quinta-feira, 5 de março de 2009

Aborto causa excomunhão

Essa é uma daquelas notícias que nos deixam boquiabertos. Hoje estava ouvindo a CBN e escutei essa notícia da excomunhão dos médicos e dos familiares de uma menina, com 9 anos de idade, que foi estuprada e estava grávida de gêmeos. Nove anos é a idade das minhas alunas em um dos colégios que trabalho. E por ser professor de Biologia, sempre estive envolvido com a educação sexual e uma das perguntas que minhas alunas me fazem é quando a mulher está pronta para engravidar. Sim, garotas de 9 anos de idade têm curiosidade sobre o assunto. Mas a curiosidade delas não é para engravidar, é simplesmente curiosidade.

Outro dia estava discutindo esse assunto com uns colegas. O problema do pedófilo não é somente sua sexualidade, mas a questão da autoridade. Sexo ele tem com qualquer prostituta a quem ele pagar. O problema da pedofilia é o poder macabro que o(a) pedófilo(a) tem que exercer sobre alguém. E como o crime não pode ser cometido com quem questione a autoridade do agressor, sempre os mais fracos é que são escolhidos. O desvio desse padrasto não era sua sexualidade, mas sim o fato que ele queria mandar em alguém.

Imagine, a garota tinha 1,33m e 36 quilos e estava grávida de gêmeos. Não sei se você já teve oportunidade de ver uma mulher numa gravidez gemelar. Uma amiga minha teve gêmeos há um ano. Ela tem 1,60 e estava enorme, quase não se aguentando mais já no sétimo mês. Agora, o que faz uma mulher apta para ser mãe não se é ela já tem ciclo menstrual. A base psicológica é muito mais fundamental do que a fisiológica. O que faz de uma mulher uma mãe é se, depois de concebido, essa mulher terá condições de cuidar de seu filho.

Não sei se esse artigo vai chegar até o arcebispo de Recife, dom José Cardoso Sobrinho. Mas gostaria de poder dizer algo para ele. Em primeiro lugar, ele não é um “dom” para as pessoas. O Sr José Cardoso Sobrinho queria submeter a menina a manter uma gravidez de alto risco de morte ou de sequelas irreversíveis, e isso sob a alegação de salvar vidas.

“Quais vidas o senhor queria preservar? Se a menina morresse, as crianças também correriam risco de morrer. O senhor disse que as leis dos homens são inferiores à lei de Deus. Mas encontro na minha Bíblia, no Novo Testamento, que o senhor deveria conhecer bem, que devemos respeitar as autoridades, pois elas foram constituídas por Deus. Os médicos e familiares tinham amparo legal para isso, pois a gravidez era fruto de aborto e a mãe corria risco de morte. E mais, a salvação pertence ao Senhor (Jonas 2:9), mesmo sendo excomungados da igreja católica romana, eles podem ser alvo do amor de Deus, muito maior do que as leis humanas ditadas pela igreja romana.”

Meu momento de desabafo. Agora queria me comunicar com os médicos e com a família:

“Médicos, como biólogo e cidadão, estou do lado de vocês. A ação que vocês tiveram foi a mais correta e mais digna, exatamente dentro daquilo que vocês se propuseram a fazer em suas vidas. Mantenham essa coragem e determinação na profissão de vocês.

Familiares, como servo de Cristo, aprendi que tenho que chorar com os que choram e gostaria muito de poder oferecer-lhes meu ombro para você chorarem esse sofrimento que estão passando. Quero me confraternizar com vocês e, se pudesse e conhecesse vocês, orar junto com vocês. Mas oro daqui onde estou, pois Deus pode alcançar vocês aí em Recife.

Médicos e familiares, se a igreja católica romana excomungou vocês, corram para Jesus, porque todo aquele que se aproxima dEle não é abandonado. Ele mesmo disse isso, que qualquer que se aproximasse, Ele não lançaria fora.”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Simplicidade


“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo.”

2 Coríntios 11:3



Você já teve a sensação de ter nascido na época errada? Algumas vezes tive vontade de ter nascido há muito tempo atrás. Já tive vontade de ter visto como eram as discussões no Areópago. Já tive vontade de ter nascido nas épocas de grandes descobertas científicas. Já tive vontade de ter nascido na Inglaterra quando Spurgeon era pastor. Já tive vontade de ter ouvido Calvino, Jonathan Edwards. Enfim, para muita coisa acho que nasci na época errada. Muita gente pode considerar isso uma blasfêmia contra o propósito de Deus de eu ter nascido em 1972. Mas é apenas um exercício retórico esse.



O fato é que hoje vejo que a situação da igreja evangélica está bem longa da “simplicidade que há em Cristo”. O que há de simples em Cristo? Acho que na Bíblia tem uns bons resumos para essa pergunta:



Romanos 5:8 Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Atos 3:19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor.

Mateus 1:21 E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

João 14:6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

João 17:3 E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.



Com toda honestidade, estou ficando um pouco cansado das pessoas que querem inventar em cima da Bíblia. Tem gente com as propostas mais doidas: unção disso e daquilo, encontro disso e daquilo, louvor extravagante, igreja emergente, toca o shofar, cai aqui e ali. O pessoal inventa “um novo tempo”, “Deus tem algo novo”, mistério daqui e dali, revelação das coisas ocultas, ano de Davi, de José, de sei lá mais quem – ops, fala essa última frase bem rápido, vai parecer língua estranha. Não dá mais. Cansei até de escrever!!!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Carta aberta aos evangélicos - principalmente aos líderes!

São Paulo, 27 de janeiro de 2009.


Foi com muito pesar e tristeza que vi as imagens desoladoras da queda do teto da sede da Renascer. Como cristão, devo seguir os ensinamentos de Jesus e chorar com os que choram. Como cristão, que teve o coração cheio do amor de Deus, a tristeza de um membro do corpo, é a tristeza de todo o corpo.

Obviamente que não posso concordar com quem gostou do ocorrido, com quem achou que foi “bemfeito”, que eles estão colhendo o que plantaram e pensamentos parecidos com esses. É bem verdade que não ouvi ninguém se alegrando com esses fatos, mas escutei alguns programas de rádio que disseram que isso ocorreu.

No sábado, dia 24 de janeiro, tive oportunidade de ouvir um programa de rádio (Rádio Musical – FM 105,7 – São Paulo) que discutiu se o que aconteceu na Renascer era obra de Deus, ou do diabo ou uma fatalidade. Os debatedores e os ouvintes que participaram, concordaram que o ocorrido foi uma fatalidade e nem Deus, nem o diabo foram responsáveis. Contudo, creio que algumas questões deveriam ser discutidas nesse momento, mas os líderes não o estão fazendo.

Há uma perseguição ocorrendo contra a Igreja Cristã no Brasil? Na minha opinião, não está havendo perseguição. E o ponto aqui é que a falsa idéia de perseguição atual está sendo associada à perseguição a que enfrentou a igreja em Atos. No início da Igreja Cristã, ela foi perseguida porque pregava a Verdade. Os primeiros cristãos foram perseguidos por seguirem a Jesus Cristo. Inclusive. Ele advertiu que isso iria acontecer.

Mas é ridículo associar uma coisa à outra. Quando da prisão dos líderes da Renascer, fui abordado por uma jovem a assinar um abaixo-assinado contra a prisão deles. Não assinei e jamais assinaria. Eles não foram presos por pregarem o evangelho. Estevam e Sonia Hernandes foram presos porque mentiram quanto a quantia de dinheiro que portavam na bagagem. Em nenhum momento fui impedido de pregar o evangelho em qualquer lugar.

Os apóstolos foram perseguidos, espancados e presos porque anunciavam a Jesus Cristo. Os “apóstolos” modernos tem que responder sobre supostas sonegações, enriquecimentos ilícitos, criação de esquemas fraudulentos e tudo o mais que a justiça está apurando. É mentira, e agem de muita má fé, os que querem passar a idéia que a Igreja Cristã no Brasil está sofrendo perseguição. Pelo menos, os fatos ocorridos com a Renascer não servem de exemplo.

Se a prefeitura de São Paulo apurar que há irregularidades nos prédios das igrejas locais que as multem, que as cobrem pela regularização ou que as fechem, se for preciso. Caso isso ocorra, que as igrejas locais se levantem sem mácula nenhuma, como deve ser a noiva de Cristo. E daí que 90% (segundo o moderador do debate na rádio) das igrejas serão fechadas! Que falha em ponto da lei, falha em todos. Sinto-me envergonhado em fazer parte de uma geração que jogou a ética no lixo, que não tem mais vergonha na cara e que relativiza tudo, ainda que esteja com a Bíblia aberta. Contra a verdadeira igreja, nenhuma porta infernal vai prevalecer.

Os líderes modernos querem ganhar a situação no grito. Os participantes do referido programa de rádio comparavam os templos irregulares com shoppings, com bares, restaurantes e até motéis foram citados. Ora, se não há condição de se abrir um templo dentro das normas técnicas, NÃO ABRA!!! Ou as leis vão ser respeitadas ou não. Líderes evangélicos não podem se posicionar à margem da lei. A Igreja de Cristo deve ser a primeira instituição a preservar as leis e cumpri-las. As irregularidades deves ser todas corrigidas: nos shoppings, nos restaurantes, nas lojas, nos motéis e, principalmente, nas nossas vidas.

Um apelo final aos líderes da igreja evangélica brasileira: ensinem seus liderados a amarem a Deus com todo entendimento e força; ensinem as pessoas a desejarem a Jesus Cristo como Salvador; ensinem as pessoas a dependeram do Espírito Santo; ensinem as pessoas a amarem a Palavra de Deus e a estudá-la; ensinem as pessoas a odiarem o pecado e a se afastarem dele. Ensinem as pessoas a darem a César o que devido a ele e darem a Deus o que Lhe é devido.

Marcos David Muhlpointner

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A bispa que virou manga

Sou professor de Biologia, mas também tenho que corrigir muitos erros de português das respostas dos meus alunos. Já li um monte de palavras estranhas: shi-shi (xixi), Jossoaris (Jô Soares), serumano (ser humano) e muitas outras. Por isso mesmo, incomoda-me muito quem tem a obrigação de ensinar e de ser exemplo, destruir o nosso vernáculo. Pais, professores, jornalistas, profissionais da imprensa e até mesmo pastores estão no rol de pessoas que precisam saber usar o vernáculo. Tenho muita dificuldade em concordar com o erro. Lógico. Contudo, quando o erro vem seguindo de arrogância, presunção e altivez, ele se torna mais nojento ainda.

Em São Paulo nasceu um movimento evangélico que alcançou várias partes do mundo. A igreja Renascer em Cristo sempre teve uma proposta inovadora em tudo que se pôs a fazer. Cultos, liturgia, música, pregação, administração sempre teve um toque de vanguarda. Só que isso pode trazer sérios problemas. Não vou ficar discutindo os problemas que seus líderes causaram para as pessoas. Nem quero discutir aqui os problemas que esses mesmos líderes têm com a justiça. Mas se realmente eles foram colocados numa posição de ensinar, eles poderiam pelo menos ensinar direito a Língua Portuguesa.

Dias desses, já faz tempo, estava fazendo uma pesquisa no maior dicionário da Língua Portuguesa aqui no Brasil, o Dicionário Houaiss. Meu interesse era pela palavra bispa, quando me deparei com o seguinte: BISPA: SUBSTANTIVO FEMININO. RUBRICA: AGRICULTURA. REGIONALISMO: ÍNDIA. VARIEDADE DE MANGA. Antes da liderança da Renascer colocar a Sonia Hernandes como bispa, nunca tinha ouvido essa palavra. Se lhe deram a designação de bispa por que ela é responsável pela supervisão de um grupo de pastores, o tratamento deveria ser de episcopisa. Mas, convenhamos, se ela fosse chamada de Episcopisa Sonia, seria mais estranho ainda. Pois bem, além de não concordar teologicamente com tal designação, a palavra não tem o significado atribuído a ela na língua portuguesa.

Aí, fazendo mais algumas pesquisas na internet, deparei-me com outra aberração lingüística, a palavra apóstola. Acabei entrando no site da Igreja Apostólica Casa Firme (http://www.casafirme.com.br) e vi que ela é dirigida por uma apóstola. Depois me dei conta que a Valnice Milhomens já era chamada desse jeito há algum tempo. Para minha surpresa, agora há igrejas com uma nova designação, que não existe nem na Bíblia nem na língua portuguesa. Como não posso ficar aqui apenas criticando, vai um serviço de utilidade pública, principalmente para essa gente leiga: o Professor Pasquale Cipro Neto tem um site, no qual vocês podem entrar em contato com ele. É só clicar aqui.

A avaliação e o julgamento (Mateus 7:1 e 20)

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. (...) Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”

Já abordei esse texto num outro artigo que escrevi há dois anos. Mas como esse trecho da pregação de Jesus é muito importante, resolvi abordá-lo com outro enfoque dessa vez.
Por acaso você está certo em tudo que diz, pensa e faz? Você está correto nas avaliações que faz da sua vida profissional, sentimental, familiar e social? Com relação ao cotidiano que você mesmo construiu, ele está correto? Ou tem alguma coisa errada? Estas questões são muito subjetivas e, dependendo do seu grau de humor, é possível que você me responda que eu não tenho nada a ver com isso. Ora, a vida é sua. E eu não tenho o direito de me meter na sua dieta, na qualidade do seu sono, se você gosta ou não da sua vida profissional, etc.

Mas e quanto às suas convicções teológicas, você está correto ou errado sobre o que pensa da Bíblia e suas doutrinas. Quero lhe dizer que amo a teologia e o seu estudo, mas sei que ela pode se tornar num instrumento de alienação para muitos. Amo a Bíblia e sei que ela tem ensinamentos fundamentais para a minha vida. Também sei que ela pode ser usada por gente louca, pregando todo tipo de loucura.

Se eu te disser que estou pregando sobre a data que Jesus vai voltar, o que você me responderia? E se você me ouvir pregando para usar um sal ungido na sua comida para sua purificação? E se eu pregar que os crentes não ficam mais doentes, porque somos sarados pelos ferimentos de Jesus? E se eu pregar que nossos problemas financeiros podem ser resolvidos se dermos mais dinheiro na nossa igreja com bastante alegria, espontaneidade e muita fé? Você teria coragem de me dizer: “Marcos, você está errado e sua pregação não é bíblica”?
Você seria capaz de me mostrar na Bíblia onde estou errando? Você apontaria o meu erro? Você me alertaria dos erros que estou cometendo? Você mostraria quais são os meus erros e me apontaria uma direção certa? E ao fazer isso, você estaria me julgando, me avaliando? Ou estaria julgando e avaliando o que estou ensinando?

Sabe, o nosso grande problema é que não conseguimos dissociar com facilidade o que pregamos e vivemos daquilo que somos. Você acha que Jesus, sendo quem ele é, poderia ensinar de modo diferente? É por isso que muito têm dificuldade com esse trecho de Mateus, capítulo 7. Muitos pensam que, por apontarem os erros doutrinários das pessoas, estariam julgando essas pessoas e, por causa disso, atrairiam julgamento para si.

O fato é que não podemos nos colocar numa posição de julgar as pessoas, pois isso é prerrogativa exclusivamente do justo juiz, o juiz dos vivos e mortos (Atos 10:42; 2 Timóteo 4:8). Mas, pela Palavra de Deus, somos obrigados a avaliarmos as árvores de onde tiramos os nossos frutos (v. 20). Jesus nos está advertindo que temos que conhecer os frutos para sabermos qual é a qualidade da árvore. Precisamos ter os nossos olhos espirituais abertos para avaliarmos que o que nos é pregado é realmente a Palavra de Deus. E por que devemos ter esse comportamento?
Nessa mesma passagem de Mateus 7, Cristo compara as pessoas a dois construtores de casa. Um deles construiu sua casa sobre a areia e ela desmoronou. O outro construtor, colocou sua casa sobre uma rocha, de modo que ela resistiu às tempestades. Gente, a comparação é óbvia! Onde você está construindo sua casa espiritual? O que tem por baixo dos seus alicerces espirituais? Você está sabendo avaliar onde está construindo sua vida espiritual? Quais materiais você está usando?

Não posso julgar as intenções dos corações das pessoas porque não tenho poder para sondá-lo. Mas tenho a obrigação de julgar todos os espíritos e saber se eles procedem de Deus (1 João 4:1). Além disso, devo julgar todas as coisas e reter aquilo que é bom (1 Tessalonicences 5:21). Mas como saber o que é bom? Deus é bom e o que as pessoas pregam e dizem deve estar de acordo com Ele, caso contrário, seremos enganados com falsos ensinos (Efésios 4:14). E eu não quero e não vou, se Deus quiser, ser enganado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Xô preguiça!!!



“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio.”

Provérbios 6:6


Para nós, cristãos, a Palavra de Deus é fascinante por vários aspectos. Um dos pontos que mais fascina é o fato de ter sido escrita por quase 50 pessoas, muitas delas com diferenças de cultura, educação, origem e de tempo. E, mesmo assim, é possível encontrar coerência em todos os seus pontos. Causa-nos deslumbramento vermos palavras de Jesus presentes nos Salmos, por exemplo. Muito embora vários homens a tenham escrito, o seu Autor é um só.

Como biólogo, eu fico fascinado quando a Palavra de Deus nos compara com muitos seres vivos. Somos comparados a árvores, pintinhos protegidos por uma galinha, gafanhotos, bois e jumentos, entre outros.

O texto que escolhi para esse texto é uma dessas comparações. Para quem não sabe, a formiga é um inseto. De modo geral, insetos possuem um par de antenas, três pares de patas, um ou dois pares de asas. No caso das formigas, apenas a formiga-rainha (içá, em algumas regiões do Brasil) possui asas. Além disso, escolhi esse texto também por causa de um tema abordado na Biologia que é a sociobiologia.

Esse ramo da ciência estuda o comportamento social encontrado em várias espécies de animais, vertebrados e invertebrados. É consenso, e muito bem estabelecido, que a convivência gregária é vantajosa para a adaptação dos seres ao meio ambiente em que vivem. Isso é aplicado desde o estudo de formigas, abelhas e vespas, até estudos de psicologia humana. Na verdade, só por causa dessa definição já teríamos muito o que comentar à luz da Bíblia.

Mas vamos tentar imaginar um pouco no que Salomão estava pensando quando escreveu isso. Certamente ele foi um grande observador da natureza. Se você ler tanto Provérbios quanto Cantares vai perceber que os animais e os vegetais são colocados em comparação a nós de uma forma muito poética ou analítica.

No caso das formigas, muitos de nós já viram esses animais carregando pedaços de folhas para dentro do formigueiro. Interessante é o fato que elas não se alimentam das folhas, mas dos fungos que crescem sobre elas para decompô-las. Assim, se elas não colherem essas folhas no verão, no outono, quando as folhas caem e morrem, elas vão ficar sem alimento. Em segundo lugar, apesar do formigueiro estar cheio elas continuam levando as folhas para manter os estoques sempre em alta.

Num formigueiro ainda, encontramos formigas com várias funções: formigas-soldado, cortadeiras, carregadoras, as que vigiam os ovos, as que protegem a rainha e a própria rainha. O mais fantástico de tudo é que cada formiga dessas desempenha a sua função e não interfere na atividade da outra. Ou seja, existe uma interdependência e uma “confiança” na formiga que vai desempenhar a sua função. Nesse sentido, se sou uma cortadeira, posso fazer meu serviço sem me preocupar em me defender, pois uma soldado estará próxima de mim para me proteger. Poderíamos identificar nas pessoas de uma igreja o cristão-pastor, cristão-músico, cristão-intercessor, entre outros.

Se transportarmos isso para nós, como fez Salomão, veremos que temos muito a aprender com esses animais. Em primeiro lugar aprendo que existe uma hierarquia a ser respeitada. Existe uma rainha que comanda e mantém o formigueiro. Essa rainha é a responsável pela reprodução e deposição de ovos para novas formigas nascerem. Na minha vida não sou eu quem manda. Existe Alguém que me é superior, ao qual devo reverência e para o qual vou prestar contas.

Nas nossas igrejas locais também tem hierarquia. Deus colocou homens que Ele mesmo tem preparado para nos comandar e nos levar a “pastos bem verdejantes” (Salmo 23:2). Nossos líderes foram colocados por Deus e devemos orar por eles, pois o trabalho deles visa o “aperfeiçoamento dos santos” (Efésios 4:11-12).

Outro ponto que quero destacar é que cada um de nós no reino de Deus, individualmente, tem sua função (1 Coríntios 12:12-27). Se não fui colocado por Deus para ministrar louvor, mas para distribuir os elementos da Ceia, vou distribuí-los com o maior espírito de louvor. Se Deus não me dotou de uma boa memória, como poderei ser um bom pregador? Ao contrário disso, sou um excelente intercessor, então vou anotar os pedidos das pessoas e orar para Deus abençoá-las.

Tenho plena convicção que muitos dos problemas que a igreja evangélica no Brasil está passando seriam evitados se atentássemos para as formigas. Se nos alimentássemos da Palavra de Deus constantemente, teríamos reservas para momentos de tentação e de desertos na nossa vida. Se ficássemos desenvolvendo o dom que Deus nos deu, ao invés de ficar procurando “pêlo em ovo”, poderíamos estar num momento mais firme, mais teológico, mais saudável espiritualmente. Se eu ajudasse mais meus irmãos na minha igreja local, talvez cresceríamos mais no conhecimento de Jesus (2 Pedro 3:18), talvez aprendêssemos mais da Palavra de Deus, talvez mais incrédulos fossem alcançados.

Se realmente nos preocupássemos com o corpo de Cristo, não deixaríamos os cristãos-missionários à míngua no campo missionário. Se realmente vivêssemos na realidade do corpo de Cristo, nossas famílias seriam melhor assistidas, órfãos e viúvas seriam melhor acolhidos. Minha palavra final é: deixemos a preguiça de lado, sigamos o exemplo das formigas, trabalhemos para o corpo e não para membros individuais.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009

Muitas instituições elegem temas especiais para um novo ano. Já fiz issso algumas vezes. Mas depois que me casei, o grande tema era o meu casamento. Em 2009 vai ser diferente. Nesse ano, o grande tema da minha vida vai ser a minha saúde, e em quatro níveis:

1. Financeira:
esse ano vou trabalhar com muito vigor para quitar as dívidas, se não todas, pelo menos aquelas que são mais urgentes.

2. Biológica:
não dá mais para viver com o peso que tenho, comendo do jeito que como e sedentário como fui até aqui. Não tem coração que resista, rim que funcione e fígado que dê jeito. Não sou corinthiano mas tô contigo, Ronaldinho. Você lá e eu aqui.

3. Psicológica:
olhar-se no espelho e não se sentir satisfeito é péssimo. Não ter auto-estima ou tê-la muito baixa é igualmente péssimo. Não se gostar é o primeiro passo para não gostar dos outros. Os embates psicológicos que tive em 2008 foram demais. E como diz um grande amigo meu, o deserto é o melhor lugar para se aprender. E eu vi e aprendi muita coisa nos desertos da minha vida.

4. Social:
saúde social?!?!?!?!?!?!? Existe isso? Você vai entender o que vou dizer. Quantas vezes, ao nos despedirmos das pessoas, principalmente homens, dizemos “Um abraço hein”. Pois esse ano vai ser diferente. Vou ser mais amigo dos meus amigos, vou deixar isso claro pra eles sempre que possível. Vou abraçá-los mais, vou beijá-los mais, vou estar mais junto deles. Afinal de contas, não vivemos isolados uns dos outros. Viver em sociedade é uma característica dos mamíferos.

Mas o principal disso: esses serão meus objetivos, pelos quais lutarei, trabalharei e me esforçarei para alcançá-los, se Deus quiser. Que tempo estamos vivendo? Para algumas coisas é tempo de plantas, para outras, é tempo de colher. Que tempo é esse? Eclesiastes, capítulo 3, vai me ajudar nesse ano.

FELIZ ANO NOVO PRA VOCÊS!!!!!!

Marcos D. Muhlpointner

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Formatura 2008


Um dos momentos de grande alegria pra mim, nesse 2008, foi tocar bateria. Toquei muito nesse ano e de uma forma que nunca imaginei que fosse tocar.

Um desses momentos foi esse da foto ao lado, na formatura dos meus alunos do 9º ano. Na verdade nesse ano não dei aula para eles, mas fiz muitas amizades nessa turma.

Tenho que agradecer ao Gabriel (baixo) e ao Vavá (violão e arrenjos) por me proporcionarem esses momentos de festa. Música é festa e festa é alegria.

Marcos

Comprei esse DVD já faz algum tempo e fiquei chapado. O Steve Gadd está tocando muito. Nesse show dá pra entender o que o Claudio Rocha quer dizer com “menos é mais”.

Steve Gadd economiza nota onde elas precisam ser economizadas e faz licks matadores onde e quando a música precisa. É um exemplo de uma baterista trabalhando para a música, uma verdadeira aula de como ser um sideman sem ser “afetado”.

Alimentação Diária

Por que temos que comer todos os dias? Não é apenas uma questão de prazer. É lógico que comer é prazeroso – e digo que pra mim é por prazeroso demais! Contudo, a principal razão para comermos é a nossa sobrevivência. Retiramos dos alimentos os nutrientes para nosso corpo produzir a energia necessária para todas as nossas atividades. É por isso que comemos. Nosso corpo tem que fabricar energia todo dia e ele utiliza os nutrientes dos alimentos. Nossas células morrer por falha nesse mecanismo. Entre outros fatores, a falta de alimentação deixa de providenciar os nutrientes necessários para as reações de produção de energia.

E nossa vida espiritual? Como anda a produção de energia da nossa vida espiritual? Será que estamos nutrindo-a com alimento suficiente? Além disso, será que essa nutrição é com alimentação correta? Esses dois aspectos têm que ser considerados: alimentos corretos e na dose certa. Veja que declaração interessante essa de Paulo: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena...” (Colossenses 3:5). Temos uma longa lista de versículos que nos mostram que a nossa inclinação é controlada pelo pecado e, portanto, contrária à direção de Deus. E é essa inclinação que o apóstolo Paulo está nos aconselhando a matar. Paulo faz uma comparação muito simples e muito interessante.

Em primeiro lugar, devo ressaltar que o apóstolo Paulo não nos está pedindo para morrermos, para darmos cabo da nossa vida. Ele está tratando de algo espiritual, da nossa relação com Deus, da nossa espiritualidade. Então, quando ele nos aconselha a matar nossa natureza, ele não quer dizer que é para nos destruirmos. O apóstolo está, enfaticamente, nos exortando a matar aquela natureza pecaminosa que herdamos de nossos primeiros pais no Éden. Essa natureza nos impulsiona a práticas que nos afastam da presença de Deus e quebram nossa espiritualidade (vv. 5-6, 8-9).

Aqui se estabelece uma comparação bem simples. Nosso corpo físico se manterá vivo se nos alimentarmos direito, assim ele não morrerá. Mas a nossa natureza terrena precisa ser morta. Como? Deixando de ser alimentada. Isso é o que o apóstolo quer que pensemos e quer que façamos. Paremos de alimentar o pecado dentro de nós!!! Não vamos mais fornecer nutrientes para que ele continue vivo. Fazer morrer a nossa natureza terrena (velho homem) implica em, ativamente, não fornecermos as condições necessárias para que ela viva. Trata-se de um assassinato espiritual que temos que praticar.

O apóstolo ainda nos indica que caminhos devemos seguir. Ele nos diz que devemos nos despojar das práticas que alimentam aquela natureza perversa (v. 8). Despojar-se de algo significa pôr de lado, privar-se, largar, abandonar, perder algo. Portanto, como diz um pastor muito meu amigo, devemos nos afastar da “vitrine do pecado”. Ah, como gostamos de passear no “shopping do pecado”! Devemos nos afastar daquilo que nos aguça a concupiscência dos olhos e da carne.

Não é fácil cometer esse assassinato, justamente porque vai contra a nossa natureza. Ainda gostamos de pecar e o pior, gostamos de mantê-lo vivo. Assim como nosso corpo precisa de alimento diariamente, é diariamente que precisamos matar o pecado em nós. É no dia-a-dia que se mata o pecado um pouco por vez. Nunca conseguiremos matá-lo num único golpe. Mas é através de dedicação, disciplina e verdadeiro interesse de agradar a Deus que vamos matar nosso velho homem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A Brevidade da Vida

Esse ano de 2008 vai ficar marcado para mim. Em meus 36 anos, nunca fui a tantos velórios como nesse ano. Gente querida que partiu e gente querida de uma grande amiga também partiu. Isso me fez pensar na brevidade da nossa vida e no fato que basta estarmos vivos para nossas células “resolverem” para de funcionar.

O texto que posto hoje tinha sido escrito há algum tempo. E é exatamente o que pensei ontem voltando de um velório muito comovente.

Se você perguntar para um aluno de 12 ou 13 anos do que o corpo humano é formado, vai ouvir que é formado por água e por células. Só pra dar uma idéia da quantidade de células, imagine que você tenha 100.000.000.000.000 notas de um real em casa; é mais ou menos a quantidade de células do nosso corpo. Imaginar que essa quantidade surgiu a partir de sucessivas divisões celulares de uma única célula formada na fecundação é algo realmente assombroso. Bem disse o salmista: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:14).

Que afirmação espantosa, ainda mais para alguém que não dispunha de imagens 3D de ultra-som, microscopia eletrônica ou algo parecido. Só mesmo Deus para revelar algo tão maravilhoso. Interessante que ainda hoje, nós cientistas, não sabemos como uma célula pode originar várias e como cada uma delas de diferencia em células musculares, cardíacas, nervosas e etc. A propósito, essa é a grande linha de pesquisa atualmente com o Projeto Genoma, as células-tronco. Mas esse não é o nosso assunto agora.

Há poucos dias recebemos a notícia da morte de Terri Schiavo e do Papa João Paulo II. Isso me fez pensar no evento mais certo e previsível para qualquer ser vivo que vagueia por esse planeta. Se ninguém ainda lhe disse, preste atenção, você vai morrer!!! Mais dia, menos dia, você vai deixar de existir nessa vida. Em Biologia chamamos isso de apoptose celular, ou seja, a morte celular programada. Se não lhe acontecer nenhum acidente que cause sua morte, algum dia na sua velhice, suas células vão parar de funcionar. No caso do papa isso é muito evidente, pois chegou um momento que suas células pararam de funcionar por uma série de eventos. No caso da Terri, ela sofreu um ataque cardíaco o que lhe ocasionou vários problemas.

E a nossa vida espiritual? Bem, um fato diferente da vida celular é que ela já começa morta. Davi escreveu no salmo 51 que ele foi concebido em pecado (v. 5) e o apóstolo Paulo, que antes de Jesus nos alcançar, estávamos “mortos em delitos e em pecados” (Efésios 2:1). Isso significa que nossa comunicação com Deus não se estabelece até que Ele mesmo Se volte para nós e nos chame pra perto de Si (João 15:16). É uma dura realidade, mas meu filho vai nascer pecador e afastado de Deus, tendo as mesmas necessidades espirituais que eu tenho.

Deus não está nem um pouco preocupado com a lógica humana. As palavras “morte” e “vida” assumem significados interessantes no vocabulário de Deus. A nossa vida espiritual é garantida pela morte física do Salvador. Nossa morte espiritual é acompanhada desde o início da nossa vida física. A morte eterna – que é entendida como o alijamento eterno da presença de Deus – se perpetuará durante toda a eternidade, ou seja, vai ter “vida longa”. A vida eterna que nos foi dada em Cristo nunca vai acabar, ou seja, jamais vai morrer.

Em questões de salvação Jesus foi muito claro: “... a carne para nada aproveita”, o que realmente interessa é que o nosso espírito seja alimentado (João 6:63). Isso não significa que estou pregando que não devemos ter cuidado com o corpo. Por exemplo, glutonaria e embriaguez são pecados graves que impõem ao corpo uma carga muito pesada (Colossenses. 3:5; Efésios 5:18). Também não estou afirmando que não devemos procurar os médicos, eles são uma bênção de Deus para nós. Contudo, o que você vê todo dia diante do espelho, gostando ou não do que vê, vai virar comida de fungos e bactérias decompositores.

Que a nossa alma se apegue ao Senhor, que o nosso espírito se comunique com o Espírito Santo de Deus, que nosso corpo expresse a vida de Deus através de obras que dignifiquem e glorifiquem o nome de Deus. Graças a Deus, na ressurreição dos mortos, nossos corpos serão glorificados e não mais corruptíveis.


Três afirmações de que Deus e evolução não podem estar juntos

                 Foi com vontade de conhecer como o mundo físico funciona e como Deus criou todas as coisas, especialmente os animais, é que...