrair algo de proveito para nós. Meu convite a você é que tenha calma e muito discernimento para o que vai ler a partir de agora.
Muitas pessoas encaram o suicida como uma pessoa que chegou ao limite da sanidade. Muitos não conseguem compreender como uma pessoa é capaz de cometer um ato desses. Muita gente sente medo de morrer e não consegue entender como alguém é capaz de provocar a própria morte. Para aqueles que são muito sensíveis a qualquer tipo de dor também é inconcebível que alguém consiga se suicidar. A liberdade na vida é uma busca quase que universal. Todos querem ser donos do próprio nariz. Na verdade, a busca de muitas pessoas é ter uma liberdade absoluta na vida. Muitos não se casam para não perderem a liberdade da vida de solteiro. Muitos casais escolhem livremente não ter filhos para se manterem exclusivamente um para o outro. O sentido de liberdade do ser humano é muito importante e exerce um verdadeiro fascínio. Quem não quer ser dono do próprio destino?
Isso pode ser percebido em algumas relações de pais e filhos. Muitos saem da casa dos pais para “alçarem vôos mais altos”, “para terem seu próprio canto”, “para terem a sua própria vida”. Nas salas de aula isso também é visto com nitidez: alunos que se rebelam contra as regras do colégio; alunos que deliberadamente não fazem as tarefas; respondem com o dedo em riste aos professores. Alguns empregados desejam firmemente serem donos de seu próprio negócio e não mais subordinados. Enfim, vemos as pessoas buscando exercer sua liberdade de todas as formas.
O suicídio é apenas uma dessas formas de exercer liberdade. Sem dúvida que se trata de um exercício da liberdade num grau muito elevado. Quem mais poderia legislar a meu favor se não eu mesmo? Inúmeras razões resultam no suicídio: depressão, desilusão amorosa, fracasso financeiro, uso abusivo de drogas. Não vou discutir essas razões de uma pessoa escolher se suicidar. Mas como cristão e biólogo, alguém que trabalha a favor da vida, não posso me furtar a tocar nessas questões. Será que algum cristão passaria por esses problemas destacados acima?
Tradicionalmente, a igreja (evangélica e romana) sempre condenou o suicídio como moralmente incorreto e o colocou na prateleira dos pecados imperdoáveis. Ora, se alguém comete o suicídio, como se arrependeria dele? Assim sendo, se fosse salvo, perderia sua salvação por não ter se arrependido. Esse argumento parece bastante lógico e ponderável. Mas imagine que uma pessoa tenha decidido se matar pulando do vigésimo andar de um prédio. Lá pelo décimo andar essa pessoa se arrepende de verdade e clama por perdão. Não há meios dela se salvar fisicamente, mas está arrependida do que cometeu e será salva? Seria válido tal arrependimento?
Isso mostra o caráter singular do suicídio e do arrependimento de pecados. Se eu for um assassino e me arrepender dos meus crimes, posso parar de cometê-los. Mas o suicida da história acima não terá essa chance. Mesmo tendo se arrependido não poderá mais exercer a liberdade que dizia desfrutar. Assim sendo, questiono: para onde essa pessoa vai depois do suicídio? Se a pessoa deve se arrepender de seus pecados para herdar a vida eterna, então a personagem dessa nossa história está salva. Mas deixe-me “pessoalizar” essa situação.
Imagine-se numa manhã, você, salvo pela graça de Deus, seja tradicional, carismático, neo-pentecostal ou qualquer outra linha teológica, depois de uma noite péssima por causa de um enjôo bem forte, dormiu pessimamente, sua cabeça dói, seu corpo inteiro dói, com esse estresse todo você saiu de casa e não orou. Normalmente você faz isso depois de acordar, ora agradecendo a noite de descanso, pede as bênçãos para um novo dia e pede perdão por seus pecados. Mas nessa manhã, cansado pelo desgaste da noite, você não orou. Ao atravessar a rua, você foi atropelado por um carro e acabou morrendo, sem ter tido a oportunidade de naquela manhã se arrepender dos seus pecados. Pergunto: para onde você vai? Céu ou inferno?
Para encerrar, quero te convidar a pensar no caso de Sansão. Você acha que ele cometeu suicídio? Você se lembra do que ele disse: “Morra eu com os filisteus.” (Juízes 16:30). Ele estava cego, entre duas colunas e disse que destruiria os filisteus. Minha pergunta é: o que Sansão fez para evitar a sua morte? Qual foi a atitude dele em tentar preservar a sua vida? Depois de ter empurrado as colunas ele não saiu correndo para se salvar. Respondendo as perguntas acima: entendo sim que Sansão não fez nada para se salvar e que, sim, cometeu suicídio.
Muitos me dirão que as intenções do coração de Sansão eram diferentes daquelas de um suicida desequilibrado, ou daqueles que enfrentam grande depressão e angústia. Sim, Sansão era um guerreiro e estava vingando o povo de Deus e destruindo um povo idólatra. O ato de Sansão foi um ato heróico, de muita bravura e de total rendição aos desígnios de Deus. Uma vez que ele se arrependeu do grande mal que provocou aos israelitas, agora ele tinha a oportunidade de vindicar a soberania de Deus.
A esses pergunto: não podemos pecar contra Deus apenas com nossos desejos também? Será que uma intenção boa e justificável aliviaria nosso pecado? No caso de Sansão, o que posso dizer, é que mesmo tendo pecado contra Deus se matando, ele está arrolado no rol dos “heróis da fé”, como é conhecido o capítulo 11 de Hebreus. Só Deus salva, só Deus condena. Só Deus pode dar vida, só Deus pode tirar a vida. A Ele, e somente a Ele, sempre e sempre, seja toda a glória.
sábado, 15 de agosto de 2009
Deus e o Diabo no NIH

O mais recente bafafá na blogosfera científica americana (um ambiente naturalmente fértil para bafafás, devemos admitir) envolve a nomeação de Francis Collins, antigo czar do Projeto Genoma Humano, para o cargo de diretor do NIH (sigla inglesa dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA).O NIH, para quem não sabe, é a instituição pública com o maior orçamento de pesquisa médica do mundo. Collins está sumamente qualificado para lidar com projetos de vulto graças à experiência com o genoma. Mas uma coisa os críticos não engolem: a fé cristã militante do pesquisador.
Collins, ex-ateu e atual cristão evangélico, nunca escondeu sua profunda visão religiosa do mundo. Em seu livro "A Linguagem de Deus" e no site BioLogos (uma junção de "biólogo" com o Lôgos ou Verbo divino da tradição cristã), Collins se revela um defensor ardoroso da compatibilidade entre ciência e religião. Ele rejeita tanto o criacionismo quanto o Design Inteligente, mas argumenta que Deus poderia muito bem ter usado a evolução como ferramenta para criar os seres humanos ao longo de bilhões de anos
Blogueiros-cientistas (e ateus militantes) populares nos EUA, como P.Z. Myers e Jerry Coyne, andam flambando a reputação de Collins em óleo cru desde que sua indicação ao cargo foi cogitada pela primeira vez. O problema deles, afirmam, não é com a religiosidade de Collins, mas com o fato de ele supostamente usar seu prestígio para promovê-la publicamente como alternativa viável tanto ao ateísmo quanto ao fundamentalismo religioso. Ao menos enquanto usa o jaleco de cientista, Collins deveria ser um cristão "no armário", sugerem eles.
Em si, o argumento soa como polícia de pensamento. Se o sujeito quer defender a compatibilidade entre fé e ciência, está no direito dele, até porque Collins quase sempre está pregando para outros religiosos que relutam em aceitar a evolução, por exemplo, e não para ateus. O aspecto defensável da crítica, por outro lado, tem a ver com uma série de declarações do pesquisador, que afirmou repetidas vezes a impossibilidade, ou quase impossibilidade, de explicar o senso humano do certo e do errado com a ajuda da ciência. Para Collins, o conhecimento intuitivo da chamada "lei moral" seria prova da interação única de Deus com os seres humanos -- argumento que ele tomou emprestado do escritor e apologista cristão C.S. Lewis (1898-1963).
No entanto, ao dizer isso, Collins acaba ignorando anos de pesquisa que encontram sinais das bases da moralidade humana em primatas e outros mamíferos sociais, como os estudos do holandês Frans de Waal com a capacidade de empatia em bonobos, ou chimpanzés-pigmeus. Se não existem versões de Madre Teresa entre os chimpanzés e os elefantes, esses bichos, mesmo assim, têm uma noção considerável daquilo que chamamos de certo e errado. A preocupação dos críticos de Collins é que, ao tomar essa posição ideológica de "isso é inexplicável e deriva direto de Deus", ele possa desestimular novos estudos sobre o tema -- e talvez até cortar verbas do NIH para esse tipo de pesquisa. (A de Frans de Waal, por exemplo, que calha de receber esse financiamento.)
Claro que é cedo para dizer se Collins vai mesmo se comportar desse jeito. Mas, se ele aceitar um conselho de cristão para cristão, não é muito sábio do ponto de vista teológico atribuir qualquer fenômeno do Universo à intervenção direta de Deus (a palavra chave aqui é direta) e descartar explicações naturais a priori. Esse tipo de raciocínio é um caso clássico do chamado "Deus das lacunas" e equivale a batizar de "Deus" a ignorância humana -- até que essa ignorância seja sanada, como aconteceu no caso da evolução, por exemplo.
O efeito teológico disso é passar a sensação de que o "espaço" para Deus no mundo está encolhendo cada vez mais. Voltando à moralidade: mesmo que ela tenha evoluído por causas inteiramente naturais (o que é bem provável, na verdade), quem crê em Deus pode simplesmente postular que essas causas naturais foram os instrumentos divinos. Nada disso, claro, vai satisfazer os críticos mais raivosos de Collins, mas pelo menos pode aliviar os temores mais pertinentes deles.
(Reinaldo José Lopes)
Fonte: Laboratório Folha Online
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Não vou mais perder tempo nos sábados!!!
Depois veio o Jimmy Swaggart. Que voz, que músicas, que cantores e que pregação. Amava as manhãs de sábado, semana a pós semana, vendo o programa dele. Lembro-me de quanto eu apreciava vê-lo cantando e tocando seu piano. Dia desses atrás estava matando a saudade vendo-os no Youtube.
Aí a moda pegou no Brasil e os próprios brasileiros começaram a produzir seus programas. O primeiro programa que tenho na minha memória é O despertar da fé, acho que apresentado pelo missionário R. R. Soares. Depois muitos outros vieram: Universal, Caio Fábio, Sinos de Belém, Jabes de Alencar, Silas Malafaia, R.R. Soares, Valdemiro Santiago, Estevam Hernandes, Marco Feliciano, Josué Rodrigues, Hernandes D. Lopes, José Wellington.... são nomes de líderes evangélicos que tiveram e ainda têm seus respectivos programas na televisão brasileira. Basta você ligar a TV no sábado de manhã e você pode vê-los pregar, ouvir músicas, vender seus produtos, pedir ofertas e etc. Da lista que coloquei, acho que só o Caio Fábio não tem mais programa na TV, pelo menos não em São Paulo onde resido.
De qualquer maneira, os últimos escândalos envolvendo muitos dos que citei acima me fizeram tomar uma atitude que, ainda que eu a considere radical, é extamente isso que vou fazer: NÃO VOU MAIS ASSISTIR A NENHUM PROGRAMA EVANGÉLICO TELEVISO. E estou baseando minha decisão em vários fatores:
1. Preciso dormir mais. Dizem que estou ficando velho. Meu cardiologista disse que preciso tomar um remédio para meu coração continuar funcionando e que preciso perder peso. Então vou perder apenas o peso e não mais o meu tempo.
2. Teologia. Exceto o programa do Rev. Hernandes D. Lopes, não compartilho da mesma teologia dos outros programas. Todos eles estão envolvidos com os movimentos pentecostais ou neo-pentecostais (o que é pior!). Amo os cristãos pentecostais, meus pais eram pentecostais, tenho excelentes amigos pentecostais, vivi a maior parte da minha vida numa igreja pentecostal histórica. Contudo, a liderança pentecostal brasileira já era! Não confio neles, não acredito no que falam.
3. Repetição. É sempre a mesma coisa, não muda: triunfalismo, vitória sobre vitória, prosperidade, não existem problemas, pedidos de ofertas intermináveis, venda de material de qualidade duvidosa..... estou farto disso. As pregações são apelativas, rasas, sem conteúdo bíblico. Só chavões e nada de exposição das Escrituras.
4. Minha família. Preciso dar mais atenção à minha esposa, ouvir o que ela tem pra me dizer (que não é pouca coisa), sair com ela mais vezes, preparar-lhe o café da manhã, namorá-la, levá-la a algum parque... enfim, preciso estar mais próximo dela.
Prefiro dormir, andar de bicicleta (e estou precisando), jogar tênis, mergulhar, ir à praia com minha esposa, ler bons livros, escutar música a ficar passando nervoso vendo o que eles estão fazendo na TV. E vou aconselhar meus amigos a que façam a mesma coisa. Sabe, aprendo muito mais lendo os livros da minha pequena biblioteca do que ouvindo esses pregadores. E aprendo ainda muito mais lendo a própria Bíblia.
Naji Nahas, Lalau e Salvatore Cacciola para pastores evangélicos
Este ano está sendo bem difícil para alguns líderes evangélicos brasileiros. O homem dessa foto, que está segurando esse charutão (cubano, lógico!!!) é Naji Nahas. Alguns anos atrás, por semanas ele foi notícia nos jornais por uma série de crimes que estava sendo acusado. Ele e seus advogados diziam que era tudo mentira. O MP e a Polícia Federal diziam que era tudo verdade. Qual era a impressão da população? O povo em geral tinha certeza de que ele era culpado, mas dificilmente alguém conseguiria realmente provar isso. Você se lembra como os líderes evangélicos se posicionaram a respeito do Naji Nahas? Pois é. Coitadinho dele. Nenhum pastor teve uma palavra de revelação para ele. Nenhum pastor saiu em sua defesa para dizer que isso era uma artimanha do diabo para derrubá-lo.
Essa segunda foto é de Nicolau dos Santos Neto, mais conhecido como o “Juiz Lalau”. Segundo o mesmo Ministério Público e a Polícia Federal apuraram, ele desviou milhões de reais dos cofres públicos, tinha casas fora do país, contas em paraísos fiscais, aparecia na televisão zombando e fazendo pouco caso disso tudo. Foi preso e saiu. Depois foi preso de novo e saiu de novo, inclusive para prisão domiciliar por causa de seu estado de saúde. Você viu algum pastor revoltado com isso? Quantos pastores escreveram, ou pregaram, ou profetizaram defendendo o Lalau? Não ouvi nenhuma profecia desses pastores para encorajá-lo a sair dessa situação. e por que as igrejas evangélicas não se posicionaram contra os “abusos” que estavam sendo cometidos contra o nobre juiz e seus familiares?Honestamente, eu acho que Naji Nahas, Nicolau dos Santos Neto e Salvatore Cacciola deveriam ser separados para o pastorado. Seria muito melhor para eles, pois além dos advogados mais caros e competentes para defendê-los, os pastores brasileiros iriam convocar milhares de anjos para os acompanharem em suas detenções, a voz profética para eles se levantariam dos quatro cantos do país, milhões de pessoas orariam para eles serem libertos e o diabo seria acusado de fazer isso contra eles. E para o diabo seria muito bom. Se o Ministério Público e a Polícia Federal fossem prendê-lo, eles ficariam todos queimados e morreriam no lago de fogo e enxofre.
Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos
Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...
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Essa quem me contou foi o João Alexandre ( www.joaoalexandre.com.br ). O renomado Pr Russel Shedd foi questionado a respeito da salvação dos...
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Já falei mais de uma vez que o segundo livro mais importante do mundo é o dicionário. Todo mundo deveria ter um dicionário em casa. Todo m...